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Oscar Niemeyer

Oscar Ribeiro de Almeida Niemeyer Soares Filho OMC • GColSE foi um arquiteto brasileiro, considerado uma das figuras-chave no desenvolvimento da arquitetura moderna. Niemeyer foi mais conhecido pelos projetos de edifícios cívicos para Brasília, uma cidade planejada que se tornou a capital do Brasil em 1960, bem como por sua colaboração no grupo de arquitetos indicados pelos Estados-membros da ONU que projetaram a sede das Nações Unidas em Nova Iorque, nos Estados Unidos. Sua exploração das possibilidades construtivas do concreto armado foi altamente influente na época, tal como na arquitetura do final do século XX e início do século XXI. Elogiado e criticado por ser um "escultor de monumentos", Niemeyer foi um grande artista e um dos maiores arquitetos de sua geração por seus partidários. Ele alegou que sua arquitetura foi fortemente influenciada por Le Corbusier, mas, em entrevista, assegurou que isso "não impediu que [sua] arquitetura seguisse em uma direção diferente".

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 13/07/2026
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Infância e juventude

Filho de Oscar de Niemeyer Soares e Delfina Ribeiro de Almeida, Oscar Niemeyer nasceu no bairro de Laranjeiras, na rua Passos Manuel, que receberia no futuro o nome de seu avô Antônio Augusto Ribeiro de Almeida, ministro do Supremo Tribunal Federal. Niemeyer foi profundamente marcado pela lisura na vida pública do avô, que como herança os deixou apenas a casa em que morava e cuja regalia era uma missa em casa aos domingos, apesar de ateu desde jovem. Possuía ascendência portuguesa, árabe e alemã. Sua avó Francisca Amélia de Niemeyer pertencia a uma família de origem alemã que desde meados do século XVIII prestou serviços ao rei de Portugal e depois ao Império Brasileiro. Era irmã do empresário Conrado Jacó de Niemeyer, que batizou a Avenida Niemeyer e o bairro de São Conrado; sobrinha do marechal, engenheiro militar, governador do Amazonas e ministro do Superior Tribunal Militar Conrado Jacó de Niemeyer, e neta do tenente-general e engenheiro militar Conrado Jacó de Niemeyer.

Formação e influências

Niemeyer vivenciou a reforma proposta pelo recém nomeado diretor do curso de arquitetura, Lucio Costa. Em sua rápida passagem pela diretoria da ENBA entre 1930 e 1931, Lucio Costa remodelou o curso de arquitetura com base nos princípios modernos vigentes na Europa. Esse novo modelo repercutiu nos estudantes, cuja turma rendeu alguns dos grandes nomes do modernismo brasileiro. Durante o terceiro ano de curso, ao invés de estagiar numa firma construtora como era comum, Niemeyer decide trabalhar de graça no escritório de Lúcio Costa, Gregori Warchavchik e Carlos Leão, mesmo passando por dificuldades financeiras (sua filha Anna Maria viria a nascer em 1930). Niemeyer se forma Engenheiro Arquiteto em 1934.

Vida pessoal

Niemeyer casou-se com Annita Baldo em 1928. Deste casamento ele teve sua única filha, Anna Maria Niemeyer, em 1930, que deu ao arquiteto cinco netos, treze bisnetos e quatro trinetos, e que morreu no dia 6 de junho de 2012, aos 82 anos. Viúvo desde 2005, casou em novembro de 2006 com sua secretária, Vera Lúcia Cabreira, de 60 anos.

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Carreira

Primeiros trabalhos

Em 1936, aos 29, Lúcio Costa foi nomeado pelo então ministro da educação Gustavo Capanema para projetar a nova sede do Ministério da Educação e Saúde, no Rio de Janeiro, cujo concurso público ganho por Archimedes Memoria havia sido cancelado. Embora Costa estivesse convicto da modernidade arquitetônica necessária, ainda lhe faltava uma hábil utilização dessa linguagem, e portanto ele reuniu um grupo de jovens arquitetos (Carlos Leão, Affonso Eduardo Reidy, Jorge Moreira e Ernani Vasconcellos) para projetar o edifício. Este projeto estava inserido no contexto político do Estado Novo, quando Getúlio Vargas, presidente do Brasil, usava a arquitetura e o urbanismo como ferramentas para ilustrar os novos rumos da nação em uma fase intermediária, que buscava se transformar de potência agrícola exportadora de café em um país industrializado.

