Aimorés (Minas Gerais)
Aimorés é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se no Vale do Rio Doce e está situado a cerca de 490 km a leste da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente 1 350 km², sendo que 6 km² estão em área urbana, e sua população foi estimada em 26 212 habitantes em 2025.
Até a década de 1850 a região era habitada exclusivamente pelos Aimorés. Por muito tempo ajudaram na preservação das matas do atual município, onde foram encontrados instrumentos de caça e de pesca que pertenciam à tribo com mais de 900 anos, porém seu primeiro contato com o homem branco foi pacífico, tendo ocorrido em uma área próxima dali. Em 1856 chega ao lugar uma expedição organizada pelos irmãos João e Luís de Aguiar e um cunhado de nome Inácio Mançores, vindos de Paraíba do Sul, no Rio de Janeiro; atravessaram Manhuaçu até chegar ao ribeirão Pocrane e posteriormente ao rio Manhuaçu e à confluência deste com o rio Doce. Como o lugar oferecia vantagens econômicas, com seu solo fértil, caça abundante e rios piscosos, estabeleceram-se como produtores rurais e mineradores em busca de ouro e pedras preciosas. Somente por volta de 1870 vieram para o município os desbravadores com o verdadeiro propósito de implantar o progresso por meio da agricultura e da pecuária. Entre esses destaca-se Paulo Martins dos Santos. Incentivaram a agricultura, a pecuária e foram aos poucos povoando o local. Outras pessoas foram atraídas pela notícia da fertilidade e riqueza da zona e para lá se dirigiram, crescendo assim a localidade. Inicialmente denominaram a nova terra de "Natividade", porém em 1910 passou a ter o nome de "Aimorés", em homenagem aos nativos, cujo nome prevalece atualmente.
A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de 1 348,913 km², sendo que 5,58 km² constituem a zona urbana. Situa-se a 19°29'45" de latitude sul e 41°03'50" de longitude oeste e está a uma distância de 489 quilômetros a leste da capital mineira. Seus municípios limítrofes são Itueta, ao norte; Baixo Guandu, ao nordeste; Laranja da Terra, à leste; Afonso Cláudio, a sudeste; Brejetuba, ao sul; Mutum, a sudoeste; Pocrane, à oeste; e Santa Rita do Itueto, ao noroeste. Destes, Baixo Guandu, Laranja da Terra, Afonso Cláudio e Brejetuba situam-se no estado do Espírito Santo e as cidades de Mutum, Pocrane, Santa Rita do Itueto e Itueta estão em Minas Gerais. De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária de Governador Valadares e Imediata de Aimorés-Resplendor. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Aimorés, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Vale do Rio Doce.
Relevo e hidrografia
O relevo do município de Aimorés é predominantemente ondulado. Em aproximadamente 40% do território aimoreense há o predomínio de terrenos ondulados, enquanto que 30% é coberto por áreas acidentadas e os outros 30% restantes são lugares planos. A altitude máxima encontra-se na Serra da Mata Fria, situada a sul do município, que chega aos 1 118 metros, enquanto que a altitude mínima está no rio Doce, chegando a 83 metros acima do nível do mar, em um trecho a nordeste da cidade. Vários agrupamentos rochosos são alguns dos principais atrativos do município, tais como a pedra Bonita, a pedra da Fundanga, a pedra da Onça e a pedra Lorena. Análises geomórficas e fotografias registradas por satélites revelam ainda a existência de uma cratera a cerca de 5 quilômetros a norte da cidade, com aproximadamente 9,6 km de diâmetro.
Clima
O clima aimoreense é caracterizado como tropical quente semiúmido (tipo Aw segundo Köppen), com temperatura média compensada anual de 25 °C e pluviosidade média de 920 mm/ano, concentrados entre os meses de outubro e março. O município é conhecido por ser a cidade mais quente do estado de Minas Gerais e por isso recebe o apelido de "a terra do sol eterno". A estação chuvosa compreende os meses mais quentes, enquanto que a estação seca abrange os meses mornos. Outono e primavera, por sua vez, são estações de transição. A passagem entre os períodos seco e chuvoso é marcada por tempestades, sobretudo na primavera. As precipitações caem principalmente sob a forma de chuva e, esporadicamente, de granizo, com registros desse fenômeno em 20 de outubro de 2014 e 4 de setembro de 2018, provocando danos em residências e estabelecimentos comerciais. As chuvas podem ainda vir acompanhadas de descargas elétricas e fortes rajadas de vento. De acordo com o Grupo de Eletricidade Atmosférica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (ELAT/INPE) em 2018, o município apresenta uma densidade de descargas de 1 raio por km²/ano, estando na 729ª posição a nível estadual e na 4 457ª a nível nacional.
