Abraham Lincoln
Abraham Lincoln foi um político norte-americano que serviu como o 16° presidente dos Estados Unidos, posto que ocupou de 4 de março de 1861 até seu assassinato, em 15 de abril de 1865. Lincoln liderou o país de forma bem-sucedida durante sua maior crise interna, a Guerra Civil Americana, preservando a integridade territorial do país, abolindo a escravidão e fortalecendo o governo nacional.
Primeiros anos
Abraham Lincoln nasceu em 12 de fevereiro de 1809, num quarto de uma cabana na Fazenda Sinking Spring, no Condado de Hardin (atual Condado de LaRue), no estado do Kentucky. O segundo filho de Thomas Lincoln e Nancy Lincoln (nome de solteira: Hanks), ele descendia de Samuel Lincoln, originário do condado de Norfolk, na Inglaterra, e que imigrara para Hingham, em Massachusetts, no século XVII. O avô paterno de Lincoln, que também se chamava Abraham, mudou-se da Virgínia para o Kentucky, onde foi emboscado e morto em um ataque indígena, em 1786, na presença de seus filhos, incluindo Thomas. A mãe de Lincoln, Nancy, nasceu no atual Condado de Mineral, na Virgínia Ocidental, e era filha de Lucy Hanks. Posteriormente, elas foram viver no Kentucky, onde Nancy Hanks se casou com Thomas Lincoln. A família participava ativamente de uma Igreja Batista local, que pregava normas morais e a oposição a bebida alcoólica, dança e escravidão. Thomas comprou e vendeu várias fazendas na região, incluindo a Fazenda Knob Creek, onde a família viveu entre 1811 e 1816. Ele gozava de considerável prestígio no Kentucky, onde participava de tribunais do júri, avaliava o valor de propriedades, participava de patrulhas de vigilância a escravos no país e vigiava prisioneiros. No momento em que seu filho Abraham nasceu, Thomas possuía duas fazendas de 600 acres (240 hectares), diversos lotes na cidade, gado e cavalos, estando entre os homens mais ricos do condado. No entanto, em 1816, Thomas perdeu toda a sua terra em processos judiciais, por causa de títulos de propriedade com erros.
Casamento e filhos
O primeiro interesse romântico de Lincoln foi Ann Rutledge, que ele conheceu quando se mudou para Nova Salem; em 1835, eles tiveram um relacionamento informal. Ann morreu aos 22 anos, em 25 de agosto de 1835, provavelmente de febre tifoide. No início da década de 1830, conheceu Mary Owens, do estado de Kentucky, quando ela estava visitando sua irmã. No final de 1836, Lincoln concordou em corresponder a Mary caso ela retornasse a Nova Salem. Mary voltou em novembro de 1836, e Lincoln a cortejou por um certo tempo, porém ambos tinham dúvidas sobre a relação deles. Em 16 de agosto de 1837, Lincoln escreveu uma carta para Mary sugerindo que ele não iria culpá-la se ela terminasse o namoro. Ela nunca respondeu.
Em 1832, aos 23 anos de idade, Lincoln e um sócio compraram uma pequena loja em Nova Salem. Embora a economia estivesse crescendo na região, houve esforço na atividade econômica exercida, e Lincoln eventualmente vendeu sua parte. Naquele mês de março, ele iniciou sua carreira política com a primeira campanha para a Assembleia Geral de Illinois (legislatura estadual). Ele alcançou popularidade local e poderia atrair uma considerável quantidade de pessoas como um contador de histórias em Nova Salem, embora não possuísse uma educação formal, amigos influentes e dinheiro, o que pode ter sido a causa de sua derrota na disputa política na qual defendeu melhorias na navegação no Rio Sangamon. Antes da eleição, Lincoln serviu como capitão em uma milícia de Illinois, durante a Guerra de Black Hawk. Ao retornar, continuou sua campanha para a eleição em 6 de agosto para a Assembleia Geral de Illinois. Com 1,93 m de altura, ele era alto e "forte o bastante para intimidar qualquer rival". Em seu primeiro discurso, ao ver um apoiante seu sendo atacado, Lincoln segurou o agressor pelo "pescoço e o assento das calças" e o jogou. Lincoln terminou em oitava posição entre treze candidatos (os quatro primeiros foram eleitos), apesar de ter recebido 277 dos 300 votos no distrito eleitoral de New Salem.
