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Matrix

The Matrix é um filme australo-estadunidense de 1999, dos gêneros ação e ficção científica, dirigido e escrito por Lilly e Lana Wachowski. Estrelado por Keanu Reeves, Laurence Fishburne e Carrie-Anne Moss, o filme retrata um futuro ciberpunk distópico no qual a realidade, como percebida pela maioria dos humanos, é, na verdade, uma realidade simulada por computador chamada "Matrix", criada por máquinas sencientes para subjugar a população humana na forma de hibernação, enquanto o calor e a atividade elétrica de seus corpos são usados ​​como fonte de energia; na história, o cibercriminoso e programador de computador Neo descobre este fato e é atraído para uma rebelião contra as máquinas, que envolve outras pessoas que foram libertadas do "mundo dos sonhos".

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 11/07/2026
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Enredo

Thomas A. Anderson vive uma vida dupla: de dia, é um programador para uma companhia de software, enquanto à noite é um hacker, invadindo sistemas de computador ilegalmente e roubando informações, sob o apelido de Neo. Durante a sua vida como pirata informático, Neo convive com uma pergunta constante: "O que é a Matrix?". Na busca da resposta, dedica-se de forma persistente a encontrar um suposto "terrorista" conhecido apenas como Morpheus. O que Neo não sabe é que Morpheus o tem observado por um longo tempo. Quando este finalmente o contacta, Neo é perseguido e capturado por sinistros agentes, que presume pertencerem a alguma organização do governo e descobriram as suas atividades ilegais. Perante a recusa em cooperar, estes implantam um software eletrônico em formato de escorpião no seu corpo para poderem monitorar os seus atos e o libertam. Neo é então contactado por Trinity, uma famosa hacker, que o incentiva a procurar a verdade sobre a Matrix. Quando Neo aceita se encontrar com ela, esta remove o "escorpião" dele e o leva até Morpheus. Durante a conversa, Morpheus pede para Neo escolher: voltar a sua vida cotidiana ou saber finalmente o que é a Matrix. Neo aceita a segunda opção e toma uma pílula vermelha. Após entrar em choque, Neo acorda desorientado e alarmado por se encontrar fraco, sem pelos e nu numa cápsula de líquido, com uma série de conectores implantados na sua pele ligados a cabos. À sua volta vê apenas um número infindável de cápsulas iguais a dele, sob um céu constantemente negro. Uma máquina desliga-o do sistema e evacua-o para um esgoto, onde Morpheus e Trinity o resgatam e o conduzem a nave Nabucodonosor, apresentando-o a equipe.

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Produção

Desenvolvimento

Em 1994, as irmãs Wachowski apresentaram o roteiro do filme Assassinos para a Warner Bros. Depois que Lorenzo di Bonaventura, o presidente de produção da empresa na época, leu o roteiro ele decidiu comprar os direitos dele e incluiu mais dois filmes, Bound e Matrix, no contrato. O primeiro filme dirigido pelos Wachowski, Bound, tornou-se um sucesso de crítica. Aproveitando esse momento, eles mais tarde pediram para dirigir Matrix. Em 1996, as Wachowski apresentaram o papel de Neo para Will Smith; Smith explicou em seu canal no YouTube que a ideia era ele ser Neo, enquanto Morpheus seria interpretado por Val Kilmer. Mais tarde, ele explicou que não entendia muito bem o conceito e recusou o papel para filmar Wild Wild West.