Ecologia e meio ambiente
A vegetação original e predominante no município é a Mata Atlântica, apesar de que parte da mata nativa foi severamente devastada nos últimos 50 anos; inicialmente com o ciclo exploratório da madeira, que era vendida para outras regiões e estados sem que a população local fosse recompensada, depois para dar lugar às plantações de café e por último para ceder espaço à agricultura moderna e às pastagens para o gado, ou mesmo desmatada e mais tarde reflorestada. A construção da Usina Hidrelétrica de Aimorés também implicou o alagamento de vários trechos de florestas nativas e fazendas situadas ao redor do rio Doce. Para combater o desmatamento e a devastação de áreas verdes, foram criados programas como as áreas de preservação ambiental (APAs), que são faixas de vegetação cujo objetivo é preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica e a biodiversidade, proteger o solo e assegurar o bem-estar da população. As áreas desmatadas para a construção da usina hidrelétrica estão sendo recuperadas, transformadas em mata ciliar e protegidas com a criação de APAs, sendo que 191,11 hectares já foram reflorestados. O complexo da central hidrelétrica também abrange um Parque Botânico de 70 hectares, que foi criado a partir do plantio de mais de 77 mil mudas de espécies da Mata Atlântica e conta com auditório, teatro de arena, espaço cultural e centro de educação ambiental, além de realizar palestras, exposições e atividades ecológicas abertas à população.
Em 2022, a população foi estimada em 25 269 habitantes pelo censo daquele ano, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2010, a população era de 24 959 habitantes. Segundo o censo de 2010, 12 061 habitantes eram homens e 12 898 habitantes mulheres. Ainda segundo o mesmo censo, 19 700 habitantes viviam na zona urbana e 5 259 na zona rural. Da população total, 5 563 habitantes (22,69%) tinham menos de 15 anos de idade, 16 628 habitantes (66,62%) tinham de 15 a 64 anos e 2 768 pessoas (11,09%) possuíam mais de 65 anos, sendo que a esperança de vida ao nascer era de 73,6 anos e a taxa de fecundidade total por mulher era de 2,1. No começo do século XX, a cidade foi uma das mais importantes de todo o leste mineiro, atraindo migrantes de várias regiões em decorrência de seu crescimento econômico, porém na década de 1960 a população começou a se declinar. Pela sua proximidade e acesso fácil e rápido por rodovia e ferrovia a Vitória e cidades como Governador Valadares e a Região Metropolitana do Vale do Aço, acabou sendo polarizada por estas.
A administração municipal se dá pelos Poderes Executivo e Legislativo. O Executivo é exercido pelo prefeito, auxiliado pelo seu gabinete de secretários. O atual prefeito é Adriano Garcia, do Partido Liberal (PL), eleito nas eleições municipais de 2024 com 47,71% dos votos válidos e empossado em 1º de janeiro de 2025, ao lado de Francisco José de Oliveira (PSDB) como vice-prefeito. O Poder Legislativo, por sua vez, é constituído pela câmara municipal, composta por onze vereadores. Cabe à casa elaborar e votar leis fundamentais à administração e ao Executivo, especialmente o orçamento participativo (Lei de Diretrizes Orçamentárias). Em complementação ao processo Legislativo e ao trabalho das secretarias, existem também conselhos municipais em atividade, entre os quais dos direitos da criança e do adolescente (criado em 1991) e tutelar (1991). Aimorés se rege por sua lei orgânica e abriga uma comarca do Poder Judiciário estadual, de primeira entrância, que abrange apenas o próprio município. O município possuía, em novembro de 2016, 19 449 eleitores, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que representa 0,124% do eleitorado mineiro.
