Saíde ibne Almuçaíbe
Saíde ibne Almuçaíbe, também conhecido como Abu Maomé Saíde ibne Almuçaíbe ibne Hasne Alcoraixi Almaquezumi, foi um tabis muçulmano, alfaqui, tradicionalista e transmissor de hádices de Medina. Considerado o principal integrante dos Sete Juristas de Medina, exerceu profunda influência na formação da jurisprudência islâmica primitiva. Foi amplamente reconhecido pelos estudiosos posteriores como uma das maiores autoridades religiosas de sua geração, destacando-se pelo domínio do fiqh, dos hádices, da genealogia e da interpretação de sonhos.
Segundo o próprio Saíde, nasceu em Medina no ano 15 da Hégira (636). Seu avô Hasne ibne Abu Uabe, seu pai Almuçaíbe ibne Hasne e sua mãe, Ume Saíde binte Saquir, foram companheiros de Maomé. Seu avô morreu como mártir na Batalha de Iamama. Segundo uma tradição transmitida por Saíde, quando Hasne compareceu diante de Maomé, este perguntou-lhe seu nome e, ao ouvir que se chamava Hasne ("tristeza" ou "aflição"), sugeriu substituí-lo por Sal ("brandura"). Hasne, porém, recusou-se a abandonar o nome que recebera de seu pai. Saíde afirmava que, desde então, a tristeza jamais deixou sua família. Seu pai participou do Compromisso de Riduão, transmitiu hádices preservados nas coleções de Maomé Albucari, Muslim ibne Alhajaje, Abu Daúde e Anaçai, participou das conquistas da Síria e provavelmente morreu durante o califado de Otomão (r. 644–656). Saíde cresceu em Medina quando ainda viviam muitos dos principais companheiros de Maomé. Recebeu hádices de Otomão, Ali ibne Abi Talibe, Aixa, Ume Salama, Abu Huraira, Zaíde ibne Tabite, Abu Muça Alaxari, Ibne Abas, Abedalá ibne Omar ibne Alcatabe, Abedalá ibne Anre, Maomé ibne Maslama, Ume Soleime e de seu próprio pai. Embora alguns autores tenham afirmado que apenas conheceu Omar sem transmitir relatos seus, a TDV considera essa opinião incorreta. Grande parte de sua formação ocorreu sob a orientação de seu sogro Abu Huraira, enquanto os relatos atribuídos a Abu Becre, Ubai ibne Cabe, Bilal ibne Rabá, Sade ibne Ubada, Abu Dar Alguifari e Abu Adarda são classificados como murçal. As fontes mencionam ainda que viajou em busca de conhecimento, embora não indiquem os lugares visitados. Entre seus numerosos discípulos figuram Omar ibne Abedalazize, Ata Alcoraçani, Anre ibne Xuaibe, Anre ibne Dinar, Anre ibne Murra, Catada ibne Diama, Maomé Albaquir, Ibne Xiabe Azuri, Ibne Almoncadir, Maimune ibne Mirrane e Iáia ibne Saíde Alançari.
Saíde ibne Almuçaíbe foi considerado o mais eminente dos Sete Juristas de Medina e uma das maiores autoridades entre os tabis. Segundo relatos preservados pelas fontes, quando o juiz Maimune ibne Mirrane chegou a Medina e perguntou quem era o maior conhecedor do fiqh, indicaram-lhe Saíde, embora Abu Huraira e Ibne Abas ainda estivessem vivos. Alcácime ibne Maomé ibne Abi Becre, outro dos célebres juristas de Medina, afirmava que Saíde era o mestre e o mais erudito entre eles. Durante seu governo em Medina, Omar ibne Abdalazize, conhecido por chamá-lo de "o alfaqui dos alfaquis", evitava decidir qualquer questão jurídica sem consultá-lo. Também Abedalá ibne Omar ibne Alcatabe recorria a ele para conhecer os pareceres e decisões proferidos por seu pai, Omar, razão pela qual Saíde recebeu o epíteto de Rauiate Omar, por ser considerado o maior conhecedor das decisões do segundo califa. Diversos estudiosos posteriores exaltaram sua autoridade intelectual. Maleque ibne Anas atribuía seu profundo conhecimento das decisões de Omar ao esforço sistemático que fizera para recolher todas as informações disponíveis sobre o califa. Catada ibne Diama afirmava que ninguém conhecia melhor as distinções entre o lícito e o ilícito, enquanto Macul ibne Abu Muslim declarou não ter encontrado, em todas as suas viagens em busca do conhecimento, sábio mais erudito do que Saíde. Ibne Xiabe Azuri igualmente afirmava jamais ter visto alguém mais sábio ou mais versado em jurisprudência. Ali ibne Amadini considerava-o o maior membro da geração dos tabis em ciência e virtude, Amade ibne Hambal via nele o mais excelente representante dessa geração, e Abu Hatim Arrazi o descrevia como o mais confiável transmissor das tradições de Abu Huraira. Ibne Xiabe Azuri estudou a recitação do Alcorão com Saíde, embora este evitasse responder perguntas sobre a exegese do texto sagrado, motivo pelo qual poucas interpretações suas chegaram às gerações posteriores. Dotado de memória extraordinária, fazia questão de ouvir cada hádice diretamente da autoridade mais qualificada, chegando a caminhar durante dias para confirmar uma única tradição. Embora a autenticidade dos relatos de tipo murçal fosse objeto de controvérsia entre os estudiosos, Axafii considerava confiáveis os transmitidos por Saíde, posição compartilhada por Amade ibne Hambal. Ali ibne Madini afirmava que bastava Saíde declarar que determinado assunto fazia parte da suna para que não fosse necessário procurar outra prova. Descrito pelos críticos do hádice como um transmissor absolutamente digno de confiança, seus relatos figuram em todas as principais coleções de hádices. As fontes também lhe atribuem grande habilidade na interpretação de sonhos e reconhecem sua autoridade em genealogia árabe.


