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Carlos Magno

Carlos Magno ou Carlos, o Grande foi Rei dos Francos a partir de 768, Rei dos Lombardos a partir de 774 e Imperador dos Romanos a partir do ano 800. Durante o início da Idade Média, Carlos Magno uniu a maior parte da Europa ocidental e central. Ele foi o primeiro imperador reconhecido a governar a Europa Ocidental desde a queda do Império Romano do Ocidente cerca de três séculos antes. O Estado franco expandido que Carlos Magno fundou é conhecido como o Império Carolíngio. Mais tarde, ele foi canonizado pelo antipapa Pascoal III, ato considerado inválido. Atualmente é objeto de debate se o imperador teria sido ou não pelo menos beatificado, o que seria um passo no caminho da santidade segundo a Igreja Católica tradicional.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 10/07/2026
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Nomes

O verdadeiro nome de Carlos Magno é Karl, transcrito em latim Carolus (latim clássico) ou Karolus (uso de chancelaria franca, moeda, etc.). Este nome de Karl vem da palavra, em alto alemão antigo, Karal, que significa "homem" (do sexo masculino). Carlos Magno é a transcrição francesa de Carolus Magnus ("Carlos, o Grande"). Desde a época de Carlos Magno, encontra-se em alguns textos Karolus seguido de magnus, mas este último em posição de adjetivo em relação a um outro nome: Karolus magnus rex Francorum ("Carlos, o grande rei dos francos"), Karolus Magnus imperator ("Carlos, o grande imperador"). O uso de Carolus Magnus mais curto é uma denominação literária, cujo primeiro exemplo é em um texto Nithard (cerca de 840), várias décadas depois da morte do requerente. Esse epíteto está gradualmente generalizado nos documentos da Chancelaria dos Breves Apostólicos. Na Canção de Rolando, em francês antigo, o imperador é nomeado de diferentes formas: Carles (verso 1) ou Charles (28, verso 370), Carles li magnes (68, verso 841) ou Charles li Magnes (93, verso 1195), tradução de Carolus Magnus, mas também Carlemagnes (33, verso 430) ou Charlemaignes (138 verso 1842). O adjetivo grant é comum na Canção de Rolando, mas não é usado para nomear o imperador. Depois disso, é a forma contraída que surgiu: a fórmula "Charles, o Grande" é rara em uso corrente, ao contrário da alemã (Karl der Große).

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Ascensão ao poder

Infância e juventude

A data mais provável para o nascimento de Carlos Magno pode ser inferida a partir de uma série de fontes. A data de 742 pode ser calculada a partir da informação de Eginhardo sobre a morte de Carlos em janeiro de 814 aos 72 anos, mas ela tem a deficiência de localizar o nascimento antes do casamento de seus pais, que teria sido em 744. O ano que aparece nos Annales Petaviani como sendo 747 seria mais provável se não contradissesse Eginhardo e outras fontes ao alegar que Carlos seria menos do que septuagenário. Um calendário da Abadia de Lorsch afirma que teria sido o dia 2 do mês de abril. Em 747, esta data caiu na Páscoa, uma coincidência que certamente seria lembrada, mas não foi. Se a Páscoa estivesse sendo usada como o início do ano-calendário, então 2 de abril de 747 pode ter sido, pelos padrões modernos, 2 de abril de 748 (que não caiu na Páscoa). A data que se suporta melhor pelas evidências é 2 de abril de 742, baseando-se principalmente pelo fato de Carlos ser um septuagenário quando morreu.

Reinado precoce

Carlos Magno fica ocupado pelos assuntos da Aquitânia (veja abaixo), os quais ele consegue resolver sem a ajuda de seu irmão. De seguida, vem a questão dos casamentos lombardos, que ocupam os anos de 769-771. Os mais poderosos cargos entre os francos, o mordomo do palácio (Maior Domus) e um ou mais reis (rex ou reges) eram apontados através de eleição popular, ou seja, sem uma regularidade, mas conforme a necessidade aparecia de eleger oficiais ad quos summa imperii pertinebat - "a quem os assuntos de estado eram pertinentes". Evidentemente, decisões durante este ínterim poderiam ser tomadas pelo papa, e seriam depois ratificadas pela assembleia do povo, que se reunia uma vez por ano.