Administrativamente, o município é subdividido em nove distritos, além da sede, sendo eles Alto do Capim, Conceição do Capim, Expedicionário Alício, Mundo Novo de Minas, Penha do Capim, Santo Antônio do Rio Doce, São José do Limoeiro, São Sebastião da Vala e Tabaúna. O distrito-sede era o mais populoso, reunindo 16 257 habitantes no ano de 2022, segundo o IBGE, seguido por Santo Antônio do Rio Doce, com 1 680 residentes.
No Produto Interno Bruto (PIB) de Aimorés, destacam-se a agropecuária e a área de prestação de serviços, com considerável participação da extração mineral. De acordo com dados do IBGE, relativos a 2011, o PIB do município era de R$ 304 207 mil. 13 038 mil reais eram de impostos sobre produtos líquidos de subsídios a preços correntes e o PIB per capita era de R$ 12 193,62. Em 2010, 61,54% da população maior de 18 anos era economicamente ativa, enquanto que a taxa de desocupação era de 7,19%. Em 2012, salários juntamente com outras remunerações somavam 42 591 mil reais e o salário médio mensal de todo município era de 1,9 salários mínimos. Havia 567 unidades locais e 553 empresas atuantes. Segundo o IBGE, em 2010, 70,33% das residências sobreviviam com menos de salário mínimo mensal por morador (5 793 domicílios), 22,13% sobreviviam com entre um e três salários mínimos para cada pessoa (1 823 domicílios), 2,78% recebiam entre três e cinco salários (229 domicílios), 1,98% tinham rendimento mensal acima de cinco salários mínimos (163 domicílios) e 2,79% não tinham rendimento (230 domicílios).
Habitação, infraestrutura básica e criminalidade
No ano de 2010 a cidade tinha 8 238 domicílios particulares permanentes. Desse total, 8 050 eram casas, 17 eram casas de vila ou condomínios, 168 eram apartamentos e três eram habitações em cortiços. Do total de domicílios, 5 669 são imóveis próprios (5 320 próprios já quitados e 349 em aquisição); 1 339 foram alugados; 1 175 foram cedidos (455 cedidos por empregador e 720 cedidos de outra forma) e 55 foram ocupados de outra maneira. Parte dessas residências contava com água tratada, energia elétrica, esgoto, limpeza urbana, telefonia fixa e telefonia celular. 6 600 domicílios eram atendidos pela rede geral de abastecimento de água (80,11% do total); 8 138 (98,78%) possuíam banheiros para uso exclusivo das residências; 6 289 (76,34% deles) eram atendidos por algum tipo de serviço de coleta de lixo (seja pela prefeitura ou não); e 8 194 (99,46%) possuíam abastecimento de energia elétrica.
Saúde e educação
Em 2009, o município contava com 25 estabelecimentos de saúde entre hospitais, pronto-socorros, postos de saúde e serviços odontológicos, sendo 14 deles públicos municipais e 11 privados. Do total de estabelecimento, 20 faziam parte do Sistema Único de Saúde (SUS) e havia 30 leitos para internação. Em 2013, 96,8% das crianças menores de 1 ano de idade estavam com a carteira de vacinação em dia e em 2012, foram registrados 316 nascidos vivos, sendo que o índice de mortalidade infantil neste ano foi de 12,7 óbitos de crianças menores de cinco anos de idade a cada mil nascidos. Em 2010, 15,82% das mulheres de 10 a 17 anos tiveram filhos, sendo 0,75% de meninas entre 10 e 14 anos e a taxa de atividade nesta faixa etária de 8,77%. 93,5% das crianças foram pesadas pelo Programa Saúde da Família em 2013, sendo que 0,5% do total estavam desnutridas.
Serviços e comunicação
O serviço de abastecimento de energia elétrica do município é feito pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), assim como em grande parte do estado de Minas Gerais. Segundo a empresa, no ano de 2003 havia 8 621 consumidores (sendo 6 582 consumidores residenciais) e foram consumidos 24 165 730 KWh de energia. A energia produzida pela Usina Hidrelétrica de Aimorés é direcionada para uma subestação, onde é encaminhada ao sistema elétrico brasileiro. Este recebe a energia produzida pelas usinas do Brasil, que é redistribuída por todo o país. Os serviços de abastecimento de água e coleta de esgoto da cidade são feitos pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), sendo que a água fornecida à cidade é oriunda do rio Manhuaçu.
