Videocassete
O gravador de videocassete, videogravador, ou magnetoscópio, também conhecido pela sigla em inglês VCR, é um aparelho eletrônico capaz de gravar e reproduzir imagens que são registradas em fitas magnéticas acondicionadas em caixas plásticas (cassetes) para facilitar o manuseio, considerado o sucessor do gravador de videoteipe, que utilizava fitas magnéticas em carretéis plásticos.
Primeiros aparelhos
O primeiro videocassete com sucesso comercial foi o U-matic da Sony, introduzido no mercado em 1971. Até então, a gravação de imagens em meio magnético era feita com os videotapes (videoteipes), fitas magnéticas de 1/2, 1 ou 2 polegadas de largura acondicionadas em carretéis (ou rolos). Os equipamentos eram caros e pesados e seu uso para o mercado amador era pequeno. Usou-se então para o vídeo o conceito de "cassete" desenvolvido pela Philips nos anos 60 para as fitas de áudio, onde os carretéis com as fitas de áudio foram colocados em uma caixinha plástica. Do mesmo modo, as fitas de vídeo foram montadas em uma caixa plástica que permitiria sua colocação no gravador de maneira mais rápida e prática (sem precisar passar a fita ao redor da cabeça de leitura ou por polias), além de ser um aperfeiçoamento em relação à fita cassete de áudio, foi a colocação de uma tampa retrátil na caixa plástica no lado em que esta é introduzida no aparelho para protegê-la do contato com as mãos. O U-matic usava uma fita de 3/4 de polegada de largura.
Outros formatos
Diversos outros formatos foram propostos por fabricantes e acabaram esquecidos devido ao fracasso comercial: O formato VCR (não confundir com o nome genérico do videocassete em inglês) foi lançado pela Philips em 1970 e se restringiu ao mercado europeu. Usava cassetes quadrados e fita de 1,3 cm, que permitia uma hora de gravação. O primeiro modelo, disponível no Reino Unido em 1972, era equipado com um timer primitivo que usava mostradores rotatórios. Custando aproximadamente £ 600, era caro e por razões de mercado, o formato não se tornou popular no uso caseiro. O sistema Avco Cartrivision, uma combinação de televisão e VCR da Cartridge Television Inc. que era vendido por US$ 1 350, foi o primeiro VCR a pré-gravar fitas de filmes populares disponíveis para locação. Assim como o VCR da Philips, o cassete era quadrado, no entanto gravava 114 minutos. Isso devia-se à forma primitiva de compressão de vídeo que gravava cada terço do vídeo e o reproduzia de volta três vezes. Foi abandonado treze meses depois, após péssimas vendas. Tempo depois, descobriu-se que fitas de Cartivision que haviam sido armazenadas em um armazém se desintegraram.
Derivados do VHS e Betamax
Lançado em 1976, o VHS compacto é totalmente compatível com o VHS, sendo basicamente uma fita VHS embalada num cassete de tamanho menor, com menor duração (20 min. na velocidade padrão), porém mais conveniente para uso em câmeras de vídeo. Este tipo de fita pode ser usado num videocassete comum usando-se um adaptador. Foi lançado em 1987. No Super VHS, o tamanho, a disposição física da fita e a velocidade são iguais ao VHS, sendo que a diferença fica no processamento de imagem e na frequência de gravação dos sinais que permitem uma qualidade de imagem superior, menor "ruído" nas cores e maior resolução. Fitas de melhor qualidade eram vendidas com a etiqueta Super VHS para responder melhor às características de gravação aperfeiçoadas, porém as fitas comuns VHS também serviam. Os aparelhos de VCR S-VHS são totalmente compatíveis com o formato VHS, porém o contrário não é verdadeiro, ou seja, uma fita gravada em S-VHS não pode ser reproduzida em um aparelho VHS.
Videocassete no Brasil
O mercado de VCRs no Brasil começa no início da década de 1980. Os primeiros aparelhos eram trazidos do exterior e, por se tratarem de equipamentos feitos para o mercado americano, funcionavam no padrão de cores NTSC, o que no Brasil resultava na gravação e reprodução de imagens apenas em preto e branco. Pensando nisto, a Sony passou então a importar do Panamá aparelhos no formato Betamax, já adaptados para o sistema brasileiro, o PAL-M, para atender o mercado que começava. No entanto, por conta das taxas de importação, os aparelhos eram caros. O primeiro aparelho de VCR fabricado no Brasil foi lançado em 1982 pela Sharp no formato VHS. Cerca de um ano depois, a Philco lançou o produto em VHS e logo outros fabricantes entraram no mercado com este formato. A exceção foi a Sony, que começou a produzir em Manaus seu Betamax. Porém, o Betamax foi superado pelo VHS, que se tornou o formato padrão de vídeo do mercado brasileiro e do mundo e ainda eram muito comuns até final de 2008, quando foi superado pelo DVD.
Popular nas décadas de 1970 e 1980, a produção do videocassete começou a entrar em declínio gradual com a introdução dos DVDs em 1997, mais ainda era muito comuns até cerca de 2008. Os VCRs acabaram por perder seu mercado para os aparelhos gravadores de DVD, com discos graváveis nos formatos DVD-R, DVD+R, DVD-RW, DVD+RW, DVD+R DL ou DVD-RAM. Com o preço destes aparelhos muito mais em conta, esta nova tecnológica acabou por substituir os aparelhos com fita. Em outubro de 2008, a Distribution Video & Audio, última grande distribuidora de fitas VHS dos Estados Unidos, anunciou que entregou o último lote do seu produto. O último filme de Hollywood lançado em VHS foi A History of Violence, em 2006. A Funai Electric foi a última empresa a suspender a produção dos videocassetes em VHS, ocorrido em julho de 2016. Esta decisão não partiu da empresa e sim dos fornecedores de peças para o equipamento, que interromperam suas produções e obrigaram a Funai a cancelar a linha de montagem do aparelho. A empresa contabilizou a venda de 750 000 unidades no ano de 2015.


