Adolf Hitler
Adolf Hitler ; Braunau am Inn, 20 de abril de 1889 – Berlim, 30 de abril de 1945) foi um político alemão que serviu como líder do Partido Nazista, Chanceler do Reich e Führer ("líder") da Alemanha Nazista de 1934 até 1945. Como ditador do Reich Alemão, foi o principal instigador da Segunda Guerra Mundial na Europa e figura central do Holocausto.
Família
Seu pai, Alois Hitler Sr. (1837–1903), era filho ilegítimo de Maria Anna Schicklgruber. Seu registro de batismo não trazia o nome do seu pai, então Alois inicialmente assumiu o sobrenome da mãe, Schicklgruber. Em 1842, Johann Georg Hiedler casou-se com Maria Anna. Alois foi criado na família do irmão de Georg, Johann Nepomuk Hiedler. Em 1876, Alois foi legitimado e seu registro de batismo foi averbado por um padre para registrar Johann Georg Hiedler como pai de Alois (registrado como "Georg Hitler"). Alois assumiu então o sobrenome "Hitler", também escrito e soletrado como Hiedler, Hüttler ou Huettler. O sobrenome Hitler é provavelmente baseado em "aquele que vive em uma cabana" (alemão: Hütte para "cabana").
Infância e educação
Adolf Hitler nasceu em 20 de abril de 1889 em Braunau am Inn, uma cidade da Áustria-Hungria (hoje em dia localizada na Áustria), próximo à fronteira do Império Alemão. Ele era um dos seis filhos nascidos de Alois Hitler e Klara Pölzl (1860–1907). Três dos seus irmãos — Gustav, Ida e Otto — morreram ainda na infância. Quando Hitler tinha apenas três anos, sua família se mudou para Passau, na Alemanha. Lá ele adquiriu um dialeto bávaro, que trouxe uma marca reconhecível a sua voz. A família retornou para a Áustria e se assentou em Leonding em 1894 e em junho de 1895 Alois se aposentou em Hafeld, próximo de Lambach, onde ele passou a criar abelhas. Hitler estudou numa Volksschule (escola pública) próximo a Fischlham.
Juventude em Viena e Munique
Desde 1905, Hitler passou a viver uma vida boêmia em Viena, financiada pela pensão de órfão que recebia e do apoio proveniente de sua mãe. Ele teve vários trabalhos, incluindo o de pintor, vendendo aquarelas de locais turísticos de Viena. A Academia de Belas-Artes o rejeitou em 1907 e em 1908, afirmando que ele era "inapto para pintura". O diretor da academia sugeriu que Hitler estudasse arquitetura, que também era do seu interesse, mas ele não tinha as qualificações acadêmicas já que não tinha terminado a escola secundária. Em 21 de dezembro de 1907, sua mãe morreu de câncer de mama aos 47 anos. Hitler acabou ficando sem dinheiro e foi forçado a viver em abrigos para sem-tetos.
Primeira Guerra Mundial
Quando eclodiu a Primeira Guerra Mundial, Hitler vivia em Munique e, embora fosse um cidadão austríaco, ele se voluntariou no Exército da Baviera. Um relatório feito pelas autoridades bávaras em 1924 diz que Hitler serviu no exército local por erro (tecnicamente, como austríaco, ele não podia servir no exército alemão). Ele se juntou ao 16º Regimento Reserva de Infantaria Bávara (1.ª Companhia do Regimento), servindo como mensageiro na Frente Ocidental na França e na Bélgica, passando quase metade de seu tempo no quartel-general do regimento em Fournes-en-Weppes, bem atrás das linhas de frente. Ele esteve presente nas batalhas de Ypres, do Somme (onde foi ferido), de Arras e em Passchendaele. Ele foi condecorado por bravura, recebendo a Cruz de Ferro, de segunda classe, ao fim de 1914. Sob recomendação do oficial judeu Hugo Gutmann, Hitler recebeu outra medalha, a Cruz de Ferro de primeira classe, em 4 de agosto de 1918, uma condecoração raramente dada a um soldado de sua patente (Gefreiter). Ele também recebeu o Distintivo de Ferido em 18 de maio de 1918. A folha de serviço de Hitler, no geral, não foi muito especial e ele nunca foi promovido além de Cabo, que era a patente mais alta oferecida a um estrangeiro no exército alemão à época.
