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Baixo Guandu

Baixo Guandu é um município brasileiro no interior do estado do Espírito Santo, Região Sudeste do país. Localiza-se no noroeste capixaba, estando situado a cerca de 180 km da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente 910 km², sendo que 7 km² estão em área urbana, e sua população foi estimada em 32 829 habitantes em 2025.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 19/07/2026
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História

Origens e pioneirismo

A colonização da região do atual município de Baixo Guandu teve início entre o final do século XVIII e começo do século XIX, período marcado pelas bandeiras que adentravam o interior brasileiro. O lugar era um importante ponto de parada para os bandeirantes, oferecendo ótimos resultados de caça e, no leito do rio Doce, pescado e água. Conflitos entre os viajantes (muitos oriundos do Rio de Janeiro) e os botocudos, habitantes originais da região, eram constantes e para evitá-los criaram-se, no ano de 1800, os chamados "quartéis". Foram estes conflitos que fizeram com que fracassassem todas as tentativas governamentais de povoamento até meados da década de 1860.

Formação administrativa

Dado o crescimento populacional e econômico constante da localidade, foi criado, pela lei estadual nº 1.045, de 9 de dezembro de 1915, o distrito de Baixo Guandu, subordinado ao município de Colatina. O distrito foi elevado à categoria de município pela lei estadual nº 6.152, de 10 de abril de 1935, sendo oficialmente instalado em 8 de junho do mesmo ano. Desde a criação do distrito muitos movimentos separatistas atuaram em prol da elevação de Baixo Guandu à categoria de cidade. Quando emancipado Baixo Guandu era composto apenas pelo distrito-sede. Os primeiros distritos a fazerem parte do município foram Ibituba (antigo Afonso Pena) e Quilômetro 14 do Mutum (também conhecido por Mascarenhas, seu nome original), adquiridos do território de Colatina pelo decreto lei estadual nº 9.222, de 31 de março de 1938. Pela lei estadual nº 752, de 30 de novembro de 1953, criou-se o distrito de Alto Mutum Preto, com território desmembrado do distrito de Quilômetro 14 do Mutum, e mediante a lei estadual nº 19.52, de 13 de janeiro de 1964, foi criado o distrito de Vila Nova do Bananal. A partir de então restaram cinco distritos, sendo eles Alto Mutum Preto, Ibituba, Quilômetro 14 do Mutum e Vila Nova do Bananal, além do distrito-sede.

Após a emancipação

Baixo Guandu foi a primeira cidade brasileira a receber água tratada com flúor em 1953, com o intuito de diminuir a incidência de cáries, principalmente entre as crianças. O benefício foi alcançado pela administração guanduense que tentava alcançar o feito desde a década de 1940, quando foi iniciado o tratamento de água potável no Espírito Santo por meio do Serviço Especial de Saúde Pública. Desde 1926 Baixo Guandu possuía uma usina hidrelétrica, a Usina Hidrelétrica Von Luztow, construída por Belarmino Pinto. Esta foi expandida na década de 50, cujas obras foram executadas pela Lutzow S.A.; concluídas com auxílio da Cia. Vale do Rio Doce (atual Vale S.A.) após uma crise. Com a expansão, a UHE passou a alimentar, além de Baixo Guandu, o município de Resplendor.

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Geografia

A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de 909,039 km², sendo que 6,9 km² constituem a zona urbana. Situa-se a 19°31'07" de latitude sul e 41°57'00" de longitude oeste e está a uma distância de 181 quilômetros a noroeste da capital capixaba. e está a uma distância de 186 quilômetros a oeste da Vitória. Seus municípios limítrofes são Pancas, a norte; Resplendor, a noroeste; Aimorés e Itueta, a oeste; Laranja da Terra, a sul; e Colatina e Itaguaçu, a leste. De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária e Imediata de Colatina. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Colatina, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Noroeste Espírito-Santense. O relevo do município de Baixo Guandu é predominantemente ondulado. Aproximadamente 50 % do território guanduense é coberto por áreas onduladas, 33 % são mares de morros ou acidentados, 12 % são terras planas e 5 % zonas escarpadas. A altitude máxima chega aos 900 metros, enquanto que a altitude da sede é de 77 metros. O solo é do tipo latossolo vermelho-amarelo, distrófico, com fertilidade média e acidez moderada, sendo o pH em torno de 5.

