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Afro-porto-riquenhos

A história dos porto-riquenhos de ascendência africana começa com homens africanos livres, conhecidos como libertos, que acompanharam os conquistadores espanhóis na invasão da ilha. Os espanhóis escravizaram os taínos, muitos dos quais morreram como resultado das novas doenças infecciosas e da opressão espanhola. A realeza espanhola precisava de trabalhadores e começou a depender da escravidão para suas operações nas minas e na construção de fortes, portanto, a coroa autorizou a importação de escravos da África Ocidental; como resultado, a maioria dos africanos que entraram em Porto Rico eram parte da migração forçada como comércio atlântico de escravos, vindos de várias partes e culturas diferentes do continente africano.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 10/07/2026
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Influência africana na cultura porto-riquenha

Os descendentes de escravos africanos tornaram-se instrumentais no desenvolvimento da estrutura cultural, econômica e política de Porto Rico. Eles superaram muitos obstáculos e contribuíram para as instituições de entretenimento, esporte, literatura e ciências da ilha. Suas contribuições e herança ainda podem ser sentidas hoje na arte, música, culinária e crenças religiosas do cotidiano porto-riquenho. Em Porto Rico, 22 de março é conhecido como o "Dia da Abolição" e é um feriado celebrado por quem mora na ilha.

Língua

Muitos escravos africanos trazidos para Cuba e Porto Rico falavam o chamado espanhol "bozal", uma língua crioula de base espanhola com influências congolesas e portuguesas. Embora o espanhol bozal tenha se tornado extinto no século XIX, a influência africana no espanhol falado na ilha é ainda evidente nas palavras de origem congolesa que se tornaram parte permanente do espanhol porto-riquenho.

Música

Instrumentos musicais porto-riquenhos como os barris, tambores com pele de animal esticada e formas de dança-música como bomba e plena têm suas raízes no continente africano. Bomba representa a forte influência da África em Porto Rico, sendo um estilo musical, ritmo e dança que foi trazido para a ilha pelos escravos da África Ocidental. Plena é outra forma de música folclórica de origem africana, sendo trazida a Ponce pelos negros que vieram das ilhas ao Sul de Porto Rico. É um ritmo claramente africano parecido com o Calypso, a Soca e o Dancehall da Jamaica e de Trinidad. Bomba e Plena eram tocadas durante o festival de Santiago, já que os escravos não tinham permissão para cultuar os seus próprios deuses. Bomba e Plena deram origem a inúmeros estilos com base no tipo de dança que se pretendia dançar, incluindo leró, yubá, cunyá, babú e belén. Os escravos celebravam batismos, casamentos e nascimentos com seus "bailes de bomba". Os senhores de escravos, com medo de rebeliões, permitiam que os escravos dançassem nos domingos. As dançarinas imitavam e tiravam sarro dos senhores. Máscaras eram e ainda são usadas para espantar espíritos do mal; um dos personagens mascarados mais conhecidos é o Vejigante, um personagem travesso e o principal dos carnavais em Porto Rico.

Culinária

Nydia Rios de Colon, colaboradora do livro de receitas Smithsonian Folklife Cookbook, também oferece seminários de culinária através do Instituto Cultural de Porto Rico. Ela escreve sobre a culinária: A culinária porto-riquenha também tem uma forte influência africana. A mistura de sabores que compõem a típica culinária porto-riquenha conta com o toque africano. Pasteles, pequenos feixes de carne colocados dentro de uma massa feita de banana verde ralada (às vezes combinada com abóbora, batata, banana ou taioba) e envoltos em folhas de bananeira, foram criados por mulheres africanas na ilha e baseados em produtos alimentícios originários da África.

Religião

Em 1478, os monarcas católicos da Espanha, Ferdinando II de Aragão e Isabel I de Castela, estabeleceram um tribunal eclesiástico conhecido como a Inquisição Espanhola. A intenção era manter a ortodoxia da Igreja Católica em seus reinos. A Inquisição não manteve rota ou tribunal religioso em Porto Rico. No entanto, hereges eram registrados e, se necessário, encaminhados para tribunais regionais da Inquisição na Espanha ou em outro lugar do hemisfério ocidental. Os africanos não tinham permissão para praticar religiões nativas e não-cristãs. Nenhuma religião étnica africana sobreviveu intacta desde os tempos da escravidão até o presente em Porto Rico, porém, muitos elementos de crenças espirituais africanas foram incorporados em ideias e práticas sincréticas. Santería, uma mistura sincrética de religião iorubá com catolicismo e palo mayombe, tradições congolesas, também são praticadas em Porto Rico, tendo a última chegado na ilha muito antes da primeira. Um pequeno grupo de pessoas pratica vodum, que deriva da mitologia daomeana.

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Demografia atual

Segundo o Censo de 2010, 75,8% dos porto-riquenhos se identificam como brancos, 12,4% como negros, 0,5% como ameríndios, 0,2% como asiáticos e 11,1% como "mestiços ou outro". Embora as estimativas variem, a maioria das fontes estima que cerca de 65% dos porto-riquenhos têm ascendência africana significativa. A vasta maioria dos negros em Porto Rico são afro-porto-riquenhos, o que quer dizer que eles estão em Porto Rico há gerações, geralmente desde a época do comércio de escravos, formando uma parte importante da cultura e sociedade porto-riquenha. Imigrantes negros recentes são oriundos principalmente da República Dominicana, do Haiti, de outros países latino-americanos e caribenhos e, em menor grau, do continente africano também. Muitos migrantes negros dos Estados Unidos e das Ilhas Virgens Americanas também se mudaram para Porto Rico. Além disso, muitos afro-porto-riquenhos têm saído de Porto Rico, principalmente em direção aos Estados Unidos. Lá, bem como nas Ilhas Virgens, eles compõem a maior parte da população afro-latina nos EUA.

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Fontes consultadas

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