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Percy Bysshe Shelley

Percy Bysshe Shelley foi um dos mais importantes poetas românticos ingleses.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 28/07/2026
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Vida

Três dos filhos de Shelley sobreviveram: Ianthe e Charles, seus filhos com Harriet, e Percy Florence, seu filho com Mary. Charles faleceu de tuberculose em 1826. Percy Florence faleceu em 1889, sem filhos. Ianthe Eliza Shelley casou em 1837 com Edward Jeffries Esdaile de Cothelstone Manor, e tiveram dois filhos e uma filha. Ianthe faleceu em 1876. Percy Florence Shelley e sua esposa Jane adotaram uma sobrinha de Jane, Bessie Florence Gibson. Bessie casou com Leopold James Yorke Campbell Scarlett, e seus descendentes moraram na casa perto do mar 'Boscombe Manor', em Bournemouth.

Educação

Filho de Sir Timothy Shelley, um membro Whig do Parlamento, e sua esposa Elizabeth Pilford, uma proprietária de Sussex, Shelley nasceu em Field Place, Horsham, Inglaterra, crescendo ao lado dos irmãos Elizabeth, Mary, Helen (que morreu na infância), outra Helen, Margaret e John. Margaret e Helen viveram solteiras até a velhice, e em suas memórias e cartas se referem à meninice de Percy. Percy recebeu sua primeira educação com aulas ministradas pelo Reverendo Evan Edwards. O pai o preparava para a oratória e para a vida pública, lendo com ele os clássicos, na expectativa de torná-lo um erudito. Seu primo e amigo Thomas Medwin, que viveu nas imediações, contou sua história em "The Life of Percy Bysshe Shelley". Passou a meninice de maneira feliz, ocupando seu tempo no campo, caçando e pescando.

Casamento

Quatro meses após sua expulsão da universidade, em 28 de agosto de 1811, Shelley casou, aos 19 anos, com Harriet Westbrook, de 16, uma colega de suas irmãs, filha de um taverneiro. Casaram-se em Edimburgo, segundo os ritos da igreja escocesa, apesar de Shelley ser contra o casamento formal. O casal viveu em vários locais, e num deles conheceu o poeta Southey; na Irlanda Shelley escreveu "Adress to the Irish People", um panfleto estimulando os irlandeses à emancipação católica. Em Londres, nasceu a filha de Shelley, Ianthe Eliza (1813-1876). Em 1814, Shelley conheceu Mary Godwin, então com 16 anos, filha de William Godwin (precursor do anarquismo) e Mary Wollstonecraft (autora de "A Vindication of the Rights of Woman"), e apaixonou-se por ela. Fugiram juntos, para a Suíça, ao lado de Claire Clairmont (enteada de William Godwin), voltando posteriormente à Londres, mas Shelley instalou Harriet nas imediações. Harriet lhe deu outro filho, Charles, que morreria de tuberculose em 1826.

Byron

No verão de 1816, Shelley e Mary, ainda em companhia de Claire, foram para a Suíça, onde encontraram Lord Byron, que tivera um relacionamento anterior com Claire. A amizade com Byron produziu grande efeito sobre Shelley, e passavam as tardes a fazer passeios de barco, juntos. Durante um desses passeios, escreveria seu Hymn to Intellectual Beauty ("Hino à Beleza Intelectual"), a primeira produção significativa desde Alastor. Um outro passeio, dessa vez para Chamonix, nos Alpes franceses, inspiraria Mont Blanc, um poema em que Shelley declara a inevitabilidade da relação entre a mente humana e a natureza. Numa dessas excursões, numa cabana rumo ao Mont Blanc, todo o seu grupo estava reunido, lendo uma coleção de histórias alemãs sobre fantasmas, quando tiveram a ideia de todos escreverem uma história de mistério. O resultado mais importante foi o Frankenstein, de Mary Shelley, que posteriormente foi acabado, e publicado em 1º de janeiro de 1818.

Segundo casamento

Em novembro de 1816, Harriet suicidou-se morrendo afogada, e seu corpo só foi encontrado em 10 de dezembro, no Hyde Park, Londres. Shelley casou-se com Mary Godwin em 30 de dezembro, estabelecendo-se em Great Marlow, Buckinghamshire. O pai de Harriet, baseado no fato de que Shelley abandonara a esposa e criaria os filhos em crenças ateístas e antissociais, pleiteou a tutela dos dois netos. Shelley perdeu a guarda dos filhos, mas o pai de Harriet também não a obteve; a corte deixou-os sob a tutela de um médico irlandês, Dr. Hume, indicado por Shelley. Shelley submeteu a Leigh Hunt, diretor do "The Examiner", o seu "Hymn to Intellectual Beauty", sob pseudônimo, e foi publicado em outubro de 1816. Quando Hunt soube a verdade, honrou-o ao lado de John Keats e de J. H. Reynolds, com o manifesto "Jovens Poetas". A maior produção de Shelley durante esse período foi Laon and Cythna; or, The Revolution of the Golden City, um longo poema narrativo em que atacava a religião; esse poema foi posteriormente editado e renomeado como The Revolt of Islam, em 1818. Shelley escreveu ainda dois revolucionários tratos políticos, "The Hermit of Marlowe". Em fins de 1817, Shelley escreveu, em competição com Horace Smith, um soneto sobre Ozimândias.