Clima

O clima guanduense é caracterizado, segundo o IBGE, como tropical quente semiúmido (tipo Aw segundo Köppen), com diminuição de chuvas no inverno e temperatura média anual em torno dos 25 °C, tendo invernos amenos e verões úmidos com temperaturas altas. O mês mais quente, fevereiro, tem temperatura média de 28 °C, enquanto que o mês mais frio, julho, possui média de 22 °C. Outono e primavera são estações de transição. O índice pluviométrico anual é de aproximadamente 900 mm, sendo julho o mês mais seco e dezembro o mais chuvoso. Apesar das temperaturas elevadas na maior parte do ano, as mínimas nos dias mais frios podem atingir marcas próximas ou mesmo abaixo dos 10 °C de forma pontual. Em localidades rurais, como Alto Mutum Preto, Mutum Claro e Alto Lage, podem até mesmo chegar aos 5 °C em eventos pontuais. As precipitações caem principalmente sob a forma de chuva e, esporadicamente, de granizo, com registro desse fenômeno nos dias 20 de outubro de 2014 e 4 de outubro de 2022, provocando danos em casas e estabelecimentos e falta de energia elétrica.

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Demografia

Em 2022, a população foi estimada em 30 674 habitantes pelo censo daquele ano, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2010, a população era de 29 081 habitantes. Segundo o censo de 2010, 14 220 habitantes eram homens e 14 861 habitantes mulheres. Ainda segundo o mesmo censo, 10 779 habitantes viviam na zona urbana e 3 441 na zona rural. Da população total, 6 738 habitantes (23,17%) tinham menos de 15 anos de idade, 19 486 habitantes (67,01%) tinham de 15 a 64 anos e 2 857 pessoas (9,82%) possuíam mais de 65 anos, sendo que a esperança de vida ao nascer era de 73,7 anos e a taxa de fecundidade total por mulher era de 1,9. A composição étnica do município foi bastante influenciada pela chegada de imigrantes oriundos de vários países da Europa entre os séculos XIX e XX, em especial italianos. Em 2010, segundo dados do censo do IBGE daquele ano, a população guanduense era composta por 11 827 brancos (40,67%); 1 970 negros (6,77%); 107 amarelos (0,37%); 15 148 pardos (52,09%); 25 indígenas (0,09%); e quatro sem declaração. Considerando-se a região de nascimento, 28 457 eram nascidos na Região Sudeste (97,85%), 318 na Região Nordeste (1,09%), 69 no Norte (0,24%), 31 no Centro-Oeste (0,11%) e 22 no Sul (0,08%). 22 425 habitantes eram naturais do estado de Espírito Santo (77,21%) e, desse total, 16 639 eram nascidos em Baixo Guandu (57,22%). Entre os 6 656 naturais de outras unidades da federação, Minas Gerais era o estado com maior presença, com 5 776 pessoas (19,86%), seguido pelo Rio de Janeiro, com 211 residentes (0,73%), e pela Bahia, com 188 habitantes residentes no município (0,65%).

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Política e administração

A administração municipal se dá pelos Poderes Executivo e Legislativo. O Executivo é exercido pelo prefeito, auxiliado pelo seu gabinete de secretários. O atual prefeito é Lastênio Luiz Cardoso, do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), que foi reeleito nas eleições municipais de 2024, com 53,44% dos votos válidos, ao lado de Dr. Patrick Favarato Perutti como vice-prefeito. O Poder Legislativo, por sua vez, é constituído pela câmara municipal, composta por onze vereadores. Cabe à casa elaborar e votar leis fundamentais à administração e ao Executivo, especialmente o orçamento participativo (Lei de diretrizes orçamentárias). Em complementação ao processo Legislativo e ao trabalho das secretarias, existem também conselhos municipais em atividade, entre os quais dos direitos da criança e do adolescente, criado em 2009, tutelar (2009), direitos do idoso (2006) e de políticas para mulheres (2008). Baixo Guandu se rege por sua lei orgânica, que foi promulgada em 5 de abril de 1990, e abriga uma comarca do Poder Judiciário estadual, de segunda entrância. O município possuía, em janeiro de 2017, 22 126 eleitores, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que representa 0,813% do eleitorado capixaba.

