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Cássida do Manto

A 'Cássida do Manto', também conhecida como Bānat Suʿād, é um poema épico composto por Cabe ibne Zuair em 630, marcando sua conversão ao Islã. Recitada diante do Profeta Maomé como um gesto de arrependimento e louvor, a obra ganhou seu nome porque, segundo a tradição islâmica, Maomé presenteou o poeta com seu próprio manto (burda) após a declamação. Estruturada conforme o modelo tradicional da cássida da Jailia (poesia árabe pré-islâmica), a obra adapta seus recursos formais a um novo contexto religioso. Inicia-se com o tradicional nácibe, descreve a montaria e culmina em um pedido de perdão a Maomé, seguido de elogios a ele e aos muajiritas. A figura de Suade é frequentemente interpretada como um símbolo da vida pré-islâmica abandonada pelo poeta. Ao longo dos séculos, a Cássida do Manto tornou-se uma das obras mais influentes da literatura islâmica, gerando inúmeras edições, comentários, traduções e imitações, incluindo a famosa 'Cássida do Manto' de Albuciri, que acabou se tornando mais conhecida que o original de Cabe ibne Zuair.

Fonte: Wikipédia (pt)Texto didático por IAAtualizado em 22/08/2026

Pontos-chave

  • A Cássida do Manto é um poema de Cabe ibne Zuair, escrito em 630, por ocasião de sua conversão ao Islã.
  • Recebeu o nome porque Maomé presenteou o poeta com seu manto (burda) após a recitação do poema.
  • A obra segue a estrutura da cássida pré-islâmica, mas com um novo contexto religioso de arrependimento e louvor.
  • O poema inicia com o nácibe, descreve a montaria e culmina em um pedido de perdão e elogios a Maomé e aos muajiritas.
  • Tornou-se uma das obras mais influentes da literatura islâmica, gerando muitas imitações, incluindo a famosa de Albuciri.
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A História por Trás do Manto

A 'Cássida do Manto', ou Bānat Suʿād, foi composta por Cabe ibne Zuair logo após sua conversão ao Islã, em 630. A história começa com seu pai, Zuair ibne Abi Sulma, que antes de morrer, aconselhou os filhos Cabe e Bujair a seguir o Profeta Maomé, cuja vinda ele pressentia. Enquanto Bujair se encontrou com Maomé em Medina e abraçou o Islã, Cabe permaneceu nas proximidades e, ao saber da conversão do irmão, compôs um poema satírico atacando ambos. Maomé, então, declarou lícito o derramamento do sangue de Cabe. Bujair informou o irmão sobre a condenação de alguns poetas, mas também sobre o perdão concedido àqueles que se arrependiam e compareciam diante do Profeta. Seguindo o conselho, Cabe foi a Medina, entrou na Mesquita do Profeta com o rosto coberto durante a oração da alvorada e perguntou se Maomé aceitaria o arrependimento de Cabe. Após a resposta afirmativa, ele revelou sua identidade e recitou a cássida em louvor ao Profeta. Impressionado, Maomé retirou seu próprio manto (burda) e o colocou sobre os ombros do poeta, dando origem ao nome 'Cássida do Manto'. O manto de Maomé, segundo a tradição, foi adquirido dos herdeiros de Cabe por Moáuia I por vinte mil dirrãs e conservado pelos califas omíadas e abássidas para cerimônias. Há controvérsias sobre seu destino: algumas tradições afirmam que foi destruído na invasão mongol de Baguedade em 1258, enquanto outras sugerem que sobreviveu e é o manto preservado no Palácio de Topkapı, em Istambul.

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Estrutura e Significado do Poema

A 'Cássida do Manto' foi composta seguindo a estrutura tradicional da cássida da Jailia, preservando a organização clássica do gênero, mas adaptando seus elementos convencionais a um contexto islâmico. A primeira parte (versos 1–14) é o nácibe, que se inicia com a famosa expressão Bānat Suʿād ('Suade partiu'). Nela, o poeta lamenta a separação da amada e descreve sua beleza com imagens típicas da poesia árabe antiga: voz suave, olhar meigo, olhos realçados por colírio, comparada a uma gazela e com um sorriso de dentes alvos. Contudo, Suade também simboliza a amante inconstante, infiel e incapaz de cumprir promessas. A segunda parte (versos 15–35) é a descrição da montaria (raḥīl), outro elemento característico da cássida pré-islâmica. Cabe detalha a camela que o leva ao seu destino, usando imagens tradicionais do deserto e da viagem. Somente na parte final, o poema assume plenamente sua função de panegírico, com versos dedicados ao elogio de Maomé e dos muajiritas. Esta seção é precedida por uma declaração de arrependimento (iʿtidhār), onde o poeta expressa não ter encontrado intercessor, lamenta as acusações contra si e manifesta esperança de obter o perdão do Profeta em vez de punição.

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Legado e Influência Literária

Desde sua composição, a 'Cássida do Manto' conquistou uma posição de destaque na literatura islâmica. O prestígio da obra é evidenciado pela afirmação de Almacari de que alguns sábios iniciavam suas reuniões com a recitação do poema. Sua primeira publicação no Ocidente ocorreu em Leiden, em 1748, por Lette, e posteriormente foi incluída no divã de Cabe ibne Zuair na edição comentada de Assucari, publicada por Tadeusz Kowalski, além de outras coletâneas de poesia árabe clássica. A cássida exerceu uma profunda influência na tradição literária árabe, inspirando inúmeros comentadores, gramáticos e poetas. Eles se dedicaram intensamente à sua interpretação e imitação, produzindo comentários (sharḥ), imitações poéticas (muʿāraḍāt), takhmīs e tashtīr. Entre os principais comentadores árabes estão Abu Alabás Alaual, Talabe, Issa ibne Abdalazize Aljazuli, Ibne Duraide, Camaladim Alambari, Abu Becre ibne Alambari, Alcatibe Atabrizi, Abdalatife, Ibne Hixame Anaui, Ibne Hija, Ibne Saíde Anas, Daulatabadi, Açuiuti, Ibne Hajar Alhaitami e Ibraim Albajuri. Na língua turca, destacam-se os comentários de Abederramão Abdi Paxá, Aiube Sabri Paxá, Amade Muctar Baiafandi, Amade Uscudari e Zeynelabidin Ispartali, enquanto na tradição persa, um dos comentários notáveis é o de Muhammad Najaf Ali Khan.

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