Baobá
Adansonia L é um género de plantas com flor que agrupa as espécies de árvores das regiões tropicais áridas e semiáridas conhecidas por baobás, embondeiros, imbondeiros, calabaceiras ou cabaceiras. O género agrupa oito espécies validamente descritas, das quais seis têm distribuição natural restrita à ilha de Madagascar, uma ao continente africano e Médio Oriente e outra à Austrália. O nome genérico é uma homenagem a Michel Adanson (1727-1806), o naturalista e explorador francês que descreveu a espécie africana Adansonia digitata.
As espécies do género Adansonia são árvores de copa compacta, decíduas, deixando cair a folha na estação seca, de tronco massivo, formando um paquicaule cilíndrico, com diâmetros que atingem os 7 a 11 m, embora se conheçam exemplares isolados de muito maiores dimensões, e alturas que variam de 5 a 30 m. O ritidoma é liso e a madeira fibrosa. O exemplar conhecido por baobá de Glencoe, um espécime de A. digitata da Província do Limpopo, África do Sul, era considerado a maior árvore deste género, com um perímetro à altura do peito de 47 m e um diâmetro de 15,9 m. A árvore rachou-se em 2009, pelo que o maior espécime de baobá conhecido é presentemente o baobá de Sunland (ou árvore de Platland), também na África do Sul, com um diâmetro ao nível do solo de 9,3 m e um perímetro à altura do peito de 34 m. Como os baobás são árvores de folha caduca das zonas sazonalmente áridas, as suas folhas caem durante a estação seca e apenas brotam na época das chuvas. As folhas são compostas, com 5 a 11 folíolos que surgem do mesmo pecíolo em círculo e cujos bordos são inteiros em todas as espécies, salvo na espécie A. rubrostipa, que os apresenta dentados.
Como todas as espécies de Adansonia ocorrem em regiões sazonalmente áridas, e são decíduas, deixando cair as folhas durante a estação seca, estas árvores destacam-se pela capacidade de armazenamento de água nos tecidos do tronco, a qual pode alcançar os 100 200 litros. Esta reserva hídrica destina-se a permitir sobreviver às duras condições de seca comuns nessas regiões. Alguns exemplares ficam ocos quando envelhecem, convertendo-se em grandes depósitos nos quais se podem armazenar mais de seis mil litros de água.
A primeira menção literária conhecida a uma árvore que pode ser reconhecida como Adansonia digitata aparece no relato de viagem de ibne Batuta, que em 1352 menciona um tecelão do Mali que trabalhava protegido pelo tronco oco de uma árvore. As primeiras informações escritas sobre as espécies de Adansonia datam de 1445, quando navegantes portugueses, conduzidos por Gomes Pires, chegaram à ilha de Gorée, no Senegal. Naquela região encontraram o brasão do Infante D. Henrique gravado em árvores que o cronista Gomes Eanes de Zurara, na Crónica dos Feitos da Guiné, descreveu: «E naquella ilha em que as armas do Iffante estavam entalhadas, acharom arvores muyto grossas destranha guisa, antre as quaes avya hũa que era no pee d'arredor cviijo (108) palmos. E esta arvor nom tem o pee muyto alto se nom como de nogueira; e da sua antrecasca fazem muy boõ fyado pêra cordoalha, e arde esso meesmo como linho. O seu fruito he como cabaaças, cujas pevides som assy como avellaãs, o qual fruito comem em verde, e as pevides secamnas, de que teem grande multidom, creo que seja pêra sua governança despois que o verde fallece.» Eram pois árvores de estranha aparência, entre as quais havia uma que media na base cerca de 108 palmos (25 m). Não eram muito altas e da sua entrecasca faziam fios para cordoaria e estes ardiam como os de linho. O fruto era como uma cabaça e as sementes como avelãs, que guardavam para os períodos de seca.