Após a primeira guerra mundial, Hitler retornou para Munique. Sem uma educação formal ou prospectos de carreira, ele decidiu permanecer no exército. Em julho de 1919, ele foi apontado como Verbindungsmann (agente de inteligência) da Aufklärungskommando (Comando de Reconhecimento) do Reichswehr (o novo exército alemão), com o propósito de influenciar outros soldados e se infiltrar no Partido Alemão dos Trabalhadores (DAP). Enquanto monitorava as atividades do DAP, Hitler foi atraído pelo fundador do partido, Anton Drexler, e sua retórica antissemita, nacionalista, anticapitalista e antimarxista. Drexler favorecia um governo forte e ativo, uma versão não judaica do socialismo (como ele descrevia), e solidariedade entre os membros da sociedade. Impressionado com as capacidades oratórias de Hitler, Drexler o convidou para se juntar ao DAP. Hitler aceitou a 12 de setembro de 1919, tornando-se o membro nº 555 (o partido havia começado a contagem de membros no número 500 para dar a impressão de ser maior do que realmente era).
Golpe da Cervejaria
Em 1923, Hitler se aproximou do general Erich Ludendorff, que também era veterano da primeira guerra mundial, para tentar tomar o poder na Baviera através de um golpe (conhecido como "Putsch da Cervejaria"). O Partido Nazista se inspirou no fascismo italiano como modelo para sua aparência, estilo e até políticas. Hitler queria emular a "Marcha sobre Roma" de Benito Mussolini, feita em 1922, dando seu próprio golpe em Munique, desafiando o governo central em Berlim. Hitler e Ludendorff buscaram apoio do Staatskommissar (comissário do estado) Gustav Ritter von Kahr, o de facto governador da Baviera. Contudo, Kahr, junto com o chefe de polícia Hans Ritter von Seisser e o general do exército Otto von Lossow, queriam tentar seu próprio golpe e instituir no país uma ditadura militar sob sua liderança, sem a participação de Hitler.
Reconstruindo o Partido Nazista
Na época em que Hitler foi solto da cadeia, a situação política na Alemanha havia se tornado menos combativa e a situação da economia havia melhorado, limitando as oportunidades políticas de Hitler para agitação política. Como resultado do golpe fracassado, o Partido Nazista e suas organizações filiadas foram banidas da Baviera. Após um encontro com Heinrich Held, então primeiro-ministro bávaro, em 4 de janeiro de 1925, Hitler concordou em respeitar a autoridade do estado e prometeu que buscaria poder político agora apenas por meios democráticos. Um mês depois da reunião, o Partido Nazista deixou de ser banido e voltou à ativa. Hitler, contudo, foi barrado de fazer discursos públicos, mas este banimento foi suspenso também em 1927. Para avançar suas ambições políticas, apesar destes contratempos, Hitler nomeou Gregor Strasser, Otto Strasser e Joseph Goebbels para organizar e fazer crescer o Partido Nazista no norte da Alemanha. Um grande organizador, Gregor Strasser dirigiu um curso político mais independente, enfatizando os elementos socialistas do programa do partido.
