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Curdistão

O Curdistão ; antigo nome: Gordiena), também denominado Grande Curdistão, é uma região histórico-cultural do Oriente Médio majoritariamente habitada por curdos. Com cerca de 500.000 km², compreende partes da Turquia, Irã, Síria e Iraque. Em dois destes países, o nome também refere-se a unidades administrativas internas: a província do Curdistão no Irã e a Região Autônoma Curda no Iraque.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 25/07/2026
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Geografia

As terras do Curdistão possuem relevo acidentado, compreendendo basicamente a Cordilheira de Zagros e o norte da Alta Mesopotâmia. Seu ponto mais alto está na fronteira Turquia-Armênia, onde se localiza o Monte Ararate, com 5.165 metros de altitude. O seu maior lago é o lago de Vã, no lado turco, com 3.755 km². O Alto Tigre e o Alto Eufrates passam pela região, que ocupa também as Montanhas Sinjar e os planaltos do norte iraquiano, e as Montanhas de Alepo (ou Montes Curdos) na Fronteira Síria-Turquia. Grande parte da região apresenta clima continental, com áreas semiáridas.

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História

Imagem: Marco Gomes · BY-NC-SA · Openverse

Segundo arqueólogos, a região do Curdistão possui evidências de uma sucessão de ocupações que se iniciou no Neolítico, cerca de 8 500 a.C.. Nesta época, surgiram as primeiras aldeias da Alta Mesopotâmia, normalmente juntas ou próximas do Rio Tigre, devido à necessidade de água para regar e fertilizar os campos.

Antiguidade

O primeiro povo a estabelecer-se na região foram os Assírios, que fundaram sua primeira capital Assur em 2 600 a.C.. Posteriormente, chegaram os Hurritas, que formaram um reino vizinho chamado de Mitani. O Antigo Império Assírio foi conquistado pelos Hurritas, mas a partir dos séculos XIV e XIII a.C., estes começaram a ser dominados e absorvidos pelos Hititas a noroeste e pelos próprios Assírios a sudeste. Por volta de 1 200 a.C., a língua hurrita havia desaparecido dos registros cuneiformes. Há alguns autores que referem a possibilidade de tanto o povo como a língua hurrita serem um dos substratos étnicos, linguísticos e culturais do atual povo curdo, pois habitavam territórios onde atualmente vivem os curdos.

Idade Média

No século VII, os árabes tomam castelos e fortificações dos curdos, como nas cidades de Sharazor e Aradbaz, que foram conquistadas no ano de 643. Os curdos resistiram às invasões das tribos árabes por mais de um século. Em 846, um dos líderes dos curdos em Mosul se revoltou contra o califa Almotácime que enviou o notável comandante Aitaque para combatê-lo. Nesta guerra, Aitaque saiu-se vitorioso e levou muitos dos curdos à morte. Em 903, durante o período de Almoctadir, os curdos novamente se rebelaram. Por fim, os árabes conquistaram os curdos e foram convertendo a maior parte do povo ao Islã. Para converter os curdos, os árabes utilizaram-se de todas as estratégias, inclusive o matrimônio. É sabido que a mãe do último califa omíada, Maruane I, era curda.

Idade Moderna

Na segunda metade do século XVI, com a fragmentação do Ilcanato, o Curdistão divide-se novamente em uma série de principados, mas que ainda mantinham uma identidade cultural em comum. No século seguinte, a região é disputada por Safávidas e Otomanos. Apesar de nunca terem constituído um estado independente, os principados curdos desfrutaram de relativa autonomia até 1639. Neste ano, o Curdistão é repartido entre os Impérios Persa e Otomano, pelo Tratado de Zuhab. A ideia de Estado-nação, nascida com a Revolução Francesa, ecoou no século XIX entre os curdos. Na década de 1830, o príncipe de Rawandiz lutou contra o domínio otomano, com a ideia de unificar o Curdistão. A partir daí, diversas outras revoltas curdas acontecem pelo império ao longo do século, sendo sempre sufocadas pelos turcos.

