Língua alabama
A língua alabama, também conhecida como alibamu, é uma língua falada pelo povo alabama nos Estados Unidos, pertencendo ao ramo ocidental da família muscogee. Nos dias de hoje, ela é encontrada na reserva de Alabama-Coushatta, no estado do Texas, com cerca de 370 falantes em 2015. Ela também é utilizada como segunda língua pelo povo koasati [en] que habita a reserva de Alabama-Coushatta.
A origem da palavra alabama ainda é desconhecida, mas acredita-se que ela surgiu na língua choctaw primeiro, pois antigamente os alabamas habitavam um território próximo aos choctaw, e é comum que uma comunidade nativa americana aceite o nome dado a eles por outra comunidade vizinha. Em relação ao seu significado, existem algumas teorias, mas duas principais prevalecem: Até agora, nenhuma das teorias propostas foram confirmadas, tornando a origem do termo alabama ambígua. Cronistas estrangeiros que passaram pela região utilizavam grafias diversas para escrever sobre o povo, como "albamu", "alibamon", "alibamou" dentre muitas outras. O endônimo Albaamo innaałiilka significa "língua alabama", originado a partir da junção dos termos Albaamo "indígena/pessoa alabama" e o substantivo naałiilka "língua", com o prefixo dativo im-.
A língua alabama é uma língua com distribuição geográfica limitada, encontrada apenas na comunidade de Alabama-Coushatta. Antigamente, havia falantes do idioma em outras comunidades, como a reserva de Alabama-Quassarte, porém ao longo do tempo alguns grupos do povo alabama acabaram tendo sua língua suplantada por outros idiomas mais predominantes na região, como o creek.
Línguas relacionadas
O primeiro estudo sobre o alabama em comparação com as línguas muscogeanas surgiu nos ano de 1884, escrita por Albert S. Gatschet, teorizando que o alabama fazia parte desta família. A primeira divisão das línguas muscogeanas também foi feita por Gatschet, que as dividiu em dois grupos: ocidental e oriental. Posteriormente, a linguista Mary R. Haas publicou, em 1941, a primeira classificação e agrupamento das línguas, baseado em uma análise fonética de sons recorrentes dentre a família. Além desta árvore, algumas outras propostas de conexões entre as línguas foram sugeridas. Uma delas, proposta por Pamela Munro, foi organizada de acordo com aspectos fonológicos e morfológicos desenvolvidos de forma similar entre as línguas. Ela as divide em outras duas categorias principais, muscogeano sul e norte, com algumas subdivisões a mais.
O povo alabama vem ocupando os Estados Unidos por mais de 10 mil anos, possivelmente migrando do Mississippi até o estado do Alabama por volta de A.D. 800-1200. Os primeiros registros do povo alabama surgiram em 1541, durante a colonização espanhola da América, quando Hernando de Soto realizou uma expedição na atual região nordeste dos Estados Unidos em busca de ouro. Foi registrado que, até o final do século 17, os alabamas habitavam uma região próxima do rio Alabama, quando em 1763 a França cedeu a região à Inglaterra, e como o povo não era próximo dos ingleses, eles migraram para outras regiões. Com isso, a maior parte dos alabamas decidiu imigrar para o oeste, chegando ao Texas por volta da década de 1780. Em 1854, os alabamas receberam 1280 hectares de terra, localizados no condado de Polk. Posteriormente, parte dos coushatta ficaram sem terras para habitar, e como os alabamas tinham uma proximidade tanto linguística quanto cultural em relação aos coushattas, eles permitiram que os coushattas se juntassem aos alabamas na reserva em que eles viviam, formando o que é a atual reserva de Alabama-Coushatta, onde a língua é falada até hoje. Em 1998, a linguista Helena Halmari conduziu uma pesquisa empírica na reserva, e viu que todos os respondentes tinham algum entendimento do idioma, mesmo que mínimo.
