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Maomé II de Granada

Maomé II , nascido Abu Abedalá Maomé ibne Maomé e também conhecido pelo epíteto Alfaqui, foi o segundo governante nacérida do Reino de Granada no Alandalus na Península Ibérica, sucedendo seu pai, Maomé I. Já com experiência em questões de estado quando subiu ao trono, continuou a política de seu pai de manter a independência diante dos vizinhos maiores de Granada, o reino cristão de Castela e o muçulmano Império Merínida de Marrocos, bem como uma rebelião interna dos ex-aliados de sua família, os Banu Asquilula.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 29/07/2026
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Vida pregressa

Maomé nasceu em AH 633 (1235 ou 1236 d.C.) no clã nacérida, que surgiu na cidade de Arjona, então em Alandalus, na Península Ibérica. Segundo o historiador granadino e vizir Ibne Alcátibe, o clã – também conhecido como Banu Nácer ou Banu Alamar – era descendente de Sade ibne Ubadá, um destacado companheiro do profeta islâmico Maomé, da tribo Banu Cazeraje na Arábia; os descendentes de Sade migraram ao Alandalus e estabeleceram-se em Arjona como agricultores. Tinha pelo menos dois irmãos mais velhos, Faraje (n. AH 628/1230 ou 1 231 a.C.) e Iúçufe, e duas irmãs chamadas Mumina e Xemece. Em 1232, seu pai Maomé I estabeleceu a independência da cidade, e mais tarde a evoluiu num Estado independente considerável no sul do Alandalus, centrado em Granada após a perda de Arjona em 1244. O Reino Nacérida de Granada tornou-se o último Estado muçulmano independente na Península Ibérica. Em 1257, após a morte de Faraje, Maomé I declarou seus filhos Maomé e Iúçufe como seus novos herdeiros. Em agosto do mesmo ano, o jovem Maomé teve seu primeiro filho, o futuro Maomé III. Tinha outro filho, Nácer, e uma filha, Fátima. Mais tarde, Fátima se casaria com o primo de seu pai, Abuçaíde Faraje, e seus descendentes seriam os futuros governantes de Granada, substituindo a linha masculina direta após a expulsão de Nácer em 1314. Como herdeiro, o futuro Maomé II estava envolvido em questões de estado, incluindo guerra e diplomacia. Serviu como vizir por algum tempo durante o governo de seu pai. Tornou-se o único herdeiro após a morte de Iúçufe, que não deixou um descendente, durante a vida do sultão granadino. Na época da morte de seu pai, em 1273, tinha 38 anos e era um estadista experiente.

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Reinado: 1273–1302

Em 1295, Sancho morreu e foi sucedido por seu filho de nove anos, Fernando IV. Durante sua minoria, Castela era governada por uma regência liderada por seu tio, Infante Henrique. Seu primo, Afonso de la Cerda, fez uma reivindicação rival pelo trono, apoiada por Jaime de Aragão. Maomé explorou essa situação para atacar o reino católico: no final de 1295, ele capturou Quesada e derrotou um exército castelhano na Batalha de Iznalloz. Fernando também foi atacado por Aragão, Dinis I de Portugal, e seu tio, Infante João. Em 1296, Granada e Aragão concluíram um pacto de amizade e concordaram em dividir seus objetivos: Múrcia iria para Aragão e a Andaluzia para o Reino Nacérida. Em junho de 1296, o Infante Henrique fez aberturas de paz para Maomé, oferecendo-se para entregar Tarifa, mas isso quebrou quando o comandante da cidade, Afonso Pérez de Guzmán, declarou que não a entregaria, mesmo que lhe fosse ordenado. No final daquele ano, as forças granadinas derrotaram o Infante Henrique perto de Arjona e quase o capturaram. Seu cavalo foi capturado, mas o sultão ordenou que lhe fosse devolvido em um gesto de cavalheirismo.

Contexto histórico

Granada estava localizada entre dois vizinhos maiores: o reino cristão de Castela, ao norte, e o Estado muçulmano Merínida, centrado no atual Marrocos, ao sul. Os objetivos de Castela eram manter Granada sob controle, impedi-la de realizar ataques e forçá-la a continuar prestando homenagem. O valor do tributo era de 300 mil maravedis – cerca da metade da receita do reino – e representava uma importante fonte de renda para o reino cristão, embora Granada frequentemente suspendesse os pagamentos. Por outro lado, os merínidas, seguindo os passos de seus antecessores almóadas e almorávidas, viam a proteção dos muçulmanos na Península Ibérica, bem como a participação na jihad contra a expansão cristã na região – a chamada Reconquista – como seu dever como muçulmanos e como uma maneira de aumentar sua legitimidade. Na época do governo de Maomé II, o principal objetivo de Granada era manter a independência de ambas as potências, preservar o equilíbrio de poder, impedir uma aliança entre elas e controlar cidades nas fronteiras castelhanas e portos no Estreito de Gibraltar, como Algeciras, Tarifa e Gibraltar. A disputa pelo controle desses portos estrategicamente importantes, que controlavam a passagem para e do norte da África, durou até meados do século XIV, no que os historiadores modernos chamam de "Batalha do Estreito" (Batalla del Estrecho).

