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Terra plana

Terra plana é uma concepção arcaica do formato da Terra como um plano ou disco. Muitas culturas antigas concordavam sobre a cosmografia plana da Terra, incluindo a Grécia Antiga, as civilizações da Idade do Bronze e da Idade do Ferro do Oriente Médio, na Índia, e na China até o século XVII (17). Esse paradigma também era tipicamente mantido nas culturas indígenas da América e a noção de uma Terra plana, abobadada pelo firmamento em forma de uma tigela invertida, era comum em sociedades anteriores às leis científicas como a da gravitação universal.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 24/07/2026
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História

A ideia de uma Terra esférica apareceu na filosofia grega no século VI a.C. com Pitágoras, embora a maioria dos pré-socráticos (séculos VI a V a.C.) mantivesse o modelo da Terra plana. Aristóteles forneceu evidências para a forma esférica da Terra em bases empíricas em torno de 330 a.C. A partir de então, o conhecimento da Terra esférica começou a se espalhar gradualmente além do mundo helenístico. Nos tempos de Plínio, o Velho (século I), essa ideia era bem aceita no mundo greco-romano. Nessa época, Ptolomeu derivou seus mapas de um globo curvado e desenvolveu o sistema de latitudes e longitudes. Entre os primeiros cristãos, uns poucos escritores questionaram ou mesmo se opuseram à esfericidade da Terra com fundamentos teológicos, mas muitos desses não são tidos como influentes em períodos posteriores como a Idade Média, devido à escassez de referências a seus escritos. A Idade Média começou com a desintegração da civilização romana, em torno do século VII, quando a Europa ocidental se desorganiza, empobrece e perde contato com muito do conhecimento científico que havia sido desenvolvido pelos gregos. Apesar disso, os principais escritos cosmológicos do início da Idade Média continuaram considerando a Terra como esférica; e é seguro afirmar que, no máximo em torno de 1100, época do Renascimento do Século XII, o modelo geocêntrico de Ptolomeu havia suplantado qualquer dúvida acerca da esfericidade da Terra na mente de pessoas educadas no continente. Em contrapartida, Jeffrey Russell, em The Myth of the Flat Earth, insiste que a noção de que durante a Idade Média haveria uma crença na Terra plana teria sido forjada no século XVIII. Segundo Jeffrey, medievalistas e historiadores da ciência concordam atualmente que essa seria uma concepção falsa, e os poucos autores ocidentais do mundo antigo ou medieval que comprovadamente combateram a esfericidade da Terra foram exceção, sendo geralmente ignorados ou tratados com pouca seriedade nos círculos intelectuais de sua época.

Crença na Terra plana

Nos pensamentos primitivos egípcio e mesopotâmico, o mundo era retratado como um disco flutuando no oceano. Um modelo semelhante é encontrado no relato homérico do século VIII a.C. em que "Oceano, o corpo de água personificado que envolve a superfície circular da Terra, é o engenheiro de toda a vida e possivelmente de todos os deuses". Os israelitas também imaginavam a Terra fosse como um disco flutuando nas águas; um firmamento arqueado separava a Terra dos céus. Como a maioria dos povos antigos, os hebreus acreditavam que o céu era uma cúpula sólida com o Sol, a Lua, as estrelas errantes (planetas) e as estrelas embutidas nela. De acordo com a enciclopédia judaica:

Teorias alternativas ou mistas

Pitágoras, no século VI a.C., e Parmênides, no século V, afirmaram que a Terra era esférica, e a visão de uma Terra esférica se espalhou rapidamente no mundo grego. Em torno de 330 a.C., Aristóteles manteve-se com base na teoria física e na evidência observacional de que a Terra fosse esférica e relatou uma estimativa na sua circunferência. A circunferência da Terra foi determinada em torno de 240 a.C. por Eratóstenes. No século II d.C., Ptolomeu reproduziu seus mapas de um globo terrestre e desenvolveu o sistema de latitude, longitude e climas. Seu Almagest foi escrito em grego e apenas traduzido para o latim no século XI, a partir de traduções em árabe.[carece de fontes?]