Rebelião na Aquitânia

Uma herança nos países que estavam anteriormente sob o direito romano (ius) representava não apenas transmissão de propriedades e privilégios, mas também as obrigações e adversidades vinculadas a ela. Pepino, ao morrer, estava construindo um império, uma tarefa muito difícil. A Aquitânia, sob o jugo romano, compreendia o sul da Gália, que era romanizada e falava a língua românica. De forma similar, a Hispânia havia sido povoada por povos que falavam diversas línguas, incluindo o celta, mas que era agora povoado inteiramente por falantes do românico. Entre a Aquitânia e a Hispânia estavam os Euskaldunak, romanizados como vascões ou bascos, vivendo no País Basco, a "Vascônia", que se estendia por um território que estava em acordo com a distribuição dos topônimos atribuíveis aos bascos, principalmente na parte oriental dos Pirenéus, mas também mais ao sul, chegando ao rio Ebro, na Península Ibérica, e ao norte, até o Garone, na França. O nome francês, Gasconha, é derivado de "Vascônia".

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Descendência

Concubinas e filhos

A distinção entre esposas e concubinas legítimas e oficiais é às vezes difícil de se estabelecer. Os historiadores identificam cinco ou seis esposas, ou "nove esposas ou concubinas, outros amores menos relevantes e menos duráveis, uma multidão de bastardos, a licenciosidade das suas filhas, que ele parece ter amado também". Não se pode dizer que ele praticava a poligamia, proibida pelos Francos, mas sobretudo uma monogamia serial e casamento para forjar alianças, especialmente com a aristocracia Franca do Oriente, ou melhor, para manter alguns aristocráticos da Francónia que se ressentiam da usurpação de Pepino, o Breve olhos nos olhos de Quilderico III.

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Expansionismo franco

Na Península Armórica, a chegada dos Bretões ocasionada pelo assédio dos povos Anglos e Saxões, propicia a formação dos reinos da Cornualha, de Leon, de Bro Wéroc, além de Domnonée. São esses os reinos que os francos encontram em suas incursões para além de seus limites no Oeste, a Bretanha passa por um rápido período de dominação francesa durante o reinado dos filhos de Clóvis. No século VII apesar da submissão de Judicael, rei de Domnonée, a independência prevalece na região, no entanto os francos mantiveram presentes na Bretanha, pois ainda tinham o controle tributário dos reinos de Nantes e Rennes, e mais tarde conquistaram Vannes. Dessa forma, os francos, sob o comando de Carlos Magno, passaram a possuir uma zona de proteção contra os Bretões que ainda se mantinha independentes. Apesar da influência adquirida na Bretanha, Carlos Magno tinha pouco interesse pelo Ocidente, de modo que a independência da Bretanha é consequência tanto da resistência dos Bretões, quanto da falta de empenho do reino franco, tendo em vista que o rei que sempre tinha a preocupação em se mostrar presente nos fronts de batalha, não chegava a ser visto naquele front, pois a área de domínio Franco na Bretanha tinha mais uma função defensiva, do que papel em uma estratégia expansionista na região.

Itália

De todas as guerras de Carlos Magno aquelas em que ele se envolveu contra os Lombardos são as mais importantes pelas consequências políticas e são também aquelas onde se demonstra mais claramente a ligação intimamente ligada à conduta de Carlos, ao seu pai. A aliança com a cúria romana exigida, não só no interesse do país, mas mesmo do rei dos Francos. Pepino, o Breve esperava, no fim do seu reinado, um acordo pacifico com os Lombardos. Em 770, Carlos assinou um tratado com o duque Tassilão III da Bavária e se casou com uma princesa lombarda (geralmente conhecida como Desiderata da Lombardia), filha do rei Desidério, para cercar Carlomano com seus aliados. Embora o papa Estêvão III a princípio tenha sido contrário ao casamento com a princesa lombarda, ele logo perceberia que nada tinha a temer de uma aliança franco-lombarda. Os Lombardos continuaram a atacar Roma e o seu rei conjecturou intrigas perigosas com o duque da Baviera e a própria irmã de Carlos.

