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Língua africâner

O africâner, africânder, africanse, africanês ou afrikaans é uma língua do ramo germânico do grupo indo-europeu falada na África do Sul e na Namíbia. Desenvolveu-se durante o período de colonização neerlandesa na África, o que levou ao desenvolvimento da língua, que é baseada no neerlandês.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 08/07/2026
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História

O africâner (afrikaans) surgiu na região do Cabo da Boa Esperança na África do Sul como resultado da interação entre os colonos europeus, na sua maioria de origem neerlandesa — misturados com franceses e alemães —, a população africana local e a força de trabalho asiática (geralmente malaia) trazida para a região pela Companhia Neerlandesa das Índias Orientais. A maioria dos colonos europeus que se estabeleceram no Cabo nos séculos XVII e XVIII provinha dos Países Baixos, mas muitos também eram alemães, com um número considerável ainda de franceses e uns poucos escoceses. Este grupo humano desenvolveu uma língua própria, a partir do neerlandês falado na altura em Amesterdão, que passou a chamar-se afrikaans. A Companhia Neerlandesa das Índias Orientais trouxe também para a região muitos trabalhadores malaios, indonésios e malgaxes, que aprenderam esta língua rapidamente, incorporando-lhe uma série de vocábulos dos seus idiomas originais, e contribuindo para uma simplificação estrutural do afrikaans. Essa foi também a língua de contato com as populações africanas locais, pertencentes aos povos coissãs. Uma pesquisa feita por J. A. Heese indica que até 1807, 36,8% dos ancestrais dos falantes de africâner eram de origem neerlandesa, 35% alemã, 14,6% francesa e 7,2% de origem não europeia. No Cabo formou-se uma comunidade rapidamente crescente de mestiços (kleurlinge, em neerlandês e africâner), de ascendência europeia e não europeia (africana, asiática) que esmagadoramente adotou o afrikaans como a sua língua materna — de modo que no momento atual (desde os anos 2000) mais da metade dos falantes do africâner não são brancos.

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Ortografia e vocabulário

Em termos de vocabulário, o africâner é muito próximo ao neerlandês sendo usualmente mutuamente inteligível com este, ao menos na sua variedade escrita (a inteligibilidade é geralmente menor na língua falada). Como esperado, há ainda um grau considerável de sobreposição entre o léxico básico do africâner e de outras línguas germânicas ocidentais, especialmente o alemão e, em menor escala, o inglês. Contudo, apesar de suas semelhanças e origem comum, o alemão e o inglês não são em geral mutuamente inteligíveis entre si e os falantes de cada uma dessas línguas normalmente precisam ter algum conhecimento prévio formal do vocabulário, gramática e fonética das demais para poder compreender até mesmo sentenças simples. O africâner, juntamente com o neerlandês e o inglês, diferencia-se do alemão pela ausência da segunda mutação de consoantes germânica: compare, por exemplo, afr. maak, neerl. maken, ing. make com alem. machen, ou afr./neerl. dood e Ing. dead com Alem. tot, ou Afr. oop, Neerl./Ingl. open e Alem. offen. O africâner diferencia-se ainda, não só do neerlandês como de outras línguas germânicas, por alguns fenômenos evolutivos peculiares como, por exemplo, a perda de certas consoantes em posição final ou em posição intervocálica.

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Gramática

Gramaticalmente, o africâner caracteriza-se por ser o idioma mais analítico entre as línguas indo-europeias. Comparado com o neerlandês padrão, destaca-se pela sua simplicidade morfológica: os verbos não se conjugam em número, pessoa e modo; os substantivos não têm gênero; não há distinção morfológica de casos gramaticais (exceto alguns resquícios no sistema pronominal); e os diferentes tempos verbais são indicados primordialmente por construções perifrásticas ao invés de flexões dos verbos. Quase a totalidade dos verbos africâneres são ainda regulares. Sintaticamente, porém, o africâner apresenta características semelhantes a outras línguas germânicas ocidentais e características próprias, como a dupla negação, que é peculiar ao africâner e tem origem ainda não esclarecida. Influências do francês e do cói, assim como de dialetos baixos-francônios da Flandres ocidental e de vilas isoladas no centro da província da Holanda (Garderen) foram sugeridas como possíveis origens da dupla negação africâner, mas nenhuma dessas sugestões até hoje se mostrou plenamente satisfatória.

Pronomes

O africâner distingue pronomes pessoais por número (singular ou plural), pessoa ( primeira, segunda e terceira) e, ocasionalmente, caso (pronomes usados como sujeito e pronomes usados como objeto direto/indireto). Na terceira pessoal do singular existe ainda uma distinção por gênero entre pronomes masculinos, femininos e neutros (como em inglês, neerlandês e alemão). Na segunda pessoa do singular, como em inúmeras outras línguas indo-europeias, há também uma distinção t-v entre tratamento formal e informal. Em geral, não se distinguem pronomes pessoais de objeto direto/indireto de pronomes adjetivos possessivos, exceto na terceira pessoa do singular e, ocasionalmente, na segunda e terceira pessoas do plural.

