Basidiomycota
Basidiomycota é uma das duas grandes divisões do subreino Dikarya, dentro do reino Fungi. Abrange os basidiomicetos, um vasto grupo de fungos filamentosos com micélios septados e perfurados. Sua reprodução sexual ocorre através da formação de basídios, estruturas em forma de bastão que geralmente produzem quatro basidiósporos externos. Embora alguns Basidiomycota tenham reprodução assexuada obrigatória, são reconhecidos por semelhanças morfológicas, características anatômicas, componentes da parede celular e, principalmente, por análises moleculares de DNA que confirmam sua relação filogenética.
Pontos-chave
- Basidiomycota é uma das principais divisões do reino Fungi, com micélios septados e perfurados.
- A reprodução sexual envolve o basídio, uma estrutura que produz basidiósporos.
- São importantes decompositores na biosfera, reciclando nutrientes essenciais.
- Podem ser saprófitos, parasitas ou estabelecer simbioses mutualísticas como liquens e micorrizas.
- A classificação atual é filogenética, dividindo-os em três subfilos principais: Pucciniomycotina, Ustilaginomycotina e Agaricomycotina.
Explore a morfologia, ecologia, reprodução e os complexos ciclos de vida que definem os fungos Basidiomycota, revelando sua diversidade e importância biológica.
Morfologia: Micélios e Doliporos
Os Basidiomycota ocorrem principalmente como formas miceliais (filamentosas), embora algumas sejam leveduriformes. Seus micélios são septados, mas os septos são perfurados. Uma característica exclusiva deste filo é o doliporo, um poro septal com margem inflada em forma de barril, flanqueado por camadas membranosas chamadas parentessomos. Durante o ciclo de vida, o micélio passa por fases monocariótica (uninucleada) e dicariótica (binucleada), sendo esta última formada pela fusão de hifas monocarióticas compatíveis (plasmogamia), sem cariogamia imediata.
Ecologia: Decompositores e Simbiontes
Juntamente com bactérias heterotróficas, os Basidiomycota são os principais decompositores da biosfera, essenciais para a reciclagem de carbono, nitrogênio e outros nutrientes. A maioria é saprófita, vivendo de matéria orgânica em decomposição. No entanto, muitos são parasitas de plantas e animais, incluindo humanos, causando doenças e destruindo alimentos. Alguns formam simbioses mutualísticas cruciais, como liquens e micorrizas, que permitiram a colonização de ambientes terrestres por organismos fotossintetizantes.
Reprodução: Sexuada e Assexuada
A reprodução dos Basidiomycota pode ser assexuada, por fragmentação do talo, brotamento (em unicelulares) ou produção de esporos assexuais. A reprodução sexuada começa com a fusão de células haploides compatíveis, formando células dicarióticas. Esse micélio dicariótico origina os basídios, onde ocorre a cariogamia (união dos núcleos) e a formação dos esporos. Um gancho, a ansa ou fíbula, é uma característica distintiva na formação de novas células do micélio secundário e dos basídios, diferenciando-se do crozier dos Ascomycota.
Ciclo de Vida: Dicaria e Monocaria
Ao contrário de plantas e animais, os Basidiomycota (exceto Pucciniales) apresentam organismos haploides mutuamente indistinguíveis. No processo reprodutivo, micélios haploides (monocarióticos) fundem-se (plasmogamia), e os núcleos compatíveis migram e se emparelham, formando hifas dicarióticas (dicarions). A cariogamia é retardada, mantendo os núcleos em pares. Micélios haploides são chamados monocarions, enquanto os dicarióticos são dicarions.
Ciclos de Vida Diferenciados
Embora o ciclo de vida dicariótico seja típico, existem variações. Espécies homotálicas são autocompatíveis, formando dicarions espontaneamente, ao contrário das heterotálicas que requerem dois talos. Algumas são secundariamente homotálicas, com dois núcleos compatíveis migrando para cada basidiósporo após a meiose, dispersando-se como dicarions preexistentes. O número de esporos por basídio também varia, podendo ser dois, quatro, seis ou oito, dependendo da espécie e de eventos como degeneração nuclear ou divisões mitóticas pós-meiose.
Exemplos de Expressão da Meiose
A espécie Coprinopsis cinerea, um cogumelo basidiomiceta, é um modelo ideal para estudos da meiose devido à sua progressão sincronizada em milhões de células do chapéu e à prófase meiótica prolongada. Um estudo de 2010 revelou que o padrão de expressão gênica meiótica de C. cinerea é similar ao de leveduras como Saccharomyces cerevisiae e Schizosaccharomyces pombe. Essa semelhança sugere que o programa central de expressão da meiose foi conservado nesses fungos por mais de 500 milhões de anos de evolução, desde a divergência das espécies.
Conheça a evolução da classificação dos Basidiomycota, desde as antigas divisões morfológicas até o moderno sistema filogenético, e explore a diversidade de seus principais subfilos.
Subfilo Pucciniomycotina
Este subfilo inclui a maioria dos fungos causadores de ferrugens vegetais (cerca de 90% das espécies), o gênero Septobasidium (parasita ou simbionte de insetos), e os Microbotryomycetes (que incluem leveduras-espelho). As oito classes são Agaricostilbomycetes, Atractiellomycetes, Classiculomycetes, Cryptomycocolacomycetes, Cystobasidiomycetes, Microbotryomycetes, Mixiomycetes e Pucciniomycetes. Diferente dos Agaricomycotina, poucos Pucciniomycotina formam basidiomas, mas todos formam hifas dicarióticas e basídios septados, com esporos frequentemente em soros.
Subfilo Ustilaginomycotina
Ustilaginomycotina engloba a maioria dos fungos causadores das fitopatologias conhecidas como carvões e os Exobasidiales. Suas classes são Exobasidiomycetes, Entorrhizomycetes e Ustilaginomycetes. São predominantemente parasitas de angiospermas, conhecidos como 'carvões' ou 'morrões' devido à aparência fuliginosa das massas de teliósporos pretos. Aproximadamente 1.070 espécies foram descritas, com grande importância econômica por atacarem culturas como milho (Ustilago maydis), aveia (Ustilago avenae) e trigo (Tilletia tritici).
Subfilo Agaricomycotina
Este subfilo abrange os antigos Hymenomycetes e Gasteromycetes, além da maioria dos fungos gelatinosos. Inclui os cogumelos 'clássicos', poliporos, corais, cantarelos, fungos crustosos, bufas-de-lobo e a família Phallaceae. As três classes são Agaricomycetes, Dacrymycetes e Tremellomycetes. A classe Wallemiomycetes, ainda sem subdivisão definida, é considerada um grupo irmão de Agaricomycotina por evidências genômicas recentes.
Gêneros em Incertae Sedis
Vários gêneros dentro de Basidiomycota são pouco conhecidos, ainda não foram submetidos a análises de DNA ou, quando analisados filogeneticamente, não se agrupam com famílias já identificadas. Consequentemente, esses gêneros não foram atribuídos a uma família específica e são classificados como 'incertae sedis' (posição incerta) em relação à sua colocação familiar.
Relação com Outros Grupos de Fungos
Além de Basidiomycota e seu grupo irmão Ascomycota, o reino Fungi inclui uma vasta diversidade de organismos eucariotas. Acredita-se que os fungos tenham evoluído de protistas relacionados ao gênero Nuclearia, sendo filogeneticamente mais próximos dos animais do que das plantas, ambos pertencendo ao grupo monofilético dos opistocontes. A taxonomia fúngica está em constante revisão, impulsionada por análises de DNA que frequentemente substituem classificações baseadas em morfologia e conceitos biológicos de espécie.
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