Governo Brüning
A Grande Depressão forneceu a Hitler uma ótima oportunidade política. Os alemães estavam ambivalentes sobre a república parlamentarista, que enfrentava forte oposição de extremistas de esquerda e direita. Já os partidos moderados não conseguiam competir com os radicais. No referendo de 1929, o povo alemão votou, por grande maioria, repudiar o pagamento de reparações de guerra estipulados no Tratado de Versalhes. A ideologia nazista, neste período, ganhou muito apoio popular. As eleições de setembro de 1930 resultaram na quebra da "grande coalizão", substituindo a administração do país por um governo de minoria. O chanceler Heinrich Brüning, do Partido do Centro, governava a nação por meio de decretos emergenciais do presidente Paul von Hindenburg. Governar por decreto acabou pavimentando o caminho para uma forma de governo mais autoritária. O Partido Nazista saiu da obscuridade e conquistou 18,3% dos votos (ou 6 409 600 de pessoas) e 107 assentos no parlamento nas eleições de 1930, tornando-se a segunda maior bancada no Reichstag.
Indicação para Chanceler
A ausência de um governo eficiente fez com que dois políticos influentes, Franz von Papen e Alfred Hugenberg, junto com vários industriais e empresários, escrevessem uma carta para Hindenburg. Os signatários pediram para o presidente apontar Adolf Hitler como líder do governo "independente dos partidos parlamentares", dizendo que isso iria "encantar milhões de pessoas". Hindenburg desprezava Hitler, mas foi ficando sem opções, com o governo no Parlamento à beira do colapso, sem base política para se sustentar. Relutantemente, o presidente decidiu concordar em indicar Hitler para o cargo de chanceler (chefe de governo) após duas turbulentas eleições parlamentares — em julho e novembro de 1932 — que não tinham conseguido formar um governo de maioria. Hitler liderou uma coalizão, que durou pouco tempo, formada pelo Partido Nazista e os apoiadores de Alfred Hugenberg do Partido Popular Nacional Alemão (DNVP). Em 30 de janeiro de 1933, um novo gabinete foi formado e oficializado no escritório do presidente Hindenburg. O Partido Nazista ganhou três postos no governo: Hitler passou a ser o chanceler, Wilhelm Frick o Ministro do Interior do país e Hermann Göring o Ministro do Interior da Prússia. Hitler queria estes postos ministeriais pois ele almejava controlar por completo a polícia alemã.
Incêndio do Reichstag e eleições de março
Como chanceler, Hitler trabalhou para impedir que os oponentes do Partido Nazista se unificassem e tentassem formar um governo de coalizão de maioria contra ele. A oposição, contudo, não conseguia se unificar, com os comunistas e socialistas não se entendendo com os partidos sociais-democratas de esquerda. Com o impasse político se acentuando no Reichstag, Hitler pediu para o presidente Hindenburg dissolver o parlamento e convocar novas eleições para março. Em 27 de fevereiro de 1933, o prédio do Reichstag pegou fogo e ficou parcialmente destruído. Hermann Göring culpou os comunistas pelo atentado. De fato, um comunista holandês Marinus van der Lubbe foi capturado dentro do edifício. De acordo com o historiador britânico Sir Ian Kershaw, o consenso entre os acadêmicos era que van der Lubbe possivelmente foi mesmo o responsável pelo incêndio. Outros, contudo, incluindo William L. Shirer e Alan Bullock, acreditam que os próprios nazistas foram os responsáveis, em uma operação de bandeira falsa. Por insistência de Hitler, Hindenburg aprovou o Decreto do Incêndio do Reichstag de 28 de fevereiro de 1933, que suspendeu vários direitos civis e permitiu que o governo fizesse prisões sem mandato judicial. O decreto era permitido devido ao Artigo 48 da Constituição de Weimar, que dava ao presidente poderes emergenciais para proteger a população e manter a ordem pública. As atividades do Partido Comunista Alemão (KPD) foram reprimidas e mais de 4 000 comunistas foram presos.
Dia de Potsdam e Lei habilitante de 1933
Em 21 de março de 1933, o novo Reichstag foi constituído com uma cerimônia feita na Igreja Garrison em Potsdam. Este "Dia de Potsdam" deveria demonstrar a unidade entre o movimento nazista e a velha elite prussiana e militar. Hitler utilizava um fraque e humildemente e com toda a reverência cumprimentou o presidente Hindenburg. Para conquistar controle político total, apesar de não ter maioria absoluta no parlamento, o governo de Hitler levou para votação no recém-eleito Reichstag o projeto de lei Ermächtigungsgesetz (Lei habilitante de 1933). A lei, oficialmente chamada Gesetz zur Behebung der Not von Volk und Reich ("Lei para Redimir a Angústia do Povo e do Reich"), deu a Hitler e seu gabinete de governo o poder de passar leis sem o consentimento do Parlamento por um período de quatro anos. Estas leis (com certas exceções) não eram contempladas pela constituição.
