Língua bengali
O bengali ou bengalês, também conhecido como bangla e bengalim, é a língua indo-ariana falada pelas populações de Bangladesh e pelo estado indiano vizinho de Bengala Ocidental. Há também comunidades significativas de falantes de bengali em Assão e em Tripura, além de populações imigrantes no Ocidente e no Oriente Médio.
Falantes
Os bengalis (ou bengalas, ou bengaleses) são um grupo étnico índico de Bengala (um território dividido entre a Índia e Bangladesh), no subcontinente indiano, com uma história de mais de dois milênios. Falam a língua bengali, do ramo oriental do indo-europeu. São indo-arianos, aparentados dos biaris e dos assameses, embora também tenham relação com os mundas, os tibeto-birmaneses e os austro-asiáticos, do nordeste da Índia, e com os dravidianos do sul da Índia. Assim sendo, os bengalis são um povo heterogêneo e consideravelmente diversificado. Concentram-se principalmente em Bangladesh e no estado indiano de Bengala Ocidental. O termo bengali também pode referir-se ao Bangladesh ou a seu natural/habitante[carece de fontes?]
Status atual
Bengali é o sétimo idioma mais falado do mundo (quinto se contarmos apenas falantes nativos), com cerca de 265 milhões de falantes, 228 milhões deles sendo falantes nativos.
Região em que é falada
Bengali é o único idioma oficial de Bangladesh e, também, a língua oficial dos estados indianos de Assão, Tripura e Bengala Ocidental. Há algumas diferenças de vocabulário e pronúncia entre as variantes faladas em Bangladesh e as da Índia.
Dialetos
A variação regional no bengali falado constitui um continuum dialetal. O linguista Suniti Kumar Chattopadhyay agrupou os dialetos das línguas de Magadhan oriental em quatro grandes grupos que incluíam assamês e oriya - Rarhi, Vangiya, Kamrupi e Varendri; Além deles, alguns linguistas também incluem Sundarbani e Manbhumi. mas muitos esquemas de agrupamento alternativos também foram propostos. Os dialetos do sudoeste (dialeto Rarhi ou Nadia) formam a base do bengali coloquial padrão moderno. Nos dialetos predominantes em grande parte do leste e sudeste de Bangladesh (divisões Barisal, Chittagong, Dhaka e Sylhet de Bangladesh), muitas das plosivas e africadas ouvidos em Bengala Ocidental são pronunciados como fricativas. Consoantes africadas alveopalatais ocidentais (চ [tɕɔ], ছ [tɕʰɔ], জ [dʑɔ]) correspondem às orientais (চ[tsɔ], ছ [tsʰɔ ~ sɔ], জ [dzɔ ~ zɔ]). A influência das línguas tibeto-birmanesas na fonologia do bengali oriental é vista através da falta de vogais nasaladas e uma articulação alveolar do que são categorizadas como consoantes "cerebrais" (em oposição à articulação postalveolar de Bengala Ocidental). Algumas variantes do bengali, particularmente o chittagoniano e o chakma, têm tons contrastantes; diferenças no tom da voz do locutor podem distinguir palavras. Rangpuri, Kharia Thar e Mal Paharia são intimamente relacionados aos dialetos bengalis ocidentais, mas são normalmente classificados como línguas separadas. Da mesma forma, o Hajong é considerado uma língua separada, embora compartilhe semelhanças com os dialetos bengali do norte.
Antiguidade
A língua bangla deriva-se, do mesmo modo que outras línguas indianas, do sânscrito possuindo escrituras datadas de 1500 a 1000 a.C.. Pouco se sabe sobre onde o sânscrito surgiu, mas alguns estudiosos supõem que ele tenham surgido no Vale do Indo, área que atualmente se localiza entre o Paquistão e o noroeste da Índia. O sânscrito é uma língua indo-ariana, e as comparações gramaticais entre o bangla e o sânscrito é igual a relação, em termos de vocabulário e gramática, entre o francês e o latim clássico. Mesmo sendo mais considerado como uma língua devocional e culta do que um recurso de comunicação, o sânscrito ainda é classificado como uma das línguas oficiais da Índia. O Rigueveda, o documento sagrado mais antigo do hinduísmo, foi escrito em uma forma primitiva de sânscrito, atualmente denominada de sânscrito védico.
