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Caicitas

caicitas ou cáicidas, também chamados Cais Ailane, eram uma confederação tribal árabe que se ramificou na seção modarita dos adenanitas. Não pareciam estar unidos na era pré-islâmica, mas no início do Califado Omíada (r. 661–750), suas tribos constituintes tornaram-se algumas das principais facções do califado. As principais delas foram os hauazinitas, amiritas, taquifitas, soleimitas, ganitas, bailaítas e muaribitas. Muitas delas ou seus clãs migraram da Arábia ao norte da Síria e Mesopotâmia Superior, que por muito tempo foram sua morada. De lá, governaram em nome dos califas ou se rebelaram contra eles. O poder caicita como um grupo unificado diminuiu com a ascensão do Califado Abássida (r. 750–1258), que não derivou sua força militar só de tribos árabes. Porém, algumas tribos caicitas continuaram sendo força potente e migraram para o Magrebe e Alandalus, onde conquistaram seu próprio poder.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 08/07/2026
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Nome e genealogia

O nome completo da confederação era Cais Ailane ou Cais ibne Ailane, embora seja comumente referida apenas como Cais; ocasionalmente na poesia árabe, é referida só como Ailane. Seus membros são referidos como caicitas (pl. al-Qaysĭyūn; sing. Qaysī) e como grupo etnopolítico, aparecem nas fontes coetâneas como caicitas (al-Qaysīyya). Diferentemente da maioria das tribos árabes, as fontes raramente usam o termo Banu (filhos de) quando se referem aos caicitas. Cais é o homônimo e progenitor da confederação, e a genealogia árabe tradicional sustenta que o pai de Cais era certo Ailane. Segundo alguns historiadores medievais como ibne Caldune (m. 1406), "'Ailane" era na verdade o epíteto de Anas ibne Modar ibne Nizar ibne Maade ibne Adenane. Tanto ibne Caldune como outros historiadores árabes medievais rejeitam a teoria de que Ailane era o pai de Cais. Esses historiadores sustentam teorias variadas sobre as origens do epíteto; entre eles estão: Ailane era o nome do famoso cavalo de Anas, seu cachorro, seu arco, uma montanha onde se dizia ter nascido, ou um homem que o criou.

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Ramos

Os caicitas consistiam em vários ramos, que foram divididos em outras subtribos. As divisões de primeiro nível, ou seja, os filhos de Cais Ailane, eram Caçafa, Sade e Anre.

Caçafa

De Caçafa descenderam as grandes tribos hauazinitas e soleimitas, cujos fundadores foram filhos de Almançor ibne Icrima ibne Caçafa, e os muaribitas, cujo fundador foi filho de Ziade ibne Caçafa. Os hauazinitas eram um grande grupo tribal que incluía várias subtribos grandes, dentre os quais os amiritas, cujo progenitor foi Amir ibne Saça ibne Moáuia ibne Becre ibne Hauazim, e os taquifitas, cujo progenitor foi Caci ibne Munabi ibne Becre ibne Hauazim. No entanto, as referências aos hauazinitas frequentemente excluíam os amiritas e taquifitas, limitando-se aos ʿujz Hawāzin (a retaguarda dos hauazinitas). Este último incluía as tribos dos juxamitas, naceritas e saditas, cujos fundadores eram filhos ou netos de Becre ibne Hauazim. Os soleimitas se dividiam em três divisões principais, Inru Alcais, Harite e Tálaba.

Sade

Os filhos de Sade, Açur (açuritas) e Gatafane (gatafanitas) tinham várias subtribos. As maiores subtribos de Açur foram os ganitas, cujo fundador era filho de Açur, e os tufuaítas, que consistiam nos descendentes de três outros filhos de Açur, Tálaba, Amir e Moáuia, que eram meio-irmãos de Gani; foram chamados coletivamente tufauanitas em honra a sua mãe. Os bailaítas eram outra grande subtribo de Açur, e seus fundadores eram filhos de certa Baila, que, em momentos diferentes, foi esposa de dois dos filhos de Açur, Maleque e Mane; havia muitos clãs bailaítas, sendo os maiores os cutaibaítas e uailitas. As maiores subtribos dos gatafanitas foram os dubianitas e abcitas, cujos fundadores foram filhos de Baguide ibne Raite ibne Gatafane, e os asjaítas, cujo fundador foi filho de Raite ibne Gatafane. Dos dubianitas veio os fazaraítas, cujo fundador era filho de Dubiane, e os murraítas, cujo fundador era filho de Aufe ibne Sade ibne Dubiane.

Anre

As duas principais subtribos do ramo Anre foram aduanitas e famitas, ambas fundadas por filhos de Anre.