Expansão final dos poderes
Tendo alcançado poder legislativo e executivo total, Hitler e seus aliados iniciaram o processo de reprimir a oposição. O Partido Social Democrata foi banido e seus bens apreendidos. Enquanto várias lideranças de sindicatos estavam em Berlim para as atividades do Dia de Maio, soldados das SA atacaram escritórios dos líderes de sindicatos por todo o país. Em 2 de maio de 1933, todos os sindicatos foram dissolvidos e seus presidentes foram presos. Muitos foram enviados para os recém-abertos campos de concentração, onde os nazistas passaram a aprisionar os seus oponentes políticos. A Frente Alemã para o Trabalho, uma organização que visava representar todos os trabalhadores, administradores e donos de companhias, foi criada refletindo o conceito nazista de Volksgemeinschaft ("comunidade do povo").
Economia e cultura
Em agosto de 1934, Hitler nomeou o presidente do Reichsbank, Hjalmar Schacht, como o novo Ministro da Economia e no ano seguinte, iniciou os processos de reforma econômica para preparar o país para a guerra. A reconstrução e rearmamento do país foram financiados pelas leis Mefo-Wechsel, imprimindo dinheiro e tomando bens de pessoas presas como inimigos do Estado, incluindo milhares de judeus. O número de desempregados caiu de seis milhões em 1932 para menos de um milhão em 1936. Hitler supervisionou um extenso programa de reorganização e melhorias da infraestrutura da Alemanha, levando à construção de represas, autobahns, ferrovias e outras obras públicas. De início os salários caíram no final da década de 1930, enquanto o custo de vida aumentou. Porém a média salarial voltou a subir em 1939, com o alemão comum trabalhando uma jornada de 47 a 50 horas semanais.
Rearmamento e novas alianças
Em 3 de fevereiro de 1933, durante uma reunião com a liderança militar alemã, Hitler falou que a "conquista do Lebensraum no Leste e a implacável Germanização" eram seus objetivos principais de política externa. Em março, o príncipe Bernhard Wilhelm von Bülow, secretário do Auswärtiges Amt (Ministério de Relações Exteriores), emitiu uma declaração dos principais objetivos de política externa do país: o Anschluss com a Áustria, a restauração das fronteiras nacionais de 1914 da Alemanha, rejeição de todas as restrições militares impostas pelo Tratado de Versalhes, devolução das colônias alemãs na África e a criação de uma zona de influência alemã na Europa Oriental. Hitler achava, na verdade, que os objetivos de Bülow eram modestos demais. Em discursos feitos na época, ele afirmou que suas políticas eram pacíficas e estava disposto a trabalhar dentro dos acordos internacionais. Na sua primeira reunião de gabinete em 1933, Hitler priorizou o aumento de gastos militares.
Sucessos diplomáticos iniciais
Em fevereiro de 1938, seguindo o conselho do seu novo ministro de relações exteriores, o conde Joachim von Ribbentrop, Hitler começou a encerrar a Aliança Sino-Alemã com a República da China para então firmar uma maior cooperação com o mais poderoso e moderno Império do Japão. Hitler anunciou que reconhecia a região de Manchukuo, o estado fantoche ocupado pelos japoneses da Manchúria, e que renunciava às reivindicações sobre as antigas colônias alemãs na Ásia, que foram ocupados pelo Japão após a primeira guerra mundial. O führer alemão ordenou o fim do envio de carregamentos de armas para a China e chamou de volta todos os oficiais alemães trabalhando com o exército chinês. Em retaliação, o general Chiang Kai-shek (líder de facto da China) cancelou todos os acordos econômicos entre os países, privando a Alemanha de muitas matérias-primas chinesas.
