Sadruddin Aga Khan
Príncipe Sadruddin Aga Khan foi um diplomata francês que atuou como Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados entre 1966 a 1977, durante o qual reorientou o foco da agência para além da Europa e preparou para uma explosão de questões complexas de refugiados. Também foi um defensor de uma maior colaboração entre organizações não governamentais (ONGs) e agências da ONU. O interesse do príncipe por questões ecológicas o levou a fundar a Bellerive Foundation no final dos anos 1970, quando era um colecionador experiente e respeitado de arte islâmica.
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Infância e educação
Único filho de Agacão III e de sua terceira esposa francesa, André Joséphine Carron, Aga Khan nasceu em Neuilly-sur-Seine, na França. Inicialmente, estudou em Lausanne, na Suíça, antes de se graduar e ser reconhecido como sociedade de honra Phi Beta Kappa pela Universidade Harvard em 1954. Em Harvard, morou na Eliot House com Paul Matisse, neto do artista francês Henri Matisse, com os futuros fundadores da revista literária The Paris Review, George Plimpton e John Train, e com Stephen Joyce, neto do escritor irlandês James Joyce. Junto com Plimpton, foi editor do Harvard Lampoon. Após três anos de pesquisa de pós-graduação no Harvard Center for Middle Eastern Studies, o príncipe Sadruddin iniciou uma carreira de serviço internacional que esteve presente ao longo de toda sua vida.
UNESCO
O príncipe Sadruddin ingressou na Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) em 1958 e tornou-se secretário executivo do Comitê de Ação Internacional para a Preservação da Núbia em 1961. Esta iniciativa reuniu arqueólogos do Leste Europeu e do Ocidente no auge da Guerra Fria. A construção da Represa Alta de Assuão ameaçou o Antigo Egito, incluindo Abu Simbel, os templos de Filas e Kalabsha, além das igrejas cristãs da Núbia. Posteriormente, descreveu como "uma das grandes conquistas da UNESCO" por causa do contexto histórico desafiador em que ocorreu — principalmente as tensões contínuas no Oriente Médio e a Guerra Fria.
Alto-comissariado da ONU para os Refugiados
O príncipe Sadruddin começou como enviado especial do Alto-comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) em 1959, com foco no Ano Mundial dos Refugiados (1959–1960). A iniciativa ficou conhecida pelo seu Stamp Plan, um programa filatélico que angariava fundos através dos países membros das Nações Unidas, bem como o apoio da União Postal Universal. Na época, os recursos do ACNUR concentravam-se principalmente no apoio aos refugiados que cruzavam o Leste Europeu. Em janeiro de 1966, o príncipe Sadruddin foi nomeado Alto-comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, depois de trabalhar por três anos como vice Alto-comissário. Aos 33 anos de idade, tornou-se a pessoa mais jovem a liderar o ACNUR. Nos doze anos seguintes, dirigiu a agência de refugiados da ONU em um de seus períodos mais difíceis, coordenando a resposta internacional diante da Guerra de Independência de Bangladesh em 1971 que desalojou dez milhões de pessoas, o deslocamento de centenas de milhares de étnicos Hútus de Burundi para a Tanzânia, em 1972; e a Tragédia dos vietnamitas da boat people em meados da década de 1970. Em 1972, o príncipe Sadruddin desempenhou um papel fundamental na busca de novos lares para dezenas de milhares de sul-asiáticos expulsos de Uganda por Idi Amin.
Carreira diplomática nas Nações Unidas
Desde 1978, o Príncipe Sadruddin foi Consultor Especial e Encarregado de Missão do Secretário-Geral das Nações Unidas, Relator Especial da Comissão das Nações Unidas para os Direitos Humanos e Convocador e Co-Presidente da Comissão Independente de Assuntos Humanitários Internacionais e do Grupo de Trabalho Independente sobre a Emergência Financeira da ONU. Posteriormente, foi coordenador dos Programas de Assistência Humanitária e Econômica das Nações Unidas Relacionados ao Povo do Afeganistão e Delegado Executivo do Secretário-Geral para um Programa Humanitário Interagências das Nações Unidas, que lidava com os problemas das áreas fronteiriças do Iraque.
Proteção e defesa do meio ambiente
Em 1977, o príncipe Sadruddin, juntamente com Denis de Rougemont e alguns outros amigos, criou um laboratório de ideias com sede em Genebra, na Suíça, intitulado Groupe de Bellerive (em homenagem a Collonge-Bellerive, o município onde viveu em Genebra), e uma organização sem fins lucrativos, Bellerive Foundation. A fundação colaborou com instituições internacionais, organizações de ajuda bilaterais britânicas e escandinavas e outras ONGs, como o World Wide Fund for Nature (WWF). O laboratório tornou-se referência ao promover a proteção ambiental, a conservação dos recursos naturais e a proteção da vida. Inicialmente, Bellerive trabalhou com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) na luta contra o desmatamento. O príncipe Sadruddin foi parcialmente convencido por intitulá-los como "refugiados ecológicos", ou seja, sendo forçados a deixarem as regiões que não podiam mais sustentá-los devido à desertificação e outras mudanças ambientais. A fundação trabalhou com especialistas suíços para desenvolver fogões de baixo custo e com baixo consumo de energia, baseados em fontes de energia renováveis, como metano e biogás. Foi distribuído entre as populações rurais carentes, principalmente na África. Outras áreas de preocupação para Bellerive incluíam a proliferação de armas nucleares e a proteção de espécies ameaçadas.
