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Calígula

Caio Júlio César Augusto Germânico, mais conhecido pelo apelido de Calígula, foi um imperador romano de 37 d.C. até seu assassinato em 41 d.C. Ele era filho do general romano Germânico e de Agripina, a Velha, neta de Augusto. Pertencia à primeira família governante do Império Romano. Nasceu dois anos antes de Tibério se tornar imperador. Quando tinha cerca de quatro ou cinco anos, acompanhou o pai, a mãe e os irmãos em uma campanha na Germânia. Ele foi batizado com o nome de Caio Júlio César, mas os soldados de seu pai o apelidaram carinhosamente de "Calígula" ("sandalinhas"), devido às pequenas sandálias militares que usava.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 20/07/2026
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Juventude

Família

Nascido com o nome de Caio Júlio César Germânico a 31 de agosto de 12 nas imediações de Anzio, Calígula era o terceiro dos seis filhos sobreviventes do matrimônio entre Germânico e Agripina. Os seus irmãos foram Nero e Druso, e as suas irmãs Júlia Lívila, Drusila e Agripinila. Por parte do seu pai era sobrinho do futuro imperador Cláudio. Germânico, o seu pai era um importante membro da dinastia júlio-claudiana, e é hoje em dia considerado um dos maiores generais do Império Romano. Era filho de Nero Cláudio Druso e Antónia, a Jovem, neto de Tibério Cláudio Nero e Lívia; e sobrinho neto e filho adotivo de Augusto. Agripina era filha de Marco Vipsânio Agripa e Júlia, a Velha, e neta de Augusto e Escribônia.

Juventude

Durante a sua infância (com apenas dois ou três anos), acompanhou o seu pai nas campanhas que este liderou a norte de Germânia; tornando-se o mascote do exército. Aos soldados divertia-os o fato de ir vestido com um uniforme militar em miniatura que incluía sandálias reforçadas e armadura, e por isso deram-lhe a carinhosa alcunha de "Calígula" ("Sandalinha"). Aparentemente, o futuro imperador viria a odiar a sua alcunha em adulto, instindo em ser tratado pelo seu mais respeitável nome próprio, Caio Júlio César. Quando tinha sete anos, acompanhou a Germânico em uma expedição à Síria. Nessa expedição, morreu o seu pai a 10 de outubro de 19. Segundo Suetônio, Germânico foi envenenado através de um agente contratado por Tibério, que via o general como um perigoso rival político, e não participou nas suas enormes celebrações fúnebres. É possível, no entanto, que a súbita morte do general tenha sido de causas naturais, como malária.

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Imperador

Militarmente, o reinado de Calígula esteve pontuado pela expansão das fronteiras do Império através da anexação da província de Mauritânia e pelo começo dos preparativos para a conquista da ilha da Britânia (província romana). Mauritânia era um reino cliente de Roma governado por Ptolemeu da Mauritânia, a quem Calígula mandou executar durante uma das suas visitas a Roma. Após a morte do seu governante, os territórios que formavam o reino foram anexados ao Império e divididos em duas províncias independentes. O descontentamento surgido entre os habitantes das duas novas províncias derivou numa importante revolta, que seria sufocada durante a administração de Cláudio. Dião Cássio escreveu um capítulo inteiro a respeito da anexação da Mauritânia, que desapareceu. O imperador planejou uma campanha contra os Britanos em 40, mas a sua execução foi realmente estranha: segundo escreve Suetônio na sua obra As Vidas dos Doze Césares, o imperador dispôs as tropas em formação de batalha ao longo do Canal da Mancha e ordenou que atacassem permanecendo na água. Posteriormente ordenou que os soldados deviam recolher conchas da água como "o tributo que o oceano devia ao monte Capitolino e ao monte Palatino". Devido à prática ausência de fontes, o que ocorreu ali é motivo de debate até mesmo entre os escritores contemporâneos a Calígula. Os historiadores modernos apresentaram um grande número de teorias, numa tentativa de explicar estas ações. O mais factível é que esta viagem fosse concebida como uma simples missão de exploração e reconhecimento do terreno, ou com o objetivo de aceitar a rendição do cacique britano Admínio. Também é possível de que os antigos historiadores se referissem a estas "conchas" em senso metafórico, querendo referir-se aos genitais femininos (é provável que as tropas visitassem prostíbulos), ou à captura de barcos britanos de pequeno tamanho. Na cunhagem de moedas, o imperador engrandeceu os seus sucessos militares.

Início do seu reinado

Quando Tibério morreu a 16 de março de 37, a sua posição e títulos adquiridos como princeps foram transferidos a Calígula e ao neto de Tibério, Tibério Gêmelo. Apesar de Tibério ter então 77 anos, alguns historiadores defendem que foi assassinado. Tácito escreve que o prefeito do pretório Macro asfixiou o imperador a fim de garantir a ascensão de Calígula; Suetônio afirma que até mesmo o novo herdeiro pôde ter sido o autor do assassinato. Por sua vez, Fílon e Josefo registram que Tibério morreu por morte natural. Respaldado por Macro, Calígula foi designado imperador em solitário ao anular o testamento de Tibério alegando demência deste ao outorgá-lo.

