Aglianico
A Aglianico é uma prestigiada uva tinta cultivada no sul da Itália, especialmente na Basilicata e Campânia. Reconhecida ao lado da Sangiovese e Nebbiolo como uma das três maiores variedades italianas, é carinhosamente apelidada de "o Barolo do Sul". Essa alcunha se deve à sua notável capacidade de produzir vinhos finos, altamente refinados e complexos, comparáveis ao célebre Barolo do Piemonte.
Pontos-chave
- A Aglianico é uma das três maiores variedades de uvas italianas, ao lado da Sangiovese e Nebbiolo.
- É conhecida como "o Barolo do Sul" por produzir vinhos refinados e complexos com grande potencial de envelhecimento.
- As principais regiões de cultivo são Basilicata (Aglianico del Vulture DOCG) e Campânia (Taurasi DOCG e Aglianico del Taburno DOCG).
- A videira prospera em climas secos e ensolarados, especialmente em solos vulcânicos, amadurecendo tardiamente.
- Seus vinhos são encorpados, com taninos firmes e alta acidez, exibindo aromas de chocolate e ameixa após o envelhecimento.
As origens da videira Aglianico e de seu nome são envoltas em mistério. Tradicionalmente, acreditava-se que a uva fosse de origem grega, trazida para a Itália por colonos no século VIII a.C. No entanto, análises modernas de DNA não confirmam essa ligação, sugerindo que a Aglianico pode ser uma variedade endêmica da região. O nome "Aglianico" surgiu impresso pela primeira vez em 1520 e pode derivar de "vitis hellenica" (videira grega), "Apulianicum" (nome latino para o sul da Itália) ou até mesmo de "llano" (planície em espanhol), devido à ausência de registros anteriores à conquista espanhola. O enólogo Denis Dubourdieu especula que a Aglianico pode ter sido a uva utilizada no famoso vinho Falernian da Roma Antiga, elogiado por Plínio, o Velho, junto com a uva branca Greco. Vestígios da videira foram encontrados em Molise, Apúlia e na ilha de Procida, embora não seja mais amplamente cultivada nessas áreas.
Imagem: Emanuele Rosso · BY-NC-ND · Openverse
Apesar da semelhança no nome, a uva Aglianicone, cultivada na Campânia, não é uma mutação clonal da Aglianico. Contudo, análises de DNA indicam uma estreita relação genética entre as duas variedades, sugerindo uma ancestralidade comum ou parentesco próximo.
A Aglianico é a espinha dorsal de importantes denominações no sul da Itália. Na Basilicata, é a base do Aglianico del Vulture DOC e do único vinho DOCG da região, o Aglianico del Vulture Superiore, com os vinhedos mais cobiçados localizados nas encostas do extinto vulcão Monte Vulture. Na Campânia, as áreas ao redor de Taurasi (província de Avellino) e Monte del Taburno (província de Benevento) produzem vinhos Aglianico com designação DOCG, sendo Taurasi DOCG desde 1993 e Aglianico del Taburno DOCG desde 2011. A uva também é a principal variedade em Falerno del Massico, na província de Caserta.
Expansão Global da Aglianico
Devido à sua adaptação a climas ensolarados e longas estações de amadurecimento, a Aglianico tem sido plantada com sucesso em outras regiões vinícolas ao redor do mundo. Na Austrália, há plantações na região de Murray Darling, e experimentos estão sendo realizados em McLaren Vale, Margaret River, Mudgee e Riverland. Na América do Norte, a uva foi testada no Texas, Arizona e em Ontário, no Canadá.
Imagem: regolare · BY-NC-ND · Openverse
A videira Aglianico brota cedo e prospera em climas secos com abundante luz solar. Possui boa resistência ao oídio, mas é bastante suscetível à Peronospora. Sua baixa resistência à botrytis é mais um risco, pois seus taninos a tornam inadequada para vinhos de sobremesa. A Aglianico amadurece tardiamente, com colheitas que podem se estender até novembro em algumas partes do sul da Itália. A colheita precoce ou rendimentos excessivos podem resultar em vinhos excessivamente tânicos. A videira demonstra particular afinidade com solos vulcânicos, onde parece se desenvolver melhor.
Os vinhos Aglianico são tipicamente encorpados, com taninos firmes e alta acidez, características que lhes conferem um excelente potencial de envelhecimento. Seus sabores intensos harmonizam bem com carnes nobres, como cordeiro. Na Campânia, a uva é ocasionalmente blendada com Cabernet Sauvignon e Merlot em alguns vinhos IGT. Durante sua juventude, a Aglianico é muito tânica e concentrada, exigindo alguns anos de envelhecimento para se tornar mais prazerosa. Com o tempo, seus taninos se equilibram e os sabores se tornam mais pronunciados. A coloração característica do vinho é um granada escuro, e em exemplares bem elaborados, pode apresentar aromas complexos de chocolate e ameixa.
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A Aglianico é conhecida por uma vasta gama de sinônimos em diferentes regiões e dialetos. Alguns dos mais comuns incluem: Aglianco di Puglia, Aglianica, Aglianica De Pontelatone, Aglianichella, Aglianichello, Aglianico Amaro, Aglianico Comune, Aglianico Crni, Aglianico del Vulture, Aglianico di Benevento, Aglianico di Castellaneta, Aglianico di Lapio, Aglianico di Taurasi, Aglianico Femminile, Aglianico Liscio, Aglianico Mascolino, Aglianico Nero, Aglianico Noir, Aglianico Pannarano, Aglianico Trignarulo, Aglianico Tringarulo, Aglianico Verase, Aglianico Zerpoluso, Aglianico Zerpuloso, Aglianicone, Aglianicuccia, Agliano, Agliantica, Agliatica, Agliatico, Agnanico, Agnanico di Castellaneta, Alianiko, Cascavoglia, Cassano, Cerasole, Ellanico, Ellenica, Ellenico, Fiano Rosso, Fresella, Gagliano, Gesualdo, Ghiandara, Ghianna, Ghiannara, Glianica, Gnanica, Gnanico, Granica, Granico, Hellanica, Malvasia, Olivella, Olivella di San Cosmo, Pie di Colombo, Prie Blanc, Ruopolo, Spriema, Tintora, Tintora di Cerinola, Tringarulo, Uva Aglianica, Uva Castellaneta, Uva dei Cani, Uva di Castellaneta, Uva Nera, Zuccherina.