Morte e lembrança
O príncipe Sadruddin morreu de câncer em Boston, cidade de Massachusetts, em 12 de maio de 2003, coincidentemente, no mesmo dia em que seu meio-irmão mais velho, o príncipe Ali Khan, morreu 43 anos antes. Seu corpo foi transportado para a Suíça, onde membros do corpo diplomático, funcionários do governo e amigos próximos foram convidados a prestarem suas últimas homenagens no Château de Bellerive, e assinarem livros de condolências em vários locais do mundo. Ruud Lubbers, então Alto Comissário do ACNUR, expressou a tristeza do ACNUR e de toda a comunidade humanitária, comentando que "ele deixou uma marca indelével na história do ACNUR — liderando a agência em alguns dos momentos mais desafiadores. O nome de Sadruddin tornou-se sinônimo de ACNUR."
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A vida do príncipe Sadruddin foi profundamente influenciada por suas raízes familiares e herança cultural. A avó do príncipe Sadruddin era neta do imperador Qajar Fath'Ali Shah. O trabalho nas relações internacionais sempre foi uma tradição familiar e, durante toda a sua vida, o príncipe Sadruddin esteve presente. Seu pai ocupou cargos influentes na Índia britânica. Também trabalhou em dois mandatos como presidente da Sociedade das Nações. O meio-irmão mais velho do príncipe Sadruddin, o príncipe Ali Khan, era o embaixador do Paquistão nas Nações Unidas. Príncipe Karim Aga Khan IV, o 49.º Imam dos Muçulmanos Ismailis e atual Agacão, era sobrinho do Príncipe Sadruddin, e foi o fundador e Presidente da Rede de Desenvolvimento Aga Khan. Seu irmão, o príncipe Amyn, já havia trabalhado com as Nações Unidas antes de ingressar no secretariado do Aga Khan. Enquanto isso, a sobrinha do príncipe Sadruddin, a princesa Yasmin, tem se dedicado à luta contra a doença de Alzheimer.
Casamentos
Em 27 de agosto de 1957, em Bellerive, na Suíça, o príncipe Sadruddin casou-se com Nina Dyer (1930–1965). Uma modelo de moda anglo-indiana, foi a ex-esposa do Barão Hans Heinrich Thyssen-Bornemisza. Ela se converteu ao Islã, adotando o nome de "Shirin" (lit. "doçura"). Eles não tiveram filhos e se divorciaram em 1962. Dyer cometeu suicídio em 1965. Casou-se com Catherine Aleya Beriketti Sursock em 25 de novembro de 1972 nas Índias Ocidentais Britânicas. Nascida em Alexandria, foi a ex-esposa do aristocrata libanês Cyril Sursock (filho de Nicolas Sursock e Donna Vittoria Serra dos Duques di Cassano). Ela e o príncipe Sadruddin não tiveram filhos, mas desse casamento ganhou três enteados: Alexandre Sursock (casado com a princesa tailandesa Charuvan Rangsit Prayurasakdi, ligada a Mom Rajawongse), Marc Sursock e Nicolas Sursock.
Coleção de arte
Durante sua vida, o príncipe Sadruddin montou uma das melhores coleções particulares de arte islâmica do mundo. Tornou-se um colecionador experiente e respeitado, acumulando uma coleção inestimável de pinturas, desenhos, manuscritos e miniaturas ao longo de 50 anos. Além disso, reuniu uma coleção de arte primitiva e africana que vendeu antes de 1985. O interesse do príncipe Sadruddin pela arte islâmica foi despertado em sua juventude pela biblioteca de livros persas, textos místicos e tratados astrológicos de sua avó paterna. Enquanto estava em Harvard na década de 1950, fazia compras em Nova Iorque e, eventualmente, começou a adquirir de revendedores em Paris, Genebra e Londres. Regularmente, também dava lances nas casas de leilões da Sotheby's e da Christie's, na Europa e na América do Norte. Para buscar consultoria, procurou o amigo Stuart Cary Welch, um notável historiador da arte islâmica da Universidade Harvard.
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O príncipe Sadruddin recebeu vários doutorados honorários e condecorações nacionais de estados tão diversos quanto o Paquistão, a Polônia e o Vaticano, bem como o Prêmio de Direitos Humanos das Nações Unidas. Foi eleito Membro Honorário Estrangeiro da Academia Americana de Artes e Ciências em 1991. Também foi premiado com o Bourgeois d'Honneur de Geneve, feito Comandante da Légion d'honneur da França e Cavaleiro Comandante da Ordem de São Silvestre (KCSS) da Santa Sé, e recebeu o Ordem do Nilo do Egito. Além disso, foi nomeado Cavaleiro Comandante da Ordem do Império Britânico (KBE), por seus serviços a causas humanitárias e às artes. Era um cidadão honorário de Patmos, na Grécia, onde possuía uma casa.


