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Aclamação de Maria I de Portugal

A aclamação de D. Maria I de Portugal enquanto Rainha de Portugal e dos Algarves teve lugar a 13 de Maio de 1777, em cerimónia pública na Praça do Comércio, em Lisboa, cerca de dois meses e meio após a morte de seu pai, D. José I.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 08/07/2026
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Preparativos

Com a morte de D. José I, em 24 de Fevereiro de 1777, e a subida ao poder de D. Maria, Princesa do Brasil e sua herdeira presuntiva, dá-se início a um período que ficou conhecido como a Viradeira, caracterizado pelo afastamento do Marquês de Pombal, Secretário de Estado dos Negócios Interiores do Reino, que concentrava em si grande parte da função governativa. D. Maria desejava uma retoma da influência da Igreja e da alta nobreza sobre o Estado, e a extinção de algumas medidas políticas e económicas de Pombal. Com efeito, logo após a morte de D. José, o Marquês de Pombal apresentou de imediato a sua demissão, que foi aceite pela rainha por decreto de 4 de Março de 1777. Nessa altura, uma multidão de "povo miúdo" manifestou-se contra a presença da efígie de bronze do Marquês afixa ao pedestal da estátua equestre de D. José na Praça do Comércio, em Lisboa, clamando que fosse arrancada e atirando-lhe com pedras. O consorte da nova rainha, D. Pedro, temendo que a ira popular estragasse o ambiente de solenidade e de festa durante a aclamação de sua esposa, mandou retirar o retrato de bronze do Marquês e substituí-la por uma outra, politicamente neutra, com o brasão de armas da cidade de Lisboa. Foi esta manobra feita pela calada da noite, no início de Maio, temendo o rei quaisquer incidentes com o povo, contando com a presença de sentinelas nos caminhos que não deixavam passar pessoa ou carruagem alguma. Parece o objectivo inicial ter sido cumprido; o medalhão de Pombal apenas foi reposto a 12 de Outubro de 1833 (data que hoje figura no monumento), pelas mãos do Governo Liberal da Regência de D. Pedro IV.

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Construções efémeras

Incorporada na galeria ocidental da Praça do Comércio (localização que coincidia com o antigo Paço da Ribeira, arrasado no Terramoto de 1755) erigiu-se uma majestosa varanda composta por vinte e oito arcos e, no princípio e fim do seu plano, dois corpos nobres com duas escadas: a da parte do sul para Suas Majestades subirem aos seus quartos, e a da parte do Norte para a nobreza e demais pessoas distintas assistirem ao acto formal. No interior da varanda, um riquíssimo aparato de veludo e carmesim e, toda a cimalha entre as colunas se encontrava guarnecida de festões de seda decorados com franjas e borlas de ouro, dos quais pendiam vinte e três medalhões com imagens dos "Imperadores e Reys q̃ a Fama decanta mais gloriozos em acções heroicas". O longo tecto da varanda era revestido a seda encarnada, interposta de nove painéis com molduras de veludo carmesim, nos quais figuravam alegorias da "Magnanimidade", "Liberalidade", "Sabedoria", "Autoridade", "Magnificência", "Piedade", "Religião", "Prémio", e "Amor da Virtude", todos eles guarnecidos com passamanes de ouro. Sobre a varanda contavam-se vinte e uma janelas decoradas com cortinas e sanefas de veludo carmesim, com galão e franjas douradas, e em cujos parapeitos se encontravam enfeites do mesmo estilo. O pavimento da varanda era todo coberto com catorze alcatifas francesas de padrão axadrezado, "todas ricas na qualidade e formosas no desenho, e com arte dispostas, e reunidas, enobrecião a sua grandeza por serem diverças na beleza das cores, e viveza dos matizes". O pavimento formava seis degraus suaves, no topo dos quais se armou o Trono Régio, encostado à parte do Sul, de frente para a entrada principal na parte Norte. O espaldar e dossel eram decorados com recamo de ouro sobre assento carmesim, condizentes com as sanefas. A armação do espaldar e dossel era em talha dourada, e tinha por cima uma Coroa Imperial, sustentada por dois Génios, e adornada de troféus e insígnias militares. Neste plano superior estavam as duas cadeiras utilizadas para entronizar D. Maria e D. Pedro: de feitio semelhante, com almofadas iguais ao dossel (carmesins com recamo de ouro), armação trabalhada em talha dourada e, no topo das costas, com dois Génios sustendo uma Coroa. Os tronos estavam cobertos com um grande véu carmesim, bordado e guarnecido com estrelas e renda de ouro. Dos dois lados do Trono haviam duas portas, recobertas por reposteiros de veludo carmesim, guarnecidos com galão e espiguilha de ouro. No ângulo esquerdo do Trono, uma mesa coberta pelos quatro lados com um pano de brocado de ouro com uma pequena franja nas extremidades; sobre esta mesa repousavam a Coroa e o Ceptro, num grande prato de prata lavrada e sobredourada. Num outro prato semelhante encontrava-se um Crucifixo, também de prata sobredourada, e um Missal com encadernação de veludo carmesim ornada com broches, chapas de prata dourada e as Armas Reais e as da Santa Igreja de Lisboa. Ainda nas proximidades do trono encontravam-se acomodações para a Marquesa de Vila Flor (camareira-mor) e mais damas de companhia da rainha, e uma outra mesa para os dois Notários Públicos Reais presenciarem e formalizarem o Auto do Levantamento e Juramento. Por cima, do mesmo lado esquerdo, situava-se a Real Tribuna, ornada e revestida com cortinas e sanefa de brocado de ouro com franjas nas extremidades, de onde assistiram a Princesa do Brasil D. Maria Francisca Benedita e as Infantas D. Maria Ana Vitória e D. Maria Ana. Na mesma tribuna também assistiu ao acto a Rainha Mãe, oculta do público por cortinas, por respeito ao luto do seu marido.

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As cerimónias

Para o dia da Aclamação foi escolhido o 13 de Maio, uma terça-feira, dia de culto de Nossa Senhora dos Mártires, a quem foi dedicada a primeira freguesia de Lisboa imediatamente após a reconquista da cidade aos Mouros, em 1147. Por volta das dez horas teve início a Missa na igreja de madeira, presidida por D. Tomás de Almeida na capacidade de Principal Decano da Igreja Patriarcal (a Sé Patriarcal encontrava-se vacante desde a morte do Patriarca D. Francisco I, no ano anterior), invocando-se o Espírito Santo "para ilustração dos novos Monarchas em o acerto do bom regimen do seu Reino". A Família Real — a Rainha, o Rei, os Príncipes do Brasil D. José e D. Maria Benedita, as Infantas D. Maria Ana e D. Maria Ana Vitória e o Infante D. João, futuro rei, nomeado para a ocasião Condestável do Reino — chegaram por volta das 11 horas. D. Mariana Vitória, a Rainha Mãe, chegou um pouco mais tarde. As Reais Pessoas foram então encaminhadas para a igreja de madeira, onde deveriam render graças diante do altar: foram colocadas, para esse efeito, almofadas para os joelhos, e substituídos o dossel e frontal do altar (de tecido carmesim por outros brancos com renda dourada).

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