Começo da Segunda Guerra Mundial
Em discussões privadas em 1939, Hitler declarou que o Reino Unido era o principal inimigo do país e que a Polônia deveria ser obliterada como prelúdio para a guerra com os ingleses. O flanco leste da Alemanha tinha que estar seguro e terras da Lebensraum adicionadas ao país. Em 31 de março de 1939, o governo britânico "garantiu" apoio para um Estado polonês independente e isso irritou os nazistas. Hitler afirmou: "Vou preparar-lhes uma bebida do diabo". Em um discurso em Wilhelmshaven para o lançamento do navio de guerra Tirpitz, em 1 de abril, ele ameaçou romper o Acordo Naval Anglo-Germânico se os britânicos continuassem a dispensar apoio para os poloneses, numa política que ele descreveu como um "cerco". Para os nazistas, a Polônia deveria virar um estado satélite alemão ou deveria ser neutralizada para garantir a segurança do flanco esquerdo do Reich para impedir um bloqueio inglês. Hitler inicialmente favorecia a ideia de criar estados satélites nas fronteiras, mas após a rejeição do governo polonês para algum tipo de acordo, ele decidiu que iria invadir o país e fez disso seu objetivo de política externa para 1939. Em 3 de abril, Hitler ordenou que as forças armadas preparassem um plano, o Fall Weiss ("Caso Branco"), para atacar a Polônia. Em um discurso para o Reichstag, em 28 de abril, ele renunciou tanto ao Acordo Naval Anglo-Germânico como ao Pacto de não agressão alemão-polonês.
Holocausto
O Holocausto e a guerra da Alemanha no leste eram baseados na visão de longa data de Hitler de que os judeus eram os verdadeiros inimigos do Reich e do povo alemão e que o Lebensraum ("espaço vital") era necessário para a expansão da Alemanha. Ele focou no leste da Europa para a sua expansão, mirando em derrotar a Polônia e a União Soviética e então removendo os judeus e os eslavos. O Generalplan Ost ("Plano Geral Leste") previa a deportação da população da Europa oriental e da União Soviética para o oeste da Sibéria, para serem usados como mão de obra escrava ou para serem mortos; os territórios tomados seriam então ocupados por colonizadores alemães ou passariam por um processo de germanização. A ideia era implementar este plano após a conquista da União Soviética, mas quando isso falhou Hitler antecipou os planos. Em janeiro de 1942, Hitler decidiu que os judeus, eslavos e outros deportados considerados "indesejáveis" seriam mortos. No mesmo ano, a cúpula nazista orquestrou a chamada "Solução Final" para o problema judeu, para exterminar todos os que o regime considerasse indesejáveis e inferiores.[c]
Caminho para a derrota
Em 22 de junho de 1941, quebrando o Pacto de não agressão firmado em 1939, cerca de 4 milhões de soldados do Eixo invadiram a União Soviética. Esta ofensiva (codinome Operação Barbarossa) tinha como objetivo destruir o Estado soviético e assumir o controle dos seus abundantes recursos naturais para alimentar a máquina de guerra nazista contra o Ocidente. O ataque inicial foi um sucesso, com as forças alemãs conquistando várias regiões, incluindo a região Báltica, a Bielorrússia e o oeste da Ucrânia. Em agosto de 1941, as forças do Eixo avançaram mais de 500 km dentro do território soviético. Logo após as tropas nazistas terem derrotado o exército vermelho na Batalha de Smolensk, Hitler ordenou que o Grupo de Exércitos Centro temporariamente se detivesse nas cercanias de Moscou e enviou tropas para cercar Leningrado e Kiev. Seus generais discordaram disso, preferindo ter focado suas forças em avançar contra a capital russa. Hitler manteve-se irredutível e as lideranças militares da Wehrmacht começaram a questionar a estratégia da guerra. Esta parada deu tempo para o exército soviético se reorganizar e mobilizar suas reservas; a decisão de Hitler de atrasar o ataque contra Moscou é considerada como um dos maiores erros táticos do conflito. Em novembro de 1941 Hitler finalmente ordenou que a ofensiva contra Moscou recomeçasse, mas o avanço terminou em desastre em dezembro.