Pré-produção

O elenco era obrigado a entender e explicar "Matrix". O livro Simulacros e Simulação, do filósofo francês Jean Baudrillard, era leitura obrigatória para a maior parte do elenco principal e da equipe técnica. No início de 1997, as Wachowski fizeram com que Reeves lesse Simulacros e Simulação, Out of Control: The New Biology of Machines, Social Systems, and the Economic World, de Kevin Kelly, e as ideias do acadêmico Dylan Evans sobre psicologia evolucionista antes mesmo de ler o roteiro, até finalmente conseguir entender e explicar todas as nuances filosóficas envolvidas. Moss comentou que teve dificuldade com este processo. As diretoras há muito tempo eram admiradoras do cinema de ação de Hong Kong, então decidiram contratar o coreógrafo e diretor de cinema chinês Yuen Woo-ping para trabalhar nas cenas de luta. Para se preparar para o wire fu, os atores tiveram que treinar duro por vários meses. As Wachowski programaram inicialmente quatro meses para treinamento, começando em outubro de 1997. Yuen estava otimista, mas depois começou a se preocupar quando percebeu o quão inaptos os atores eram.

Filmagens

Quase todas as cenas foram filmadas no antigo Fox Studios (atual Disney Studios Australia) localizado em Sydney, bem como na própria cidade, embora marcos reconhecíveis não tenham sido incluídos para manter a impressão de uma cidade americana genérica. As filmagens ajudaram a estabelecer o estado australiano de Nova Gales do Sul como um importante centro de produção de filmes. As filmagens começaram em março de 1998 e terminaram em agosto de 1998; a fotografia principal durou 118 dias. Devido à supracitada lesão no pescoço de Reeves, algumas das cenas de ação tiveram que ser reprogramadas para aguardar sua recuperação total. Como resultado, as filmagens começaram com cenas que não exigiam muito esforço físico, como as cenas no quarto de Thomas Anderson, a sala de interrogatório e o passeio de carro em que Neo é levado para ver o Oraculo. Durante a cena ambientada no terraço de um prédio do governo, a equipe filmou imagens extras de Neo se esquivando de balas para o caso da técnica do bullet time não funcionasse; a luta desta cena foi filmada no topo do prédio da Symantec Corporation na Kent Street, em frente à Sussex Street.

Efeitos sonoros e música

O sonoplasta Dane Davis foi o responsável pela criação dos efeitos sonoros do filme. Os efeitos sonoros da cena de luta, como os sons de socos, foram criados usando hastes de metal finas que tiveram seus sons gravados e editados. O som da cápsula contendo um corpo humano se fechando exigia quase cinquenta sons juntos. A trilha sonora do filme foi composta por Don Davis. Davis observou que espelhos e reflexos aparecem com frequência no filme (como os reflexos das pílulas azuis e vermelhas que são vistos nos óculos de Morfeu, a captura de Neo pelos agentes é vista pelo espelho retrovisor da motocicleta de Trinity, Neo observa um espelho quebrado se consertando, os reflexos se deformam quando uma colher é dobrada, o reflexo de um helicóptero é visível ao se aproximar de um arranha-céu, etc). Davis se concentrou nesse tema de reflexões ao criar sua partitura, alternando entre seções da orquestra e tentando incorporar elementos de contraponto. A partitura de Davis combina elementos orquestrais, corais e sintetizadores; o equilíbrio entre esses elementos varia dependendo se humanos ou máquinas são o assunto dominante de uma determinada cena. Além da trilha sonora de Davis, Matrix também apresenta músicas de artistas como Rammstein, Rob Dougan, Rage Against the Machine, Propellerheads, Ministry, Lunatic Calm, Deftones, Monster Magnet, The Prodigy, Rob Zombie, Meat Beat Manifesto e Marilyn Manson.

Design de produção

No filme, o código que compõe a própria Matrix é frequentemente representado como personagens verdes fluindo para baixo. Este código usa um tipo de letra personalizado projetado por Simon Whiteley, que inclui imagens espelhadas de caracteres kana de meia largura, letras latinas ocidentais e algarismos arábicos. Em uma entrevista de 2017 na CNET, Whiteley atribuiu o design a sua esposa, que é japonesa, e acrescentou: "Gosto de dizer a todos que o código de Matrix é feito de receitas de sushi japonesas". A cor verde reflete a tonalidade verde comumente usada nos primeiros monitores de fósforo verde. Lynne Cartwright, a supervisora ​​de efeitos visuais da empresa australiana Animal Logic, supervisionou a criação da sequência do título de abertura do filme, bem como a aparência geral do "código Matrix" ao longo do filme, em colaboração com Lindsay Fleay e Justen Marshall. A sequência lembra os créditos de abertura do filme cyberpunk japonês de 1995 Ghost in the Shell, que teve uma forte influência na série Matrix.

