Baobá
O gênero Adansonia L. engloba as majestosas árvores conhecidas popularmente como baobás, embondeiros ou cabaceiras. Originárias de regiões tropicais áridas e semiáridas, essas árvores notáveis se dividem em oito espécies descritas. Seis delas florescem em Madagascar, uma se espalha pela África e Oriente Médio, e outra enfeita a Austrália. O nome do gênero é uma homenagem ao naturalista francês Michel Adanson, que descreveu a espécie africana Adansonia digitata. Os baobás são verdadeiros símbolos de resistência e adaptação.
Pontos-chave
- Baobás (Adansonia L.) são árvores de regiões tropicais áridas e semiáridas.
- Existem oito espécies descritas, com distribuição em Madagascar, África, Oriente Médio e Austrália.
- Possuem troncos massivos e a capacidade de armazenar grandes quantidades de água.
- São árvores decíduas, perdendo suas folhas na estação seca para sobreviver à aridez.
- Têm importância cultural, ecológica e usos variados para diversas comunidades.
Os baobás são árvores decíduas de tronco massivo, formando um paquicaule cilíndrico que pode atingir diâmetros impressionantes de 7 a 11 metros, com exemplares ainda maiores registrados. Suas alturas variam de 5 a 30 metros. O ritidoma é liso e a madeira, fibrosa. O baobá de Glencoe (África do Sul), um espécime de A. digitata, ostentava um perímetro de 47 metros e diâmetro de 15,9 metros, mas ruiu em 2009. Atualmente, o maior espécime conhecido é o baobá de Sunland (África do Sul), com 9,3 metros de diâmetro e 34 metros de perímetro. As folhas compostas, com 5 a 11 folíolos, caem na estação seca, reaparecendo com as chuvas. Apenas na espécie A. rubrostipa as bordas das folhas são dentadas; nas demais, são inteiras.
Em regiões sazonalmente áridas, os baobás desenvolveram uma impressionante capacidade de armazenamento de água em seus troncos, podendo acumular de 100 a 200 litros. Essa reserva hídrica é crucial para sua sobrevivência durante os períodos de seca intensa. Com o envelhecimento, alguns baobás tornam-se ocos, transformando-se em verdadeiros depósitos naturais capazes de armazenar mais de seis mil litros de água.
A primeira menção literária a um baobá remonta a 1352, no relato de viagem de ibne Batuta, que descreveu um tecelão do Mali abrigado em um tronco oco. Informações escritas mais detalhadas surgiram em 1445, com navegadores portugueses na ilha de Gorée (Senegal). O cronista Gomes Eanes de Zurara, na Crónica dos Feitos da Guiné, descreveu árvores de aparência estranha com cerca de 108 palmos (aproximadamente 25 metros) de perímetro na base. Ele mencionou que a entrecasca servia para fazer fios para cordoaria e que o fruto se assemelhava a cabaças, com sementes comestíveis guardadas para tempos de escassez.
O gênero Adansonia é composto por oito espécies validamente descritas. Seis delas são nativas de Madagascar, uma habita o continente africano e a Península Arábica, e outra é encontrada na Austrália. A espécie africana também ocorre em Madagascar e no arquipélago de Cabo Verde, embora não seja nativa da ilha. Uma suposta nova espécie, A. kilima, descrita em 2012 em regiões de altitude na África, não é amplamente reconhecida. Curiosamente, os baobás africanos e australianos são muito semelhantes, tendo divergido há menos de 100.000 anos.
Inicialmente, o gênero Adansonia foi incluído na família Malvaceae por Antoine-Laurent de Jussieu em 1789. Em 1822, Karl Kunth o integrou à família Bombacaceae. Atualmente, segundo o sistema APG III, Adansonia pertence à subfamília Bombacoideae, dentro da família Malvaceae, formando a tribo Adansonieae. É considerado um táxon monofilético. Os sinônimos taxonômicos incluem Baobab Adans., Ophelus Lour e Baobabus Kuntze. Em 1908, Bénédict Pierre Georges Hochreutiner propôs uma subdivisão do gênero em três seções, baseada na morfologia de flores, frutos e sementes.
A espécie Adansonia digitata é um ícone definidor da savana africana. Em Madagascar, as espécies de Adansonia são componentes essenciais das florestas decíduas secas, como na Reserva Natural Integral do Tsingy de Bemaraha. Os baobás desempenham um papel vital na nidificação de diversas aves, incluindo o apodídeo Telacanthura ussheri e várias espécies de tecelões africanos (Ploceidae).
Diversas espécies de Adansonia são fontes de fibras vegetais, corantes e lenha. Os aborígenes australianos utilizavam a espécie nativa A. gregorii para obter cordas das fibras da raiz e objetos decorativos com os frutos. Recentemente, tem crescido o interesse em aproveitar as sementes e a polpa dos frutos, especialmente da A. digitata, para a indústria alimentícia. A polpa seca pode ser usada como espessante, adoçante ou para adicionar sabor a geleias, molhos e bebidas. As sementes de algumas espécies fornecem óleo vegetal, e as folhas frescas podem ser consumidas como hortaliça.
Usos Históricos e Culturais
Um grande baobá oco na Austrália Ocidental, conhecido como Boab Prison Tree, teria sido usado como prisão improvisada na década de 1890. Outra árvore similar, a Boab Prison Tree em Wyndham, também na Austrália, foi comprovadamente utilizada para esse fim. Em Angola e Moçambique, o baobá é chamado de "embondeiro" ou "imbondeiro". Em algumas regiões de Moçambique, seus troncos escavados servem como cisternas comunitárias.
Baobás no Brasil
A presença de baobás no Brasil é rara, sendo as árvores trazidas por sacerdotes africanos e plantadas em locais de culto para religiões afro-brasileiras. No Candomblé, o baobá é considerado uma árvore sagrada (ossê em iorubá, apassatim em fom) e sua preservação é fundamental. A existência dessas árvores no país desperta grande interesse. Em 2022, a Escola de Samba Portela homenageou o baobá em seu enredo, intitulado "Igi Osé Baobá".