Adjetivos

Os adjetivos em africâner não são flexionados em gênero e número. Existe entretanto uma diferenciação morfológica entre adjetivos predicativos (que se seguem ao substantivo a que se referem) e atributivos (que precedem o substantivo que modificam). Como em alemão e neerlandês, os adjetivos predicativos em africâner nunca são flexionados. Aos adjetivos atributivos polissilábicos, adiciona-se normalmente o sufixo -e. Os adjetivos atributivos monossilábicos por outro lado podem ou não ser flexionados e, quando flexionados, podem sofrer outras alterações morfológicas de acordo com um conjunto complexo de regras fonológicas. A tabela abaixo ilustra a morfologia do adjetivo africâner.

Substantivos

Ao contrário do neerlandês e do alemão, o africâner não distingue substantivos por gênero. Há porém uma distinção de número (singular ou plural). Na maioria dos casos, o plural dos substantivos africanos é formado adicionando-se o sufixo -e à sua forma singular. Há entretanto uma classe grande de substantivos que formam o seu plural alternativamente com a adição do sufixo -s como em inglês. Vários substantivos apresentam também plurais irregulares ou, quando flexionados em número, sofrem as mesmas alterações morfológicas que se verificam na flexão dos adjetivos. A tabela abaixo ilustra algumas classes comuns de plurais de substantivos africâneres.

Artigos

O africâner possui um único artigo definido, die, que não é flexionado em gênero, número ou caso (cf. Ing. the, Port. o, a, os, as). Analogamente, há também um único artigo indefinido invariável, 'n (cf. Neerl. een, Port. um, uma, uns, umas).

Verbos

Diferente de várias outras línguas indo-europeias, os verbos em africâner não são conjugados em número, pessoa ou modo. Quase a totalidade dos verbos africâneres são regulares e apresentam apenas duas formas: uma forma não flexionada usada como infinitivo e empregada também para indicar tempo presente, e um particípio passado distinto do particípio germânico usual e obtido acrescentando-se o prefixo ge- ao infinitivo , e.g. infinitivo/presente maak, particípio gemaak. Verbos com prefixos não separáveis (e.g. verkoop, ontmoet) têm a mesma forma tanto para o infinitivo quanto para o particípio passado. Em verbos com prefixos separáveis (e.g. reghelp), o particípio é formado inserindo-se ge- entre o prefixo separável e a raiz principal do verb (e.g. reggehelp).

Sintaxe

A ordem das palavras na oração africâner segue regras semelhantes às encontradas no neerlandês padrão e outras línguas próximas como o alemão, i.e. os verbos normalmente aparecem na segunda posição em orações principais, orações coordenadas ou períodos simples, e em posição final em orações subordinadas. Em construções perifrásticas (por exemplo, perfeito, futuro, voz passiva, etc…) o infinitivo ou o particípio passado do verbo principal aparecem em posição final nas orações principais ou períodos simples, enquanto os verbos auxiliares aparecem na segunda posição. Em orações subordinadas, a construção perifrástica aparece sempre na posição final havendo certa liberdade (como em neerlandês) na colocação relativa entre o verbo auxiliar e o infinitivo/particípio. Por exemplo:

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Sociolinguística

O africâner é a primeira língua de aproximadamente 60% dos brancos da África do Sul e cerca de 90% da chamada população mestiça (ou coloured) daquele país. Uma grande população composta por negros, indianos e anglo-sul-africanos também o falam como segunda língua. Dentro da República da África do Sul, os falantes nativos do africâner são a maioria da população nas províncias do Cabo Ocidental e do Cabo Setentrional, na porção ocidental do país. Importantes minorias de falantes de africâner são encontradas também nas províncias do Estado Livre e de Gautengue, sobretudo nas regiões metropolitanas de Blumefontaina e Pretória. O africâner é ainda amplamente falado na Namíbia, onde, desde a independência em 1990, tem reconhecimento constitucional como língua nacional, mas não oficial. Antes da independência, o africâner e o alemão tinham status igual como línguas oficiais da Namíbia. Há um número muito menor de falantes do africâner entre a minoria branca do Zimbábue, mas a maioria deixou o país em 1980. Um número aproximado de 20 000 falantes também se localiza no sul de Botsuana, formado por agricultores que emigraram da África do Sul, ou mais recentemente, por pessoas que saíram da África do Sul para atividades de serviços no país vizinho.

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Frases em africâner

A transcrição fonética está em AFI. É requerida uma fonte que suporte símbolos AFI em Unicode como Arial Unicode MS; caso contrário você verá as letras incorretamente. O africâner é uma língua muito centralizada, significando que a maioria das vogais são pronunciadas centralizadas (i.e., como xuá). Há muitos diferentes dialetos e diferentes pronúncias - mas a transcrição deve estar próxima de um padrão.

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Fontes consultadas

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