Efeitos visuais

Quanto à inspiração artística para o bullet time, eu daria crédito a Katsuhiro Otomo, que co-escreveu e dirigiu Akira, que definitivamente me surpreendeu, junto com o diretor Michel Gondry. Seus videoclipes experimentaram um tipo diferente de técnica chamada view-morphing e foi apenas parte do início da descoberta de abordagens criativas para o uso de câmeras estáticas para efeitos especiais. Nossa técnica foi significativamente diferente porque a construímos para mover em torno de objetos que estavam em movimento e também fomos capazes de criar eventos em câmera lenta que "câmeras virtuais" poderiam mover, em vez da ação estática nos videoclipes de Gondry com limitação dos movimentos das câmeras.

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Lançamento

Imagem: Aliciana Bosch · BY-NC-ND · Openverse

Mídia doméstica

Matrix foi lançado em DVD e Laserdisc em sua proporção original de 2,39:1 em 21 de setembro de 1999, nos Estados Unidos pela Warner Home Video, bem como na proporção de 1,33:1 em Hong Kong pela ERA Home Entertainment. Também foi lançado em VHS nos formatos de tela inteira e widescreen em 7 de dezembro de 1999. Sua primeira versão em DVD foi a primeira a vender mais de um milhão de cópias nos Estados Unidos; em 2000, o DVD aumentou esta marca para três milhões de cópias comercializadas naquele país, feito inédito até então. Até então, Matrix tornou-se o lançamento em DVD mais vendido de todos os tempos, mantendo esse recorde por alguns meses antes de ser superado por Gladiador. Em 10 de novembro de 2003, um mês após o lançamento do DVD da sequência Matrix Reloaded, as vendas do DVD do filme original ultrapassaram trinta milhões de cópias. Em 22 de maio de 2007, o filme ganhou um lançamento no formato HD DVD através da coleção The Ultimate Matrix Collection.

Adaptação para outras mídias

A franquia gerou três videogames: Enter the Matrix (2003), que contém cenas filmadas especificamente para o jogo e narra os eventos ocorridos antes e durante Matrix Reloaded; The Matrix Online (2004), um MMORPG que serviu como uma "sequência" de Matrix Revolutions; e The Matrix: Path of Neo (2005), que se concentra na jornada de Neo através da trilogia de filmes. A franquia também inclui The Matrix Comics, uma série em HQ com contos ambientados no mundo de Matrix, escritos e ilustrados por figuras da indústria de quadrinhos; a maioria dos quadrinhos foi originalmente apresentada gratuitamente no site oficial do filme. As histórias foram posteriormente republicadas, junto com algum material novo, em dois volumes de brochura impressos, chamados The Matrix Comics, Vol 1 e Vol 2.

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Recepção

Imagem: Arenamontanus · BY · Openverse

Desempenho comercial

Matrix arrecadou US$ 27,8 milhões durante o seu fim de semana de estreia, além de ganhar US$ 37,4 milhões nos primeiros cinco dias. Ultrapassou Perdidos no Espaço e Proposta Indecente ao ganhar o maior lucro nos finais de semana de abertura de abril e Páscoa. O filme também teve o segundo maior fim de semana de estreia para um filme inicial de primavera, atrás apenas de Liar Liar. Três anos depois, em 2002, os recordes de Matrix de maior abertura num final de semana de abril e Páscoa seriam batidos por The Scorpion King e Panic Room. Após sua estreia, teve o maior fim de semana de abertura de qualquer filme de 1999, superando facilmente Payback. Além disso, o filme marcou o maior fim de semana de estreia de um filme estrelado por Keanu Reeves desde Speed de 1994. Ao chegar na liderança nas bilheterias, Matrix havia ultrapassado os lucros de Forces of Nature, mantendo-se no topo por duas semanas até ser ultrapassado por Life. Durante seu quarto fim de semana, Matrix voltou brevemente ao primeiro lugar. Na semana seguinte, o filme foi superado por Entrapment.

