Adolf Bastian
Philipp Wilhelm Adolf Bastian foi um etnólogo alemão, bem como o diretor fundador do Museu de Arte Popular em Berlim. Foi o polímata do século XIX mais lembrado por suas contribuições para o desenvolvimento da etnografia e o desenvolvimento da antropologia como uma disciplina. Sua teoria do Elementargedanke resultou no desenvolvimento da teoria dos arquétipos por Carl Jung. Suas ideias influenciaram o “pai da antropologia americana”, Franz Boas, e o mitólogo comparativo Joseph Campbell.
Em Bremen e em viagens
Bastian nasceu em Bremen, na época um estado da Confederação Germânica, em uma próspera família burguesa de comerciantes alemães. Sua carreira na universidade foi ampla, quase ao ponto de ser excêntrica. Estudou direito na Universidade Ruprecht Karl de Heidelberg e biologia na atual Universidade Humboldt de Berlim, na Universidade Friedrich Schiller de Jena e na Universidade de Würzburg. Foi nessa última universidade que ele assistiu as palestras de Rudolf Virchow e desenvolveu um interesse pelo que era então conhecido como “etnologia”. Por fim, decidiu-se pela medicina e se formou em Praga em 1850. Foi membro da corporação estudantil Vandalia Heidelberg e membro honorário do corporação Saxonia Jena.
Em Berlim
Nos oito anos seguintes, Bastian permaneceu no território da Confederação da Alemanha do Norte, onde envolveu-se na criação de várias importantes instituições etnológicas de Berlim Ele qualificou-se como professor em 1866 e tornou-se palestrante em Berlim no mesmo ano. Juntamente com Robert Hartmann (1832-1893), Bastian fundou a revista etnológica e antropológica Zeitschrift für Ethnologie (ZfE) em 1869. No mesmo ano, foi eleito membro da Academia de Ciências Leopoldina. Foi sempre um ávido colecionador, e suas contribuições para o museu real de Berlim, foram tão abundantes, que um segundo museu, a Sociedade de Antropologia, Etnologia e Pré-história de Berlim, foi fundada em grande parte como resultado das contribuições de Bastian. Sua coleção de artefatos etnográficos tornou-se uma das maiores do mundo nas décadas que se seguiram. Trabalhou também com Rudolf Virchow para organizar a Sociedade Etnológica de Berlim, que usaria a ZfE como seu principal veículo de publicação. Durante este período, foi também chefe da Real Sociedade Geográfica da Alemanha.
Bastian é lembrado como um dos pioneiros do conceito de "unidade psíquica da humanidade" - a ideia de que todos os seres humanos compartilham uma estrutura psíquica básica. Esta tornou-se a base de outras formas de estruturalismo do século XX , e influenciou as ideias de Carl Jung do inconsciente coletivo. Argumentou também que o mundo era dividido em diferentes "províncias geográficas" e que cada uma destas províncias passava pelos mesmos estágios de desenvolvimento evolutivo. De acordo com Bastian, as inovações e os traços da cultura não tendem a difundir-se em todas as áreas. Ao contrário, cada província toma a sua forma única, como consequência de seu ambiente. Esta abordagem foi parte de um interesse maior do século XIX, o "método comparativo", tal como praticado pelos antropólogos, como Edward Burnett Tylor. Bastian considerava-se extremamente científico, é importante notar que ele emergiu da tradição naturalista, que foi inspirada por Johann Gottfried Herder e exemplificada por figuras como Alexander von Humboldt. Para ele, o empirismo significa uma rejeição da filosofia em favor das observações escrupulosas. Como resultado, era extremamente hostil à teoria da evolução de Darwin, porque a transformação física das espécies nunca havia sido empiricamente observada, apesar do fato de que postulou um desenvolvimento evolucionário similar para a civilização humana. Além disso, estava muito mais preocupado com a documentação incomum das civilizações antes que elas desaparecessem (provavelmente como consequência do contato com a civilização ocidental) do que com a aplicação rigorosa da observação científica. Como resultado, alguns têm criticado as suas obras por serem coleções desorganizadas de fatos e não coerentemente estruturadas ou estudos empíricos cuidadosamente pesquisados.
Ao defender a "unidade psíquica da humanidade", Bastian propôs um projeto simples para o desenvolvimento em longo prazo de uma ciência da cultura humana e da consciência baseada neste conceito. Argumentou que os atos mentais de todas as pessoas em todos os lugares do planeta são produtos dos mecanismos fisiológicos característicos da espécie humana (o que hoje poderíamos chamar de carga genética sobre a organização e o funcionamento do sistema neuroendócrino humano). Cada mente humana herda um complemento específico da espécie "ideias elementares" (Elementargedanken) e, portanto, as mentes de todas as pessoas, independentemente da sua raça ou cultura, funcionam da mesma maneira. De acordo com Bastian, as contingências da sua localização geográfica e histórica criaram diferentes elaborações locais das "ideias elementares"; estas ele chamou de "ideias populares" (Volkergedanken). Bastian também propôs um "princípio genético" legal pelo qual as sociedades desenvolvem-se ao longo de sua história exibindo desde instituições sócio-culturais simples até tornarem-se cada vez mais complexas na sua organização. Através da acumulação de dados etnográficos, pode-se estudar as leis psicológicas do desenvolvimento mental como elas se manifestam em diversas regiões e sob diferentes condições. Embora se esteja falando com informantes individuais, Bastian defende que o objeto da investigação não é o estudo do indivíduo em si, mas sim das ""ideias populares" ou "mente coletiva" de um povo em particular.