Idade Média
Durante o período medieval, o bengali médio foi caracterizado pela exclusão do sufixo ‘অ [ô]’, pela disseminação de verbos compostos e pela influência das línguas árabe, persa e turca. A chegada de mercadores e comerciantes do Oriente Médio e do Turquestão ao Império Pala, que governava o budismo, já no século VII, deu origem à influência islâmica na região. Começando com a conquista de Bakhtiyar Khalji no século XIII, as subsequentes expedições muçulmanas a Bengala encorajaram muito os movimentos migratórios de árabes muçulmanos e turco-persas, que influenciaram fortemente o vernáculo local estabelecendo-se entre a população nativa. O bengali adquiriu destaque, sobre o persa, na corte dos sultões de Bengala com a ascensão de Jalaluddin Muhammad Shah. Os governantes muçulmanos subsequentes promoveram ativamente o desenvolvimento literário do bengali, permitindo que se tornasse a língua vernácula mais falada no sultanato. O bengali ganhou muito vocabulário do árabe e do persa, o que cultivou uma manifestação da cultura islâmica na língua. Os principais textos do bengali médio (1400–1800) incluem Yusuf-Zulekha, de Shah Muhammad Sagir, e Shreekrishna Kirtana, dos poetas Chandidas. O apoio da corte à cultura e ao idioma bengali diminuiu quando o Império Mugal colonizou Bengala no final do século XVI e no início do século XVII.
Atualmente
A forma literária moderna do bengali foi desenvolvida durante o século XIX e o início do século XX com base no dialeto falado na região de Nadia, um dialeto bengali do centro-oeste. O bengali apresenta um caso forte de diglossia, com a forma literária e padrão muito diferente da fala coloquial das regiões que se identificam com a língua. O vocabulário bengali moderno contém a base de vocabulário de prácrito magádi e páli, e também há tatsamas (palavras emprestadas do sânscrito em línguas indo-arianas modernas) e outros empréstimos importantes das línguas persa, árabe, austro-asiática e de outras línguas com que o bengali teve contato. Durante este período, havia duas formas principais de bengali escrito:
O inventário fonêmico do bengali padrão consiste em 29 consoantes e 7 vogais, bem como 7 vogais nasalizadas. O inventário é apresentado a seguir no Alfabeto Fonético Internacional (grafema superior em cada caixa) e romanização (grafema inferior). O bengali é conhecido por sua grande variedade de ditongos, combinações de vogais que ocorrem na mesma sílaba. Dois deles, / oi̯ / e / ou̯ /, são os únicos com representação na escrita, como ঐ e ঔ, respectivamente. / e̯ i̯ o̯ u̯ / podem todos formar a parte deslizante de um ditongo. O número total de ditongos não foi estabelecido, com limites em 17 e 31. Um gráfico incompleto é fornecido por Sarkar (1985) do seguinte:
A escrita bengali é uma escrita cursiva com onze grafemas ou sinais que denotam nove vogais e dois ditongos, e trinta e nove grafemas que representam consoantes e outros modificadores. Não há formas distintas de letras maiúsculas e minúsculas . As letras vão da esquerda para a direita e os espaços são usados para separar palavras ortográficas. A escrita bengali tem uma linha horizontal distinta que corre ao longo do topo dos grafemas que os une, chamada de মাত্রা (transliteração: matra). A escrita bengali (também conhecida como escrita bengali-assamesa) é uma abugida, uma escrita com letras para consoantes, diacríticos para vogais e na qual uma vogal inerente (অ; transliteração: ô) é assumida para consoantes se nenhuma vogal for marcada. O alfabeto bengali é usado em Bangladesh e no leste da Índia (Assão, Bengala Ocidental e Tripura). Acredita-se que o alfabeto bengali tenha evoluído a partir de uma escrita brâmica, modificada por volta de 1000 d.C. (ou séculos X a XI) para se acomodar às necessidades da língua bengali.
Consoantes
As consoantes são chamadas de ব্যঞ্জনবর্ণ (transliteração: bænjônbôrnô; tradução: "letra consonantal") em bengali. Os nomes das letras são normalmente apenas o som consonantal mais a vogal inerente অ (ô). Como a vogal inerente é assumida e não escrita, os nomes da maioria das letras parecem idênticos à própria letra (o nome da letra ঘ é ghô, não gh ).
Vogais
A escrita bengali tem um total de 9 grafemas vocálicos, cada um dos quais é chamado de স্বরবর্ণ (transliteração: swôrôbôrnô; tradução: "letra vogal"). Os swôrôbôrnôs representam seis dos sete sons vocálicos principais do bengali, junto com dois ditongos vocálicos. Todos eles são usados nas línguas bengali e assamês.
Nome
Os pronomes bengaleses não diferenciam gênero, logo, os pronomes na 3ª pessoa podem se referir ao masculino ou ao feminino. Em relação à distinção dos pronomes coloquiais e formais, somente a 1ª pessoa (singular e plural) e a 3ª pessoa do plural continuam as mesmas para ambos os modos de formalidade. No caso da 2ª pessoa (singular e plural) é distinguida pelos níveis de intimidade com quem se fala (íntimo - irmãos e colegas de classe -, informal - usado por marido e mulher, amigos e parentes - ou formal - usado por estranhos, conhecidos e colegas de trabalho) e a 3ª pessoa (singular e plural) se diferencia em graus de status (coloquial - cargo comum - ou formal - cargo respeitado). Além disso, há outra classificação, entre os pronomes pessoais na 3ª pessoa, relacionada aos níveis de proximidade física (aqui, ali ou indefinido).