Resposta da crítica

O filme foi bastante elogiado de maneira geral por muitos críticos, bem como cineastas e autores de ficção científica, especialmente por suas cenas de "ação espetacular" e seus "efeitos especiais inovadores". Alguns descreveram Matrix como um dos melhores filmes de ficção científica de todos os tempos; A revista Entertainment Weekly chamou Matrix de "o filme de ação mais influente da nossa geração". O filme também recebeu comentários filosóficos, como o de William Irwin, que sugeriu que Matrix explora temas filosóficos e espirituais significativos. No agregador de resenhas online Rotten Tomatoes, o filme detém um índice de aprovação de 88% com base em 161 críticas, obtendo uma nota média de 7,8/10; o consenso crítico do site diz: "Graças à visão imaginativa dos Wachowski, Matrix é uma combinação inteligente de ação espetacular e efeitos especiais inovadores". No Metacritic o filme recebeu a pontuação 73/100 com base em 35 críticas, indicando "comentários geralmente favoráveis". O público consultado pelo CinemaScore deu ao filme uma nota média "A−" em uma escala de "A+" a "F". O filme ficou em 323º lugar entre os críticos e 546º entre os diretores na lista de melhores filmes de todos os tempos da revista de cinema britânica Sight & Sound em 2012.

Prêmios e indicações

Matrix venceu quatro estatuetas durante a edição do Óscar de 2000: de Melhor Edição, Melhores efeitos visuais, Melhor Som e Melhor Edição de Som. O filme também recebeu os prêmios BAFTA de Melhor Som e Melhores Efeitos Visuais, além de ser indicado para Melhor Cinematografia, Melhor design de produção e Melhor Edição. Em 1999, ganhou o Saturn Awards de Melhor Filme de Ficção Científica e Melhor Direção.

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Análises temáticas

Imagem: Si-MOCs · BY-NC-SA · Openverse

Matrix é indiscutivelmente o artefato cyberpunk definitivo. Matrix se baseia e faz alusão a numerosas obras cinematográficas e literárias, além de conceitos da mitologia, religião e filosofia, incluindo as ideias do budismo, cristianismo, gnosticismo, hinduísmo e judaísmo.

Cinema e televisão

As cápsulas em que as máquinas guardam os humanos no filme foram comparadas às imagens de Metrópolis e ao trabalho de Maurits Cornelis Escher. Uma semelhança com os mundos misteriosos do artista suíço H. R. Giger também foi reconhecida. Cápsulas semelhantes podem ser vistas também no episódio "News from D Street" da série de ficção científica Welcome to Paradox baseada num conto de 1986; no episódio da série (que possui um conceito semelhante com o do filme) o herói não sabe que está vivendo numa realidade virtual até que é informado pelo "homem do código" que criou a simulação e entra nela conscientemente. As Wachowski descreveram 2001: A Space Odyssey de Stanley Kubrick como uma influência cinematográfica formativa e como uma grande inspiração no estilo visual que buscaram ao fazer Matrix. A minissérie de 1973 da TV alemã Welt am Draht criada por Rainer Werner Fassbinder, que é uma adaptação do romance Simulacron-3, serviu de fonte de inspiração para alguns detalhes de Matrix, como a transferência entre o mundo real via telefone/cabine telefônica e a simulação da Matrix. Alguns críticos de cinema também comentaram sobre as semelhanças entre Matrix e outros filmes do final dos anos 1990, como Estranhos Prazeres, Dark City e The Truman Show. A semelhança do conceito dos telefones públicos como portal de saída da Matrix com a TARDIS da longeva série Doctor Who também foi observada; como no filme, a "Matrix" dessa série (apresentada no seriado em 1976 no episódio "The Deadly Assassin" dividido em quatro partes) é um enorme sistema de computador no qual se entra usando um dispositivo conectado à cabeça, permitindo aos usuários ver representações do mundo real e mudar suas leis da física; também como é no filme, uma vez mortos lá, eles morrerão na realidade. As cenas de ação de Matrix também foram fortemente influenciadas por outros filmes de ação, como os do diretor John Woo. As sequências de artes marciais foram inspiradas em Fist of Legend, um filme de artes marciais de 1995 aclamado pela crítica, estrelado por Jet Li; as cenas de luta desse filme levaram à contratação de Yuen como coreógrafo de luta.