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Subdivisões

Administrativamente, o município é subdividido em quatro distritos, além da sede, sendo eles Alto Mutum Preto, Ibituba, Quilômetro 14 do Mutum e Vila Nova do Bananal. O distrito-sede era o mais populoso, reunindo 25 362 habitantes no ano de 2022, segundo o IBGE, seguido por Ibituba, com 1 702 pessoas. A cidade também se divide em 15 bairros oficiais, segundo a prefeitura em 2013, sendo eles: Alto Guandu, Centro, Industrial, Mauá, Operário, Residencial Ricardo Holz, Rosário I, Rosário II, Santa Mônica, São José, São Pedro, São Vicente, Sapucaia, Val Paraíso e Vila Kennedy.

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Economia

O Produto Interno Bruto (PIB) de Baixo Guandu é o 27º maior do estado do Espírito Santo, destacando-se na área de prestação de serviços. De acordo com dados do IBGE, relativos a 2011, o PIB do município era de R$ 308 440 mil. 17 991 mil reais eram de impostos sobre produtos líquidos de subsídios a preços correntes e o PIB per capita era de R$ 10 570,97. Em 2010, 64,92% da população maior de 18 anos era economicamente ativa, enquanto que a taxa de desocupação era de 7,58%. Salários juntamente com outras remunerações somavam 52 422 mil reais e o salário médio mensal de todo município era de 1,8 salários mínimos. Havia 685 unidades locais e 672 empresas atuantes, além da presença de 4 agências de instituições financeiras, segundo o IBGE em 2012. Em 2010, 67,64% das residências sobreviviam com menos de salário mínimo mensal por morador (6 323 domicílios), 25,08% sobreviviam com entre um e três salários mínimos para cada pessoa (2 345 domicílios), 2,74% recebiam entre três e cinco salários (256 domicílios), 1,39% tinham rendimento mensal acima de cinco salários mínimos (130 domicílios) e 3,16% não tinham rendimento (295 domicílios).

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Infraestrutura

Habitação e criminalidade

No ano de 2010, a cidade tinha 9 329 domicílios particulares permanentes. Desse total, 8 707 eram casas, 21 eram casas de vila ou condomínios, 595 eram apartamentos e 26 eram habitações em cortiços. Do total de domicílios, 6 038 são imóveis próprios (5 779 próprios já quitados e 259 em aquisição); 1 721 foram alugados; 1 574 foram cedidos (734 cedidos por empregador e 840 cedidos de outra forma) e 38 foram ocupados de outra maneira. Parte dessas residências contava com água tratada, energia elétrica, esgoto, limpeza urbana, telefonia fixa e telefonia celular. 7 529 domicílios eram atendidos pela rede geral de abastecimento de água (80,70% do total); 9 214 (98,76%) possuíam banheiros para uso exclusivo das residências; 7 530 (80,71% deles) eram atendidos por algum tipo de serviço de coleta de lixo (seja pela prefeitura ou não); e 9 323 (99,93%) possuíam abastecimento de energia elétrica.

Saúde e educação

Em 2009, o município possuía 20 estabelecimentos de saúde entre hospitais, pronto-socorros, postos de saúde e serviços odontológicos, sendo que 17 unidades de saúde eram públicas e três privadas. Três estabelecimentos faziam parte do Sistema Único de Saúde (SUS) e no total existem 150 leitos para internação. Em 2012, 98,8% das crianças menores de 1 ano estavam com a carteira de vacinação em dia. Em 2010 foram registrados 391 nascidos vivos, sendo que o índice de mortalidade infantil a cada mil crianças menores de cinco anos de idade era de 12,8. Em 2010, 5,69% das adolescentes de 10 a 17 anos tiveram filhos (todas acima dos 14 anos) e a taxa de atividade em meninas entre 10 e 14 anos era de 8,19%. Em 2012, 0,5% das 4 969 crianças pesadas pelo Programa Saúde da Família estavam desnutridos.

