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Eritreia

Eritreia, oficialmente Estado da Eritreia, é um país localizado no Chifre da África. Sua capital é Asmara. Faz fronteira com o Sudão a oeste, a Etiópia a sul, e Djibuti a sudeste. As partes nordeste e leste da Eritreia têm um extenso litoral ao longo do Mar Vermelho, tendo na outra margem a Arábia Saudita e o Iémen. O arquipélago de Dalaque e várias das ilhas Hanish também fazem parte da Eritreia. O país tem uma área total de 117 600 km², com uma população estimada em cerca de 5 milhões de habitantes. O nome do país é baseado no nome grego para o Mar Vermelho, que foi adotado pela primeira vez para a Eritreia italiana em 1890.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 09/07/2026
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História

A Eritreia tem alguns dos fósseis mais antigos de humanos e hominídeos do mundo. Investigadores italianos descobriram, em 1995, na aldeia de Buya, no sudeste do país, o crânio de um hominídeo com mais de 1 milhão de anos, representando um intermediário entre o homo erectus e o homo sapiens primitivo. Em setembro de 1999, um grupo internacional de biólogos-marinhos e geólogos descobriu, na região, evidências para as respostas algumas de algumas das questões mais importantes que envolve a evolução dos seres humanos: quando os nossos primeiros antepassados começaram a utilizar ferramentas para a pesca, e quando e como migraram os primeiros humanos de África. Foram descobertas, na baía de Zula, ferramentas de pedra com mais de 125 000 anos, enterradas em corais antigos pelas praias do Mar Vermelho. Pinturas rupestres das épocas mesolíticas são abundantes no norte e centro do país, mostrando algumas das primeiras sociedades de caçadores-colectores no mundo. A Eritreia também foi o lugar onde evoluiu o elefante, de acordo com o paleontologista americano William Sanders, que encontrou, no país, o antecedente mais antigo do elefante, um fóssil com cerca de 27 milhões anos.

Portugueses

Portugal em seu caminho para encontrar o reino do "Preste João", um aliado crucial para atacar Meca, descobriu que teria que dominar o Mar Vermelho. Para tanto, utilizou sua marinha como plataforma de ataque ao Império Otomano, porém seria necessária a criação de bases de comércio e abastecimento. Os portugueses com os seus missionários também visavam a consolidação do poder religioso. A presença foi possível em Maçuá e Arquico, sendo esta última uma pequena vila a sul do Porto de Maçua, governada pelo capitão português Gonçalo Ferreira, para garantir a presença de um segundo porto para manutenção das frotas portuguesas. No porto de Maçua estava prevista a construção de uma fortaleza por ordem do Rei D. Manuel I, projeto que foi posto de lado após a sua morte. Apesar disso, em 1541, Maçua e o seu porto foram projetados por D. João de Castro, tal como foi feita uma descrição exaustiva da cidade.

Otomanos

A costa, o norte e os matos ocidentais da Eritreia são então dominados pelos poderes árabes e logo também pelos otomanos, enquanto que o cristianismo permanece no planalto, onde vários reinos e dinastias rivais pretendiam afirmar e expandir o seu poder e, ao mesmo tempo, prevenir a dominação dos vizinhos muçulmanos que conhecem o país como Abissínia. Os otomanos conseguiram conquistar o nordeste da atual Eritreia nas duas décadas seguintes, uma área que se estendia de Massawa a Swakin no Sudão. O território tornou-se uma governadoria otomana, conhecida como Eialete de Habexe. Massawa foi a primeira capital da nova província. Quando a cidade tornou-se de importância econômica secundária, a capital administrativa logo foi transferida através do Mar Vermelho para Jeddah. Os turcos tentaram ocupar as partes altas de Medri Bahri em 1559 e retiraram-se depois de encontrar resistência e foram repelidos por Bahri Negash e as forças das montanhas. Em 1578, eles tentaram se expandir para as terras altas com a ajuda de Bahri Negash Yisehaq, que trocou de alianças devido à luta pelo poder, e em 1589 mais uma vez foram aparentemente obrigados a retirar suas forças para a costa.