Derrota e morte
Ao fim de 1944, o exército vermelho e os Aliados Ocidentais (principalmente os Estados Unidos, o Reino Unido e a França Livre) continuavam avançando a todo o vapor contra a Alemanha. Paris havia sido libertada e o exército alemão havia quase que completamente sido expulso da França, da Bélgica e Países Baixos. Na Itália, as forças nazifascistas também recuavam para o norte, mas o principal perigo estava no leste, com Stalin tomando os países da Europa oriental um a um. Assim, reconhecendo a força e determinação dos soviéticos, Hitler decidiu que seria quebrando as linhas do inimigo no Ocidente que a maré da guerra poderia mudar em favor dos alemães. Ele então começou a planejar um ataque contra os americanos e ingleses. Em 16 de dezembro, os nazistas lançaram a Ofensiva das Ardenas para tentar desunir os Aliados e talvez convencê-los assim a parar de lutar. Apesar de sucessos iniciais, a batalha das Ardenas terminou em fracasso e as últimas reservas de homens e máquinas da Alemanha foram perdidas. No começo de 1945, a situação dos alemães era precária. Aviões aliados bombardeavam o país dia e noite, deixando várias cidades alemãs e seus principais centros industriais em ruínas. O exército estava em frangalhos e pouco podia fazer a não ser recuar em todas as frentes de batalha. Hitler falou então no rádio ao povo alemão: "Mesmo sendo grave a crise neste momento, ela irá, apesar de tudo, ser domada por nossa vontade inalterável". Hitler nutria esperanças de que a morte do presidente americano Franklin D. Roosevelt pudesse resultar em paz no Ocidente em 12 de abril de 1945, mas nada aconteceu e a determinação dos Aliados permaneceu forte. Agindo conforme sua visão de que os fracassos militares alemães significavam abrir mão do seu direito de sobreviver como nação, Hitler ordenou a destruição da infraestrutura industrial e tecnológica alemã, para que esta não caísse em mãos dos Aliados. O ministério dos armamentos, sob a liderança de Albert Speer, recebeu ordens de adotar uma política de terra arrasada, mas tais instruções secretamente não foram obedecidas.
Hitler governava o Partido Nazista de forma autocrática ao afirmar sua Führerprinzip ("Princípio do Líder"). O princípio se baseava em lealdade absoluta dos subordinados aos seus superiores; ele via a estrutura do governo como uma pirâmide, com o próprio Hitler — o "Líder infalível" — no ápice. As posições dentro do partido não eram preenchidas mediante eleições mas sim as pessoas eram indicadas pelos superiores, que exigiam obediência completa à vontade do líder. O estilo de liderança de Hitler era dar ordens contraditórias aos seus subordinados e colocá-los em uma posição em que seus deveres e responsabilidades se entrelaçavam uns com os outros, para ter "o mais forte completar o trabalho". Deste jeito, gerava desconfiança, competição e luta interna entre seus subordinados para consolidar e maximizar o seu poder. O gabinete do líder nunca se encontrou até 1938 e ele desencorajava seus ministros de se encontrarem de forma independente. Hitler tipicamente quase nunca dava ordens por escrito, preferindo se expressar verbalmente ou passava os comandos através dos seus associados mais próximos, como Martin Bormann. Ele instruía Bormann com seus papéis, nomeações e finanças pessoais; Bormann usava sua posição para controlar o fluxo de informações e o acesso a Hitler.
