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Java

Java é uma ilha situada na Indonésia, onde se situa a capital do país, Jacarta. Tem 132 011,65 km² de área e em 2023 tinha 153.391.145 habitantes, que constituem 56,7% da população da Indonésia. É a ilha mais populosa do mundo e uma das regiões mais densamente povoadas do planeta.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 05/07/2026
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Etimologia

A origem do nome Java não é clara. Uma possibilidade é que a ilha deva o nome à planta jáwa-wut (painço; Setaria italica), que supostamente seria comum na ilha. Antes da "indianização", a ilha teve vários nomes diferentes. Outra origem possível é a palavra jaú e as suas variantes, que significam "para além" ou "distante". Em sânscrito, yava significa cevada, uma planta pela qual Java era famosa. A ilha é mencionada com o nome Yawadvipa no antigo épico hindu Ramáiana — Sugriva, o comandante do exército de Rama, enviou os seus homens a Yawadvipa para procurarem Sita. O nome em sânscrito da ilha é yāvaka dvīpa (dvīpa significa ilha). Java é mencionada no antigo texto tâmil Manimekalai do poeta Chithalai Chathanar, onde se relata que em Java havia um reino cuja capital se chamava Nagapuram. Segundo outros autores, Java deriva do termo iawa do proto-austronésio, que significa "casa". A grande ilha de Iabadiu ou Jabadiu é mencionada na Geografia de Ptolomeu, escrita em meados do século II d.C. Segundo o geógrafo greco-romano, Iabadiu, que significava "ilha da cevada", era rica em ouro e tinha uma cidade de prata chamada Argyra na sua extremidade ocidental. O nome parece ser derivado do nome hindu Java-dvipa (Yawadvipa).

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Geografia

A ilha está situada entre as ilhas de Sumatra (a noroeste) e Bali (a leste). A ilha de Bornéu fica a norte e a ilha Christmas a sul. A costa norte é banhada pelo mar de Java, a costa ocidental pelo estreito de Sonda, a costa sul pelo oceano Índico e a costa oriental pelos estreitos de Bali e de Madura. Faz parte do arquipélago das Grandes Ilhas da Sonda. Praticamente toda a ilha é de origem vulcânica. O seu eixo central é percorrido por uma cadeia de montanhas com 38 picos principais, os quais foram ou ainda são vulcões ativos. A montanha mais alta é o monte Semeru (3 676 m de altitude) e o vulcão mais ativo é o Merapi (2 930 m). No total, Java possui mais de 150 montanhas. Montanhas e planaltos javaneses contribuem para dividir o interior numa série de regiões relativamente isoladas que são das mais férteis do mundo para o cultivo de arroz. Outra produção agrícola importante é o café. A primeira plantação de café da Indonésia foi criada em 1699 em Java. Atualmente, o café é cultivado sobretudo no planalto de Ijen, na parte oriental da ilha.

Meio ambiente

O bioma predominante em Java é a floresta tropical pluvial, com ecossistemas que vão desde os mangais costeiros na costa norte às florestas húmidas de alta altitude das encostas vulcânicas do interior, passando pelas costas escarpadas da costa sul e pelas florestas tropicais das zonas baixas. As condições ambientais e clima mudam gradualmente de oeste para leste, desde as florestas húmidas e densas da parte ocidental até às savanas relativamente secas da parte oriental, conforme o clima e precipitação nessas regiões. Originalmente, a ilha tinha uma grande biodiversidade, com numerosas espécies endémicas vegetais e animais, como o rinoceronte-de-java, o bantengue, o javali verrugoso javanês, águia-gavião-javanesa (Nisaetus bartelsi), o pavão-verde, o gibão-prateado, o lutung-de-java, o cervo-rato-javanês (Tragulus javanicus), o cervo-de-timor (Rusa timorensis) e o leopardo-de-java. Com 450 espécies de aves, 37 delas endémicas, Java é um local de sonho para os observadores de aves. Há cerca de 130 espécies de peixes de água doce.