Século XX

Após a Primeira Guerra Mundial, com o desmembramento do Império Otomano, o Tratado de Sèvres delimita as fronteiras para um Curdistão autônomo, mas é rejeitado pelos turcos. Em 1923, com o Tratado de Lausana, parte do Curdistão é integrada ao Iraque e à Síria e a outra permanece para a Turquia e o Irã. Ao fim de 1925, a terra dos curdos, conhecida desde o século XII como Curdistão, vê-se dividida entre quatro países. E, pela primeira vez ao longo da história, também foi privada de sua autonomia cultural. Já em 1924, com o novo regime turco, a língua, a cultura e as instituições curdas são suprimidas, tendo em vista o seu aniquilamento como cultura e etnia diferenciada. Em 1927, curdos da região do Monte Ararate proclamaram uma república independente, durante uma onda de revolta entre os curdos no sudeste da Turquia. O exército turco, posteriormente, esmagou a República de Ararate, em setembro de 1930.

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Conflitos armados

Imagem: Marco Gomes · BY-NC-SA · Openverse

A partir de meados do século XX, ocorrem rebeliões curdas na Turquia e no Iraque. O projeto de um Estado curdo tem opositores dos governos da região, que reprimem com violência os separatistas.

Curdistão Iraquiano

Os curdos no Iraque, liderados por Mustafa Barzani, estiveram em luta contra os sucessivos regimes iraquianos de 1960 a 1975. Em março de 1970, o Iraque anunciou um acordo de paz contemplando a autonomia curda, que seria implementado em quatro anos. No entanto, ao mesmo tempo, o regime iraquiano iniciou um programa de arabização nas regiões ricas em petróleo de Kirkuk e Khanaqin. A partir de 1971, começaram a entrar em vigor as primeiras medidas de uma campanha anticurda, oficializada em 1986 sob o nome de Operação Anfal, no governo de Saddam Hussein, e que só terminou em 1989. O objetivo era eliminar as aspirações de criar uma nação independente ou mesmo de se organizar como uma etnia de cultura e linguagem próprias. As formas de repressão começavam com a expulsão dos curdos que viviam próximos às fronteiras iraquianas com as da Turquia e do Irã. A prisão com base em acusações de atividades oposicionistas complementava o processo. Os curdos sofreram todo tipo de violência no período: de alvos de armas químicas a destruição de cidades e vilas. Em novembro de 1987, cerca de 600 curdos presos foram mortos pelos iraquianos com o tálio, um metal pesado utilizado em veneno para ratos.

Curdistão Turco

Sob o comando de seu fundador Abdullah Öcalan, o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) iniciou em 1984 uma luta armada contra o governo turco, que não reconhece a existência da etnia curda e proíbe seu idioma. Os guerrilheiros contaram com o apoio do governo sírio e até hoje mantêm bases no Iraque e no Irã. A intensificação das ações do PKK quase provocou uma guerra entre Turquia e Síria, no final de 1998. Para evitar o conflito, os sírios retiram o apoio aos rebeldes e expulsaram Öcalan, que fugiu para a Federação Russa e tentou obter asilo político na Itália, mas sem êxito. Em fevereiro de 1999, Öcalan foi preso no Quênia, onde se refugiara na embaixada da Grécia. Julgado na Turquia, Öcalan jurou fidelidade ao Estado turco e determinou o fim da guerrilha do PKK. No entanto, foi condenado à morte em junho do mesmo ano pela justiça turca. A sentença foi ratificada pela Suprema Corte de Apelações, em novembro. Desde então, há pressões internacionais contrárias à aplicação da sentença: a União Europeia (UE) deixou claro que a execução de Öcalan pesará na inclusão ou não da Turquia no bloco, cujos integrantes não adotam a pena capital.

Curdistão Sírio

Na Síria, com a eclosão da Guerra Civil em 2011, as forças do governo retiraram-se dos três enclaves curdos no norte do país, deixando o controle político nas mãos das milícias locais em 2012. Partidos políticos curdos, que existiam clandestinamente, estabeleceram as Unidades de Proteção Popular (YPG) para defender as áreas curdas, chamadas de Rojava, e enfrentar a ameaça do Estado Islâmico. Em março de 2016, a administração de Rojava proclamou a fundação de um sistema federalista de governo, a Federação do Norte da Síria - Rojava‎‎, abreviada como FNS. Apesar de manter algumas relações internacionais, a FNS não é oficialmente reconhecida como autônoma pelo governo da Síria. Já as suas lideranças consideram sua constituição como um modelo para uma Síria federalista como um todo, após o fim da guerra.

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