"Pela paz, liberdade e democracia fascismo nunca mais milhões de mortos lembram" O suicídio de Hitler é ligado por muitos contemporâneos como "um feitiço sendo quebrado". O apoio popular a Hitler havia colapsado no período próximo a sua morte e pouquíssimos alemães lamentaram seu falecimento; Kershaw afirma que a maioria dos civis e militares estavam ocupados demais se ajustando ao colapso do país ou fugindo da luta para demonstrar qualquer interesse no destino do führer ("líder"). De acordo com o historiador John Toland, o Nazismo "estourou feito uma bolha" sem seu líder. As ações de Hitler e a ideologia nazista são quase que universalmente retratadas como gravemente imorais; de acordo com Kershaw, "nunca na história tanta ruína, imoralidade e maldade foi tão associada ao nome de um homem". O programa político de Hitler trouxe uma guerra mundial, deixou para trás devastação e pobreza pela Europa. A própria Alemanha sofreu muito e foi assolada pela destruição, caracterizada pelo termo Stunde Null ("Hora Zero"). As políticas do líder nazista infligiram à humanidade sofrimento em uma escala jamais vista; de acordo com R.J. Rummel, o regime nazista democida matou mais de 19,3 milhões de civis e prisioneiros de guerra. Além disso, 29 milhões de soldados e civis também morreram como resultado das ações militares durante o teatro de operações europeu da Segunda Guerra Mundial. O número de civis mortos durante a segunda grande guerra foi sem precedentes na história do conflito humano e causou grande devastação no mundo. Historiadores, filósofos e políticos usam, normalmente, o termo "mal" para descrever o regime nazista.
Neonazismo e neutralidade
A principal exceção nesta perspectiva de Hitler é a dos movimentos neonazistas, que utilizam versões atualizadas da ideologia nazista para atacar minorias e promover a segregação racial e a supremacia branca, por vezes chegando ao ponto da promoção do separatismo racial. Estes grupos têm visão favorável de Hitler, relembrado no símbolo 14/88 elaborado por David Lane, e cujo segundo número se refere à saudação Heil Hitler. Por outro lado, muitos países europeus, incluindo a Alemanha, criminalizaram as ideologias nazistas e o negacionismo do holocausto. Em alguns países menos expostos às consequências do nazismo, como a Índia, a Tailândia e o Japão, a imagem de Hitler não tem as mesmas conotações malévolas que o restante do mundo. Na Índia, por exemplo, as atitudes culturais em relação a Hitler são notoriamente neutras, sendo um nome associado a pessoas com atitudes autoritárias em geral, e por vezes utilizado como alcunha ou mesmo nome de pessoas e marcas. Entre nacionalistas hindus, a imagem de Hitler é evocada pelo uso da suástica e por atitudes antissemitas transferidas para a islamofobia própria destes grupos, ainda que abstraída da ideologia nazista. Na Tailândia, a imagem de Hitler é frequentemente veiculada em artigos de moda, sendo corriqueira na cultura jovem do país.
Hitler queria passar a imagem de um homem celibatário que não tinha vida doméstica, dedicando-se inteiramente a sua missão política e a sua nação. Ele conheceu sua principal amante, Eva Braun, em 1929, e se casou com ela em abril de 1945. Em setembro de 1931, sua meia-sobrinha, Geli Raubal, cometeu suicídio com a arma do próprio Hitler no apartamento dele em Munique. Entre as razões que levaram Geli ao suicídio seria um suposto interesse romântico de Hitler nela e sua morte seria resultado de uma obsessão dele por ela. Paula Hitler, a irmã do Führer e seu último parente vivo de sua família imediata, morreu em 1960.