Itália

Em março de 1818, os Shelley partiram para Milão. Lá, escreveu Julian and Maddalo, inspirado nos passeios e conversas com Byron, em Veneza, terminando com uma visita a um hospício. Esse poema marcou o aparecimento do estilo urbano em Shelley, e ele começou o longo drama em versos Prometheus Unbound ("Prometeu Libertado"), uma releitura da peça perdida de Ésquilo. A tragédia foi escrita entre 1818 e 1819, quando seu filho Will morreu de febre em Roma, e sua filha Clara Everina morreu em Veneza. Uma filha, Elena Adelaide Shelley, nasceu em 27 de dezembro de 1818 em Nápoles, Itália, e foi registrada como sendo filha de Shelley e de uma mulher chamada Marina Padurin. Como a identidade dessa mulher nunca foi esclarecida, alguns estudiosos aventam a hipótese de a verdadeira mãe ter sido Claire Clairmont ou Elise Foggi, uma governanta da família. Alguns estudiosos aventam também a possibilidade de a criança ter sido adotada por Shelley para compensar a morte dos dois filhos. Elena, porém, foi deixada com pais adotivos poucos dias após, e os Shelley partiram para outra cidade italiana. Elena morreu 17 meses depois, em 10 de junho de 1820.

Morte

Em 8 de julho de 1822, de Pisa para Livorno, Shelley foi aconselhado a esperar mais um dia para sair em seu barco, devido ao mau tempo. Mesmo assim partiu, e o barco se perdeu na tempestade. Morreram Shelley, Edward Williams e o grumete Charles Vivien. Após algum tempo, o mar devolveu os corpos. Percy foi encontrado na praia perto da Via Reggio, tendo no bolso uma edição de Sófocles e o último volume de Keats. Os corpos foram enterrados nos locais onde foram encontrados, como mandava a lei, jogando cal nas covas. Apesar do regulamento, sob influência do ministro britânico em Florença, as autoridades entregaram o corpo de Shelley. Foi erigida na praia uma fornalha, perto da foz do Rio Serchio, e em 16 de agosto de 1822, o corpo foi cremado, e o coração foi retirado por Trelawny e entregue a Byron, que o entregou a Hunt e esse a Mary. As cinzas foram enterradas no mesmo cemitério de seu filho, o Cemitério Protestante, em Roma. Seu túmulo tem a inscrição em Latim Cor Cordium ("Heart of Hearts") e, em uma referência à morte no mar, umas linhas de "Ariel's Song" da A Tempestade, de Shakespeare: "Nothing of him that doth fade / But doth suffer a sea-change / Into something rich and strange".

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Idealismo

A vida não-convencional de Shelley e seu idealismo descompromissado, combinados com sua ponderosa voz de desaprovação, tornaram-no uma figura decisiva durante e após sua vida. Ele tornou-se um ídolo para as próximas gerações de poetas, incluindo os da importante era vitoriana e pré-rafaelita, tais como Robert Browning, Alfred Lord Tennyson, Dante Gabriel Rossetti, Algernon Charles Swinburne, assim como Lord Byron, Henry David Thoreau, William Butler Yeats, e Edna St. Vincent Millay, e poetas de outras línguas, tais como Jan Kasprowicz, Jibanananda Das e Subramanya Bharathy. A desobediência civil de Henry David Thoreau e a resistência passiva de Mohandas Karamchand Gandhi foram inspiradas e influenciadas por Shelley, em sua não-violência e determinação política. Sabe-se que Gandhi teria citado frequentemente o Masque of Anarchy, de Shelley, que tem sido apontado como "talvez a primeira declaração moderna do princípio da não-violência".

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Legado

Shelley não chegou a testemunhar a extensão de seu sucesso e influência nas gerações futuras. Alguns de seus trabalhos foram publicados, mas não lhe renderam financeiramente. O modo de agir de Shelley não proliferou até sua geração passar, ao contrário de Byron, que era popular em todas as classes durante sua vida, a despeito de seu ponto de vista radical. Por décadas após sua morte, Shelley foi principalmente apreciado pelos poetas vitorianos, pelos pré-rafaelitas, pelos socialistas e pelos movimentos trabalhistas. Ele foi admirado por Mahatma Gandhi, Alfred Nobel, C. S. Lewis, Karl Marx, Henry Stephens Salt, George Bernard Shaw, Bertrand Russell, Isadora Duncan, Jiddu Krishnamurti ("Shelley is as sacred as the Bible."), Upton Sinclair e William Butler Yeats. Ralph Vaughan Williams, Sergei Rachmaninoff, Roger Quilter, John Vanderslice e Samuel Barber compuseram músicas inspiradas em seus poemas.

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Shelley em música

Imagem: Egisto Sani · BY-NC-SA · Openverse

Muitos dos trabalhos de Shelley serviram de inspiração para composições musicais.

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Fontes consultadas

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