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Política

A Eritreia é um Estado unipartidário, governado pela Frente Popular por Democracia e Justiça (FPDJ). Outros grupos políticos não estão autorizados a se organizar, embora a não implementada Constituição de 1997 prevê a existência de uma política pluripartidária. A Assembleia Nacional tem 150 assentos, dos quais 75 são ocupados pelo FPDJ. Eleições nacionais têm sido, periodicamente, agendadas e, posteriormente, canceladas; nunca houve eleições no país. Fontes locais independentes de informações políticas nas políticas domésticas eritreias são escassas; em setembro de 2001, o governo encerrou as atividades de todas as empresas privadas da nação; críticos do governo da mídia e da imprensa foram presos e detidos sem julgamento, de acordo com vários observadores internacionais, incluindo a Human Rights Watch e a Anistia Internacional. Em 2004, o Departamento de Estado dos Estados Unidos declarou a Eritreia um País de Preocupações Específicas (PPE) pela sua intensa perseguição religiosa.

Eleições nacionais

As Eleições Nacionais Eritreias foram anunciadas para serem realizadas 1995 e depois adiada até 2001; foi então decidido que porque 20% das terras da Eritreia estava sob ocupação, as eleições seriam adiadas até a resolução do conflito com a Etiópia. No entanto, eleições locais continuaram na Eritreia. As mais recentes eleições locais foram realizadas em maio de 2004. Em outras eleições, o Chefe-do-Estado-Maior, Yemane Ghebremeskel, disse: A comissão eleitoral está a lidar com estas eleições, desta vez de modo que tenha um novo elemento neste processo. A Assembleia Nacional também encarregou a Comissão Eleitoral para definir a data para as eleições nacionais, assim sempre que a comissão eleitoral definir a data, haverá eleições nacionais. Isto não depende das eleições regionais.

Relações exteriores

A Eritreia é membro da União Africana (UA), a organização sucessora da Organização da Unidade Africana (OUA) e é um membro observador da Liga Árabe. Porém o país afastou sua representatividade na UA em protesto à falta de liderança na implementação da demarcação da fronteira entre a Eritreia e a Etiópia. A relação da Eritreia com os Estados Unidos é complicada. Embora as duas nações tenham relações próximas de trabalho na atual guerra contra o terrorismo, tem havido uma crescente tensão em outras áreas. A relação da Eritreia com a Itália e a União Europeia tornou-se igualmente tensa em muitas áreas nos últimos três anos. A Eritreia também tem tensas relações com todos os seus vizinhos: Sudão, Etiópia, Iémen, Somália e Djibuti. Em 2007, a Etiópia expulsou sete diplomatas noruegueses, alegando que: "Os soldados da Eritreia são financiados integralmente pela Noruega. Ao apoiar àqueles que destroem os processos de paz em nosso país vizinho, a Noruega prejudica o trabalho de paz do governo etíope."

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Subdivisões

A Eritreia é dividia em seis regiões (zobas) e subdividida em distritos (sub-zobas). A extensão geográfica das regiões é baseada em suas respectivas propriedades hidrológicas. Por parte do governo da Eritreia, há duas intenções nisto: proporcionar a cada administração um controle suficiente sobre a sua capacidade agrícola, e eliminar os conflitos históricos intra-regionais.

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Geografia

A Eritreia situa-se no Corno de África, e tem litoral a nordeste e o Mar Vermelho ao leste. O país é virtualmente dividido em duas partes por uma das cordilheiras mais longas do mundo, o Grande Vale do Rift, com terras férteis a oeste e a parte baixa e desértica no leste. Ao largo da linha costeira arenosa e árida situam-se as ilhas Arquipélago de Dalaque, um arquipélago dotado de zonas pesqueiras. A terra para sul, nas terras altas, é um pouco menos seca e mais fresca. A Eritreia, ao extremo sul do Mar Vermelho, é o berço da confluência do Rift. O Triângulo de Afar é a provável posição de uma ligação tripla onde três placas tectônicas estão separando uma de outra: a Placa Arábica, e as duas partes da Placa Africana (a Núbia e a Somali) partindo ao longo da Zona do Rift do Leste Africano (USGS). O ponto mais elevado do país, o monte Emba Soira, situa-se no centro da Eritreia e atinge 3018 m de altitude. Em 2006 a Eritreia anunciou que se tornaria o primeiro país a transformar o seu litoral inteiro numa zona ambientalmente protegida. A linha costeira de 1347 km, junto com outros 1 946 km de litoral ao redor das suas mais de 350 ilhas, estarão sob proteção governamental. A Eritreia tem 4 principais regiões fisiográficas: a planície costeira do mar Vermelho; o planalto centro-sul, que forma o núcleo do país; as colinas das áreas norte e centro-oeste; e os amplos planaltos ocidentais.

