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Anas ibne Maleque

Abu Hâmeza Anas ibne Maleque ibne Nadre Alançari Anajari foi um dos ançares e companheiros de Maomé. Pertencente ao clã Najar da tribo dos cazerajitas, serviu Maomé durante os dez anos compreendidos entre a Hégira e sua morte, razão pela qual ficou conhecido como Cadim Anabi. Posteriormente participou das primeiras conquistas muçulmanas e tornou-se um dos mais prolíficos transmissores de hádices, figurando entre os sete companheiros tradicionalmente classificados como Mukthirun.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 20/10/2026
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Vida

Anas nasceu em Medina cerca de dez anos antes da Hégira, em 612. Pertencia ao clã najarita da tribo dos cazerajitas e era filho de Maleque ibne Nadre e de Ume Soleime. Segundo a tradição islâmica, seu pai opôs-se à conversão da esposa ao islão, abandonou Medina e morreu posteriormente na Síria. Entre seus parentes figuravam diversos companheiros de Maomé, como seu irmão Bara ibne Maleque, sua tia Ume Harame e seu padrasto Abu Talha Alançari. Quando Maomé chegou a Medina após a Hégira, Anas tinha cerca de dez anos de idade. Sabendo ler e escrever, foi entregue por sua mãe — ou, segundo outra tradição, por seu padrasto — ao serviço de Maomé, permanecendo ao seu lado até sua morte, cerca de dez anos depois. A longa convivência permitiu-lhe acompanhar de perto a vida cotidiana do fundador do islão e tornou-o uma das principais testemunhas de seus hábitos, ensinamentos e conduta pessoal. Embora fosse demasiado jovem para combater, Anas acompanhou Maomé na Batalha de Badre, permanecendo junto dele durante toda a campanha. Nos anos seguintes esteve presente na Tratado de Hudaibia, na campanha de Caibar, na Unra da Compensação, na Conquista de Meca, na Batalha de Hunaine, no Cerco de Taife e na Peregrinação de Despedida.

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Transmissão de hádices

Anas ibne Maleque figura entre os sete companheiros tradicionalmente classificados como Mukthirun, grupo dos que transmitiram o maior número de hádices. Segundo a tradição islâmica, são-lhe atribuídos 2 286 relatos com repetições, número que o coloca na terceira posição entre os Mukthirun. De acordo com diferentes levantamentos, entre 168 e 180 de seus hádices foram incluídos simultaneamente nas coleções autênticas de Albucari e Muslim ibne Alhajaje, enquanto Albucari registrou ainda cerca de oitenta tradições exclusivas e Muslim cerca de noventa. O Musnade de Amade ibne Hambal reúne 2 172 tradições atribuídas a Anas na edição numerada publicada pela Dār al-Fikr. Além de Maomé, Anas transmitiu relatos de Abu Becre, Omar, Otomão, Fátima, Muade ibne Jabal, Uçaíde ibne Hudair, Abu Darre Alguifari, sua mãe Ume Soleime, sua tia Ume Harame, seu padrasto Abu Talha Alançari e Ubada ibne Açamite. Entre seus numerosos discípulos figuram estudiosos como Alhaçane de Baçorá, Ibne Sirine, Axabi, Abu Quilaba Aljarmi, Macul, Catada ibne Diama, Ibne Xiabe Azuri, Omar ibne Abdalazize e Abu Anre ibne Alalá. Cerca de duzentos alunos transmitiram tradições sob sua autoridade, e seus discípulos considerados confiáveis permaneceram ativos até meados do século II da Hégira.

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Legado

As fontes islâmicas atribuem a Anas diversas características que reforçaram sua reputação entre as primeiras gerações de muçulmanos. Além de ter convivido intimamente com Maomé durante cerca de dez anos, pertencia a uma família particularmente estimada pelo líder da comunidade muçulmana. Segundo essas tradições, Maomé visitava frequentemente a residência de Ume Soleime, onde tomava refeições, repousava e, por vezes, dirigia orações voluntárias com os membros da família. A cerimônia de fraternidade entre os emigrantes de Meca e os ançares realizada pouco após a Hégira também teria ocorrido em sua casa. Ainda segundo a tradição islâmica, a pedido de Ume Soleime, Maomé teria suplicado a Deus que concedesse a Anas vida longa, numerosa descendência e abundância de bens, acrescentando, segundo algumas versões, a entrada no paraíso. Os autores muçulmanos relacionam a essa oração sua longevidade, a existência de mais de cento e vinte descendentes ainda em vida e a prosperidade de seu pomar, cujas árvores, segundo os relatos, produziam frutos duas vezes por ano. Também lhe é atribuído um episódio em que, diante de uma estiagem, teria orado pela chuva, sendo imediatamente atendido.

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Fontes consultadas

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