Anos 1940 e 1950

Com o sucesso da Pampulha e da exposição Brazil Builds, Niemeyer alcança fama internacional. Sua arquitetura do período desenvolveu o estilo brasileiro (Brazilian style), a Igreja da Pampulha e em menor parte (devido à sua linguagem primariamente corbusiana) o prédio do Ministério, iniciaram. Seus projetos deste período mostram preocupações claramente modernista, tal como no método projetual em que forma segue a função. Niemeyer, porém, departe do purismo estrito e manipula escala e proporção mais livremente, o que permitiu-lhe resolver programas e problemas complexos com plantas simples e inteligentes. Stamo Papadaki, em sua monografia sobre Niemeyer, também destaca a liberdade espacial característica de sua arquitetura simples e transparente. A sede do Banco Boavista, inaugurado em 1948, mostra uma tal abordagem. Ao lidar com um terreno urbano típico, Niemeyer adotado soluções criativas para humanizar o que alternativamente seria mais um bloco monolítico em altura, desafiando assim a solidez predominante que era a norma para edifícios bancários. A fachada sul envidraçada (com pouca insolação) reflete a Igreja da Candelária, demonstrando a sensibilidade de Niemeyer com entorno.

Brasília

“…quem for a Brasília, pode gostar ou não dos palácios, mas não pode dizer que viu antes coisa parecida. E arquitetura é isso — invenção. ” Em 1957, Niemeyer abre um concurso público para o Plano Piloto de Brasília, a nova capital. O projeto vencedor é o apresentado por Lúcio Costa, seu amigo e ex-patrão. Niemeyer, arquiteto escolhido por Juscelino, seria responsável pela concepção dos edifícios, enquanto Lúcio Costa desenvolveria o plano da cidade. A construção de Brasília foi desafiadora. A cidade foi erigida na velocidade de um mandato, e Niemeyer teve de planejar uma série de edifícios em poucos meses para configurá-la. Entre os de maior destaque estão a residência do Presidente (Palácio da Alvorada), o Palácio do Congresso Nacional (Câmara dos Deputados e Senado Federal), a Catedral de Brasília, os prédios dos ministérios, a sede do governo (Palácio do Planalto) além de prédios residenciais e comerciais.

Exílio e projetos no exterior

Em 1964 viaja para Israel a trabalho e volta para um Brasil completamente diferente. Em março o presidente João Goulart (Jango), que assumira após o presidente eleito Jânio Quadros renunciar, havia sido deposto por um golpe dos militares, que assumem o controle do país e instauram um regime de ditadura que duraria 21 anos. O comunismo de Niemeyer lhe custou caro. No período da ditadura militar do Brasil, a revista Módulo, que dirigia, tem a sede parcialmente destruída, o escritório de Niemeyer é saqueado, seus projetos passam a ser recusados e a clientela desaparece. Em 1965, 223 professores, entre eles Niemeyer, se demitem da Universidade de Brasília, em protesto contra a política universitária e retaliações do Governo Militar. No mesmo ano viaja para França, para uma exposição sobre sua obra no Museu do Louvre.

1990–2012

Dada a preferência pelo concreto armado e o desenvolvimento das inúmeras possibilidades fornecidas pelo mesmo, as obras de Niemeyer contaram com a fundamental parceria dos engenheiros Joaquim Cardozo (1897–1978) e José Carlos Sussekind (1947), sendo o primeiro responsável pelo cálculo da maioria das obras da construção de Brasília e o segundo pelas obras da década de 1970 até a atualidade. Niemeyer retorna ao Brasil no começo dos anos 1980, no início da abertura política, quando da anistia dos exilados no governo João Figueiredo. Na ocasião o antropólogo Darcy Ribeiro, amigo de Niemeyer, era vice de Leonel Brizola, ex-exilado e governador do Rio de Janeiro eleito em 1982. Para consolidar os projetos educacionais e culturais de Darcy Ribeiro, Niemeyer projeta os CIEPs e o Sambódromo do Rio de Janeiro, que possui salas de aula sob as arquibancadas.

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Últimos anos de vida e morte

Até 23 de setembro de 2009, quando foi internado, passando em seguida por duas cirurgias, para retirada da vesícula e de um tumor do cólon, o arquiteto costumava ir todos os dias ao seu escritório em Copacabana, onde trabalhava no projeto Caminho Niemeyer, em Niterói, um conjunto de nove prédios de sua autoria. Até outubro de 2009, Niemeyer permaneceu internado no mesmo hospital, no Rio de Janeiro. Em 25 de abril de 2010, foi novamente internado, apresentando um quadro de infecção urinária. O arquiteto deveria participar do lançamento da edição especial da revista "Nosso Caminho", no dia 27 de abril, em homenagem aos 50 anos de Brasília. A festa foi cancelada.@media(max-width:768px){.mw-parser-output .mobile-stack{width:100%!important;float:none!important;margin:10px auto!important;text-align:center!important;box-sizing:border-box!important}.mw-parser-output .mobile-stack .image-container{float:none!important;display:inline-block;padding-bottom:10px}.mw-parser-output .mobile-stack .text-container{margin-left:0!important}}