Clima

A temperatura média oscila entre 22 e 29 °C e a humidade relativa média é 75%. As planícies costeiras setentrionais são geralmente mais quentes, com temperaturas médias durante o dia de 34 °C na estação seca. As costas meridionais são geralmente mais frescas do que o norte e o interior montanhoso ainda mais fresco. Durante a estação das chuvas, que vai de novembro a abril, a chuva cai principalmente à tarde. No resto do ano, a chuva é intermitente. Os meses mais chuvosos são janeiro e fevereiro. Java Ocidental é mais húmida que Java Oriental e a precipitação é maior nas regiões montanhosas. Nos planaltos de Parahyangan, em Java Ocidental a precipitação média anual é superior a 4 000 mm, enquanto que na costa norte de Java Oriental é 900 mm.

Divisões administrativas

Java e as ilhas pequenas mais próximas estão divididas em quatro províncias e duas regiões especiais. Além das divisões administrativas é comum dividir a ilha em quatro zonas culturais:

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Demografia

Tradicionalmente, Java tem sido dominada por classe de elite, enquanto que as classes inferiores se ocupam da agricultura e das pescas. A elite javanesa evoluiu ao longo da história, acompanhando as sucessivas vagas de imigração e ocupação. Há evidências que no passado na elite dominante de Java houve imigrantes do Sul da Ásia e, durante a era islâmica, imigrantes árabes e persas. Mais recentemente, imigrantes chineses também passaram a fazer parte da elite económica de Java. Apesar dos habitantes de origem chinesa geralmente se tenham mantido à margem da política, há algumas exceções notáveis, como o governador de Jacarta, Basuki Tjahaja Purnama. Não obstante Java ter vindo a modernizar-se e a urbanizar-se cada vez mais, apenas 75% da ilha tem eletricidade. As aldeias e os seus campos de arroz continuam a ser uma visão frequente por toda a ilha. Ao contrário do resto da ilha, o crescimento demográfico em Java Central é baixo, apesar da percentagem de jovens ser mais alta do que no resto do país. Este crescimento populacional mais baixo pode ser parcialmente atribuído ao facto de muitas pessoas abandonarem as áreas rurais de Java Central para procurarem melhores oportunidades e rendimentos mais altos nas grandes cidades. A população da ilha continua a aumentar rapidamente, apesar de muitos javaneses abandonarem a ilha. Isso deve-se em parte ao facto de Java ser o principal polo económico, académico e cultural da Indonésia, o que atrai milhões de não javaneses às suas cidades.

Crescimento Demográfico

Java é a ilha mais populosa do mundo e abriga 56% da população da Indonésia, com uma população total de 156,4 milhões, de acordo com as estimativas oficiais de meados de 2023 (incluindo 4,06 milhões de Madura). Com quase 1.185 pessoas por km² em 2023, também é uma das partes mais densamente povoadas do mundo, comparável a Bangladexe. Cada região da ilha tem numerosos vulcões, com as pessoas ocupando as terras mais planas restantes. Por causa disso, muitas áreas costeiras são densamente povoadas e as cidades se formam em torno dos vales cercados por picos vulcânicos. A taxa de crescimento populacional mais que dobrou em Java Central economicamente deprimida no período de 2010–2020 em comparação com 2000–2010, indicando migração ou outros problemas; houve erupções vulcânicas significativas durante o período anterior. Aproximadamente 45% da população da Indonésia é etnicamente javanesa, enquanto os sudaneses também constituem uma grande parte da população de Java.