Obras literárias

O filme faz várias referências à Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll. Comparações também foram feitas com a série de quadrinhos de Grant Morrison, The Invisibles, com Morrison descrevendo o filme em 2011 como "[o filme] me pareceu [ser] minha própria combinação de ideias representadas na tela". Comparações também foram feitas entre Matrix e os livros de Carlos Castaneda. Matrix pertence ao sub-gênero cyberpunk da ficção científica e se baseia em trabalhos anteriores do gênero, como o romance de 1984 Neuromancer, de William Gibson. Por exemplo, o uso do termo "Matrix" no filme é adotado do romance de Gibson, embora L.P. Davies já tivesse usado o termo "Matrix" quinze anos antes para um conceito semelhante em seu romance de 1969 The White Room. Depois de assistir o filme, Gibson comentou que a maneira como os criadores do filme extraíram das obras cyberpunk existentes era "exatamente o tipo de osmose cultural criativa" em que ele confiava em sua própria escrita; no entanto, ele observou que os temas gnósticos do filme o distinguiam de Neuromancer e acreditava que Matrix era tematicamente mais próximo do trabalho do autor de ficção científica Philip K. Dick The Exegesis of Philip K. Dick. Outros escritores também comentaram sobre as semelhanças entre Matrix e o trabalho de Dick; um exemplo dessa influência é uma conferência de Philip K. Dick em 1977, na qual ele afirmou: "Estamos vivendo em uma realidade programada por computador e a única pista que temos é quando alguma variável é alterada e alguma alteração em nossa realidade ocorre".

Filosofia

Em Matrix, uma cópia do trabalho filosófico de Jean Baudrillard Simulacros e Simulação, que foi publicado em francês em 1981, é visível na tela como "o livro usado para esconder discos", com Morpheus citando a frase "deserto do real" a partir dele. O livro era a "leitura obrigatória" para os atores antes das filmagens. No entanto, o próprio Baudrillard disse que Matrix interpreta mal e distorce seu trabalho. Alguns intérpretes de Matrix mencionam a filosofia de Baudrillard para apoiar sua afirmação "de que [o filme] é uma alegoria para a experiência contemporânea em uma sociedade altamente comercializada e dirigida pela mídia, especialmente em países desenvolvidos". A influência de The Matrixial Gaze, o conceito filosófico-psicanalítico de Bracha L. Ettinger sobre o espaço matricial arcaico que resiste ao campo dos simulacros, "foi trazido à atenção do público através do escritos de historiadores da arte como Griselda Pollock e teóricos do cinema como Heinz-Peter Schwerfel". Além de Baudrillard e Ettinger, as Wachowski também foram significativamente influenciadas por Out of Control: The New Biology of Machines, Social Systems, and the Economic World, de Kevin Kelly, e pelas ideias de Dylan Evans sobre psicologia evolutiva.

Religião e mitologia

Andrew Godoski viu no filme alusões a Jesus, incluindo o "nascimento virginal" de Neo, sua dúvida em si mesmo, a profecia de sua vinda, junto com muitas outras referências cristãs. Entre essas possíveis alusões, sugere-se que o nome da personagem Trinity se refere à doutrina da Trindade do cristianismo. Também foi observado que o personagem Morpheus parafraseia o filósofo taoísta chinês Chuang-Tzu quando ele pergunta a Neo: "Você já teve um sonho, Neo, que você tinha tanta certeza de que era real? E se você não conseguisse acordar desse sonho? Como você saberia a diferença entre o mundo real e o mundo dos sonhos?" A popularidade do filme deu origem ao Matrixismo, uma religião possivelmente satírica criada por fãs do filme.