Relevo e clima

O território da Eritreia é constituído de um trecho setentrional do maciço da Etiópia, ladeado por baixadas a leste e a oeste. A planície oriental, de 16 a 80 km de largura, abrange a depressão de Danakil e é marcadamente delimitada por uma escarpa do maciço. No lado oeste, cortado por gargantas formadas pelos rios que correm ao direção ao Sudão, a altitude diminui gradualmente a partir do maciço. As condições climáticas variam bastante até mesmo entre regiões próximas. Mitsiwa ou Massawa, a cidade porto eritreia esta a 6 metros acima do nível do mar, tem temperatura média anual de 30 °C e precipitação pluviométrica anual de 200 mm, enquanto Asmara, situada a apenas 65 km de distância, mas a uma altitude de 2 325 m, registra 17 °C e 533 mm.

Hidrografia

Os principais rios da Eritreia são o Anseba e Barka que correm em direção ao norte; os rios Marebe e Tekezé, na fronteira com a Etiópia, correm em direção a oeste dentro do Sudão. O curso superior do rio Marebe é conhecido como o rio Mereb. Estes rios são temporários e não permanentes. Eles não correm em uma base regular, mas alimentado por chuvas estacionais chamadas azmera y kremti.

Flora e fauna

O território eritreu é revestido por três tipos de formações vegetais: Embora a girafa e o mandril sejam extintos na Eritreia, há populações de leão, leopardo, zebra, as espécies de macaco, gazela, antílope e elefante. As áreas litorâneas abrigam muitas espécies de tartaruga, lagosta e camarão. A vida vegetal inclui acácia, cacto, aloe vera, opuntia e oliveiras. A Eritreia, antigamente, tinha uma larga população de elefantes. Os Reinos ptolemaicos do Egito usavam o país como fonte de elefantes de guerra no século III a.C.. Entre 1955 e 2001 não foram relatados vistos de manadas de elefantes, e muitos acham que os elefantes tenham sido vítimas da guerra de independência. Em dezembro de 2001 uma manada de cerca de 30 elefantes, incluindo 10 filhotes, foi observada nas proximidades do rio Marebe. Os elefantes formaram uma relação simbiótica com babuíno-anubis. É estimado que haja cerca de 100 elefantes vivendo na Eritreia, os mais setentrionais dos elefantes da África Oriental. O Cão-Caçador-Africano, espécie ameaçada de extinção foi encontrado na Eritreia, mas hoje em dia é considerado extinto em todo o país.

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Economia

Como as economias de muitas outras nações africanas, a economia da Eritreia é largamente baseada na agricultura de subsistência, com 80% da população trabalhando na agricultura ou na pecuária. As secas que invadem a região criaram muitas dificuldades nas áreas agrícolas. A Guerra Etíope-Eritreia afetou severamente a economia do país. O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), em 1999, caiu em menos de 1%, e o PIB total diminuiu 8,2% em 2000. Em maio de 2000, a ofensiva etíope na região sul da Eritreia causou danos materiais e perdas de mais de US$ 600 milhões, incluindo perdas de US$ 225 milhões na pecuária e no aparo de 55 000 casas. O ataque impediu o plantio de culturas na região mais produtiva da Eritreia, causando uma queda na produção de alimentos em 62%. Mesmo durante a guerra, a Eritreia desenvolveu sua infra-estrutura de transporte, asfaltando novas estradas, melhorando seus portos, e reparando as rodovias e pontes danificadas pela guerra, como parte do Programa de Warsay Yika'alo. O mais significante desses projetos foi a construção de uma estrada costeira de mais de 500 km, ligando Massawa com Asseb, bem como a reabilitação da Ferrovia da Eritreia. A linha férrea hoje funciona entre o porto de Massawa e da capital Asmara.

Agricultura, Silvicultura e Pesca

Em 2003, a agricultura empregava quase 80% da população, mas contava em apenas 12,4% do produto interno bruto (PIB) da Eritreia. O setor agropecuário é dificultado pela ausência de equipamentos e técnicas agrícolas modernas, chuvas irregulares, solos esgotados, e falta de serviços financeiros e investimento. Os principais produtos agrícolas são: a cevada, feijões e lintéis, produtos lácteos, carne, milho, couro, sorgo, teff, e trigo. O deslocamento de 1 milhão de eritreus como resultado da guerra com a Etiópia, múltiplos anos em seca, e a presença generalizada de minas terrestres têm desempenhado um papel importante no declínio da produtividade do setor agrícola. Atualmente, quase um quarto das terras mais produtivas do país permanece desocupada por causa efeitos nefastos da guerra com a Etiópia (1998-2000). Em 2005, a produção nacional de alimentos deve fornecer menos de 20% da demanda interna e estima-se que haverá entre 1,7 e 2,2 milhões de pessoas dependentes da ajuda humanitária para atender às necessidades alimentares básicas.

