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Bajecã

Abu Huceine Bajecã Almacani, geralmente apenas referido apenas como Bajecã, foi um comandante e oficial militar turco do Califado Abássida. Um antigo gulam da dinastia ziárida, Bajecã entrou para serviço abássida após o assassinado do governante ziárida Mardavige (r. 930–935) em 935. Durante seu mandato de cinco anos na corte califal de Baguedade, foi agraciado com o título de emir de emires, consolidando seu domínio sobre os califas Arradi (r. 934–940) e Almutaqui (r. 940–944) e dando-o poder absoluto sobre os domínios deles.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 24/07/2026
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Biografia

Início da carreira militar e serviço sob ibne Raique

Detalhes do começo da vida de Bajecã são desconhecidos. Foi um dos gulans (escravos militares, geralmente de origem turca) do chefe militar dailamita Macã ibne Caqui do norte do Irã. Macã cuidou de seu treinamento e educação, algo pelo que o último mostrou gratidão ao adotar o nome de seu patrão como seu nisba (sobrenome). Após Macã, Bajecã entrou no serviço de Mardavige (r. 930–935), fundador do Reino Ziárida, que veio a controlar Dailão, Jibal e Tabaristão. Mardavige maltratou seu gulans, que consequentemente assassinaram-no em Ispaã em janeiro de 935, um ato que Bajecã pode ter sido cúmplice. Depois da morte de Mardavige, muitos dos gulans a serviço dos ziáridas dispersaram. Bajecã e seu colega oficial Tuzum assumiram a liderança de um grande grupo e, depois do primeiro oferecer seus serviços para o novo governador de Jibal, Haçabe ibne Harune, partiram para a corte abássida em Baguedade. Primeiramente, a oferta deles foi rejeitada pela corte, onde os guardas califais Hujari ciosamente guardaram suas prerrogativas, mas os gulans foram posteriormente tomados no serviço de Maomé ibne Raique, governador de Baçorá e Uacite no sul do Iraque. Agora conhecido como Bajecã Raiqui, criou uma grande força militar sob seu comando consistindo de seus próprios seguidores bem como turcos e dailamitas adicionais convocados de Jibal.

Emir de emires

Apesar da contínua relegação de Arradi para um papel cerimonial, a relação entre o califa e Bajecã foi forte, com Arradi louvando-o por sua disciplina rigorosa e referindo-se a ele como seu "protegido". Arradi foi apreciativo do respeito de Bajecã por sua posição como califa, e prometeu seu apoio para o emir de emires. Em outubro ou novembro de 938, Bajecã e o califa fizeram campanha contra a influência do emir hamadânida de Moçul, Haçane ibne Abedalá (r. 935–967), que tomou vantagem do conflito no Iraque para cessar o encaminhamento da receita de sua província para Baguedade. Embora o exército de Bajecã capturou Moçul, Haçane fugiu perante ele para os mais remotos cantos de seu domínio, onde as forças invasoras perseguiram-no em vão. Nesse meio tempo, a população local ressentiu a presença das tropas califais e iniciou uma guerrilha contra elas, enquanto ibne Raique usou a ausência de Bajecã para tomar o controle de Baguedade como chefe da força cármata. Estes eventos forçaram Bajecã a negociar com seus rivais: os hamadânidas foram restaurados em sua província em troca do pagamento de tributos atrasados, e ibne Raique foi subordinado com o governo das províncias de Tárique Alfurate, Diar Modar, Junde de Quinacerim e Alauacim, que também foram reivindicadas pelos iquíxidas do Egito. Esse acordo permitiu que ele e o califa retornarem para Baguedade em fevereiro de 939.

Morte e anarquia subsequente

Bajecã fez campanha contra Albaridi no começo da primavera de 941. Seus tenentes foram num primeiro momento derrotados pelos Albarides, razão pela qual Bajecã deixou Uacite para tomar o campo. Em seu caminho para juntar-se com seu exército, foi informado que seus generais conseguiram uma grande vitória sobre eles, e decidiu retornar. Em 21 de abril de 941, enquanto viajando, tomou parte numa excursão de caça, durante a qual ele e seu grupo inadvertidamente encontrou um bando de salteadores curdos. Durante uma breve escaramuça, Bajecã foi morto quando um dos curdos perfurou-o nas costas com sua lança. A morte inesperada de Bajecã criou um vácuo de poder na capital, com desavenças entre as forças dailamitas e turcas incitando os primeiros a juntarem-se com o derrotado Albaridi. Com sua assistência, marcou sobre Uacite e Baguedade, capturando-os, mas foi logo forçado a fugir devido à desordem que se seguiu sua usurpação do poder. Um chefe dailamita chamou Curanquije para substituí-lo como governante de facto da capital, mas ele impôs um governo tirânico, e Almutaqui apelou para o antigo emir de emires ibne Raique por assistência.

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Personagem

Apesar de sua origem escrava, Bajecã foi educado em árabe (embora relatadamente não falou-o por temer cometer erros), respeitado por intelectuais e foi conhecido por procurar a companhia de homens como Alçuli e o médico Sinane ibne Tabite. Está nos escritos deles que o vislumbre de seu caráter sobrevive. De acordo com o pesquisador Marius Canard, Bejkam foi "cobiçoso de poder e dinheiro, ele não hesitou recorrer a dissimulação e ardil, corrupção e tortura para atingir seus fins; ele foi às vezes cruel, embora sua bravura foi lendária, e foi mais direito em caráter que ibne Raique". Bajecã foi também solícito do bem-estar de seus assuntos, e especialmente os habitantes de Uacite acalentaram sua memória.

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Fontes consultadas

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