Ação Integralista Brasileira
Ação Integralista Brasileira (AIB) foi um movimento político brasileiro ultranacionalista, corporativista, conservador e tradicionalista católico de extrema-direita. Inspirado no fascismo italiano, no integralismo lusitano e baseado na Doutrina Social da Igreja Católica, foi fundado em 7 de outubro de 1932 pelo escritor e jornalista brasileiro Plínio Salgado. Os integralistas também ficaram conhecidos como camisas-verdes ou, por seus detratores, em referência à cor dos uniformes que utilizavam, como galinhas-verdes.
Os principais idealizadores que deram corpo ao movimento integralista brasileiro foram Plínio Salgado, Gustavo Barroso e Miguel Reale. Plínio Salgado sistematizou a teoria do Estado Integral, e criou os uniformes, símbolos, costumes, hábitos e rituais dos participantes do movimento integralista, e criou a Ação Integralista Brasileira em 7 de outubro de 1932, com lançamento do Manifesto de Outubro de 1932. Às vésperas das eleições presidenciais de 1937, onde Plínio Salgado era o candidato favorito, a AIB lançou o Manifesto Programa de 1937, que foi um dos principais documentos do movimento, influenciou as realizações do Estado Novo, e uma grande geração de políticos como Juscelino Kubitschek, que agradece a Plínio Salgado pela inspiração propiciada pelo livro "13 Anos em Brasília", que o levou a construir a nova capital brasileira.
Levante integralista
Em decorrência da dissolução da AIB, após a instauração do Estado Novo, alguns integralistas insurgiram-se tentando dar um contragolpe à ditadura de Vargas, em 1938. Severo Fournier, liderando os integralistas, atacou, em 11 de maio de 1938, o Palácio Guanabara. Eram 80 militantes integralistas ao todo - dentre eles um membro da família imperial brasileira. Em resposta, muitos foram fuzilados, outros tantos feridos. Cerca de 1 500 integralistas acabaram presos e ficaram sob a responsabilidade de Filinto Müller para interrogá-los. Plínio Salgado, ao final, foi exilado em Portugal. O ocorrido ficou conhecido como Levante integralista.
Em 1936, o total de seus membros era estimado entre 600 mil e um milhão. Segundo o jornal Monitor Integralista (de circulação nacional, assim como A Offensiva, principal órgão do partido), na edição de 7 de outubro de 1937, naquele ano número de filiados da AIB era superior a um milhão. O jornal também registrava a existência de mais de 100 jornais. Há referências pelo menos quatro revistas - A Flâmula, Anauê, Panorama e A Marcha. Desses acima, a AIB reivindicava um total de 1 352 000 membros distribuídos em 3,6 mil núcleos no Brasil e no exterior. Existiam ainda outros milhões de simpatizantes e milhares de pedidos de filiação quando a AIB foi posta na ilegalidade, em 1938.
Período de 1945 a 1966
Os integralistas e remanescentes da AIB se reorganizaram no Partido de Representação Popular (PRP), presidido por Plínio Salgado, e participaram de todas as eleições do período, desde a Assembleia Constituinte de 1945, até a edição do AI-2, em 1966; o PRP teve sua maior representatividade nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro. Salgado foi candidato a presidência da República em 1955, obtendo cerca de 7% dos votos. Com o fim do PRP. seus membros filiaram-se no partido ARENA. Os ex-dirigentes integralistas foram favoráveis ao golpe de Estado de 1964, e o antigo integralista Olímpio Mourão Filho foi seu deflagrador. Ao mesmo tempo, entre os movimentos das baixas patentes militares, que estavam no campo do presidente deposto, havia uma facção integralista. Como as demais tendências, muitos de seus membros foram cassados após o golpe.
A atitude dos integralistas brasileiros em público era marcada pela simbologia e iconografia adotada. Os integralistas se apresentavam, oficialmente, uniformizados. As camisas e capacetes eram em tons de verde mar, as gravatas eram pretas e as calças pretas ou brancas. Cumprimentavam-se utilizando a expressão de origem indígena "anauê", que supostamente significaria "você é meu irmão", com o braço esticado e mão espalmada, tal como grupos fascistas europeus como os camisas negras italianos e os camisas pardas nazistas. Este cumprimento é feito pelos integralistas até hoje, e o seu significado, cristalizado nesse que os camisas-verdes atribuíram a ele.
