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Assalto ao Banco Central do Brasil em Fortaleza

Em agosto de 2005, o Banco Central do Brasil em Fortaleza, Ceará, foi palco do maior assalto a banco da história do país. Ladrões invadiram o local durante o fim de semana de 6 e 7 de agosto, através de um elaborado túnel construído ao longo de três meses, e o crime só foi descoberto na manhã de segunda-feira, dia 8. A audácia e a complexidade da operação surpreenderam as autoridades.

Fonte: Wikipédia (pt)Texto didático por IAAtualizado em 02/07/2026

Pontos-chave

  • O assalto ocorreu no fim de semana de 6 e 7 de agosto de 2005, sendo descoberto na manhã de 8 de agosto.
  • Foi o maior assalto a banco na história do Brasil, com um túnel de 80 metros escavado em três meses.
  • A quadrilha utilizou uma empresa de fachada para disfarçar a escavação do túnel, que contava com engenharia avançada.
  • Apenas notas danificadas, destinadas à incineração, foram levadas, totalizando três toneladas e meia.
  • Apenas R$ 20 milhões do total roubado foram recuperados, deixados intencionalmente por um assaltante para ganhar tempo.
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Detalhes da Invasão e Fuga

O furto ocorreu durante um fim de semana, com o banco fechado. A quadrilha alugou uma casa em maio, criando uma empresa de fachada para comercializar grama sintética. Vestindo uniformes, os criminosos escavaram um túnel de 80 metros de comprimento, 70 cm de largura e 4 metros de profundidade. Este túnel, revestido com lona e escorado com vigas de madeira, possuía sistemas de ar-condicionado e iluminação, atravessando o solo arenoso de Fortaleza e terminando em um poço que perfurava o piso de concreto de 1 metro de espessura do banco. Os assaltantes demonstraram conhecimentos em engenharia, elétrica e hidrogeologia, sugerindo possível auxílio interno. Uma rota de fuga flexível foi planejada para dificultar as investigações. Até hoje, apenas R$ 20 milhões foram recuperados, supostamente deixados por um assaltante conhecido como Roque para ganhar tempo, cuja identidade e paradeiro permanecem desconhecidos.

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Planejamento Sofisticado do Crime

Três meses antes do assalto, a quadrilha alugou a casa nº 1071 na Rua 25 de Março, a um quarteirão do Banco Central, após obter informações detalhadas sobre o funcionamento do banco e suas plantas subterrâneas. A casa foi transformada em uma empresa de fachada de grama natural e sintética, o que permitiu que a movimentação dos criminosos passasse despercebida pelos vizinhos, que estimavam o grupo entre 6 e 10 pessoas e viam carros carregados de terra, considerando-o normal para o negócio. O túnel, uma verdadeira obra de engenharia, tinha 4 metros de profundidade, cerca de 80 metros de extensão e 70 cm de diâmetro, atravessando a movimentada Avenida Dom Manuel. Sua estrutura era revestida com vigas de madeira, lona e plástico para evitar desabamentos, e contava com energia elétrica para iluminação, ventilação e ar condicionado. No túnel, foram encontradas garrafas de isotônicos e pomadas para assaduras, evidenciando o esforço físico. Estima-se que 30 toneladas de terra foram removidas, o equivalente a seis caminhões, e a Polícia Federal avaliou a obra em R$ 500.000,00.

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Execução e Saque do Cofre

Após a complexa escavação, os criminosos enfrentaram o desafio de perfurar a blindagem do cofre, um piso de 1,10 metro de concreto reforçado com aço. Para isso, utilizaram ferramentas como maquitas, máquinas com discos de diamante adaptadas para reduzir o ruído e britadeiras. Nenhum alarme foi disparado e as câmeras de segurança não registraram o evento, pois apenas filmavam e uma delas já estava bloqueada por uma empilhadeira. O peso aproximado das notas, todas de 50 Reais, era de três toneladas e meia, volume suficiente para encher seis caixas e meia de água de 1m³ cada. Somente cédulas danificadas, destinadas à incineração, foram levadas. Segundo o Banco Central, essas notas haviam sido recolhidas para análise de conservação, e parte retornaria ao sistema financeiro, enquanto outra seria incinerada. O dinheiro foi transportado pelo túnel em bacias puxadas por cordas, utilizando um sistema de roldanas.

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A Fuga e a Dispersão do Dinheiro

O furto levou aproximadamente sete horas para ser concluído, ocorrendo entre 18h do dia 5 e 12h do dia 6 de agosto. No entanto, só foi constatado às 08:20 da segunda-feira, dia 8 de agosto, concedendo aos criminosos 44 horas para fugir. Na saída da casa, uma grande quantidade de cal foi espalhada para apagar impressões digitais. O dinheiro foi inicialmente transportado em vans, que foram rapidamente abandonadas. Em seguida, os criminosos dividiram a fortuna e viajaram para diversas regiões do país. Um grupo seguiu para Boa Viagem, Ceará; outro para São Paulo, e os demais para Goiás, Piauí e Pará, entre outros destinos. A fortuna foi transportada de várias maneiras, incluindo um voo comercial para São Paulo, onde o dinheiro foi escondido em sacos de cereal no bagageiro e em forros falsos de malas.

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Investigação e Primeiras Prisões

As investigações da Polícia Federal tiveram início imediatamente após a descoberta do furto em 8 de agosto de 2005. A linha de investigação correta começou com a identificação de José Marleudo através de impressões digitais encontradas na casa pela Papiloscopia da Polícia Federal, o que auxiliou na identificação de outros envolvidos. No dia seguinte, 9 de agosto, os criminosos cometeram um erro crucial: compraram dez carros de uma só vez, à vista, com o dinheiro roubado. O comprador, José Charles Morais, dono de uma transportadora, foi preso em Minas Gerais transportando 11 veículos em um caminhão-cegonha. Em três desses carros, a polícia encontrou R$ 6.000.000,00 do dinheiro roubado do Banco Central. Ele forneceu pistas sobre os demais ladrões, incluindo o número de um celular que correspondia a um cartão deixado no túnel.

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Adaptação Cinematográfica

O filme 'Assalto ao Banco Central' estreou em 22 de julho de 2011 em todo o Brasil. Dirigido por Marcos Paulo, o elenco contou com nomes como Milhem Cortaz, Eriberto Leão, Hermila Guedes, Lima Duarte, Giulia Gam e Tonico Pereira. Distribuído pela 20th Century Fox, a obra é uma adaptação livre inspirada no furto ao Banco Central de Fortaleza, sem relação fática com as circunstâncias e personagens reais do crime.

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Adaptação Literária

Em 2011, o escritor Roger Franchini lançou o livro 'Toupeira - A História do Assalto ao Banco Central', publicado pela Editora Planeta. A obra narra o crime de forma ficcional e explora como o dinheiro subtraído pode ter sido uma das causas dos ataques cometidos pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) em São Paulo, em maio de 2006.

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