Consoantes
A língua alabama possui 14 fonemas consonantais, que ocorrem ou no início de palavras ou entre vogais. Nenhuma palavra nativa da língua dita isoladamente termina em uma consoante, e o vozeamento segue o mesmo padrão para todas as consoantes: as consoantes plosivas, fricativas e africadas são obstruentes (desvozeadas), enquanto as nasais e a aproximante lateral são vozeadas. A única exceção para esta regra é a plosiva bilabial vozeada /b/. Além das consoantes acima, existem mais de 90 encontros consonantais registrados. Nenhum dos encontros ocorre ao final de uma palavra e nunca começam com /b/, /c/ e possivelmente /w/. No caso de uma composição ou uma afixação em que ocorra um encontro entre três consoantes, ele é simplificado para um encontro de duas, onde geralmente ocorre a perda da consoante central. Quando há um encontro vocálico entre /o/ e outra vogal, a consoante /w/ pode ser adicionada entre as vogais como um off-glide (uma semivogal que ocorre durante a mudança de articulação entre sons) e realizando um processo de epêntese, como na palavra oyba (AFI: /oʷibə/) "chuva".
Vogais
Todas as vogais podem ser tanto longas quanto curtas. Algumas vogais podem ser nasalizadas, fenômeno que geralmente ocorre quando uma vogal se encontra junto de uma consoante nasal. A única exceção acontece no interrogativo, onde a última vogal do verbo é sempre nasalizada, como na frase ifan ibitĩ "ele matou o cachorro?", em que ibitĩ corresponde ao verbo "matar". Também pode ocorrer do sufixo oblíquo -n tornar a vogal antecedente nasalizada caso ela esteja no final da frase, como em ibitĩ ifã, de mesmo significado ao da frase anterior. Os alofones de cada vogal no alabama podem ser vistos a seguir:
Tons
O alabama possui dois tons: alto e baixo. É comum que a sequência de um tom alto e um baixo estejam na mesma sílaba, e neste caso ela é marcada apenas com um tom baixo. Palavras isoladas sempre possuem um tom alto na última sílaba, exceto se a palavra tenha um tom já marcado (ex. a palavra coyyi é dita com um tom alto ao final, enquanto a palavra okitáɬɬa já possui uma marcação de tom alto, não o tendo na última sílaba). Caso algum tom esteja presente em uma vogal longa, o resto da sílaba será dita com um tom alto. Se o tom presente na vogal longa for baixo, a queda ocorrerá apenas na extensão da vogal. Acredita-se que o alabama não seja uma língua em que os tons são "lexicalmente significantes", ou seja, o alabama não utiliza tons para diferenciar palavras.
Fonotática
A divisão de sílabas no alabama é feita entre vogais diferentes e entre encontros consonantais. As sílabas só terminam em uma consoante caso anteceda uma sílaba que começa com consoantes ou caso esteja no limite de uma palavra. As sílabas em alabama podem ser divididas em duas categorias: restritas, que só ocorrem em locais específicos, e não-restritas, que podem ocorrer em qualquer local. As sílabas restritas são todas que terminam em uma consoante (uma sílaba com coda) ou todas que começam com um encontro consonantal (uma sílaba com onset complexo). Todas as sílabas que terminam com uma consoante se encontram ao final de uma palavra, e a última consoante sempre será /k/, /n/, /t/ ou /s/. caso não esteja ao final da palavra, esta consoante também pode ser /c/ ou /b/, mas apenas se a sílaba a seguir começar com a mesma consoante.
O sistema de escrita do alabama utiliza o alfabeto latino. É composto por 3 vogais e 14 consoantes e é lido da esquerda para a direita. Alguns pesquisadores podem descrever a escrita alabama de formas levemente diferentes, pois a língua não possui um sistema de escrita formalizado, mas a descrição apresentada abaixo é a mais convencional entre linguistas. Na tabela a seguir estão dispostos os caracteres do alabama, seus respectivos nomes, os fonemas que eles representam e uma aproximação fonética: Algumas letras, como <d> e <e>, geralmente só aparecem em empréstimos do inglês, e por isso não fazem parte do alfabeto alabama. Vogais longas são representadas pela duplicação da letra e tons são representados por acentos, onde o tom alto é representado por <´> e o tom baixo por <`>. São utilizados o símbolo <ⁿ> ou o acento <~> para indicar a nasalização de uma vogal.
Verbos
O tempo e o aspecto são questões complicadas no alabama, pois uma distinção clara entre ambos é algo complicado de se fazer. As divisões feitas até então não são muito rígidas, e alguns afixos podem servir tanto funções de aspecto quanto de tempo. O agrupamento apresentado a seguir foi feito baseado na semântica dos afixos. A conjugação de tempo e aspecto no alabama é feita a partir de sufixos. A língua apresenta os seguintes sufixos de tempo: Já para os aspectos verbais, existem nove sufixos, apresentados a seguir: O alabama possui três modos verbais, sendo esses o Indicativo, o interrogativo [en] e o imperativo.