Enfermidade, conspirações e mudança de atitude

Fazendo realidade um auspício formulado em princípios do seu reinado, Calígula caiu gravemente enfermo em outubro de 37. Esta doença é descrita nomeadamente pelo historiador Fílon. Dião Cássio também a menciona brevemente na sua obra. Segundo Fílon, sua doença devia-se a que Calígula, após ser nomeado imperador, tornou-se amigo demais dos excessos. O império ficou paralisado ao receber a notícia da doença, pois o seu jovem monarca levara-os para um período de prosperidade que diziam equiparável ao de Augusto. Embora Calígula conseguisse recuperar-se por completo desta doença, o estar tão perto da morte marcou um ponto de inflexão no seu modo de reinar, tal qual indica Josefo.

Reformas públicas

Em 38, a administração de Calígula focou-se nas reformas públicas e políticas de que precisava o Império. Foi publicado um documento com os registros das despesas que realizara o imperador, algo nunca feito durante o reinado de Tibério; os afetados pelos incêndios foram ajudados; foram abolidos certos impostos; e impulsionados os eventos desportivos. Também foram admitidos novos membros nas ordens senatorial e equestre. Talvez o mais significativo deste período seja a volta das eleições democráticas. Dião Cássio disse desta decisão do imperador que: Durante este mesmo ano, Calígula foi duramente criticado por ordenar execuções sem juízo prévio. A mais significativa foi a do ex-prefeito do pretório Sutório Macro, a quem em muitos sensos Calígula devia o trono.

Crise econômica e fome

Segundo Dião Cássio, o império teve de fazer face a uma grave crise econômica em 39. Suetônio estabelece o começo da crise em 38. A política de Calígula, pontuada pela generosidade e a extravagância, esgotou as reservas financeiras do império. Os historiadores antigos afirmam que Calígula reagiu acusando falsamente alguns senadores e cavaleiros para os multar e até mesmo executá-los com o propósito de se apoderar do seu patrimônio. Com o objetivo de fazer face à crise, Calígula pôs em funcionamento uma série de medidas desesperadas, algumas das quais são descritas pelos historiadores; como pedir dinheiro ao povo nos atos públicos. Estabeleceu novos impostos nos juízos, casamentos e prostíbulos, e implementou leilões pelas vendas dos gladiadores nos espetáculos. Os testamentos de cidadãos romanos que deixavam os seus bens a Tibério foram reinterpretados de modo a que Calígula recebesse esses bens. Os centuriões que adquiriram propriedades durante saques foram obrigados a devolver a sua pilhagem ao Erário, e os oficiais responsáveis pelo cobro dos impostos relativos ao uso de calçadas foram acusados de incompetência e malversação, e multados duramente.

Urbanismo

Apesar da crise econômica, Calígula efetuou numerosos projetos de construção durante o seu reinado. Alguns destes edifícios eram públicos, mas a maioria foram erigidos com um fim privado. Segundo Flávio Josefo, os projetos mais importantes realizados durante o reinado de Calígula foram as ampliações dos portos de Régio e Sicília). Após efetuar tais obras, foi possível aumentar o volume de cereais embarcados desde o Egito. Estas reformas talvez fossem realizadas em resposta ao episódio de fome. Foram completados o Templo de Augusto e o Teatro de Pompeu, começou a construção de um anfiteatro nas imediações da Septa Júlia, e foi reformado o Palácio Imperial. Começaram a construir o Água Cláudia e o Ânio Novo, aquedutos que Plínio, o Velho considerava maravilhas da engenharia. Foi erigido um grande circo, conhecido como o Circo de Caio e Nero. Para decorar este edifício, foi transportado um grande obelisco da província do Egito, o atual Obelisco Vaticano, que foi erigido no seu centro. Em Siracusa, foram reparadas as muralhas e os templos da cidade. Foram construídas novas estradas e reparadas as antigas. O imperador também planejava reconstruir o palácio de Polícrates de Samos, terminar o Templo de Apolo Didimeu em Éfeso e fundar uma cidade no cume dos Alpes. Contudo, o mais ambicioso dos projetos que Calígula quis efetuar foi o de escavar um canal através do istmo de Corinto, na então província romana da Acaia (atualmente Grécia).

Calígula e o senado

Em 39, as relações entre Calígula e o senado deterioraram-se gravemente. Embora se desconheça a origem desta disputa, é sabido que houve uma série de fatores que a agravaram em larga medida. Desde que Tibério se retirou em Capri em 26, o senado acostumara-se a tomar as suas próprias decisões; mas a ascensão ao trono de Calígula alterou este fato. Além disso, os juízos por traição de Tibério eliminaram um grande número de senadores partidários da dinastia júlio-claudiana, tais como Asínio Galo. Calígula revisou os casos dos acusados por traição durante o reinado de Tibério, e com base nos documentos, decidiu que muitos senadores não eram dignos de confiança. Estes homens foram investigados, e em muitos casos julgados. Como resultado, o imperador substituiu o cônsul e executou vários senadores. Suetônio escreve que Calígula denegriu gravemente vários senadores ao obrigá-los a aguardar e depois a correr detrás do seu carro.

