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Abu Anre ibne Alalá

Abu Anre ibne Alalá, geralmente identificado como Zabane ibne Alalá ibne Amar Almazini Albáceri, foi um leitor do Alcorão, gramático, filólogo e transmissor de poesia árabe. Estabelecido em Baçorá, tornou-se uma das principais figuras da vida intelectual da cidade e é tradicionalmente considerado um dos fundadores de sua escola filológica e gramatical. Sua atividade pertence a um período em que a leitura corânica, a gramática e a transmissão da antiga poesia árabe ainda constituíam campos estreitamente relacionados.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 20/10/2026
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Vida e formação

Abu Anre ibne Alalá geralmente é identificado como Zabane ibne Alalá ibne Amar Almazini Albáceri. Seu nome próprio é objeto de divergência nas fontes, que lhe atribuem numerosas formas; entre elas, Zabane é considerada a mais provável. Pertencia ao ramo mazinita dos tamimitas, de onde deriva a nisba Almazini, e ficou conhecido como Albáceri por ter passado a maior parte da vida em Baçorá. A data e o local de seu nascimento também são incertos. A tradição mais difundida situa seu nascimento em Meca em 70 A.H. (689), embora sejam igualmente transmitidos os anos de 55 (675), 65 (685) e 68 (688), e algumas fontes indiquem Baçorá ou Cazerum, no sul da Pérsia, como seu local de nascimento. As informações sobre sua infância e juventude são escassas e contraditórias. Segundo um relato atribuído ao próprio Abu Anre, quando tinha pouco mais de vinte anos acompanhou o pai em sua fuga do Iraque para o Iêmem, motivada pela perseguição dos agentes de Alhajaje ibne Iúçufe. Ambos teriam retornado a Baçorá ao receberem, no deserto iemenita, a notícia da morte de Alhajaje. Caso essa tradição seja correta, é possível que Abu Anre tenha passado a infância no Hejaz, estudado em Meca e Medina e posteriormente se estabelecido em Baçorá.

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Leitura do Alcorão e ensino

Abu Anre desenvolveu um sistema próprio de leitura do Alcorão no qual se combinaram elementos das tradições do Hejaz e do Iraque. Sua leitura tornou-se predominante em Baçorá, onde suplantou sistemas anteriormente difundidos, particularmente o atribuído a Alhaçane de Baçorá, e foi posteriormente incluída entre as sete leituras canônicas do Alcorão. Segundo Ibne Mujaide, Abu Anre evitava afetação na recitação e, dentro dos limites considerados admissíveis, favorecia uma leitura simples e pouco exagerada. Entre as características de seu sistema estavam diferentes formas de imala, substituição de determinadas hâmezas e o chamado idghām al-kabīr, assimilação que constitui uma das características distintivas de sua leitura. A leitura de Abu Anre alcançou ampla difusão. Já em seu tempo, a maioria dos habitantes de Baçorá a teria adotado, e autores posteriores afirmaram que ela continuou predominante na cidade durante séculos. Mais tarde difundiu-se também por regiões como Síria, Hejaz, Iêmem e Egito, embora gradualmente tenha cedido espaço à leitura de Ácime transmitida por Háfece ibne Solimão. Sua tradição foi preservada sobretudo por intermédio de seus discípulos e, posteriormente, pelos transmissores Aduri e Açuci. Abu Anre exerceu influência sobre uma geração decisiva de estudiosos de Baçorá. Entre aqueles que aprenderam ou transmitiram conhecimentos seus figuram Iunus ibne Habibe, Alcalil ibne Amade, Alasmai, Abu Ubaida e Sibauai, além de numerosos leitores e transmissores de hádice. Alcalil estudou gramática com ele, enquanto Alasmai e Abu Ubaida se beneficiaram de seus conhecimentos de língua, literatura e poesia. Blachère considera que sua geração pertence ainda a um estágio em que é artificial separar rigidamente as atividades do leitor do Alcorão, do gramático e do transmissor de poesia, funções que em Abu Anre aparecem estreitamente associadas.

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Língua, poesia e tradição filológica

A reputação de Abu Anre ultrapassava o domínio das leituras corânicas. Abu Ubaida considerava-o um dos maiores conhecedores das palavras raras da língua árabe, do Alcorão, da poesia, dos Dias dos Árabes e da língua e literatura árabes, enquanto Ibne Cutaiba afirmava que, embora fosse mestre na leitura corânica, sua competência nas palavras raras e na poesia era ainda maior. Sua importância para a filologia árabe relacionava-se particularmente ao estudo da Jailia: recolhia poesia e relatos junto a árabes cuja língua considerava fidedigna e, segundo Alasmai, não utilizava versos do período islâmico como prova linguística. Blachère caracteriza-o como um colecionador entusiástico de poesia arcaica e dos relatos dos Dias dos Árabes. Segundo uma tradição transmitida por Abu Ubaida, Abu Anre teria reunido material suficiente para encher um aposento inteiro de livros, formado a partir do que recolhera entre árabes considerados linguisticamente fidedignos. Em determinado momento, durante um período de intensa devoção religiosa, teria queimado essa coleção; posteriormente, arrependido, voltou aos estudos e passou a transmitir aos discípulos aquilo que conservara na memória. Blachère também registra o episódio, mas observa que não há meios de verificar sua historicidade e enfatiza que Abu Anre continuou depois a transmitir oralmente o material poético que conservara de memória.

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Obras

A tradição segundo a qual Abu Anre teria destruído um aposento inteiro de livros sugere que sua produção escrita pode ter sido consideravelmente maior do que o conjunto atualmente conhecido. Embora se tenha afirmado que não deixou nenhuma obra escrita, diversas composições são atribuídas a ele pelas fontes. O Kitāb Marsūm al-Muṣḥaf, dedicado à grafia do Alcorão, foi posteriormente abreviado por Abu Anre Adani sob o título Rusūm al-Muṣḥaf al-Karīm, cuja versão manuscrita é conservada na Biblioteca de Solimão. Também lhe são atribuídos o Sharḥ Dīwān al-Khirniq, comentário ao divã de Alquirnique binte Badre, o Kitāb al-Idghām al-kabīr, o al-Waqf wa-l-ibtidāʾ, o Taqyīd al-amthila, o Kitāb al-Amthāl e o Kitāb al-Qirāʾāt. Ibne Anadim menciona ainda uma obra intitulada Kitāb al-Nawādir. Parte desses trabalhos não chegou à atualidade ou é conhecida apenas por referências e citações de autores posteriores.

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