Pronomes
No alabama, os pronomes se dividem em pessoais, interrogativos, indefinidos e demonstrativos. Os pronomes pessoais no alabama são utilizados primariamente para enfatizar algo ou para desfazer uma ambiguidade. Eles podem ocorrer junto de sufixos que marcam casos gramaticais, mas apenas se o sufixo estiver após -o, que indica ênfase, ou após uma junção de -aali "Sozinho" e -o. Além das palavras para pronomes pessoais, o alabama também utiliza afixos para marcar os pronomes de verbos, além de serem usados em substantivos para indicar posse e alienação (se o substantivo pode ser possuído por algo ou alguém além do possuidor). Existem dois tipos de afixos pronominais no alabama, categorizados a partir das funções que eles exercem, e cada um deles possui subclassificações. Esta divisão está listada a seguir:
Substantivos
Os substantivos no alabama são modificados a partir de afixos, utilizados para marcar pluralidade, posse ou caso gramatical. Eles são categorizados de acordo com o prefixo de posse que eles utilizam: alguns substantivos usam os prefixos pronominais pacientes, enquanto outros utilizam os prefixos dativos. Algumas palavras, embora raramente, também utilizam o sufixo há para indicar o plural, como em atihá "Pessoas". Existem dois casos principais utilizados no alabama: o caso nominativo e o caso oblíquo. A derivação nominal no alabama ocorre tanto a partir de outros substantivo quanto de verbos, ocorrendo principalmente por composição ou derivação.
Sentenças
A ordem dos constituintes no alabama geralmente é bem flexível, mas a principal é a ordem SOV. O objeto também pode ser o primeiro elemento de uma oração, e tanto o sujeito quanto o objeto podem estar após o verbo, apesar de que isto muda a entonação do constituinte deslocado, dando-o um sentido de "reflexão tardia". Além dos sufixos -k e -n já mencionados, existem outros dois sufixos que exercem funções sintáticas: O alabama não possui um alinhamento morfossintático [en] precisamente definido, pois assim como as outras línguas muscogeanas, o seu sistema de marcação de agente e paciente é misto: a relação entre a marcação de sintaxe e a semântica independem uma da outra. Apesar disso, pode-se dizer que seu alinhamento é split-ergative, isto é, certas frases utilizam o alinhamento ergativo-absolutivo, em que o sujeito de um verbo intransitivo age como o objeto de um verbo transitivo, enquanto outras frases utilizam um alinhamento diferente.
Numerais
Seguem os numerais cardinais do alabama em ordem crescente, com seus numerais correspondentes e traduções em português: A seguir, estão os numerais ordinais numerais ordinais em alabama com seus respectivos correspondentes em português e em numerais:
Diálogo
Aqui segue um pequeno diálogo entre duas amigas, A e B, em alabama:
Texto
Este texto conta um pequeno conto popular da mitologia alabama sobre Coelho, transcrito por Heather Kay Hardy em 1991 e contado por Dorcas Bullock, uma famosa contadora de histórias da reserva de Alabama-Coushatta na época. Chokfon, aatipachobon ittàasa ayáanchihchootoha. Nahokok chokfikok chofotlit táɬɬas tàmmit ɬóokat, chofotlit ilat táɬɬakàalon iltàmmok, Pahnikok maapáthàasit, aɬíinat bállàakan máamòosin; Ɬóok chokfikok, nahokon paani chobakon chofotlit abanàtlok, Aatipachobok "Akkáamilihch ommoolo" mànkok, "Makkoofaa baliyoosaa, hm hm hm hm, hm hm hm hm," Máamòosok, aatipachobaya oki táɬɬa máaɬon íisahch ommihchi. Coelho e Elefante costumavam sempre dar voltas juntos.
Lista de Swadesh
A seguir estão algumas palavras no alabama, com uma tabela feita seguindo o modelo da lista de Swadesh. Como certas palavras podem ser diferentes a depender do sentido (Ex: basíkko significa "curto" no sentido de tamanho, mas koboksi significa "curto" no sentido de pouco tempo), na lista estarão palavras com um sentido mais geral, ou com o sentido mais próximo do comumente utilizado.