No início da década de 1830, Lincoln era um forte partidário Whig e proferiu aos seus colegas, em 1861, um discurso clamando para serem "tradicionais Whigs, discípulos de Henry Clay". O partido, incluindo Lincoln, favorecia a modernização econômica no setor bancário, tarifas protecionistas para financiar melhorias internas no avanço de ferrovias e da urbanização. Em 1846, eleito para Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, serviu por um mandato de dois anos como sendo o único Whig na delegação do estado de Illinois, mostrou lealdade ao seu partido por participar em quase todas as votações e fez discursos remetidos as ideias partidárias. Em colaboração com o congressista abolicionista Joshua R. Giddings, Lincoln elaborou um projeto de lei para abolir a escravidão no Distrito de Colúmbia com a indenização para os proprietários, captura dos escravos fugitivos e um plebiscito sobre a questão. No entanto, ele não deu seguimento a proposta ao passo que não obteve apoio suficiente de seus partidários Whigs. Sobre políticas externas e militares, posicionou-se contra a Guerra Mexicano-Americana, atribuindo como o desejo do presidente James K. Polk (D) para a "glória militar, esse atrativo arco-íris, que se levanta em chuvas de sangue". Lincoln apoiou o Wilmot Proviso, que, se aprovado, teria banido a escravidão nos novos territórios conquistados do México.
Após um período sem exercer a advocacia enquanto era congressista, Lincoln voltou a fazê-lo em Springfield, lidando com "todo o tipo de negócios que viria a surgir perante um advogado interiorano". Como de hábito, Lincoln realizava dois circuitos por ano (num total de dezesseis anos), viagens que duravam cerca de dez semanas em cada circuito, tendo comparecido as sedes de condados na região central do estado quando as cortes estavam em sessão. De tal forma ele percorria o seu estado aceitando casos que lhe eram apresentados. Lincoln tratou de muitos casos referentes a meios de transportes na expansão para o Oeste do país, particularmente nos conflitos decorrente das operações das barcaças sob as muitas novas pontes ferroviárias. Como um barqueiro, inicialmente defendeu tais interesses, mas posteriormente representou qualquer um que lhe contratasse. Sua reputação aumentou, e compareceu diante da Suprema Corte dos Estados Unidos, discutindo sobre um caso envolvendo um barco que afundou após bater em uma ponte. Em 1849, Lincoln patenteou um dispositivo de flutuação para a movimentação de barcos em águas rasas. A ideia nunca foi comercializada, mas ele foi o único presidente a obter uma patente.
A escravidão e a "Casa Dividida"
Na década de 1850 a escravidão era legalmente aceita no Sul dos Estados Unidos, mas tinha sido generalizadamente proibida nos estados do Norte. Lincoln tinha repúdio dessa prática que se expandia pelos novos territórios a Oeste. Voltou para a política a fim de se opor ao Ato de Kansas-Nebraska (1854) que permitia a expansão da escravidão que havia sido restringida pelo Compromisso do Missouri (1820). O senador sênior Stephen A. Douglas de Illinois inseriu o conceito de soberania popular numa proposta, a qual Lincoln se opôs, onde especificava que os colonizadores tinham o direito de determinar localmente se consentiriam a escravidão no novo território, em vez de restringir a decisão para o Congresso Nacional. Eric Foner (2010) os diferencia os abolicionistas e radicais republicanos do Nordeste que viam a escravidão como um pecado, enquanto os conservadores republicanos pensavam que era maléfica por ferir as pessoas brancas e impedir o progresso. Foner argumenta que Lincoln era um moderado, opondo-se a escravidão primariamente por violar os princípios republicanos dos Pais Fundadores, especialmente a igualdade de todos os homens e um autogoverno democrático, como expresso na Declaração de Independência.
