Economia institucional
A Economia Institucional, ou institucionalismo, é uma corrente de pensamento econômico que surgiu nos Estados Unidos no início do século XX. Impulsionada por pensadores como Thorstein Veblen, John Rogers Commons e Wesley Clair Mitchell, ela se concentra em como as instituições moldam o comportamento econômico. Teve seu auge nas décadas de 1920 e 1930, influenciando políticas como as do New Deal. Essa escola incorpora ideias da escola histórica alemã e se aproxima do substantivismo de Karl Polanyi.
Pontos-chave
- Surgiu nos EUA no início do século XX, com Veblen, Commons e Mitchell como figuras centrais.
- Foca na influência das instituições sobre o comportamento econômico e a formação dos mercados.
- Alcançou seu auge nas décadas de 1920 e 1930, impactando as políticas do New Deal.
- Incorpora elementos da escola histórica alemã e se relaciona com o substantivismo de Karl Polanyi.
- Considera o mercado como uma interação complexa entre indivíduos, firmas, estados e normas sociais.
A economia institucional estuda as instituições e vê o mercado como resultado de interações complexas entre elas, incluindo atores e regras. Embora seja uma abordagem heterodoxa, uma vertente importante é a Nova Economia Institucional, que integra conceitos neoclássicos. Temas como leis e economia, e economia comportamental, são centrais. Críticos argumentam que o conceito de 'instituição' é tão amplo que esvazia o sentido da escola, gerando debates sobre quem é 'institucionalista'. Alguns sugerem que o foco original de Veblen, Hamilton e Ayres era mais na tecnologia e nas forças evolucionárias, tornando o termo 'institucional' até mesmo 'anti-institucional' para suas teorias.
Thorstein Veblen: Crítica ao Consumo e Negócios
Thorstein Veblen (1857–1929), em 'A Teoria da Classe Ociosa' (1899), analisou o consumo conspícuo como forma de demonstrar sucesso, um comportamento imitado por diferentes classes, contradizendo a eficiência neoclássica. Em 'A Teoria do Negócio Empresarial' (1904), ele destacou o conflito entre a produção útil da indústria e a busca por lucros das empresas, que muitas vezes prejudica o avanço tecnológico e leva a crises e gastos militares devido ao controle político empresarial. Seus livros criticavam o consumismo e a especulação, mas não propunham mudanças.
John R. Commons: Mediação e Relações Econômicas
John R. Commons (1862–1945), em 'Economia Institucional' (1934), via a economia como uma rede de relações entre pessoas com interesses divergentes. Ele reconhecia monopólios, grandes corporações, disputas trabalhistas e ciclos econômicos, mas acreditava que havia interesse em resolver esses conflitos. Para Commons, o governo deveria atuar como mediador entre os grupos em disputa, papel que ele próprio desempenhou em conselhos governamentais e comissões industriais.
Wesley Mitchell: Pioneiro em Ciclos Econômicos
Wesley Clair Mitchell (1874–1948) foi um economista americano renomado por seu trabalho empírico sobre ciclos econômicos. Ele liderou o National Bureau of Economic Research em suas primeiras décadas e foi aluno de importantes figuras como Thorstein Veblen, J. L. Laughlin e o filósofo John Dewey.
Clarence Ayres: Tecnologia vs. Instituições
Clarence Ayres (1891–1972), principal pensador da 'Escola de Texas' de economia institucional, desenvolveu as ideias de Veblen. Ele propôs uma dicotomia entre 'tecnologia' e 'instituições' para diferenciar os aspectos inventivos dos herdados nas estruturas econômicas. Para Ayres, as instituições eram associadas a sentimentos e superstições, tendo um papel secundário em sua teoria do desenvolvimento, cujo cerne era a tecnologia. Influenciado por Hegel, Ayres via as instituições com uma conotação de ilusão, sugerindo que 'tecnocomportamentalista' seria um termo mais adequado para sua posição.
Adolf Berle: Governança Corporativa e New Deal
Adolf A. Berle (1895–1971) foi um dos primeiros a unir análise legal e econômica, sendo fundamental para a governança corporativa. Em 'The Modern Corporation and Private Property' (1932), com Gardiner C. Means, ele analisou a evolução das grandes empresas e defendeu maior responsabilização dos controladores. Argumentou que diretores sem prestação de contas poderiam desviar lucros e gerir empresas para seus próprios interesses, aproveitando a dispersão dos acionistas. Berle foi membro do 'Brain Trust' de Franklin Delano Roosevelt, desenvolvendo políticas do New Deal. Em 1967, uma edição revisada de sua obra questionou qual estrutura corporativa deveria ser almejada, além da separação entre controle e propriedade.
John Kenneth Galbraith: Crítica à Sociedade Afluente
John Kenneth Galbraith (1908–2006), atuante no New Deal, criticou a economia ortodoxa. Em 'The Affluent Society' (1958), ele argumentou que eleitores ricos votam contra o bem comum, cunhando 'sabedoria convencional' para ideias conservadoras. Ele defendia que grandes empresas, por meio de publicidade, moldam as preferências individuais, criando um 'efeito de dependência' e orientando a economia para objetivos irracionais. Em 'The New Industrial State', Galbraith descreveu uma 'tecnoestrutura' de especialistas que planeja decisões econômicas, manipula mercados e busca estabilidade, recrutando governos para seus interesses. Ele criticou o empobrecimento do espaço público em contraste com a riqueza privada. Em 'Economics and the Public Purpose' (1973), propôs um 'novo socialismo' com produção militar nacional, serviços públicos e controle de salários/preços para reduzir a desigualdade.
A Nova Economia Institucional representa uma tentativa de integrar o institucionalismo com os desenvolvimentos mais recentes da economia ortodoxa. Ela incorpora novas perspectivas da teoria econômica, como a teoria das organizações, da informação, dos direitos de propriedade e dos custos de transação, buscando uma análise mais abrangente das instituições no contexto econômico contemporâneo.