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Posições políticas e religiosas

A luta política é uma das questões que sempre marcaram a vida e obra de Oscar Niemeyer, que sempre se declarou um comunista convicto. Em 1945, muitos militantes comunistas que foram presos sob a ditadura de Vargas foram libertados, e Niemeyer, que na época mantinha um escritório na Rua Conde Lages (na Glória), decidiu oferecer abrigo a alguns deles. A experiência permitiu que conhecesse Luís Carlos Prestes, uma das figuras mais importante da esquerda no Brasil. Depois de algumas semanas, Niemeyer decidiu ceder a casa para Prestes e seus partidários. Niemeyer ingressou no Partido Comunista do Brasil (PCB) em 1945 e chegou a ser presidente do refundado Partido Comunista Brasileiro em 1992. Niemeyer era um menino na época da Revolução Russa de 1917, e pela Segunda Guerra Mundial, tornou-se um jovem idealista. Durante a ditadura militar do Brasil seu escritório foi invadido e ele optou por se exilar na Europa. O ministro da Aeronáutica da época teria dito que “lugar de arquiteto comunista é Moscou”. Em 1963 foi agraciado com o Prêmio Lênin da Paz. Visitou a União Soviética, teve encontros com diversos líderes socialistas e foi amigo de alguns deles. Em 2007 presenteou Fidel Castro com uma escultura de caráter antiamericano: uma figura monstruosa ameaçando um homem que se defende empunhando uma bandeira de Cuba. Niemeyer também era um amigo próximo de Fidel Castro, que muitas vezes visitou seu escritório. Castro uma vez disse: "Niemeyer e eu somos os últimos comunistas deste planeta".

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Críticas

A partir de Pampulha, especificamente seu trabalho na Igreja São Francisco de Assis, Niemeyer sofreu críticas internacionais sobre o caráter individualista de sua obra. De acordo com os preceitos modernistas da época, a arquitetura deveria ser uma arte em si só, desempenhando seu papel social inerente. Especialmente na sociedade em que se desenvolvia, seria necessário primar função e economia nas construções, visto que no período pós-guerra o problema de habitação social se tornou bastante discutido. Embora seus primeiros trabalhos claramente se desenvolvessem em função de solucionar o programa em questão, seus projetos após Brasília se desenvolveram de maneira cada vez mais escultórica, de modo que nos anos 2000 sua arquitetura apresenta sérios problemas funcionais. Nicolai Ouroussoff criticou o arquiteto por seu projeto para o Museu Nacional Honestino Guimarães. A estrutura pesada não apenas contrasta com a delicadeza característica de sua obra anterior como também falha em produzir um espaço agradável para expor arte. Frederico de Holanda sugere que os últimos trabalhos de Niemeyer, cada vez mais opacos e indiferentes ao entorno, também não cumprem a função de definir um espaço urbano, dada a escala e as formas escultóricas que não definem limites reais ou virtuais.

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Outras artes

Design

Niemeyer também produziu mobílias na década de 1970, levando à madeira prensada as curvas que já aplicava ao concreto. Projetou, junto com sua filha Anna Maria, o mobiliário do Palácio da Alvorada, o da Sede do Partido Comunista Francês e alguns outros móveis comercializados na mesma década. Os móveis de Niemeyer foram expostos em diversos museus brasileiros e salões e feiras internacionais.

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Legado

Ele tem sido exaltado pelos seus admiradores como grande artista e um dos mais importantes arquitetos de sua geração. Em 2007 foi eleito o nono gênio mundial vivo em uma lista compilada pela empresa Syntetics (Lista dos 100 maiores gênios vivos). "Depois que Galileu provou que E puor si muove, Oscar nos ensinou que a beleza é leve (como no verso de Gullar) e se move diante do olhar. Cada obra é uma escultura tridimensional, visível de ângulos distintos, de fora, e embebida de rotação de vida, de dentro. A arquitetura é o lugar para deixar a nuvem entrar, em meio aos pilotis [...] A beleza dos traços do arquiteto era leve porque não eram os traços do homem, mas das curvas sinuosas de pedras, ondas do mar, pássaros e lagartos. Ele se apropriou, como homem, do que não era humano exatamente para nos tornar mais humanos." "Para os arquitetos criados pelo movimento moderno, Oscar Niemeyer posiciona-se no mais alto grau de sabedoria. Invertendo o ditado familiar de que 'forma segue a função', Niemeyer demonstrou que 'quando a forma cria beleza, ela se transforma em funcional, e, portanto, fundamental na arquitetura'.

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Fontes consultadas

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