Transportes
Desde o começo do século XX, Aimorés conta com transporte ferroviário da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), tendo saídas diárias ligando Belo Horizonte a Vitória. A estação da cidade foi inaugurada em 8 de agosto de 1907, sendo que hoje, a EFVM é a via de viagem mais barata e segura possível para as cidades que contam com estações. A frota municipal no ano de 2010 era de 6 142 veículos, sendo 2 328 automóveis, 165 caminhões, seis caminhões-trator, 308 caminhonetes, 62 caminhonetas, 26 micro-ônibus, 2 634 motocicletas, 511 motonetas, 36 ônibus, nove utilitários e 57 classificados como outros tipos de veículos. As avenidas duplicadas e pavimentadas e diversos semáforos facilitam o trânsito no município, mas o crescimento no número de veículos nos últimos dez anos está gerando um tráfego cada vez mais lento de carros, principalmente na Sede aimoreense.
Manifestações culturais e instituições
Para estimular o desenvolvimento socioeconômico local, a prefeitura de Aimorés, juntamente ou não com instituições locais, passou a investir mais no segmento de festas e eventos. Os principais eventos são as festas juninas, em junho ou julho; a festa de Nossa Senhora do Carmo, em julho; e as comemorações do aniversário da cidade, em setembro. Este último é o principal, havendo a realização de shows, exposições, cavalgadas e sorteios. O artesanato também é uma das formas mais espontâneas da expressão cultural aimoreense. Há associações que reúnem artesãos da região, disponibilizando espaço para confecção, exposição e venda dos produtos artesanais. Normalmente essas peças são vendidas em feiras, exposições ou lojas de artesanato. O Instituto Terra, por exemplo, em parceria com o SEBRAE atua em comunidades rurais ministrando cursos de artesanato e reciclagem para a população. Segundo o IBGE, as principais atividades artesanais desenvolvidas em Aimorés eram o bordado, trabalhos com frutas e sementes extraídas da natureza e esculturas de argila.
Turismo
Os principais atrativos da cidade são a Usina Hidrelétrica da cidade e o Instituto Terra. Na UHE destaca-se o Parque Botânico, que além de ter a função de preservar a fauna e flora local, é aberto diariamente ao público e conta com auditório, teatro de arena, espaço cultural, centro de educação ambiental e a realização de palestras, exposições e atividades ecológicas. Também organizam-se visitas temáticas para crianças e escolas. O Instituto Terra também é aberto ao público e nele são realizadas palestras e atividades ecológicas, havendo ainda o Cine Teatro Terra, com exibições de filmes e apresentação de peças teatrais com foco na preservação ambiental.
Feriados
Em Aimorés há dois feriados municipais e oito feriados nacionais, além dos pontos facultativos. Os feriados são o dia de Nossa Senhora do Carmo, celebrado em 16 de julho; e o dia do aniversário da cidade, em 18 de setembro. De acordo com a lei federal nº 9.093, aprovada em 12 de setembro de 1995, os municípios podem ter no máximo quatro feriados municipais com âmbito religioso, já incluída a Sexta-Feira Santa.
Bandeira
A bandeira de Aimorés foi criada a partir de um concurso realizado pelo então prefeito do município, Secundino Cypriano da Silva, entre os grêmios estudantis da Escola Pan-Americana e da Escola Normal e Ginásio Nossa Senhora do Carmo, na década de 60. O ganhador foi Waldir de Freitas Caldas, da Escola Pan-Americana, cuja bandeira foi adotada como símbolo do município. É composta por uma base amarela em forma de retângulo, sobre a qual se sobrepõem, ao centro e nesta ordem, um círculo azul claro; uma estrela branca em cujas pontas estão os pontos cardeais em azul; e o contorno do município em verde, sobre o qual há pequenos pontos pretos, um dos quais com uma borda branca.