Visões religiosas
Hitler nasceu de uma mãe que era católica praticante e um pai anticlerical; após deixar sua casa, Hitler praticamente nunca mais frequentou missas ou recebeu sacramentos. Albert Speer afirmou que Hitler fez pronunciamentos duros contra a Igreja para seus associados políticos e apesar de não ter abandonado a fé, nunca ligou muito para ela. Hitler dizia que se os fiéis abandonassem a igreja eles iriam se virar ao misticismo, o que ele considerava um retrocesso. De acordo com Speer, o Führer acreditava que a religião japonesa ou o islamismo seriam religiões melhores para os alemães do que o cristianismo, com sua "mansidão e flacidez". O historiador John S. Conway afirmou que Hitler se opunha fundamentalmente às igrejas cristãs. De acordo com Alan Bullock, Hitler não acreditava em Deus, era anticlerical e não acreditava muito na 'ética cristã' porque ela ia de encontro a sua crença de "sobrevivência do mais apto". Ele, contudo, favorecia alguns pontos de vista do protestantismo e adotou elementos da hierarquia organizacional da Igreja Católica, a liturgia e fraseologia nas suas políticas.
Saúde
Pesquisadores sugerem que Hitler sofria de vários males, incluindo síndrome do cólon irritável, lesões na pele, arritmia cardíaca, aterosclerose, doença de Parkinson, sífilis, arterite de células gigantes com arterite temporal e acufeno. Em um relatório feito para a Agência de Serviços Estratégicos em 1943, Walter C. Langer da Universidade Harvard descreveu Hitler como um "neurótico psicopata". Em seu livro de 1977, The Psychopathic God: Adolf Hitler, o historiador Robert G. L. Waite afirma que o Führer sofria de transtorno de personalidade limítrofe. Já os historiadores Henrik Eberle e Hans-Joachim Neumann consideravam que Hitler sofria mesmo de várias doenças, incluindo a de Parkinson, mas que ele não tinha delírios patológicos e esteve sempre ciente, e portanto responsável, das decisões que tomava. Teorias a respeito da saúde pessoal do ditador alemão são difíceis de provar e dar muito peso a estas suposições pode tirar um pouco das responsabilidades das consequências dos atos perpetrados pela Alemanha Nazista. Kershaw acredita que é necessário ter uma visão mais ampla da história da Alemanha, examinando que forças sociais levaram à ditadura nazista e suas políticas, ao invés de procurar explicações limitadas para o Holocausto e a Segunda Guerra Mundial baseadas apenas em uma única pessoa.
Sob seu governo, Hitler foi objeto de um extenso culto de personalidade. Seus retratos foram pendurados em locais públicos em toda a Alemanha e a saudação Heil Hitler ("salve Hitler") tornou-se obrigatória mesmo entre civis. Este culto era intrinsecamente ligado ao modelo ditatorial adotado pela Alemanha, com doutrinadores nazistas justificando-o com base no chamado princípio da liderança (em alemão: Führerprinzip), segundo o qual toda a autoridade era investida em Hitler, que estava necessariamente certo e deveria ser inquestionavelmente obedecido tanto pela hierarquia nazista como pelo povo alemão, em lealdade deontológica e cega. Para assegurar a máxima difusão de seus ideais, foi instituído logo após a tomada do poder pelos nazistas em 1933 um Ministério da Propaganda, que até 1945 manteve total controle sobre as produções culturais no país. Presidido por Josef Goebbels, o Ministério teve Hitler como um dos principais focos de propaganda, glorificando-o como um líder heroico e infalível e contribuindo fortemente para seu culto de personalidade. Hitler apareceu ele mesmo em muitos dos filmes, atuando de forma cuidadosamente coreografada. As Reuniões de Nuremberg eram um dos principais eventos para promoção da imagem de Hitler, e foram elas mesmas matéria do filme Der Sieg des Glaubens. O uso de propaganda hitlerista era tão intenso que chegou mesmo a mudar o sentido da palavra em idiomas como o inglês, atribuindo-lhe uma conotação política negativa.
Filmes de propaganda
Hitler explorava filmes documentários e várias outras peças de propaganda de forma extensa na parte do seu culto de personalidade. Ele participou de vários filmes de propaganda durante sua carreira política, como Der Sieg des Glaubens (que ganhou medalha de ouro no Festival Internacional de Cinema de Veneza de 1935) e Triumph des Willens, ambos dirigidos pela lendária Leni Riefenstahl. Estes filmes incluem:


