Campas
Os Ashaninka, também conhecidos como Campa, Kampa, Ashanincas, Achanincas ou por outros nomes como Kampa, Campa, Ande, Anti, Chuncho, Pilcozone, Tamba ou Campari, são um povo indígena autodenominado Ashenĩka. Eles habitam o Peru, a Bolívia e o estado do Acre, no Brasil. A população total é de aproximadamente 100.000 indígenas, sendo que cerca de 1.645 vivem no Brasil e 97.477 no Peru. No Brasil, sua presença se concentra nas Terras Indígenas Campa do Rio Amônia, Campa do Rio Envira, Caxinawá do Rio Humaitá, Caxinauá/Campa do rio Breu e Igarapé Primavera, localizadas no sudoeste do estado do Acre.
Pontos-chave
- Os Ashaninka se autodenominam Ashenĩka, significando "meu povo".
- Habitam o Peru, Bolívia e o estado do Acre no Brasil, totalizando cerca de 100.000 pessoas.
- Historicamente, eram conhecidos por sua independência e habilidades de guerra.
- O xamanismo Ashaninka envolve o uso da bebida kamarãpi (ayahuasca) para comunicação com espíritos e cura.
- Destacam-se na produção de artesanato, especialmente tecelagem e cestaria.
O nome "Ashenĩka" é a autodenominação do povo, significando "meus parentes", "minha gente" ou "meu povo". Este termo também se refere a uma categoria de "espíritos bons que habitam no alto". Outros nomes pelos quais são conhecidos incluem Campa, Kampa, Ashanincas, Achanincas, Ande, Anti, Chuncho, Pilcozone, Tamba e Campari.
Os Ashaninka eram chamados de Anti ou Campa pelos Incas e viviam na província inca de Antisuyu. Eram reconhecidos por sua forte independência e habilidade em defender seu território e cultura contra invasores. Sua língua pertence ao tronco linguístico aruaque. Por volta do século XII, eles se agruparam no Peru. Com a chegada dos espanhóis e a queda do Império Inca no século XVI, alguns indígenas de etnias aruaque fugiram para a região que hoje corresponde ao Acre, onde permanecem até hoje.
Imagem: DrJohnBullas · BY-NC-ND · Openverse
No contexto Ashaninka, tanto a bebida quanto o ritual associado à ayahuasca são chamados de kamarãpi, que significa "vômito" ou "vomitar". As cerimônias ocorrem à noite, podendo se estender até o amanhecer, em pequenos grupos. O kamarãpi é marcado pelo respeito e silêncio, com comunicação mínima entre os participantes, exceto por cantos inspirados pela bebida. Esses cantos sagrados, sem acompanhamento musical, permitem a comunicação com os espíritos e a homenagem a Pawa, o sol, considerado filho da Lua na mitologia Ashaninka. A bebida é vista como um legado de Pawa, destinado a transmitir conhecimento e ensinar sobre a vida na Terra. O aprendizado xamânico (sheripiari) é um processo contínuo, que exige consumo regular e repetitivo da bebida por anos. Através do kamarãpi, o sheripiari realiza viagens espirituais e adquire sabedoria para curar doenças nativas, geralmente causadas por feitiçaria. Para as "doenças de branco", os Ashaninka recorrem a remédios industrializados.
Imagem: DrJohnBullas · BY-NC-ND · Openverse
Os Ashaninka demonstram grande habilidade em diversas formas de artesanato. Destacam-se na tecelagem, produzindo itens como redes, vestimentas e bolsas. Além disso, criam cestaria, chapéus, adereços, instrumentos musicais e uma variedade de objetos feitos de madeira.