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Distribuição geográfica

Segundo a lenda árabe, a terra natal original dos caicitas ficava nas áreas baixas do Tiama, ao longo do Hejaz. Na época de Maomé (ca. 570), os numerosos ramos dos caicitas haviam se espalhado às áreas sudeste e nordeste de Meca, a região de Medina, outras áreas de Hejaz, terras altas de Négede e Iamama, Barém e partes da Baixa Mesopotâmia, onde governavam os lácmidas. Como outros grupos árabes, numerosas tribos caicitas migraram para o norte durante e após as conquistas muçulmanas. Se espalharam por toda a Síria e Mesopotâmia, particularmente nas partes norte dessas regiões nas províncias de Quinacerim (ao redor de Alepo) e Diar Modar. No entanto, também estavam presentes nas planícies de Homs, Damasco, Guta e Haurã, nas colinas de Golã, Palestina, Transjordânia (Balca) e cidades de Cufa e Baçorá. No século XIV, apenas remanescentes dos caicitas ainda viviam em suas terras ancestrais na Arábia Central. Vários moravam em todo norte da África e ali chegaram numa série de ondas migratórias. Entre eles estavam os soleimitas na Ifríquia e Fez, os Aduã na Ifríquia, os Fazara e Banu Raua na Cirenaica, Tripolitânia e Fezã, os Banu Axja no Magrebe (atuais Argélia e Marrocos), os hilálios (uma subtribo dos amiritas) na Ifríquia, Constantina e Anaba e o Banu Juxã no Magrebe Ocidental (atual Marrocos).

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História

Período pré-islâmico

De acordo com A. Fischer, a história registrada dos caicitas, como a maioria das tribos árabes, começa com seus combates no Aiã Alárabe (dias de batalha dos árabes) pré-islâmico, ao qual Fischer se refere como o "épico dos árabes". Se envolveram em inúmeras batalhas e disputas, algumas das quais contra tribos não-caicitas, mas a grande maioria sendo conflitos intracaicita. O historiador W. Mongtomery Watt sustenta que, na história do Aiã Alárabe, apenas as tribos caicitas foram nomeadas, e não a confederação. Consequentemente, não funcionaram como uma unidade na era pré-islâmica. Entre as batalhas Aiã mais conhecidas estava a batalha de Xibe Jabala entre os caicitas amiritas, abessitas, ganitas, bailaítas e bajilaítas de um lado e os caicitas dubianitas e não-caicitas tamimitas, lacmitas, quindaítas e assaditas do outro. A longa guerra de Dais e Algabra foi travada entre os Abs e dubianitas. Como outras tribos da Arábia Central, faziam parte do Reino de Quinda.

Período islâmico inicial

No começo, os caicitas eram hostis a Maomé e seus ensinamentos islâmicos, que conflitavam com sua religião pagã. Os gatafanitas e o soleimitas, em particular, estiveram em conflito com os muçulmanos em Medina entre 622 e 629. No entanto, a subtribo Axja fez uma aliança com os muçulmanos em 627. Em 630, os soleimitas e Axja abraçaram amplamente o Islã e apoiaram a conquista de Meca por Maomé em 630. Essas tribos lutaram contra seus parentes hauazinitas logo depois. Na época da morte de Maomé em 632, todas as tribos caicitas provavelmente haviam se convertido ao Islã, mas após sua morte, muitas, se não a maioria, apostataram e lutaram contra os muçulmanos nas Guerras Rida. A tribo mais ativa que lutava contra os muçulmanos era a dos gatafanitas, que tentou várias vezes capturar Meca antes de se juntar ao líder anti-islâmico Tulaia dos assaditas. As tribos árabes pagãs foram finalmente derrotadas na Batalha de Buzaca, após a qual reabraçaram o Islã e se submeteram ao Califado Ortodoxo de Medina.

Califado Omíada

Moáuia fundou o Califado Omíada em 661. Entre isso e o colapso dos omíadas em 750, os caicitas formaram um dos principais componentes políticos e militares do califado. Seu principais antagonistas eram as tribos iamanitas, lideradas pelos calbitas. Além da competição pelo poder político, militar e econômico, havia o componente étnico que definia a rivalidade caicita-iamanita; os caicitas eram "árabes do norte", enquanto os iamanitas eram "árabes do sul". Moáuia e seu filho e sucessor Iázide I confiaram militar e politicamente nos calbitas para o desgosto dos caicitas. Quando Iázide e seu sucessor Moáuia II morreram numa sucessão relativamente rápida em 683 e 684, respectivamente, os caicitas se recusaram a reconhecer a autoridade omíada. Os calbitas e seus aliados iamanitas selecionaram Maruane I para suceder Moáuia II, enquanto os caicitas se uniram amplamente à causa rebelde de Abedalá ibne Zobair. Lutando em nome deste último, os caicitas, amiritas, soleimitas e gatafanitas sob Daaque ibne Cais Alfiri lutaram contra Maruane e a facção iamanita na Batalha de Marje Raite em 684.

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