Os debates Lincoln–Douglas e o discurso da Cooper Union
A campanha para o Senado destacou os sete debates entre Lincoln e Douglas em 1858, um dos debates políticos mais notórios na história estadunidense. Os dois estavam em gritante contraste, tanto visualmente quanto politicamente. Lincoln advertiu que o "Poder dos Escravistas" ("Slave Power") estava ameaçando os valores do republicanismo e acusou Douglas de distorcer os valores dos Pais Fundadores que todos os homens são criados iguais, enquanto Douglas enfatizava sua Doutrina Freeport, na qual os colonizadores locais eram livres para escolher entre permitir ou não a escravidão, e atacou Lincoln por ter reunido os abolicionistas. Os debates tiveram uma atmosfera de uma luta de boxe e atraiu multidões aos milhares. Lincoln afirmou que a teoria de soberania popular de Douglas era uma ameaça à moral da nação e que este representou uma conspiração para estender a escravidão para os estados livres. Seu oponente, por sua vez, declarou que tal estava desafiando a autoridade da Suprema Corte e a decisão do Caso Dred Scott.
A nomeação presidencial de 1860 e a campanha
A Convenção Estadual Republicana de Illinois de 9 a 10 de maio de 1860 foi realizada em Decatur. Os partidários de Lincoln organizaram um grupo de campanha liderada por David Davis, Norman Judd, Leonard Swett e Jesse DuBois, recebendo seu primeiro endosso à corrida pela Presidência. Explorando a lenda adornada de seus tempos com seu pai na fronteira, ganhou de seus defensores o rótulo "The Rail Candidate", em alusão ao candidato dos trilhos de trem. Em 18 de maio, na Convenção Nacional Republicana em Chicago, seus companheiros prometeram e manipularam a vitória na terceira votação, derrotando candidatos como William H. Seward e Salmon P. Chase. Um ex-democrata, Hannibal Hamlin de Maine, foi escolhido como vice-presidente numa expectativa de dar mais equilíbrio à chapa. Seu sucesso se deveu por sua reputação moderada na questão escravocrata e pelo seu forte apoio aos programas Whiggish[nota 5] por melhorias internas e as tarifas protecionistas. Na terceira votação, o estado da Pensilvânia colocou-o no topo. Os interesses da Pensilvânia pelo ferro eram garantidos pela proposta protecionista. Os gestores da campanha de Lincoln focaram habilmente nesta delegação tão bem quanto em outras, seguindo um forte ditame do candidato para "não fazer contratos que me vinculem".
O fracasso de George Gordon Meade para capturar o Exército inimigo após ter recuado a Gettysburg, e a contínua passividade do Exército de Potomac, persuadiu Lincoln de que uma mudança no comando das tropas era necessária. As vitórias do general Ulysses S. Grant na Batalha de Shiloh e a Campanha de Vicksburg o impressionou e fez de Grant um forte candidato à chefia do Exército da União. Respondendo às críticas de Grant em Shiloh, o presidente afirmou que não poderia deixá-lo passar despercebido devido aos seus esforços. Com Grant no comando, o Exército poderia perseguir implacavelmente uma série de ofensivas coordenadas em várias frentes, e ter um alto comandante que concordasse com o uso de tropas negras. No entanto, a possível ambição de Grant à Presidência em 1864 levou Lincoln a fazer, por meio de um intermediário, uma sondagem sobre as intenções políticas dele. Após ter se certificado, ele submeteu ao Senado a decisão sobre a promoção de Grant à comandante das forças, obtendo ainda do Congresso a aprovação ao posto de tenente-general, que não havia sido cedido desde George Washington.