Saxónia

Do lado de lá do rio Reno, um poderoso povo conservava ainda, com a sua independência, a fidelidade ao velho culto nacional: os Saxões, repartidos entre quatro grupos (Westphales, Ostphales, Agrivarii, Nordalbingiens) e estabelecidos entre o Ems e o Elba, desde as costas do mar do Norte até as montanhas do Harz. Ao contrário dos demais germânicos, é por mar que na época das grandes invasões, eles procuram novas terras. Durante todo o século V, os seus barcos inquietaram as costas da Gália assim como as da Grã-Bretanha. Houve estabelecimentos saxões, ainda hoje reconhecíveis na forma de nomes de locais, na foz do rio Canche e do rio Loire. Mas é apenas na Grã-Bretanha que os Saxões e os Anglos, e povos do sul da Jutlândia estreitamente aparentados a eles, se estabelecem de forma duradoura. Eles revoltaram a população celta da ilha nos distritos montanhosos do oeste, Cornualha e país de Gales, onde esta se encontrava muito próxima, e ela emigrará no século VI na Armórica, que portanto adquiriu o nome de Bretanha como a parte conquistada da Grã-Bretanha recebeu o nome de Inglaterra. Estes saxões insulares não conservaram relações com os seus compatriotas do continente. Eles tinham-nos tão esquecidos que na época, tendo sido convertidos por Gregório, o Grande, comprometeram-se na conversão dos Germânicos, e foi para a Alta Alemanha que eles dirigiram os seus esforços.

Península Ibérica

Desde a sua derrota em Poitiers, os muçulmanos não tinham mais ameaçado a Gália. A retaguarda que eles tinham deixado no país de Narbona tinha sido reprimida por Pepino, o Breve. A Península Ibérica, onde haveria de se instalar o emirado de Córdova, já não olharia mais para o Norte e a civilização brilhante lá se espalhou sob os primeiros Omíadas, dirigindo a sua actividade para as instituições islâmicas próximas ao Mediterrâneo. Mas estes progressos tiveram naturalmente por consequência o desviar das suas energias das grandes empresas de proseletismo para as concentrarem sobre si mesmo. Ao mesmo tempo que as ciências se desenvolveram e que e a arte se expandiu, surgiram as querelas religiosas e políticas. A Península Ibérica não foi mais poupada que o resto do mundo muçulmano.

Baviera

Desde 748, ela é dirigida pelo duque Tassilo III, neto de Carlos Martel, empossado por Pepino, o Breve; quando da morte do duque Odilo. Contudo Tassilo procurou preservar a sua independência, casando-se em 763 com Liuteberga, filha de Desidério e futura cunhada de Carlos Magno. Embora Tassilo não tenha intervindo após a campanha contra os Lombardos em 773-774, Carlos Magno esforça-se para reforçar o seu controlo. Tassilo teve de prestar juramento de fidelidade em 781, depois novamente em 787. Em 788, é colocado em julgamento perante a assembleia, condenado à morte, depois perdoado e trancado num mosteiro com a sua esposa e seus dois filhos. Carlos Magno nomeou condes para a Baviera e coloca o seu cunhado Geraldo á frente do exército com o título de prefeito. Em 794, Tassilo comparece de novo perante uma assembleia e proclama a sua renúncia ao trono da Baviera, doravante totalmente integrado no reino franco.

Ávaros

Os ávaros, povo de cavaleiros de origem turca, tinha no século VI anexado os Gépidas (com auxílio dos Lombardos) e desde então instalados no vale do Danúbio, de onde assediavam por vezes o Império Bizantino e a Baviera. Em 791, com ajuda do seu filho Pepino de Itália, Carlos Magno conduz contra os ávaros uma primeira campanha. Em 795, ele consegue tomar o seu campo entrincheirado, o "Anel Ávaro", com um tesouro considerável, fruto de várias dezenas de anos de pilhagem. Em 805, os últimos Ávaros rebeldes são definitivamente submetidos. Estas foram as campanhas de extermínio. Os Ávaros foram massacrados ao ponto de desaparecerem muitos indivíduos. A operação terminou, Carlos, para combater as novas agressões, lança em todo o vale do Danúbio uma Marca, como quem diz um território de guarda submisso a uma administração militar. Esta foi a "marca" oriental (marca orientalis), ponto de partida da Austria moderna que ainda conserva o nome.