Teoria da Terra plana

A partir do século XIX, surgiu um mito histórico que sustentava que a doutrina cosmológica predominante na Idade Média de que a Terra fosse plana. Um dos primeiros defensores desse mito foi o escritor americano Washington Irving, que sustentou que Cristóvão Colombo teve que superar a oposição dos clérigos para obter o patrocínio para sua viagem de exploração. Mais tarde, defensores significativos desta visão foram John William Draper e Andrew Dickson White, que o usaram como um elemento importante na defesa da tese de que havia um conflito duradouro e essencial entre ciência e religião. Estudos subsequentes da ciência medieval mostraram que a maioria dos estudiosos da Idade Média, incluindo aqueles lidos por Cristóvão Colombo, sustentava que a Terra fosse esférica. Estudos das conexões históricas entre ciência e religião demonstraram que as teorias de seu antagonismo mútuo ignoram exemplos de seu apoio mútuo.

Sociedade da Terra Plana

Em 1956, Samuel Shenton criou a International Flat Earth Research Society (IFERS), mais conhecida como Flat Earth Society (Sociedade da Terra Plana), em Dover, Reino Unido, como descendente direto da Universal Zetetic Society. Isso foi logo antes da União Soviética lançar o primeiro satélite artificial, o Sputnik; ele respondeu: "Navegaria pela Ilha de Wight e provaria que [a Terra] era esférica? O mesmo vale para aqueles satélites". Seu principal objetivo era atingir crianças antes de serem convencidas sobre uma Terra esférica. Apesar de muita publicidade, a corrida espacial corroeu o apoio de Shenton na Grã-Bretanha até 1967, quando ele começou a se tornar famoso devido ao programa Apollo.

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Ressurgimento na era das celebridades e mídias sociais

Na era moderna, a proliferação de tecnologias de comunicação e plataformas de mídia social como o YouTube, Facebook e Twitter deram a indivíduos, famosos ou não, meios de difundir ideias científicas e pseudocientíficas, a fim de atrair seguidores. As conjecturas da Terra plana floresceram nesse ambiente. No dia 27 de junho de 2017 o grupo de hackers Anonymous defendeu a Terra plana, num vídeo em que contesta todas as informações que se conhece sobre o universo. A Terra, por exemplo, seria plana, e a gravidade, uma mentira. Nos últimos dois anos, o grupo de terraplanistas tem crescido muito. Eu lhes garanto que existe um motivo para isso: se a teoria da Terra plana não tivesse nenhum mérito, não teria durado mais do que dois meses na internet. Com estas frases os hackers iniciam o vídeo, que ainda alega que 90% da população mundial está dormindo em sono profundo, já que muitas pessoas ainda estariam sob a influência da grande mídia. Ainda segundo eles, a organização (NASA) receberia inúmeros incentivos fiscais para divulgar apenas imagens de "desenhos animados".

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Referências culturais

O termo "terraplanista" é frequentemente usado num sentido depreciativo para significar qualquer um que detém visões antiquadas. O primeiro uso do termo "terraplanista" foi registrado pelo Oxford English Dictionary (em inglês: "flat-earther") em 1934 na Punch O termo "homem-terra-plana" foi gravado em 1908: "Menos votos do que se poderia ter pensado possível para qualquer candidato humano, fosse ele mesmo um homem-terra-plana." Os defensores mais famosos da teoria da Terra plana são, dentre outros: o rapper norte-americano B.o.B (1988), o teorista William Carpenter (1830–96), o jogador profissional de basquete norte-americano Kyrie Irving (1992–), presidente da International Flat Earth Research Society, Charles K. Johnson (1924–2001), o presidente da República Sul-Africana e líder da resistência bôer, Paul Kruger (1825–1904), o escritor Samuel Rowbotham (1816–84; pseudônimo "Parallax"), o fundador da Flat Earth Society, Samuel Shenton (1903–71), o evangelista Wilbur Glenn Voliva (1870–1942), David Wolfe (1970–).

Sátira científica

Em uma peça satírica publicada 1996, Albert A. Bartlett usa aritmética para mostrar que o crescimento sustentável na Terra é impossível em uma Terra esférica já que seus recursos são necessariamente finitos. Ele explica que apenas o modelo de uma Terra plana, estendendo-se infinitamente nas duas dimensões horizontais e também no sentido descendente vertical, seria capaz de acomodar as necessidades de uma população crescente de forma permanente. Referindo-se a Julian Simon no livro The Ultimate Resource, Bartlett sugere: "Então, vamos pensar em 'Vamos crescer os limites! pessoal da 'New Flat Earth Society'.". A natureza satírica da peça também deixou claro por uma comparação com outras publicações de Bartlett, principalmente ao defender a necessidade de controlar o crescimento populacional.

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Fontes consultadas

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