A eleição de 1860 e a secessão
Em 6 de novembro de 1860, Lincoln foi eleito o décimo sexto presidente dos Estados Unidos e o primeiro presidente pelo Partido Republicano; derrotando seus oponentes: o democrata Stephen A. Douglas, o democrata sulista John C. Breckinridge e John Bell, do recém-criado Partido União Constitucional. Tendo ganhado a eleição inteiramente com o apoio do Norte e Oeste, nenhum voto lhe foi depositado em dez de quinze estados escravocratas do Sul e obteve maioria em apenas 2 de 996 condados sulistas. Lincoln recebeu 1 866 452 votos, Douglas conseguiu 1 376 957 votos, Breckinridge com 849 781 votos e John Bell com 588 789 votos. O comparecimento eleitoral foi 82,2%, tendo Lincoln vencido nos estados livres do Norte, bem como na Califórnia e no Oregon. Douglas conquistou o Missouri e dividiu os votos de Nova Jersey com Lincoln. Bell saiu vitorioso na Virgínia, no Tennessee, e Kentucky, sendo o restante dos estados do Sul vencidos por Breckinridge. Embora tenha conseguido uma maioria simples no voto popular, o resultado do colégio eleitoral foi decisivo: Lincoln teve 180 e seus oponentes somados conseguiram 123 votos. Havia coligações políticas na qual os opositores do abolicionista se comprometeram em apoiar a mesma chapa de eleitores de Nova Iorque, Nova Jersey e Rhode Island, mas mesmo que todos os seus oponentes se unissem, ainda assim o republicano teria sido eleito por uma maioria no Colégio Eleitoral.
O início da guerra
O comandante do Fort Sumter (Carolina do Sul), o major Robert Anderson, enviou uma requisição de provisões à Washington, com o pedido tendo sido atendido por Lincoln. Os separatistas viram essa atitude como uma forma de o governo federal estar presente naquele local, portanto, um estopim para a guerra. Em 12 de abril de 1861, as foças confederadas dispararam contra as tropas da União no Fort Sumter, forçando-os a se renderem, dando início a guerra. O historiador Allan Nevins argumenta que a recente posse de Lincoln fez ocorrer três enganos: subestimou a gravidade da crise, exagerou o forte sentimento da União no Sul, e não percebeu os sulistas que se opuseram à separação e foram insistentemente contrários a qualquer invasão.:29 William Tecumseh Sherman dialogou com Lincoln durante a semana de posse e estava "tristemente desapontado" com o fracasso no qual "o país estava dormindo sobre um vulcão" enquanto o Sul estava se preparando para a guerra. Donald conclui que "seus repetidos esforços em evitar um conflito nos meses entre a posse e o ataque do Fort Sumter pelos confederados mostrou que ele cumpriu a sua promessa de não ser o primeiro a derramar o sangue fraternal; porém ele também prometeu não entregar os fortes. A única proposta dessas posições contraditórias era para que os confederados disparassem o primeiro tiro, o que de fato ocorreu".
Assumindo o comando da União em guerra
Após a queda do Forte Sumter, Lincoln notou a importância de tomar o imediato controle da guerra e fazer um plano para pôr fim à rebelião. Lincoln encontrou uma crise política e militar sem precedentes, e respondeu atuando como comandante em chefe, usando de poderes sem precedentes. Ampliado seus poderes bélicos, impôs um bloqueio à todos os portos marítimos confederados, desembolsou fundos antes da aprovação pelo Congresso, e após suspender o habeas corpus, prendeu milhares de suspeitos simpatizantes dos confederados. Apoiado pelo Congresso e o povo nortista, reforçou os laços de simpatizantes da União nos estados de fronteira. Lincoln concentrou-se nos esforços bélicos, que lhe tomaram grande parte do tempo e da atenção. Desde o início ficou evidenciado que o apoio bipartidário seria essencial para obter-se a vitória, e qualquer compromisso incluiu facções de ambos os lados, tais como a nomeação de republicanos e democratas para posições de comando das Forças Armadas. Os Copperheads o criticaram pela recusa a comprometer-se com a questão escravocrata; enquanto os radicais republicanos reprovaram a lentidão do governo em realizar a abolição. Em 6 de agosto de 1861, Lincoln assinou o Confiscation Act que autorizou processos judiciários a confiscar escravos livres usados pelas ações confederadas em guerra. Na prática a lei teve pouco efeito, mas sinalizou o apoio político para abolir a escravidão nos Estados Confederados.
General McClellan
Após a derrota da União na Primeira Batalha de Bull Run e a aposentadoria por idade de Winfield Scott no final de 1861, o major general George B. McClellan foi escolhido para comandar todas as tropas. McClellan, um jovem executivo ferroviário e democrata da Pensilvânia, levou vários meses para planejar e conduzir a Campanha da Península, indo mais longe do que queria o presidente. O objetivo da campanha era capturar Richmond e levar o Exército do Potomac de barco para a península, e depois por terra para a capital confederada. As repetitivas demoras do general frustraram Lincoln e o Congresso, bem como sua visão de que não eram necessárias tropas para defender Washington. Lincoln insistiu em manter algumas tropas na defesa da capital; McClellan, que superestimava as tropas inimigas, culpou tal decisão pelo fracasso da campanha.