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Historiografia

Oferecer uma visão exata a respeito do reinado de Calígula é extremamente difícil. Somente duas fontes contemporâneas ao imperador chegaram à atualidade: os trabalhos de Fílon de Alexandria e Sêneca, o Moço. As obras do primeiro, Da Embaixada a Caio e Flaco, proporcionam alguns pormenores a respeito dos começos do reinado de Calígula, mas centrados nos acontecimentos que rodearam à população judaica que habitava as províncias da Judeia e Egito. As obras de Sêneca oferecem algumas anedotas a respeito da personalidade de Calígula; porém, a objetividade destes escritos foi questionada devido a que o próprio Sêneca esteve prestes a ser executado pelo imperador em 39, quando foi acusado de participar numa conspiração para derrocá-lo. Existiram obras coetâneas que relatavam detalhadamente o seu reinado, mas estas obras desapareceram. Além disso, os historiadores que as escreveram foram classificados como parciais, quer por serem críticos demais quer por serem aduladores do imperador. Em qualquer caso, as fontes primárias perdidas, unidas às obras de Sêneca e Fílon, serviram de base das fontes secundárias e terciárias sobreviventes, escritas pelas seguintes gerações de escritores. É conhecido o nome de alguns de eles, tais como Clúvio Rufo e Fábio Rústico, autores de dois escritos que criticavam duramente a Calígula, agora perdidos. Rústico foi um conhecido amigo de Sêneca, famoso entre os seus coetâneos pelo elegante uso que fazia dos recursos literários e pela tergiversação de que eram vítimas as suas histórias. Rufo era um influente senador que se viu envolvido no assassinato do imperador. A irmã de Calígula, Agripina a Menor, escreveu uma autobiografia que relatava o período do seu irmão como imperador, a qual também se perdeu. Agripina fora exilada pelo seu irmão como consequência das suas conexões com Marco Emílio Lépido, que conspirou contra ele. A herança do filho de Agripina, Nero, foi tomada pelo seu tio.

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Saúde

Demência

Exceto Plínio, o Velho, todas as fontes sobreviventes descrevem a Calígula como um louco. Porém, não se sabe se estão falando literal ou figuradamente. Além disso, é difícil separar a realidade da ficção levando em conta a impopularidade do imperador entre essas fontes. Os historiadores modernos trataram de atribuir uma razão médica ao seu instável caráter, alegando a possibilidade de que padecera encefalite, epilepsia ou hipertiroidismo; fala-se de adiatrepsia, uma palavra grega que o imperador aplicou para descrever a sua própria conduta. Fílon de Alexandria, Flávio Josefo e Sêneca, o Moço descrevem Calígula como um demente, mas alegam que esta loucura era resultado da experiência dos anos. Segundo Sêneca, o imperador transformou-se num homem arrogante, iracundo e grosseiro na sua ascensão ao trono. Josefo pensa que foi o poder que tornou Calígula um arrogante, fazendo-lhe acreditar que era um deus. Pela sua vez, Fílon defende que a sua personalidade experimentou um radical câmbio quando esteve prestes a falecer de uma doença. Segundo Juvenal, o imperador bebeu uma poção que o tornou louco.

Epilepsia

Suetônio escreve que Calígula padeceu de epilepsia quando era novo. Os historiadores modernos teorizaram que o imperador vivia com um profundo e contínuo medo de sofrer um ataque associado à sua doença. Apesar de aprender a nadar ter sido parte da educação imperial, o imperador não o fez, pois os epiléticos podem sofrer ataques causados pela luz que se reflete na água. Também é dito dele que falava com a lua cheia, e a lua é relacionada ocasionalmente com a epilepsia. Assim, há quem date os começos da sua demência a oito meses após o começo da sua ascensão ao poder, após um ou mais estados de mal epiléticos desencadearem mudanças psicopáticas e paranoicas, que culminariam num estado de demência.

Hipertiroidismo

Muitos historiadores defenderam que Calígula sofria de hipertiroidismo. Este diagnóstico é baseado na irritabilidade e na "olhada" do imperador, descrita por Plínio, o Velho.

Envenamento de chumbo

Como é comum teorizar sobre a saúde pública romana, pode ter havido uma sobre-exposição de Calígula a chumbo. O consumo adicional de vinho poluído, e outros produtos alimentares com este contaminante, pode ter gerado envenenamento por chumbo, com consequente relatada irritabilidade e, no caso de Calígula, possível paranoia de poder estar sendo envenenado.

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Fontes consultadas

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