Frísios

A anexação da Frísia Oriental (a região estende-se do golfo Zuiderzee até à foz do Weser) pelos Francos não ocorreu, aparentemente, antes de 782, ou 785. A situação permaneceu tensa durante vários anos para os Francos.

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Império

Coroação

A ampliação das fronteiras converteu o Reino dos Francos no mais extenso da Europa Ocidental, reconstituindo em parte, antigos limites do Império Romano do Ocidente, o que atendia as concepções ecumênicas do papado. Daí a coroação de Carlos Magno pelo Papa Leão III, como imperador do Novo Império Romano do Ocidente. Uma nova promessa de eternidade se desenha: graças ao trono de Pedro, o prestígio de Roma não para de crescer aos olhos dos bárbaros, e particularmente dos francos vitoriosos: quando o Rei quiser restaurar o Império, será em Roma que receberá a Coroa. O império cristão do Ocidente terá então caído nas mãos de um bárbaro; mas esse bárbaro será ele próprio um cristão que restaurará o Império e que todos, no Ocidente, o terão por herdeiro legítimo das tradições romanas.

Morte

O seu filho Pepino da Itália morreu em 810 e o mais jovem Carlos em 811. Em 813, ele foi apanhado, por cinco concílios provinciais, numa série de disposições relativas à organização do Império. Eles foram ratificados no mesmo ano por uma assembleia geral convocada em Aachen, na qual ele teve a precaução de colocar ele mesmo a coroa imperial na cabeça de Luís, o único sobrevivente dos seus filhos. Carlos Magno morreu a 28 de janeiro de 814 em Aachen, de uma doença aguda que parece ter sido uma pneumonia. Segundo Éginhardo, Carlos Magno não teria deixado nenhuma indicação relativa ao seu funeral, após as cerimónias fúnebres simples na Catedral de Aachen (embalsamamento e sepultamento antes da cerimónia durante a qual uma "efígie viva" provavelmente colocada em seu caixão para o representar), ele foi enterrado numa cova no mesmo dia sob o pavimento da Capela Palatina. O monge Adémar de Chabannes, na sua Chronicon, crónica escrita entre 1024 e 1029, torna este funeral mais faustoso, criando o mito de um Otão III, que encontrou uma adega abobadada na qual o Imperador "com a barba que flui" está sentado num banco de ouro, revestido com as suas insígnias imperiais, cingindo a sua espada de ouro, com as mãos um Evangelho de ouro, e sobre a sua cabeça uma coroa com um pedaço da Cruz Verdadeira. Em 1166, Frederico Barba Ruiva, depois de obter a canonização de Carlos Magno, faz abrir o túmulo para depositar os seus restos mortais num sarcófago de mármore onde diz "sarcófago de Proserpina", a 27 de julho de 1215 Frederico II começa um segundo translatio num sarcófago de ouro e em prata. Segundo a lenda, durante a exumação, foi encontrado pendurado no pescoço de Carlos Magno o talismã, que ele sempre usava.

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Governo

Numa observação mais de perto, vê-se que o reinado de Carlos Magno não é apenas a continuação e como um prolongamento do reino de seu pai Pepino, o Breve. Sem originalidade lá aparece: aliança com a Igreja, luta contra os pagãos, lombardos e os muçulmanos, transformações governamentais, preocupação em despertar de seus estudos de descanso, tudo isso já germina em Pepino. Carlos ativou a evolução das necessidades sociais e políticas impostas no seu tempo e o seu papel encaixa-se completamente com as novas tendências de seu tempo. Assim, é muito difícil distinguir no seu trabalho o que é pessoal do que é o jogo de circunstâncias.

