Adriana Calcanhotto
Adriana da Cunha Calcanhotto é uma cantora, compositora, musicista e professora brasileira, além de atuar como professora tornou-se embaixadora da Universidade de Coimbra, em Portugal.
Em 2023, Calcanhotto lança o álbum Errante. O disco foi escolhido pela Associação Paulista de Críticos de Arte como um dos 50 melhores álbuns nacionais de 2023. No ano de 2025 Adriana Calcanhotto participou do álbum de Badi Assad. A 'Parte de tudo isso' trabalho lançado no primeiro semestre com single 'Você, cadê?' música de abertura.
Infância e família
É filha de Carlos Calcanhoto, baterista de jazz e bossa nova, e de Morgada Assumpção Cunha, bailarina e professora de Educação Física. Aos seis anos ganha da avó o primeiro instrumento: um violão. Aprendeu a tocar o instrumento e também, mais tarde, a cantar. Logo emergiu nas influências musicais (MPB) e literárias (Modernismo Brasileiro). Ficou fascinada pelo Movimento antropofágico de Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral e outros nomes daquele movimento cultural. A vida artística iniciou-se em bares de Porto Alegre, como o Fazendo Artes, situado próximo à 1ª Companhia de Guardas do Exército, próximo ao Parque Farroupilha, e o Porto de Elis, na avenida Protásio Alves. Também trabalhou em peças teatrais e depois se lançou em concertos e festivais por todo o país no estilo voz e violão.
De 1988 a 1997: As primeiras gravações
A carreira de Calcanhotto gravando música se inicia em 1988, ao gravar a versão brasileira de "Perfect Isn't Easy" ("Perfeição Existe"), da trilha sonora do filme da Disney Oliver e Sua Turma, lançado em novembro de 1988. Neste mês, ela grava duas faixas para o álbum independente com artistas gaúchos Geração Pop, lançado em 1989. As faixas eram: "Suspeito" (releitura de Arrigo Barnabé) e "Viu?", primeira composição própria lançada comercialmente. Em 1989, ela aparece no álbum A Trilha Sonora África Brasil, com composições do cineasta André Luiz Oliveira, cantando "Navio Negreiro IV", sobre poema de Castro Alves. Em seguida, Calcanhotto é contratada pela gravadora CBS, por quem lança Enguiço, lançado em 1990. O álbum trouxe canções de autoria (a faixa título e "Mortaes") e regravações de clássicos da MPB ("Sonífera Ilha", do grupo Titãs, "Caminhoneiro" de Roberto e Erasmo Carlos, Disseram que Voltei Americanizada, gravada por Carmem Miranda, e "Nunca", do conterrâneo Lupicínio Rodrigues). "Naquela Estação", por sua vez, integrou a trilha sonora da telenovela global Rainha da Sucata (1990), de Sílvio de Abreu. Tal música lançou a carreira da cantora e tornou-a conhecida. No ano seguinte, recebeu o Prêmio Sharp de revelação feminina.
De 1998 a 2003: Ápice do sucesso
Prosseguiu com o álbum Maritmo, que simulou uma incursão pela dance music (Pista de dança, Parangolé Pamplona), samplers (Vamos comer Caetano), e a regravação de Quem vem para beira do mar, de Dorival Caymmi, além dos hits radiofônicos Vambora, de sua autoria, e a regravação Mais Feliz, de Cazuza. Uma das participações foi uma performance na livraria Argumento, no Rio de Janeiro, musicando poemas do poeta português Mário de Sá Carneiro em 1996. Um deles, O Outro acabou por entrar no CD Público (2000), que trazia regravações dos antigos sucessos entre outras canções consagradas e também rendeu um DVD, lançado no ano seguinte pela gravadora BMG.
De 2004 a 2010: Adriana Partimpim e Livro
Em 2004, Adriana lançou o álbum Adriana Partimpim, uma seleção de canções para crianças, com o qual ganhou o prêmio Grammy Latino de melhor álbum infantil. No CD, a cantora usou um pseudônimo, utilizado também para o título do disco, feito para crianças, ou como Adriana prefere chamar, “disco de classificação livre”. O título do CD é um apelido de infância e, segundo Adriana, seu pai continua a chamá-la dessa maneira. Esse é o sétimo álbum da carreira e um projeto audacioso iniciado em 1999. Por este trabalho Adriana recebeu os prêmios “Faz Diferença” do jornal O Globo, e na categoria “Melhor Disco Infantil”, o Prêmio TIM e recebeu um disco de ouro, por ter vendido mais de 100 000 cópias no Brasil.
De 2011 a 2017: Turnês de Sucesso
Em março de 2011, após Adriana lança o álbum O Micróbio do Samba, dedicado ao samba, o álbum é composto por canções escritas pela própria Adriana, duas canções já haviam sido gravadas por outras cantoras, "Beijo sem" por Teresa Cristina e "Vai saber?" por Marisa Monte. No mesmo período, Adriana esteve empenhada numa turnê musical intitulada "Trobar Nova". Após uma promoção com shows em algumas casas, é lançado o DVD/CD "Micróbio Vivo", em parceria com o canal de televisão Multishow. Em outubro de 2012 foi lançado o álbum Partimpim Tlês, novamente voltado às crianças. O álbum tem músicas de Chico Buarque, Gilberto Gil, Ben Jor, Caymmi e Gonzaguinha. Foi confirmado em março de 2013 que Adriana retornaria aos palcos com um show chamada Olhos de Onda, em abril de 2013, em algumas cidades de Portugal. O show virou turnê e mais tarde, em 2014, álbum ao vivo de mesmo nome.
De 2018 a 2019: A Mulher do Pau-Brasil e Margem
De abril de 2018 a fevereiro de 2019, a cantora esteve empenhada na turnê musical internacional A Mulher do Pau-Brasil, que a levou aos principais palcos do Brasil e de Portugal, onde a gaúcha havia trabalhado como professora convidada previamente pelo curso de Letras da Universidade de Coimbra. O show foi idealizado como “concerto-tese”, ou seja, uma conclusão da residência artística de Adriana Calcanhotto na Universidade, onde esteve nos últimos dois anos entre cursos e apresentações. A imensa repercussão do show gerou uma turnê que começou pela Europa e chegou a diversas cidades brasileiras a partir de agosto. Acompanhada por Bem Gil e Bruno Di Lullo, Adriana elaborou um roteiro com músicas compostas no período lusitano, releituras (a recente “As Caravanas”, de Chico Buarque, por exemplo) e também reencontra clássicos de seu repertório, como “Inverno”, “Vambora” e “Esquadros”.
Em 1989, iniciou um relacionamento com Suzana de Moraes, atriz, cineasta e produtora cultural, filha do poeta e compositor Vinícius de Moraes, tendo permanecido com ela por mais de 25 anos. Nos anos 2000, o casal declarou a união civil na Justiça (já que na época o casamento homossexual não era permitido, e só veio a ser regulamentado pelo STF em 2011) e depois comemorou a decisão com cerimônia e uma festa íntima apenas para amigos e familiares, oficializando a união em 2010, levando a uma grande noticiação de sua relação por diversos meios de comunicação, tanto brasileiros como portugueses. Porém, em 2015, Moraes morre, vítima de complicações no tratamento de um câncer de útero. Quando sua companheira por 26 anos faleceu, Calcanhotto declarou: "foi-se o amor da minha vida". Embaixadora da Universidade de Coimbra, em Portugal, desde 2015, a brasileira foi professora da Faculdade de Letras dessa mesma universidade nos dois últimos anos, tendo ministrado o curso "Como Escrever Canções" e também cursado Arqueologia.