Serviços e comunicação

O serviço de abastecimento de energia elétrica do município é feito pela Espírito Santo Centrais Elétricas S.A. (Escelsa). A empresa atua ainda em outros 69 municípios do estado do Espírito Santo. O serviço de abastecimento de água e coleta de esgoto da cidade são feitos pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) guanduense, sendo que a cidade foi a primeira do Brasil a receber fluoretação da água para abastecimento público, em outubro de 1953. O código de área (DDD) de Baixo Guandu é 027 e o Código de Endereçamento Postal (CEP) vai de 29730-000 a 29744-999. No dia 1º de setembro de 2008 o município passou a ser servido pela portabilidade, juntamente com outros municípios com o mesmo DDD. A portabilidade é um serviço que possibilita a troca da operadora sem a necessidade de se trocar o número do aparelho.

Transportes

Desde o começo do século XX, Baixo Guandu conta com transporte ferroviário da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), tendo saídas diárias ligando Belo Horizonte a Vitória. A estação ferroviária da cidade foi inaugurada em 1º de junho de 1910, sendo que hoje a EFVM é a via de viagem mais barata e segura possível para as cidades que contam com estações. A frota municipal no ano de 2012 era de 12 426 veículos, sendo 5 255 automóveis, 524 caminhões, 140 caminhões-tratores, 1 089 caminhonetes, 144 caminhonetas, 28 micro-ônibus, 4 017 motocicletas, 842 motonetas, 64 ônibus, 32 utilitários, cinco tratores de rodas e 286 classificados como outros tipos de veículos. A cidade possui transporte coletivo, que é de responsabilidade da Empresa Viação Guanduense Ltda. (Guantur). Duas rodovias passam por Baixo Guandu, sendo elas a BR-474 (que interliga o Espírito Santo, a região do Vale do Rio Doce, a Região Metropolitana do Vale do Aço e a Zona da Mata Mineira); a Rodovia Desembargador Lourival de Almeida (liga Baixo Guandu a Laranja da Terra); a ES-446 (liga Baixo Guandu à Rodovia Isidoro Binda e, posteriormente, a Itaguaçu, Colatina e ao litoral); e a Rodovia Pedro Nolasco (principal ligação de Baixo Guandu a Colatina, à BR-101 e ao litoral).

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Cultura

Manifestações culturais

Para estimular o desenvolvimento socioeconômico local, a prefeitura de Baixo Guandu, juntamente ou não com instituições locais, passou a investir mais no segmento de festas e eventos. Os principais eventos são as comemorações do aniversário da cidade, em abril (com a realização de shows, exposições, espetáculos culturais, campeonatos esportivos e sorteios); o Rodeio de Baixo Guandu, em junho (organizado desde 2002, com a realização de shows e exposições); a festa de São Pedro, padroeiro municipal, em junho; as festas juninas, em junho ou julho; a ExpoGuandu, em setembro ou outubro (com shows, feiras de artesanato, concursos e expositores de animais e produtos agrícolas); as comemorações do dia das crianças, em 12 de outubro; e as celebrações de Natal e Reveillon, em dezembro.

Instituições e atrativos

Dentre os espaços culturais, destaca-se a existência de uma biblioteca pública e dois estádios ou ginásios poliesportivos, segundo o IBGE em 2005. Também há presença de bandas e grupos de capoeira. No ano de 2006, a cidade tombou o Edifício Madame Albertina Holz, importante edifício do início do século XX, localizado no município de estilo eclético com elementos de neoclássico. Apesar do tombamento, que pretendia a conversação do imóvel e a conversão do mesmo em um museu com biblioteca, o local permaneceu abandonado por um tempo, sendo um importante pedaço da história da cidade e de seu desenvolvimento. Em julho de 2024, o local foi reinaugurado após passar por restauro e aberto como museu.

Feriados

Em Baixo Guandu há três feriados municipais e oito feriados nacionais, além dos pontos facultativos. Os feriados são o dia do aniversário da cidade, comemorado em 10 de abril; o dia de Corpus Christi, celebrado em data móvel em maio ou junho; e o dia de São Pedro, padroeiro municipal, em 29 de junho. De acordo com a lei federal nº 9.093, aprovada em 12 de setembro de 1995, os municípios podem ter no máximo quatro feriados municipais com âmbito religioso, já incluída a Sexta-Feira Santa.

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Fontes consultadas

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