Mineração

Os depósitos minerais substanciais da Eritreia são largamente inexplorados, como consequência da guerra com a Etiópia. De acordo com o governo eritreu, a mineração artesanal, em 1998, coletou 573,4 km de ouro. É estimado que a Eritreia tenha 14 000 km do total de reservas de ouro. Observadores ocidentais também notaram o excelente potencial do país para a extração de mármore e granito. Em 2001, 10 companhias de mineração (incluindo firmas canadenses e sul-africanas) obtiveram licenças de explorar diversos minerais na Eritreia. O governo eritreu está em um processo de realização de um levantamento geológico para utilizar investidores com potencial no setor da mineração. A presença de centenas de milhares de minas terrestres na Eritreia, especialmente ao longo da fronteira com a Etiópia, representa um sério obstáculo ao futuro do desenvolvimento do setor mineralógico.

Indústria e fábricas

A Etiópia nacionalizou as 42 maiores fábricas da Eritreia e, sistematicamente, desmantelou o setor industrial eritreu durante a longa guerra civil. No final da guerra, no entanto, toda a produção parou. A plantação foi, geralmente, ineficiente, e muitas dessas indústrias requeriam investimentos significantes para atingir a produtividade. Itens manufaturados em 2002 incluem: bebidas, alimentos processados, tabaco, couro, tecidos, produtos metálicos, químicos, imprensa, minerais não metálicos, materiais de construção, sal, papel, e fósforos. O governo solicitou a privatização destas empresas, e fez incentivos, tais como isenções de imposto de renda, tratamento preferencial na concessão de divisas para as importações, e provisões para remessa de divisas ao exterior. Em 2002, houve aproximadamente 2 000 companhias manufatureiras operando no país.

Prestação de serviços

A prestação de serviços em 2003 contou em 62,4% do produto interno bruto. Os serviços financeiros, a maior parte do setor de serviços, principalmente, são prestados pelo Banco Nacional da Eritreia (o banco central da nação), do Banco Comercial da Eritreia, O Banco de Habitação e Comércio da Eritreia, o Banco de Agricultura e Industrial da Eritreia, o Banco de Investimentos e Desenvolvimento da Eritreia, e a Corporação de Seguros da Eritreia, todas maioritariamente próprias do governo e do partido no poder.

Turismo

A pobreza da Eritreia, a presença de um grande número de minas terrestres, e as tensões contínuas entre a Eritreia e os países vizinhos dissuadiram o desenvolvimento de uma indústria turística na Eritreia. De acordo com a Organização Mundial de Turismo, as receitas internacionais do turismo em 2002 no país foram de apenas US$ 73 milhões (comparada a US$ 730 milhões da Tanzânia).

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Demografia

A sociedade eritreia é etnicamente heterogênea. Um censo independente ainda está para ser conduzido, porém o povo tigrínio e o povo tigré, juntos, perfazem cerca de 80% da população. Eles formam a população predominante no pais, os semitas. O resto da população é de grupos afro-asiáticos, como o saho, hedareb, afar, e bilen. Estes povos são falantes das línguas cuchíticas; há relatos que estes povos sejam os habitantes mais antigos do Chifre da África. Há também um número de povos nilotas, que são representados na Eritreia pelos Kunama e pelos Nara. Cada etnia fala um idioma nativo diferente mas, geralmente, muitas das minorias falam mais de um idioma. Há uma minoria de tigrínios etíopes e de eritreus italianos ou ítalo-eritreus, que estão concentrados em Asmara e cuja religião maioritária é o catolicismo de rito latino. A cidadania, geralmente, é concedida em função do matrimônio ou, mais raramente, conferida pelo próprio Estado.