Temas transgêneros

Anos após o lançamento de Matrix, ambas as Wachowski se assumiram como mulheres transgênero e alguns espectadores notaram no filme temas transgêneros antes das diretoras confirmarem oficialmente sua identidade de gênero. A pílula vermelha foi comparada com pílulas vermelhas de estrogênio. A descrição de Morpheus da Matrix criando uma sensação de que algo está fundamentalmente errado "como uma lasca em sua mente" foi comparada à disforia de gênero. No roteiro original, Switch era uma mulher em Matrix e um homem no mundo real, mas essa ideia acabou sendo abandonada. Em um discurso no GLAAD Media Awards de 2016, Lilly Wachowski disse: "Há um olhar crítico sendo lançado sobre o trabalho de Lana e eu (sic) através das lentes de nossa 'transgeneridade'. Isso é legal porque é um excelente lembrete de que a arte nunca é estática". Lilly também falou em 2020 sobre o filme como uma alegoria para a identidade transgênero e os compromissos que elas tiveram que fazer na época. Em entrevista à Variety, Keanu Reeves alegou que nunca suspeitou que o filme poderia uma alegoria para a identidade transgênero durante a produção.

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Legado

Imagem: Arenamontanus · BY · Openverse

Estilo de filmagem

Após Matrix, vários filmes subsequentes fizeram uso abundante de técnicas de câmera lenta, câmeras giratórias e até mesmo do efeito bullet time de um personagem congelando ou desacelerando e a câmera girando ao redor dele. A capacidade de diminuir o tempo o suficiente para distinguir o movimento das balas foi usada como uma mecânica de jogo central de vários jogos de videogames, incluindo Max Payne, em que o recurso foi explicitamente referido como "bullet time"; o efeito também marcou a mecânica definidora do videogame Superhot e suas sequências. O efeito especial característico de Matrix e outros aspectos do filme foram parodiados inúmeras vezes, em filmes de comédia como Deuce Bigalow: Male Gigolo (1999), Scary Movie (2000), Shrek (2001), Kung Pow: Enter the Fist (2002), Marx Reloaded (um documentário de 2011 onde a relação entre Neo e Morpheus é representada como um encontro imaginário entre Karl Marx e Leon Trotsky) e em videojogos como Conker's Bad Fur Day. O filme também inspirou outras produções a apresentar um herói vestido de preto, uma heroína sexy, mas mortal, e balas rasgando lentamente o ar; entre eles Charlie's Angels (2000), com Cameron Diaz flutuando no ar enquanto as câmeras circulam ao seu redor; Equilibrium (2002), estrelado por Christian Bale, cujo personagem usava longos casacos de couro preto como os de Neo em Matrix; Guardiões da Noite (2004), uma produção russa fortemente influenciada por Matrix e dirigido por Timur Bekmambetov, que mais tarde fez Wanted (2008) que também apresenta balas rasgando lentamente o ar; e A Origem (2010), que se concentra em uma equipe de bandidos bem vestidos que são capazes de entrar nos sonhos de outras pessoas. Tron (1982) abriu caminho para Matrix que, por sua vez, inspirou a Disney a fazer seu próprio "Matrix" com a sequência Tron: O Legado (2010). Além disso, a sequência do tiroteio no saguão do filme foi recriada na comédia de ação indiana de 2002 Awara Paagal Deewana.