Administração

Reduzindo os recursos das áreas privadas, o Imperador não poderia atender às necessidades de uma administração digna desse nome. Na falta de dinheiro, o Estado é obrigado a usar os serviços gratuitos da aristocracia, cujo poder não pode crescer se o Estado estiver enfraquecido. Para evitar este perigo, no final do século VIII, um juramento especial de fidelidade, semelhante à dos vassalos, é exigido aos condes no momento da sua entrada no suporte. Mas a cura é pior do que a doença. De fato, o vínculo de vassalagem, que liga o empregado à pessoa do soberano, enfraquece ou até mesmo cancela a natureza pública do oficial. Faz com que ele, além disso, considere a sua função como um feudo, ou seja, como um bem em que ele desfruta e não como um poder delegado pela Coroa e exercido em seu nome.

Relações diplomáticas

Estas relações levantam a questão de "Relações com o Islão"; parece que, de fato, os francos, mesmo clérigos, não percebiam nesta época os muçulmanos do ponto de vista religioso. O Islão é muito conhecido e mais ou menos equiparado ao paganismo. Enquanto existe uma tensão entre os francos e do Emirado de Córdova, que controla a Península Ibérica e realiza os ataques contra Aquitânia, Carlos Magno tem boas relações com o califa abássida de Bagdá, Harune Arraxide, seu aliado de fato contra o emirado, mas também contra o Império Bizantino. Note-se que os Anais chamam Harune Arraxide, e às vezes o apresentam como "rei dos persas." Uma primeira embaixada é enviada por Carlos Magno em 797, a propósito do acesso aos lugares santos de Jerusalém.

Política religiosa

Carlos Magno assume o poder dos Francos. O seu governo será fundamental em relação à união da Igreja e a monarquia Franca. A principal característica do seu governo é ser expansionista, conquistando no século VIII os lombardos e os germanos. É válido ressaltar que não há certeza sobre a relação dessa conquista com a iniciação do projeto da conquista da Península Ibérica. Apesar dessa situação duvidosa, Jérôme Baschet afirma que o governo de Carlos Magno será fundamental para restabelecer a maioria das fronteiras do Império do Ocidente. Pode-se relatar que principal motivo da aliança do Reino Franco com a Igreja seria em função de controlar o poder da instituição e sua área de abrangência.

Política econômica

Com a unidade imperial estabelecida, acontece uma elevação dos níveis de desenvolvimento e um grande salto demográfico. Em detrimento desse salto, observa-se a volta de um grande comércio dentro e fora do império. Grandes mercadores voltam a adentrar no território para abastecer as cortes imperiais com produtos provenientes do Oriente. Por conta desse fluxo comercial, o imperador é obrigado a fazer uma reorganização na moeda. Carlos Magno renuncia à cunhagem de moedas de ouro e passa para um sistema de cunhagem de moedas de prata; uma vez que, era um metal em maior número e mais adaptado às trocas. “A libra de prata é, então, fixada em 491 gramas (50% a mais que na Antiguidade), com sua divisão em vinte soldos de doze denários cada um, que serão a base da organização monetária durante toda a Idade Média.” O relatório que fixa as moedas permaneceu em uso em toda a Europa continental até à adopção do sistema métrico e na Grã-Bretanha até 1971, a unidade é a libra (até 1971 dividida em vinte shillings, cada um com doze pênis). Só o dinheiro é moeda real: a moeda e a libra são utilizadas apenas como moeda de conta, e seria assim até às reformas monetárias do século XII. O dinheiro de prata, a moeda única do Império Carolíngio, é o modelo direto ou indireto de cunhagem ocidental produzido a partir do nono para o décimo terceiro século.

Reformas educacionais

Parte do sucesso de Carlos Magno como guerreiro, administrador e governante pode ser atribuído à sua admiração pelo aprendizado e educação. Seu reinado é muitas vezes referido como o Renascimento carolíngio por causa do florescimento de erudição, literatura, arte e arquitetura que o caracterizaram. Carlos Magno entrou em contato com a cultura e o saber de outros países (especialmente a Espanha moura, a Inglaterra anglo-saxã e a Itália lombarda) devido às suas vastas conquistas. Ele aumentou muito a oferta de escolas monásticas e scriptoria (centros de cópia de livros) na Frância. Carlos Magno era um amante de livros e acredita-se que apreciava obras de Agostinho de Hipona. Sua corte desempenhou um papel fundamental na produção de livros que ensinavam latim elementar e diferentes aspectos da Igreja Católica. Também desempenhou um papel na criação de uma biblioteca real que continha obras aprofundadas sobre linguagem e fé cristã.