Proclamação de Emancipação
Lincoln compreendeu que o poder do governo federal e o fim da escravidão estavam limitados pela Constituição, que antes de 1865, levou a questão para os estados de forma individual. Antes e durante sua eleição, em sua concepção, a eventual extinção da escravidão resultaria na expansão de novos territórios. No início da guerra, ele tentou persuadir os estados a aceitarem a emancipação dos escravos indenizando seus respectivos proprietários. Assim como os Pais Fundadores, acreditava que a restrição à escravidão poderia economicamente desvalorizá-la. Duas propostas que criavam limites geográficos à tal prática, concebidas pelos generais John C. Frémont em agosto de 1861 e David Hunter em maio de 1862, foram por ele rejeitados porque isso não satisfazia o seu desejo e poderia estragar a relação com estados fronteiriços, aqueles que apesar de permitirem a escravidão não declararam secessão, mantendo-se portanto fiéis à União.
Discurso de Gettysburg
Com a grande vitória da União na Batalha de Gettysburg em julho de 1863, e a derrota dos democratas pacifista (conhecidos como "Copperheads") na eleição de Ohio, Lincoln manteve uma forte base política de apoio e estava em uma posição favorável para redefinir os esforços de guerra, apesar dos protestos tumultuados em Nova Iorque. O cenário estava montado para o seu discurso no cemitério de soldados da Guerra Civil em Gettysburg em 19 de novembro de 1863. Desafiando a previsão do presidente, no qual o mundo não se lembraria deste momento, seu discurso tornou-se o mais citado na História dos Estados Unidos. Em 272 palavras e três minutos, Lincoln afirmou que a nação foi fundada em 1776, "concebida na liberdade e dedicada ao conceito de que todos os homens foram criados em igualdade". Assim, definiu que a guerra foi um esforço dedicado a esses princípios de liberdade e igualdade para todos, sendo que a emancipação dos escravos passou a fazer parte de um esforço de guerra nacional. Em sua oratória, declarou que a morte de muitos soldados bravos não seria em vão, a escravidão terminaria como um resultado de diversas perdas, e o futuro da democracia no mundo estaria assegurado, pois o "governo do povo, pelo povo e para o povo não perecerá neste mundo". Por fim, concluiu que a Guerra Civil tinha um profundo objetivo: um renascimento da liberdade da nação.
Quando jovem, Lincoln era um cético religioso, ou, nas palavras de um biógrafo,[quem?] até mesmo um iconoclasta. Posteriormente, o uso frequente de imagens e textos religiosos pode ter sido reflexo de suas crenças pessoais, ou pode ter sido uma forma de atrair seguidores, que eram na maioria protestantes. Ele nunca se aliou a uma igreja, apesar de ter frequentemente visitado-as com sua esposa[nota 10] e estivesse familiarizado com a Bíblia, a qual citava e elogiava em seus discursos. Lincoln nunca exerceu uma clara demonstração de fé cristã, mantendo-se reservado e respeitando a diversidade religiosa. Entretanto, ele acreditava em um Deus todo-poderoso e demonstrava isso por meio dos eventos que participava, e especialmente em 1865, com louváveis discursos. Nos anos de 1840, Lincoln firmou-se na Doutrina da Necessidade, atestando que a mente humana é controlada por um poder superior. Na década seguinte, de uma forma generalista ele reconhecia a "providência divina", mas raramente usava uma linguagem ou a aparência dos evangélicos, o republicanismo propagado pelos Pais Fundadores era quase como uma reverência religiosa para si próprio. A morte de seu filho Edward fez com que cada vez se sentisse mais dependente de Deus, e com a morte de outro filho, Willie, em fevereiro de 1862, ele lançou o olhar para a religião em busca de respostas e consolo. Foi nesse estado espiritual, do ponto de vista divino, que ele considerou que o agravante de guerra era necessário. Nessa época, em suas palavras, "Deus poderia ter salvado ou destruído a União sem a contestação humana. No entanto, a contestação começou. E tendo a contestação começado, Deus poderia dar a vitória final para qualquer um dos lados em qualquer dia. No entanto, a contestação continua". No dia em que Lincoln foi assassinado, ele teria dito a sua esposa que desejava visitar a Terra Santa.