Coreografia das lutas e atores

Matrix teve um forte efeito no cinema de ação em Hollywood. A incorporação de técnicas de wire fu no filme, incluindo o envolvimento do coreógrafo de luta Yuen Woo-ping e outras pessoas com experiência no cinema de ação de Hong Kong, afetou as abordagens das cenas de luta tomadas por diversos filmes de ação subsequentes, movendo-os para abordagens mais orientais. O sucesso de Matrix criou uma alta demanda por esses coreógrafos e suas técnicas de outros cineastas, que queriam lutas semelhantemente sofisticadas: por exemplo, o trabalho de fios suspensos foi empregado em X-Men (2000) e Charlie's Angels, com o irmão de Yuen Woo-ping, Yuen Cheung-yan, sendo convocado como coreógrafo em Demolidor - O Homem sem Medo (2003). A abordagem asiática de Matrix às cenas de ação também originou uma audiência maior para filmes de ação asiáticos, como O Tigre e o Dragão (2000), contribuindo de maneira indireta para o sucesso deste.

Impacto cultural

O filme também foi influente por seu impacto nos filmes de super-heróis. John Kenneth Muir em declaração no livro The Encyclopedia of Superheroes on Film and Television chamou o filme de uma reimaginação "revolucionária" dos efeitos visuais, abrindo caminho para mais técnicas especiais em filmes de super-heróis posteriores, e credita-o por ajudar a "tornar os super-heróis populares nos filmes assim como eram nos quadrinhos" e demonstrando efetivamente o conceito de "mais rápido que uma bala em alta velocidade" com seu efeito bullet time. Adam Sternbergh, do Vulture.com, credita Matrix por reinventar e definir o modelo para sucessos de bilheteria de super-heróis modernos e inspirar o renascimento dos super-heróis no início do século XXI.

Recepção moderna

Em 2001, Matrix ficou em 66º lugar na lista "100 Years...100 Thrills" do American Film Institute. Em 2007, a Entertainment Weekly chamou Matrix de a melhor mídia de ficção científica dos últimos 25 anos. Em 2009, o filme ficou em 39º lugar na lista votada por leitores, atores e críticos da revista Empire dos "500 melhores filmes de todos os tempos". O filme também foi eleito o quarto melhor filme de ficção científica na lista "Best in Film: The Greatest Movies of Our Time" de 2011, com base em uma pesquisa realizada pelo canal de televisão estadunidense ABC e pela revista People. Em 2012, foi selecionado para preservação no National Film Registry pela Biblioteca do Congresso por ser "culturalmente, historicamente e esteticamente significativo". Em 2022, Matrix foi determinado como o filme com tema tecnológico mais popular nos Estados Unidos usando dados de volume de pesquisa.

Teorias da conspiração e grupos marginais

A premissa de Matrix foi reaproveitada para várias teorias da conspiração e grupos alternativos de direita. Por exemplo, alguns grupos online de direitos dos homens usam o termo "redpill" para significar homens percebendo que estão supostamente sendo subjugados pelo feminismo. O termo tem sido usado também em fóruns de discussão para tópicos de direita, como Gamergate, supremacia branca, subcultura incel e QAnon. Em 2021, o termo/adjetivo "pílula" passou a ser mais usado ​​para significar o desenvolvimento de um súbito interesse por algo.

Sequências e adaptações

O sucesso do filme levou à produção de duas sequências, Matrix Reloaded e The Matrix Revolutions, ambas dirigidas pelas irmãs Wachowski. Estes foram filmados consecutivamente em uma única produção e foram lançados em datas separadas em 2003. O conto introdutório do primeiro filme é sucedido pela história do ataque iminente ao enclave humano de Zion por um vasto exército de máquinas. As sequências também incorporam cenas de ação mais longas e ambiciosas, bem como melhorias no bullet time e outros efeitos visuais. Também foi lançado Animatrix, uma coleção de nove curtas-metragens animados, muitos dos quais foram criados no mesmo estilo de animação japonesa que foi uma forte influência na trilogia original em live-action. Animatrix foi supervisionado e aprovado pelas Wachowski, que escreveram apenas quatro dos segmentos, mas não dirigiram nenhum deles; muito do projeto foi desenvolvido por figuras notáveis ​​do mundo do anime.

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Fontes consultadas

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