Adesão e negociação com Afonso X

Em 22 de janeiro de 1273, Maomé I caiu de um cavalo e morreu em decorrência dos ferimentos. Seu filho assumiu o trono como Maomé II. Como era o herdeiro designado, a transição do poder ocorreu sem problemas. Sua primeira ordem de trabalho era lidar com a rebelião dos Banu Asquilula e os rebeldes castelhanos que eram aliados de seu pai e foram acolhidos em territórios granadinos. As relações com os rebeldes castelhanos, liderados por Nuno Gonçalves e úteis para controlar Castela e os Banu Asquilula, enfraqueceram-se porque os dois lados estavam preocupados em perder o apoio um do outro após a sucessão. Afonso também estava interessado na reconciliação com alguns dos rebeldes.

Expedições merínidas contra Castela

Frustrado por Afonso, procurou ajuda dos merínidas, governados por Abu Iúçufe Iacube. Enquanto Afonso estava viajando para encontrar o Papa Gregório X, deixando seu reino sob seu herdeiro e o regente Fernando de La Cerda, Maomé enviou emissários à corte merínida. Abu Iúçufe Iacube manifestou interesse em combater os cristãos no Alandalus desde 1245, e agora, tendo assumido o controle da antiga capital almóada de Marraquexe e unificado a maior parte do Marrocos, tinha o poder e a oportunidade de fazê-lo. Em abril de 1275, o governante marroquino mobilizou um exército que incluía 5 mil cavaleiros sob o comando de seu filho, Abu Zaiane Mandil. Três meses depois, Abu Zaiane atravessou o estreito de Gibraltar, desembarcou em Tarifa e assumiu a cidade. Logo o governador de Algeciras separou-se de Granada e entregou sua cidade a Abu Zaiane. O príncipe merínida estabeleceu uma cabeceira de praia entre Tarifa e Algeciras e começou a invadir o território castelhano até Xerez. Em meio aos desembarques, Maomé II atacou os Banu Asquilula em Málaga em junho de 1275, mas foi repelido. Fernando de La Cerda marchou para encontrar as forças muçulmanas, mas morreu em 25 de julho de 1275 em Villareal, deixando Castela com liderança incerta.

Manobras diplomáticas até 1280

Durante a segunda expedição de Abu Iúçufe Iacube, os Banu Asquilula entregaram Málaga – seu centro de poder – a seu novo aliado. Essa ação foi motivada pelo medo de que eles não pudessem defendê-la contra Granada. Os merínidas a ocuparam em meados de fevereiro de 1278 e Abu Iúçufe Iacube nomeou seu tio, Omar ibne Iáia, como governador. Maomé ficou alarmado com essa invasão marroquina em seu domínio, lembrando as ações dos almorávidas e almóadas, duas dinastias muçulmanas do norte da África anteriores que anexaram Alandalus depois de intervir inicialmente contra os cristãos. Ele encorajou Iaguemoracém ibne Zaiane de Tremecém a atacar os merínidas no norte da África, e Castela a atacar a base espanhola deles em Algeciras. O governante marroquino, sobrecarregado e atacado em várias frentes, recuou de Málaga e entregou a cidade ao sultão nacérida em 31 de janeiro de 1279. Também foi alegado que Granada subornou Omar ibne Iáia, dando-lhe o castelo de Salobreña e cinquenta mil dinares de ouro. Maomé nomeou seu primo e conselheiro próximo Abuçaíde Faraje como governador. Com Málaga em suas mãos, ajudou os merínidas a defender Algeciras, possivelmente sentindo-se culpado pelos sofrimentos dos muçulmanos sitiados na cidade. As forças conjuntas dos marroquinos e granadinos derrotaram os sitiantes castelhanos em 1279. As fontes castelhanas da época pareciam não perceber o envolvimento granadino e pensavam que foram derrotadas apenas pelos merínidas.