Idioma

Muitos idiomas são falados na Eritreia hoje em dia. Não há um idioma oficial, como tal, a Constituição estabelece a "igualdade de todas os idiomas da Eritreia", porém o tigrínio e o árabe são os dois idiomas predominantes para propósitos oficiais. O italiano e o inglês são também largamente compreendidos. A maioria dos idiomas falados na Eritreia derivam dos ramos semítico e chuchíticos da família afro-asiática. As línguas semíticas na Eritreia são: tigré, tigrínia, a mais nova reconhecida dalique e o árabe (falado nativamente pelos árabes rashaida); estes são os principais idiomas falados, empregados por aproximadamente 80% da população. As línguas cuchíticas na Eritreia são muito numerosas, incluindo as línguas afar, beja, blin e saho. O kuama e nara também são falados no país e pertencem à família linguística nilo-saariana. O inglês é falado pelos eritreus considerados "mais educados" e é um legado da ocupação britânica. O amárico é falado pelos eritreus mais velhos considerados 'educados', antes da independência e aqueles que viveram na Etiópia. O italiano é uma herança dos tempos coloniais.

Religião

Embora não existam estatísticas confiáveis, estima-se que a Eritreia tenha duas religiões dominantes, o Islã e o Cristianismo, com aproximadamente metade da população seguindo uma das duas religiões. Muitos dos muçulmanos seguem o sunismo islâmico. Em 2007, cerca de 30% da população era filiada na Igreja Ortodoxa Eritreia Tewahido, que é uma igreja oriental ortodoxa não calcedoniana local. Cerca de 13% da população era católica romana (na sua maioria de rito oriental), enquanto grupos que constituíam menos de 5% da população incluem os protestantes, os Adventistas do Sétimo Dia, as Testemunhas de Jeová, os budistas, os hindus e os Baha'is. Cerca de 2% da população praticava religiões tradicionais indígenas.

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Infraestrutura

Saúde

O Ministério da Saúde da Eritreia é o órgão responsável pela administração e desenvolvimento da saúde no país. A Eritreia tem alcançado melhorias significativas na área, sendo um dos poucos a atingir a meta dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, em particular a saúde da criança. A expectativa de vida ao nascer aumentou de 39,1 anos em 1960, para 59,5 anos em 2008, com a taxa de mortalidade infantil caindo drasticamente no mesmo período. Devido ao relativo isolamento, informações e recursos da Eritreia são extremamente limitados e, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), constatou-se que a média de expectativa de vida é relativamente baixa. A imunização e nutrição infantil passaram a ser abordadas em estreita colaboração com as escolas, em caráter multi-sectorial. O número de crianças vacinadas contra o sarampo quase dobrou em sete anos, de 40,7% para 78,5% em 2010, e a prevalência de baixo peso entre crianças diminuiu 12% entre 1995 e 2002 (prevalência de baixo peso grave por 28%). A Unidade Nacional de Proteção contra a Malária, vinculada ao Ministério da Saúde eritreu, registrou enormes melhorias na redução da mortalidade da malária em até 85% e o número de casos em 92%, entre 1998 e 2006. O governo adotou uma política de banimento da mutilação genital feminina (MGF), alegando que a prática é dolorosa e coloca em risco a saúde e a vida das mulheres.

Educação

A educação da Eritreia é oficialmente obrigatória entre os 7 e 14 anos de idade. Os principais objetivos da política educacional da Eritreia é fornecer a educação básica em cada um dos idiomas do país, bem como produzir uma sociedade que é equipada com as competências necessárias para funcionar com uma cultura de auto-suficiência na economia moderna. A infraestrutura da educação é, atualmente, inadequada para preencher estes requisitos. Há cinco níveis de educação na Eritreia: pré-primário, primário, médio, secundário, e terciário. Há aproximadamente 238 000 estudantes nos níveis de educação primário, médio e secundário. Há aproximadamente 824 escolas no país e duas universidades, a Universidade de Asmara (UoA) e o Instituto de Tecnologia da Eritreia (ITE), bem como vários colégios menores e escolas técnicas. Os atuais centros de educação terciária na Eritreia incluem: a Faculdade de Biologia Marítima, a Faculdade de Agricultura, a Faculdade de Artes e Ciências Sociais, a Faculdade de Negócios e Economia, a Faculdade de Enfermagem e Tecnologia de Saúde, tanto na ITE quanto na Universidade de Asmara.