As seguintes espécies de Adansonia estão validamente descritas: Das oito espécies validamente descritas, seis são nativas de Madagáscar, uma é nativa do continente africano e da Península Arábica e uma é nativa da Austrália. A espécie que ocorre no continente africano também está presente em Madagáscar, mas não é nativa da ilha, tendo sido introduzida em tempos remotos. Está também presente no arquipélago de Cabo Verde. Em 2012 foi descrita o que parecia ser uma nova espécie, A. kilima, encontrada em regiões de grande altitude do sul e leste da África,, mas a espécie não é recomhecida. Os baobás africanos e australianos são quase idênticos, tendo-se separado há menos de 100 000 anos atrás.
Antoine-Laurent de Jussieu incluiu o género Adansonia em 1789 na família Malvaceae, então por ele criada. Em 1822, por proposta de Karl Kunth, o género foi um dos dez géneros que passaram a integrar a então criada família das Bombacaceae. Na actualidade, seguindo o sistema APG III, o género Adansonia foi integrado na subfamília Bombacoideae da família Malvaceae, na qual constitui a tribo Adansonieae. Adansonia é com alta probabilidade um táxon monofilético. A espécie-tipo do género é Adansonia digitata. São sinónimos taxonómicos de Adansonia: Baobab Adans., Ophelus Lour e Baobabus Kuntze. Bénédict Pierre Georges Hochreutiner subdividiu em 1908 o género Adansonia com base na morfologia das flores, frutos e sementes em três secções:
A espécie A. digitata é considerada como um "ícone definidor da savana africana". As espécies malgaxes de Adansonia são importantes componentes da associação vegetal conhecida por floresta decídua seca de Madagáscar. Naquele bioma, as espécies A. madagascariensis e A. rubrostipa ocorrem especificamente na Floresta de Anjajavy, incluindo árvores crescendo sobre os calcários da Reserva Natural Integral do Tsingy de Bemaraha. Os baobás são importantes para a nidificação de múltiplas espécies de aves, em particular para o apodídeo Telacanthura ussheri e quatro espécies de Ploceidae (tecelões africanos).
Algumas espécies de Adansonia são utilizadas como fonte de fibras vegetais, corantes para têxteis e lenha. Os povos aborígenes australianos usavam a espécie nativa A. gregorii para obter diversos produtos, fazendo cordas com as fibras da raiz e objectos decorativos com os frutos. A partir da última década tem vindo a aumentar o interesse no desenvolvimento de técnicas que permitam aproveitar as sementes de baobá e a polpa do fruto, especialmente da espécie A. digitata, por secagem e pulverização para incorporação em produtos de grande consumo. A polpa seca encontrada no interior dos frutos de várias espécies de Adansonia pode ser utilizada como "espessante em geleias e molhos, adoçante para bebidas frutadas, ou como um complemento de sabor picante para molhos picantes". A polpa do fruto e as sementes da espécie A. grandidieri e A. za são consumidas em fresco. As sementes de algumas espécies são um fonte de óleo vegetal e as folhas frescas podem ser consumidas como uma hortaliça.
Outros usos
Um grande baobá oco existente a sul de Derby, Western Australia, teria sido utilizado na década de 1890 como prisão para detidos que eram conduzidos a Derby para sentenciamento. A Boab Prison Tree, Derby permanece de pé e agora considerada uma atracção turística. Não sendo seguro que a Adansonia existente nos arredores de Derby tenha servido de prisão, uma árvore similar, a Boab Prison Tree, Wyndham, próxima de Wyndham, também na Austrália, foi comprovadamente usada para esse fim. Em Angola e Moçambique, esta árvore é conhecida como "embondeiro" ou "imbondeiro". Em certas regiões de Moçambique, o tronco desta árvore é escavado por carpinteiros especializados para servir como cisterna comunitária.
Os baobás do Brasil
No Brasil existem poucas árvores de baobá, que foram trazidas pelos sacerdotes africanos e foram plantadas em locais específicos para o culto das religiões africanas. No candomblé é considerada uma árvore sagrada (ossê, em iorubá e apassatim, em fom), e nunca deve ser cortada ou arrancada. A presença do baobá no Brasil desperta grande interesse, sendo em geral notada a sua existência nas diferentes unidades federativas e municípios. O Baobá foi o tema do enredo da Escola de Samba Portela em 2022, com o nome "Igi Osé Baobá".