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Impacto cultural

Idade Média

Carlos Magno foi um cavaleiro modelo como um dos Nove Dignos que desfrutou de um importante legado na cultura europeia. Um dos grandes ciclos literários medievais, o ciclo de Carlos Magno ou a Matéria da França, centra-se em seus feitos – o imperador com a famosa barba esvoaçante de Rolando – e seu comandante histórico da fronteira com a Bretanha, Rolando e os doze paladinos. Estes são análogos e inspirados no mito dos Cavaleiros da Távola Redonda da corte do Rei Arthur. No século XII, Geoffrey de Monmouth baseou suas histórias de Arthur em grande parte nas histórias de Carlos Magno. Durante a Guerra dos Cem Anos no século XIV, houve considerável conflito cultural na Inglaterra, onde os governantes normandos estavam cientes de suas raízes francesas e se identificavam com Carlos Magno, os nativos anglo-saxões sentiam mais afinidade por Arthur, cujas próprias lendas eram relativamente primitivas. Portanto, os contadores de histórias na Inglaterra adaptaram as lendas de Carlos Magno e seus 12 Pares aos contos arturianos.

Século XIX

Os capitulares de Carlos Magno foram citados pelo Papa Bento XIV em sua constituição apostólica 'Providas' contra a maçonaria: "Pois de modo algum podemos entender como eles podem ser fiéis a nós, que se mostraram infiéis a Deus e desobedientes a seus sacerdotes". Carlos Magno aparece em Adelchi, a segunda tragédia do escritor italiano Alessandro Manzoni, publicada pela primeira vez em 1822. Em 1867, uma estátua equestre de Carlos Magno foi feita por Louis Jehotte e foi inaugurada em 1868 no Boulevard d'Avroy em Liège. Nos nichos do pedestal neo-romano estão seis estátuas dos ancestrais de Carlos Magno (Sainte Begge, Pépin de Herstal, Charles Martel, Bertrude, Pépin de Landen e Pépin le Bref).

Século XX

A cidade de Aachen tem, desde 1949, concedido um prêmio internacional (chamado Karlspreis der Stadt Aachen) em homenagem a Carlos Magno. É concedido anualmente a "personagens de mérito que promoveram a ideia de unidade ocidental por seus esforços políticos, econômicos e literários". Em seu hino nacional, "El Gran Carlemany", o microestado de Andorra credita a Carlos Magno sua independência. Em 1964, a jovem cantora francesa France Gall lançou o hit "Sacré Charlemagne", em que a letra culpa o grande rei por impor o fardo da educação obrigatória às crianças francesas. Carlos Magno é citado pelo Dr. Henry Jones, Sr. em Indiana Jones and the Last Crusade. Depois de usar seu guarda-chuva para induzir um bando de gaivotas a esmagar o vidro da cabine de um caça alemão perseguidor, Henry Jones comenta: "De repente, lembrei-me de meu Carlos Magno: 'Que meus exércitos sejam as rochas e as árvores e os pássaros no céu.'" Apesar da popularidade da citação desde o filme, não há evidências de que Carlos Magno realmente tenha dito isso.

Século XXI

Um episódio de 2010 do programa britânico QI discutiu a matemática completada por Mark Humphrys que calculou que todos os europeus modernos são altamente propensos a compartilhar Carlos Magno como um ancestral comum (ver: ancestral comum mais recente). A revista britânica The Economist apresentou uma coluna semanal intitulada "Charlemagne", focando em geral nos assuntos europeus e, mais usual e especificamente, na União Europeia e sua política. O álbum conceitual de metal sinfônico Charlemagne: By the Sword and the Cross do ator e cantor Christopher Lee e seu acompanhamento de heavy metal Charlemagne: The Omens of Death apresentam os eventos da vida de Carlos Magno.

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Fontes consultadas

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