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Cultura

A região que hoje se localiza a Eritreia tradicionalmente foi um nexo para o comércio em todo o mundo. Por causa disto, a influência de diversas culturas pode ser vista através da Eritreia. Hoje em dia, as influências mais óbvias na capital, Asmara, são as italianas. Ao longo de Asmara, há pequenos cafés que servem bebidas tradicionais em Itália. Lá, há uma clara concentração da influência colonial italiana com o estilo de vida tradicional tigrínio. Nas aldeias da Eritreia, essas mudanças não são tão evidentes. Nas cidades, antes da ocupação e durante os primeiros anos, a importação de filmes de Bollywood era comum, enquanto filmes norte-americanos e italianos eram disponíveis nos cinemas do mesmo jeito. Nos anos 1980 e desde a independência, no entanto, filmes norte-americanos tornaram-se mais comuns. Disputando por uma quota do mercado, há filmes de produtores locais, que lentamente fazem crescer a indústria cinematográfica no país. A difusão global da Eri-TV trouxe imagens culturais para a grande população da Eritreia na diáspora que o país frequenta cada verão. Filmes domésticos de sucesso são produzidos pelo governo e estúdios independentes, com receitas das vendas de bilhetes, normalmente, cobrindo os custos da produção.

Cerimônia do café

Uma das partes mais conhecidas da cultura da Eritreia é a 'cerimônia do café'. O café (em ge'ez ቡን būn) é oferecido a amigos em visita, durante festividades, ou na vida diária. Se o café é potencialmente recusado, a segunda opção é o chá ("shai" ሻይ shahee). O café é fabricado primeiramente torrando o café verde sobre gughin em brasas num braseiro. Uma vez que os grãos são torrados, é dada a cada participante uma oportunidade de provar o fumo aromático. Depois, há a trituração dos grãos, tradicionalmente em um pilão de madeira. A borra de café é então colocada em uma vasilha especial, chamada jebena e fervida. A jebena é geralmente feita de barro e tem uma base esférica, pescoço, bico e alça, onde o pescoço se conecta com a base. Quando o café ferve através do pescoço, ele é derramado dentro de um outro recipiente para resfriá-lo e, em seguida é colocado de volta para a jebena. Para servir o café da jebena, um filtro feito de crina de cavalo é colocado no bico da jebena para impedir que o café escape.

Culinária

A principal comida tradicional da culinária eritreia é o guisado (stew), servido com injera (feitas a partir de teff, trigo, ou sorgo), e hilbet (pasta feita de legumes, principalmente, lentilha, e feijões fava). A culinária ertireia e etíope (especialmente na metade norte dos dois países) são bastante semelhantes, devido a história comum aos dois países. Os hábitos alimentares da Ertireia variam regionalmente. Nas terras altas, a injera é a dieta básica e comida diária entre os tigrínios. A injera é feita de teff, trigo ou sorgo, e se assemelha a uma esponja, uma panqueca levemente azeda. Ao comer, os convivas geralmente compartilham o alimento em um grande tabuleiro colocado no centro de uma mesa baixa. Inúmeras injeras são colocadas sobre esta bandeja e cobertas com vários guisados picantes.

Música

Cada grupo étnico na Eritreia tem seu próprio estilo de música e dança. Entre os trigínias, o gênero musical tradicional mais conhecido é a guaila. Os instrumentos tradicionais da música folclórica eritreia incluem o krar de cordas, o kebero, o begena, o masenqo e o wata (um primo distante rudimentar do violino). Uma artista eritreia popular é a cantora Tigrinya Helen Meles, que é conhecida por sua voz poderosa e ampla extensão. Outros músicos locais proeminentes incluem o cantor Kunama Dehab Faytinga, Ruth Abraha, Bereket Mengisteab, o falecido Yemane Ghebremichael e o falecido Abraham Afewerki. A dança desempenha um papel importante na sociedade eritreia. Todos os nove grupos étnicos têm muitas danças exuberantes. Os estilos de dança diferem entre os grupos étnicos; por exemplo, os povos bilens e tigre balançam os ombros enquanto estão em um círculo no final da dança, o que difere dos trigínias, que inicialmente dançam em uma rotação anti-horária, mas depois mudam para uma dança de ritmo acelerado, quebrando simultaneamente a rotação circular. O grupo étnico Kunama tem danças que incluem rituais, a saber: uka (ritos de passagem); indoda (orações por chuva); sangga-nena (mediação pacífica); e shatta (demonstrações de resistência e coragem). Elas são frequentemente de ritmo acelerado e acompanhadas por batidas de tambor.

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Fontes consultadas

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