Comunismo e liberalismo econômico
Para a ideologia integralista, o materialismo histórico, ou seja, considerar o ser humano exclusivamente sob seus aspectos econômicos e materiais, é a base do que se chama "civilização burguesa" e é a grande influência para a formação tanto do liberalismo econômico como do comunismo. Para Plínio Salgado a chamada burguesia não é uma classe social ou econômica e sim um estado de espírito (Já temos dito muitas vezes e não cansaremos de repetir: a burguesia não é uma classe, é um estado de espírito). Dessa unidade de fontes teóricas resulta uma unidade de valores. Miguel Reale escreveu: .mw-parser-output .flexquote{display:flex;flex-direction:column;background-color:#F1F1F1;border-left:3px solid #C7C7C7;font-size:100%;margin:1em 4em;padding:.4em .8em}.mw-parser-output .flexquote>.flex{display:flex;flex-direction:row}.mw-parser-output .flexquote>.flex>.quote{width:100%}.mw-parser-output .flexquote>.flex>.separator{border-left:1px solid #C7C7C7;border-top:1px solid #C7C7C7;margin:.4em .8em}.mw-parser-output .flexquote>.cite{text-align:right}@media all and (max-width:600px){.mw-parser-output .flexquote>.flex{flex-direction:column}}@media screen{html.skin-theme-clientpref-night .mw-parser-output .flexquote{background-color:transparent}}@media screen and (prefers-color-scheme:dark){html.skin-theme-clientpref-os .mw-parser-output .flexquote{background-color:transparent}}
Relações com o fascismo
A relação entre o integralismo e o fascismo é um dos temas mais abordados quando se estuda o movimento integralista. Enquanto grande parte dos historiadores coloca o integralismo simplesmente como uma manifestação do pensamento fascista, que tinha forte apelo na década de 1930, os integralistas se opõem a essa leitura da história do movimento. Miguel Reale, um dos mais importantes membros do grupo, não concordava com a classificação de fascista à AIB. O professor da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, Goffredo Telles Junior, que em sua juventude participou da Ação Integralista Brasileira, relatou numa entrevista concedida a Eugênio Bucci:
Antissemitismo
Apesar de boa parte dos membros negarem qualquer apologia do integralismo com o nazismo, o fato é que existiram integralistas que defendiam ideais antissemitas. Gustavo Barroso certamente foi um dos mais influentes ícones do Movimento Integralista Brasileiro. Além de deter um cabedal de títulos e funções importantes no cenário mundial, ele foi responsável pelos movimentos antissemitas, sendo notável sua contribuição com a tradução e defesa ferrenha do livro Os Protocolos dos Sábios de Sião. O antissemitismo estava presente em algumas vertentes do movimento. O núcleo municipal de Olímpia publicou artigos antissemitas nos anos de 1933 a 1937, mas a documentação oficial da AIB não trata do assunto.
Nazismo
Segundo o autor Edson Perosa Júnior, a sinergia entre os integralistas e os nazistas não é apenas distinta ao antissemitismo de Barroso, havendo paralelos propagandistas. Do mesmo modo que o nazismo ostentava uma braçadeira com o símbolo da suástica, os integralistas o faziam com o símbolo do sigma, porém, usavam ela não com uma braçadeira, mas com um tecido em forma de bolacha que era diretamente costurado no uniforme. Os integralistas do PRP usaram braçadeiras similares às dos nazistas em meados de 1950. Além disso, o cumprimento Anauê dos integralistas era parecido com a saudação Sieg Heil, apesar de ter suas diferenças na forma, (a saudação integralista era feita com o braço completamente na vertical e, segundo Plínio Salgado, buscava inspiração em uma saudação indígena que já existia há muito no Brasil, a nazista era feita com o braço na horizontal e levemente inclinado para cima) além do fardamento e das marchas. Haviam casos onde integralistas eram simpatizantes do nazismo, é o caso da família de industrias Rocha Miranda, que segundo historiadores, mantiveram jovens negros escravizados.
Organização corporativa do Estado
Muitos historiadores colocam a defesa da organização corporativa do Estado ou Estado corporativo, posição defendida pela ideologia integralista, como uma das características que o definem como movimento de corrente fascista. A Itália fascista liderada por Benito Mussolini organizava seu estado com base nas corporações de atividades profissionais, o chamado estado corporativo. O integralismo defendia a organização do estado com base nos sindicatos de atividades profissionais, de forma a construir também o estado corporativo. O integralismo interpretava, porém, a organização corporativa do estado fascista como defeituosa, pois era antidemocrática. Miguel Reale escreveu, em seu livro "O Estado Moderno":
Negros no integralismo
Segundo o o cientista social Márcio Macedo, coordenador de diversidade da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas, o integralismo tinha forte apelo entre os negros por conta de sua narrativa de "inclusão da população negra", tendo criado "o conceito de segunda abolição", que consistia em complementar a abolição da escravatura através de "políticas de integração e de auxílio à população que fora liberta". No entanto, alguns pesquisadores apontam que algumas das lideranças integralistas apresentavam pensamentos considerados racistas em relação aos judeus. Há indícios de uma rixa entre Plínio Salgado e Gustavo Barroso, uma vez que Barroso era um dos principais proponentes do antissemitismo dentro do movimento integralista, ao passo que Salgado se oporia a estas ideias, dizendo que, no Brasil, "o problema é ético, e não étnico". Supõe-se ter sido por isso que os textos de Barroso, outrora amplamente publicados em periódicos integralistas, tenham sido temporariamente suspensos destas publicações.
Atualmente a Frente Integralista Brasileira (FIB) e o Movimento Integralista e Linearista Brasileiro (MIL-B) e a Ação Integralista Revolucionária (AIR) afirmam representar o integralismo no Brasil, segundo afirmam os seus membros.