Guerra em duas frentes

As manobras que viram o ganho de Málaga e impediram Castela de tomar Algeciras irritaram os marroquinos e Castela. Ambos, juntamente com os Banu Asquilula, atacaram o sultão em 1280. Os merínidas e Banu Asquilula avançaram para Málaga, atacando sem sucesso a região de Marbella, no sul. Castela atacou do norte, liderada pelo infante (príncipe) Sancho (futuro Sancho IV), filho de Afonso, que foi verificado pelos Voluntários da Fé da África do Norte liderados por ibne Muali e Taxufine ibne Muti. Os voluntários eram um componente das forças armadas de Granada, compostas por guerreiros do norte da África, em grande parte exilados políticos que migraram com suas famílias e tribos. Eles ainda defendiam o reino contra Castela, apesar de Granada também estar em guerra com o Império Merínida de onde vieram. Em 23 de junho, as tropas granadinas emboscaram uma grande força castelhana em Moclín. Em junho de 1281, os católicos invadiram novamente, liderados pelo próprio Afonso e acompanhados pelos infantes Sancho, Pedro e João. Eles derrotaram Maomé numa batalha perto dos muros de Granada em 25 de junho, mas após o fracasso das negociações que se seguiram, os castelhanos deixaram o reino.

Campanhas de Tarifa

Os merínidas mantiveram postos avançados na Península Ibérica, incluindo Tarifa, uma importante cidade portuária no Estreito de Gibraltar. Em 1290, Maomé chegou a um acordo com Sancho e o governante de Tremecém. Castela atacaria a cidade, Granada atacaria outras posses merínidas e Tremecém abriria hostilidades contra os marroquinos no norte da África. Segundo o acordo, Castela entregaria Tarifa ao reino em troca de seis fortalezas na fronteira. Em novembro e dezembro de 1291, Jaime II de Aragão conheceu o rei castelhano e concordou em juntar-se à guerra contra os merínidas. Em outubro de 1292, Castela, com a ajuda da marinha de Aragão e abastecida por Granada, conseguiu tomar Tarifa. Também tomou as seis fortalezas fronteiriças de Granada, conforme combinado, mas se recusou a ceder Tarifa, mesmo depois que Maomé encontrou-se com Sancho em Córdova, em dezembro. Granada, sentindo-se enganada, mudou de lado para os merínidas. O sultão viajou para o norte da África e conheceu Abu Iacube em Tânger no dia 24 de outubro, levando muitos presentes e pedindo sua amizade e perdão. Ambos os monarcas concordaram em uma aliança contra Castela. Em 1294, os merínidas e o Reino Nacérida sem sucesso sitiaram Tarifa. A cidade nunca mais estaria em mãos muçulmanas. Após esse fracasso, os marroquinos decidiram se retirar para o norte da África. Granada começou a retomar seus antigos postos avançados, incluindo Algeciras e – depois de alguma resistência local – Ronda.

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Governança e legado

Maomé realizou construções no Estado nascente criado por seu pai, e continuou a garantir a independência de seu reino, alternando-se com outros poderes, especialmente Castela e Merínida, e às vezes incentivando-os a lutar entre si. Um senso de identidade também emergiu no reino, unido pela religião (Islã), idioma (árabe), e a consciência de uma ameaça sempre presente à sua sobrevivência por parte de seus vizinhos cristãos falantes do românico. O historiador ibne Caldune comentou que esses laços serviam como um substituto para assabia ou solidariedade tribal, que acreditava ser fundamental para a ascensão e queda de um estado. Maomé II foi o verdadeiro organizador do Reino Nacérida com suas reformas na administração e no exército. Sua considerável atividade legislativa incluiu a instituição do protocolo real (rusūm al-mulk) nacérida e a chancelaria da corte (al-kitāba), na qual a figura principal de seu reinado era o futuro vizir Abu Abedalá ibne Aláqueme. Seu reinado também viu a expansão e a institucionalização dos Voluntários da Fé (também chamados gazis em árabe): soldados recrutados no norte da África para defender Granada contra os cristãos. Muitos deles eram membros de tribos ou famílias anteriormente exiladas do Império Merínida. Alguns deles estabeleceram-se na cidade de Granada, formando o bairro de Zenete (cujo nome remete à tribo berbere dos Zenetas), e alguns nas áreas ocidentais do reino, como Ronda e a área circundante. Receberam pagamentos do estado, mas muitas vezes entraram em conflito com os locais nas áreas em que estabeleceram-se. Quando, no início dos anos 1280, Granada entrou em conflito com os marroquinos, os voluntários permaneceram leais e defenderam o reino contra Castela, quando atacaram ao mesmo tempo. Com o tempo, os Voluntários tornaram-se a força militar mais importante do reino, totalizando 10 mil no final do domínio de Maomé e eclipsando o exército recrutado localmente em Granada. O líder deles, o xeique alguzate (xaikh al-guzat), ocupava uma posição influente na política granadina. Homens diferentes foram nomeados como xeique pelo sultão em diferentes pontos de seu reinado, incluindo Ali ibne Abi Iade ibne Abdalaque, Taxufine ibne Muti, Muça ibne Rau, Abdalaque ibne Rau e Ibraim ibne Iáia.

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