Suail ibne Anre
Suail ibne Anre foi um companheiro de Maomé, orador e líder dos amiritas, um dos clãs dos coraixitas. Inicialmente um dos mais destacados opositores do islamismo em Meca, representou os coraixitas nas negociações do Tratado de Hudaibia e participou da Batalha de Badre ao lado dos politeístas. Após converter-se ao islamismo, tornou-se um dos principais apoiadores da nova religião, participando das conquistas muçulmanas na Síria e destacando-se por sua devoção religiosa. Reconhecido por sua habilidade retórica e política, desempenhou papel decisivo na redação do Tratado de Hudaibia, defendendo energicamente os interesses de Meca durante as negociações com Maomé. A tradição islâmica registra que, depois da morte do profeta, pronunciou em Meca um discurso semelhante ao de Abu Becre em Medina, contribuindo para conter a apostasia e preservar a fidelidade da cidade ao islamismo. Durante o califado de Omar ibne Alcatabe, participou da Batalha de Jarmuque como comandante de um grande destacamento de cavalaria e morreu, segundo a tradição mais difundida, durante a Peste de Emaús, em 639. Hádices transmitidos por sua autoridade foram preservados por diversos tabis, entre eles Miçuar ibne Macrama, Maruane ibne Aláqueme e Xuba ibne Alhajaje.
Suail ibne Anre pertencia ao clã dos amiritas, um dos ramos dos coraixitas. Ainda jovem, destacou-se entre os principais líderes de Meca durante o período pré-islâmico. Seus filhos Abu Jandal, Abedalá, Ubaide Alá e Oteba, bem como suas filhas Sala e Ume Cultume, converteram-se ao islamismo em momentos distintos, sendo Abu Jandal, Abedalá, Sala e Ume Cultume dos primeiros muçulmanos da cidade. A posição política e social de Suail em Meca é evidenciada pelo fato de Maomé tê-lo procurado como um dos possíveis protetores após o fracasso de sua missão em Taife, bem como por figurar entre os coraixitas contra os quais os muçulmanos dirigiram súplicas em razão das perseguições que promoviam. Na Batalha de Badre, combateu ao lado dos coraixitas e atuou como seu principal orador. Foi capturado por Maleque ibne Duquexume e libertado após o pagamento de resgate, regressando a Meca, onde retomou os preparativos militares contra os muçulmanos. Enquanto permanecia prisioneiro, Omar ibne Alcatabe propôs quebrar-lhe os dentes para impedi-lo de voltar a discursar contra Maomé, mas este recusou, afirmando que Suail ainda realizaria boas ações no futuro. A previsão foi posteriormente considerada cumprida quando, após a morte de Maomé, Suail pronunciou em Meca um discurso semelhante ao de Abu Becre em Medina, acalmando a população, desencorajando a apostasia e conclamando os muçulmanos à firmeza na fé. No sexto ano da Hégira (628), representou os coraixitas nas negociações do Tratado de Hudaibia. As condições que propôs e sua objeção a determinadas expressões do texto demonstraram sua habilidade como negociador.