A reunificação bem-sucedida dos estados teve consequências para o nome do país. O termo "os Estados Unidos" tem sido usado historicamente, algumas vezes no plural ("estes Estados Unidos") e outras vezes no singular, sem nenhuma consistência gramatical específica. A Guerra Civil foi uma força significativa no domínio eventual do uso singular até o final do século XIX. Historiadores como Harry Jaffa, Herman Belz, John Diggins, Vernon Burton e Eric Foner enfatizam a redefinição de Lincoln dos valores republicanos. Já na década de 1850, época em que a maior parte da retórica política se concentrava na Constituição, Lincoln redirecionou a ênfase para a Declaração da Independência como fundamento dos valores políticos norte-americanos - o que ele chamou de "âncora" do republicanismo. A ênfase da declaração na igualdade e liberdade para todos, em contraste com a tolerância da Constituição à escravidão, mudou o debate. Sobre o discurso de Cooper Union de 1860, Diggins observa: "Lincoln apresentou aos americanos uma teoria da história que oferece uma contribuição profunda à teoria e ao destino do próprio republicanismo". Ele destaca a base moral do republicanismo e não de seus legalismos. No entanto, Lincoln justificou a guerra por meio de legalismos (a Constituição era um contrato e, para uma parte sair de um contrato, todas as outras partes tinham que concordar) e, em seguida, em termos do dever nacional de garantir uma forma republicana de governo em todos os estados. Burton argumenta que o republicanismo de Lincoln foi adotado pelos libertos emancipados.
Reputação histórica
Na companhia dele, nunca me lembrei de minha origem humilde ou de minha cor impopular. Em pesquisas com acadêmicos dos Estados Unidos que classificam presidentes desde a década de 1940, Lincoln é consistentemente considerado entre os três primeiros, geralmente como número um. Um estudo de 2004 descobriu que estudiosos nas áreas da história e da política classificaram Lincoln como o número um, enquanto os juristas o colocaram em segundo lugar depois de George Washington, o topo na maioria das pesquisas. Geralmente, os três principais presidentes são classificados como 1. Lincoln; 2. Washington; e 3. Franklin Delano Roosevelt, embora a ordem varie.
Memoriais
O retrato de Lincoln aparece em duas denominações da moeda dos Estados Unidos, o centavo e a nota de 5 dólares. Sua semelhança também aparece em muitos selos postais e ele foi comemorado em muitos nomes de cidades e condados, incluindo a capital de Nebraska. Os memoriais mais famosos e mais visitados são as esculturas de Lincoln no Monte Rushmore; o Lincoln Memorial, o Teatro Ford e a Casa Petersen (onde ele morreu) em Washington, D.C.; e a Biblioteca e Museu Presidencial Abraham Lincoln, em Springfield, Illinois, não muito longe da casa de Lincoln, bem como de sua tumba. O sociólogo Barry Schwartz argumenta que, nas décadas de 1930 e de 1940, a memória de Abraham Lincoln era praticamente sagrada e forneceu à nação "um símbolo moral inspirador e orientador da vida americana". Durante a Grande Depressão, ele argumenta, Lincoln serviu "como um meio de ver as decepções do mundo, de tornar seus sofrimentos não tão explicáveis quanto significativos". Franklin D. Roosevelt, preparando a América para a guerra, usou as palavras do presidente da Guerra Civil para esclarecer a ameaça representada pela Alemanha nazista e pelo Império do Japão. Os americanos perguntaram: "O que Lincoln faria?". No entanto, Schwartz também descobre que, desde a Segunda Guerra Mundial, o poder simbólico de Lincoln perdeu relevância e esse "herói desbotado é sintomático da confiança cada vez menor na grandeza nacional". " Ele sugeriu que o pós-modernismo e o multiculturalismo diluíram a grandeza como conceito.