Classificadores
Os classificadores são acessórios e sempre funcionam juntos com numerais, quantificadores e desinências de caso, não podendo serem usados sozinhos nas frases. Eles se posicionam, na sentença, após o substantivo e antes da desinência de caso. Os classificadores podem ser divididos em singular e plural.
Flexão de Número
Os substantivos no bengalês se distinguem entre uma unidade única (singular) e diversas unidades (plural). Tais distinções podem ser feitas a partir por meio de afixos específicos, como nos casos abaixo. Em inglês, adicionamos uma desinência plural aos sobrenomes para nos referirmos a uma família ou grupo de pessoas: os Johnsons, os Smiths. Em bangla, adicionamos (-ra) ao primeiro nome de alguém ou ao nome que os chamamos para nos referirmos a essa pessoa mais sua família ou seu grupo. Exemplo: sɔhel-ra (Shohel e seus amigos) Além disso, há outras estratégias para a formação do plural nas palavras em bengali. São elas: môhilader ôdhikar (direitos das mulheres)
Sufixos possessivos
No bengali, o caso possessivo é abordado nas frases por meio da adição de uma partícula possessiva, similar ao caso genitivo na língua inglesa. Para substantivos com mais de uma sílaba, terminando em qualquer vogal (exceto a vogal inerente অ (ô), র (-r) é adicionado ao substantivo como um sufixo. Ademais, para substantivos que terminam em uma vogal ou consoante inerente, o substantivo é flexionado adicionando ের (-er) ao final da palavra (e deletando a vogal inerente se possível). বন্ধু (bôndhu; amigo) বন্ধুদের বাড়ি (bôndhudi-r bāṛi; casa de amigo) মাংস (mangshô; carne) মাংসের (mangsher; de carne) Para substantivos monossilábicos terminando em uma única vogal e substantivos terminando em um ditongo (ai, aŷ, ɔŷ, oi, ou), য়ের (-yer) ou এর (-er) é adicionado, embora desinências র (-r) também sejam encontradas.
Verbo
Em bengali, há 2 modos (Indicativo e Imperativo) e 4 tempos verbais, sendo estes o Passado, o Passado Condicional, o Presente e o Futuro. Em relação aos aspectos verbais, os verbos em bangla podem apresentar os aspectos simples, contínuo ou perfeito. Nesse contexto, independentemente do tempo verbal, é necessário remover a terminação infinitiva do verbo (-aa) e adicionar os sufixos de cada agente da ação que o verbo descreve. Nota-se que o número (singular ou plural) e o gênero (masculino ou feminino) não importam para a construção do verbo. Ou seja, somente a pessoa (quem realiza a ação), e não sua quantidade, influencia na terminação do verbo. Diante disso, segue a lista das terminações verbais em bengali:
Padrão básico de formação de sentença verbal (inicio da seção)
No bengali, o padrão básico para formar uma oração é sujeito+objeto+verbo (SOV). O alinhamento das sentenças é nominativo-acusativo. Exemplo: - Bengali: আমি (sujeito) ভাত (objeto) খাই (verbo).
Sintagmas nominais
Nas sentenças em bengali, os sintagmas nominais aparecem como sujeitos, objetos, complementos ou frases locativas, mas seu arranjo interno é o mesmo. Como introdução, retiramos o sintagma nominal fora de seu contexto de sentença. As classes gramaticais, em conexão com sintagmas nominais, são usadas para descrever as categorias (1) a (4) abaixo. Além dos classificadores, que são anexados a substantivos, quantificadores ou numerais, todos os modificadores restantes funcionam como adjetivos atributivos e vêm antes do substantivo. Quando eles vêm juntos, eles aparecem na seguinte ordem. 2. dêixis (pronomes demonstrativos, pronomes de primeira e segunda pessoa, tempos verbais, advérbios de tempo e lugar, etc).
Expressões do dia-a-dia
Aqui estão algumas expressões cotidianas em bengali.
Numeração
Os números em bengali estão apresentados abaixo.
Conhecido por muitos como o Shakespeare da Índia, possivelmente o maior e mais prolífico escritor em bengali é o Prêmio Nobel Rabindranath Tagore. Influenciado primariamente pela filosofia universalista hindu no Upanishads, Tagore dominou por décadas a cena filosófica e literária tanto bengali quanto indiana. Suas 2.000 Rabindra Sangeets têm um papel fulcral na definição da cultura bengali, tanto em Bengala Ocidental quanto em Bangladesh. Outros trabalhos notáveis dele em bengali são Gitanjali, um livro de poemas pelo qual foi agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura, e muitos de seus contos e alguns romances.[carece de fontes?] Em uma categoria similar está Kazi Nazrul Islam, muçulmano que permaneceu em Bangladesh após a independência e cujo trabalho, como o de Tagore, transcende limites sectários, adorado por bengalis tanto em Bangladesh quanto em Bengala Ocidental. Mais notáveis são suas 3.000 músicas.


