Arguim
Arguim ou ilha das Garças é uma ilha na Baía de Arguim, Mauritânia, costa ocidental de África. Com apenas 12 km² de área, a ilha é alongada, medindo cerca de 6 km de comprido por 2 km de largura média. Está situada a 12 km da costa, dela separada por canais arenosos repletos de recifes e de bancos de areia que se movem com as correntes. A ilha faz parte do Arquipélago do Golfo de Arguim e está incluída no Parque Nacional do Banco de Arguim, uma vasta zona dedicada à protecção da natureza, classificada pela UNESCO como património mundial graças à sua importância como local de invernada de aves aquáticas. No Forte de Arguim localizou-se a primeira feitoria portuguesa na costa ocidental africana, a partir da qual os portugueses trocavam tecidos, cavalos e trigo, produtos essenciais para as populações locais, por goma-arábica, ouro e escravos, que traziam para a Europa. A ilha foi sucessivamente ocupada por portugueses, holandeses, ingleses, prussianos e franceses, até ser abandonada, dada a crescente aridez e as dificuldades de acesso a navios de grande calado, resultantes dos perigosos bancos de areia e extensos recifes que a rodeiam. Na actualidade a ilha encontra-se quase deserta, com excepção da pequena povoação de Agadir, na sua costa oriental, habitada por cerca de uma centena de pescadores-recolectores da etnia Imraguen.
A ilha de Arguim fica situada a cerca de 80 km a sueste do Cabo Branco, no extremo nordeste do Golfo de Arguim. A ilha tem 6 km de comprido por 4 km de largura máxima e uma altitude que não ultrapassa os 15 m acima do nível médio do mar. A ilha é rodeada de bancos de areia e recifes, já que todo o Golfo constitui uma zona de baixa profundidade com fundos de apenas – 5 m na baixa-mar a cerca de 60 km da costa. A amplitude da maré é pequena, sendo de apenas 2 m nas marés vivas e de só 0,6 m nas marés mortas. A ilha é rodeada por zonas pantanosas, algumas contendo alguns restos de mangais e extensos prados de gramíneas marinhas do género Zostera. Como as restantes ilhas do Arquipélago do Golfo de Arguim, a ilha de Arguim é coberta por dunas de areia rodeando zonas de afloramento rochoso, sendo na sua maior parte inteiramente despida de vegetação. O clima é caracterizado por precipitação muito escassa e irregular, da ordem dos 34 mm a 40 mm anuais, e temperatura do ar relativamente constante durante todo o ano, com máximo da ordem dos 34 °C em Setembro e mínimo de 8 °C nas madrugadas de Dezembro devido ao forte arrefecimento por radiação nocturna em ar limpo e seco. Estas condições climáticas, a que se juntam ventos fortes, que podem exceder os 8 m/s, levam a uma aridez extrema. A situação, fortemente influenciada pela presença da corrente das Canárias, de águas frias, é típica das regiões de deserto das costas das margens leste dos oceanos, marcando a fronteira entre os climas de deserto frio e o interior continental quente. Ao longo dos últimos séculos a aridez da região acentuou-se substancialmente, levando ao abandono da generalidade das povoações por absoluta falta de água potável.
Durante a última Era Glaciar o clima na costa ocidental africana foi ameno e húmido, sendo o Golfo de Arguim o lugar de desembocadura de um importante curso de água. Em consequência, as ilhas do golfo e a zona costeira circundante foram habitadas desde tempos longínquos, sendo conhecidos na zona diversos vestígios neolíticos que atestam a antiguidade do povoamento. A ilha de Arguim é apontada por alguns autores como sendo a ilha de Cerne, citada pelo navegador cartaginês Hanno no seu Périplo. Com a progressiva aridez do território, a população foi ficando mais esparsa, mas ainda assim a zona foi incluída na fronteira sul do império Almorávida, de que resultou a conversão das populações locais ao Islão e a sua inclusão no sistema comercial que a partir de Tombuctu dominava a costa noroeste de África. Era esta a situação que se vivia na região quando, na fase inicial dos Descobrimentos Portugueses, o troço da costa ocidental africana em torno do Golfo de Arguim começou a ser explorado pelos navegadores portugueses. Ainda assim, em profundo contraste com a actual aridez e despovoamento, aquando da descoberta, a ilha foi descrita como muito povoada e dotada de um poço, no qual água doce brotava das areias. Segundo Valentim Fernandes, a ilha era hua legoa em largo e duas em longo e quatro em redondo. O acesso era difícil, já que a ilha era rodeada de bancos de areia e recifes, depois conhecidos pelas Baixas de Arguim, impedindo o acesso nocturno e durante a baixa-mar.
Governantes de Arguim
Ao longo dos anos a ilha teve diversos governadores, para além dos chefes tribais, que em nome das diversas potências europeias que se foram sucedendo no controlo da ilha, a administraram. A lista que se segue é incompleta.