Etnias e cultura

Apesar da numerosa população, ao contrário do que acontece com outras grandes ilhas da Indonésia, Java é comparativamente mais homogénea em termos étnicos. Só há dois grupos étnicos nativos da ilha: os javaneses e os sundaneses. Um terceiro grupo, os madureses, originários da ilha de Madura, situada ao largo da costa nordeste de Java, imigraram em grande número para Java Oriental a partir do século XVIII.[carece de fontes?] Os betawi, constituem uma etnia crioula que se fixaram na região de Jacarta (antigamente chamada Batávia) c. século XVII. Os betawi falam um dialeto malaio e descendem principalmente de vários grupos étnicos de diversas ilhas do arquipélago indonésio (malaios, javaneses, balineses, minangkabau, bugis, makassares, amboineses, etc.) que se misturaram com imigrantes de regiões mais distantes, como portugueses, neerlandeses, árabes, chineses e indianos que foram levados ou atraídos a Batávia para satisfazerem as necessidades de mão de obra. Têm uma cultura e língua (o betawi, um dialeto do malaio) distinta dos seus vizinhos sundaneses e javaneses.[carece de fontes?]

Línguas

As principais línguas faladas em Java são o em javanês, o sundanês e o madurês. Outras línguas usadas na ilha são o betawi (ou malaio batávio), um dialeto do malaio falado na região de Jacarta (antiga Batávia), o osing, o banyumasan (um dialeto do javanês), o tenggerês (muito próximo do javanês), o bandui (muito próximo do sundanês), o kangeano (muito próximo do madurês) e o balinês. A grande maioria da população também fala indonésio, frequentemente como segunda língua.[carece de fontes?]

Religião

Ao longo da história, Java foi um cadinho de religiões e culturas, que originou uma grande diversidade de crenças religiosas. As primeiras influências externas vieram da Índia — o xivaísmo e o budismo penetraram profundamente na sociedade, misturando-se com as tradições e cultura indígenas. Para a divulgação dessas duas religiões contribuíram os chamados resi, ascetas que ensinavam práticas místicas, que viviam rodeados de estudantes que cuidavam das necessidades materiais quotidianas dos seus mestres. A autoridade dos resi eram meramente cerimoniais; nas cortes, os clérigos e pudjangga (letrados em textos sagrados) brâmanes legitimavam os governantes e ligavam a cosmologia hindu às necessidades políticas. Na atualidade ainda há pequenos enclaves hindus espalhados por toda a ilha e na costa oriental, mais perto de Bali, há numerosos hindus, especialmente em volta da cidade de Banyuwangi.[carece de fontes?]

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História

Presença do Homo erectus

Os restos fossilizados do Homo erectus, popularmente conhecido como "Homem de Java", datados de 1,3 milhão de anos, foram encontrados ao longo das margens do rio Solo. O H. erectus chegou à Eurásia há aproximadamente 1,8 milhões de anos, em um evento considerado o primeiro êxodo africano. Há evidências de que a população de H. erectus de Java viveu em um habitat de floresta sempre úmida. Mais especificamente, o ambiente se assemelhava a uma savana, mas provavelmente era regularmente inundado ("savana hidromórfica"). As plantas encontradas no local de escavação de Trinil incluíam gramíneas (Poaceae), samambaias, Ficus e Indigofera, típicas de floresta tropical de planície.

Chegada do homem moderno à ilha

A excepcional fertilidade e a chuva da ilha permitiram o desenvolvimento da cultura de arroz de campo alagado, que exigia níveis sofisticados de cooperação entre as aldeias. Dessas alianças de aldeias, desenvolveram-se pequenos reinos. A cadeia de montanhas vulcânicas e as terras altas associadas que percorrem o comprimento de Java mantiveram suas regiões interiores e povos separados e relativamente isolados. Antes do advento dos estados islâmicos e do colonialismo europeu, os rios forneciam o principal meio de comunicação, embora muitos rios de Java sejam relativamente curtos. Apenas o rio Brantas e o rio Solo podiam fornecer comunicação de longa distância e, dessa forma, seus vales sustentaram os centros dos principais reinos. Pensa-se que um sistema de estradas, pontes permanentes e portagens seria apenas estabelecido em Java pelo menos em meados do século XVII. Os poderes locais podiam interromper as rotas, assim como a estação chuvosa, e o uso das estradas dependia muito de manutenção constante. Consequentemente, a comunicação entre a população de Java era difícil.

Período dos reinos hindus e budistas

Os reinos de Taruma e de Sunda de Java Ocidental surgiram no século IV e VII d.C., respetivamente, e o de Kalingga enviou embaixadas à China a partir de 640. Contudo, o principal reino foi o de Mataram, fundado em Java Central no início do século VIII d.C. A religião de Medang tinha como divindade central o deus hindu Xiva e o reino construiu alguns dos templos hindus mais antigos de Java no planalto de Dieng. No século VIII, a dinastia Sailendra surgiu na planície de Kedu e tornou-se a patrocinadora do budismo Maaiana. É à dinastia Sailendra que se devem alguns monumentos religiosos imponentes, como os templos do século IX de Borobudur e Prambanan, em Java Central.[carece de fontes?]

Difusão do islão e florescimento dos sultanatos islâmicos

O islão tornou-se a religião dominante em Java no fim do século XVI. Durante esse período, os reinos islâmicos de Demak, Cirebon e Banten surgiram e desenvolveram-se a partir do século XV. No final do século XVI, o Sultanato de Mataram tornou-se a potência dominante nas regiões centrais e orientais de Java. Os reinos de Surabaia e de Cirebon acabaram por ser subjugados por Mataram e quando os holandeses conquistaram a ilha só foram confrontados por dois estados: Mataram e Banten.[carece de fontes?]

Período colonial

Os contactos de Java com as potências coloniais europeias iniciaram-se em 1522, com o Tratado de Sunda Kalapa, assinado entre o comandante português de Malaca e o o rei de Sunda. No entanto, as tentativas dos portugueses para se estabelecerem em Java fracassaram e a presença portuguesa na Indonésia foi confinada às ilhas orientais. O primeiro contacto dos holandeses com Java ocorreu em 1596, com uma expedição de quatro navios comandada por Cornelis de Houtman. No final do século XVIII, os holandeses tinham estendido a sua influência aos sultanatos do interior através da Companhia Holandesa das Índias Orientais. Os conflitos internos impediram os javaneses de formarem alianças eficazes contra os holandeses e as únicas entidades políticas que se resistiram algum tempo foram os principados de Suracarta (ou Solo) e de Jogjacarta, anteriormente parte de Mataram. Os holandeses apoiaram alguns restos da aristocracia javanesa atribuindo cargos de regentes ou de oficiais distritais na administração colonial.[carece de fontes?]

Independência

O nacionalismo indonésio surgiu em Java no início do século XX e a luta pela independência a seguir à Segunda Guerra Mundial centrou-se em Java. A Indonésia tornou-se independente em 1949 e desde então a ilha tem dominado a vida social, política e económica do país, o que é uma fonte de insatisfação para os residentes de outras ilhas.[carece de fontes?]

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Economia

No passado, a economia javanesa baseava-se fortemente na agricultura de arroz. Antigos reinos como os de Taruma, Mataram e Majapait dependiam das receitas do arroz e dos impostos nelas aplicados. A ilha era famosa pelos seus excedentes de arroz e das suas exportações desde tempos remotos e a cultura de arroz contribuiu para o crescimento populacional. O comércio com outras partes da Ásia, como a Índia e a China, floresceu pelo menos desde o século IV d.C., o que é atestado por cerâmicas chinesas encontradas em Java datadas desse período. A ilha também participou no comércio global de especiarias com as ilhas Molucas desde o período de Majapait (séculos XIII–XVI) até ao período colonial holandês.[carece de fontes?] A Companhia Holandesa das Índias Orientais estabeleceu a sua base em Batávia (atual Jacarta) no século XVII e foi sucedida pelas Índias Orientais Holandesas no século XIX. Durante esses tempos coloniais, os holandeses introduziram o cultivo de plantas comerciais, como a cana-de-açúcar, borracha, café chá e quinino. Nos séculos XIX e XX, o café de Java ganhou fama mundial e ainda hoje em certos países Java é sinónimo de café.[carece de fontes?]

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Fontes consultadas

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