Haçane ibne Ali
Haçane ibne Ali ibne Abi Talibe ; é uma figura importante no islamismo, filho de Fátima, a filha do Profeta Maomé, e do quarto califa ortodoxo do ponto de vista sunita, Ali. Haçane era membro do Ahl al-Bayt e do Ahl al-Kisa. Abu Maomé Haçane ibne Ali, conhecido como al-Mujtaba é considerado pelos xiitas como tendo se tornado o Imam após a morte de Ali. Haçane foi criado na casa do próprio Profeta até a morte de seu avô em 632, quando Haçane tinha cerca de sete anos. Não pode haver dúvida de que o Profeta tinha um grande carinho por seus dois netos, Haçane e Huceine. A ele é atribuída a seguinte citação:"Haçane e Huceine são os senhores da juventude do paraíso. Quem os ama, ama a mim; e quem os odeia, odeia a mim."
Haçane era filho de Ali bin Abi Talib — primo do Profeta do Islã — e de Fatima Zahra, filha do próprio Profeta. Ambos pertenciam a família dos Bani Hashim, um dos clãs mais proeminentes tribo dos Quraysh em Meca. A família formada a partir deste casamento foi repetidamente elogiada tanto pelo Alcorão quanto pelo Profeta do Islã, sendo destacada em episódios significativos como o evento de Mubahala e o hadith de Ahl al-Kisa (o Povo do Manto) . A base corânica para a reverência à família do Profeta encontra-se no versículo 33:33 do Alcorão: E Deus deseja apenas remover de vós a impureza , ó Povo da Casa (Ahl al-Bayt) e purificar-vos plenamente. De acordo com estudiosos xiitas — e também reconhecido por alguns estudiosos sunitas — esse versículo foi revelado especificamente em referência a Ali, Fátima, al-Haçane e al-Husain. Esta família é, portanto, identificada como o verdadeiro Ahl al-Bayt (Povo da Casa) no contexto islâmico. O Alcorão confere ao Ahl al-Bayt do Profeta uma posição de distinção e elevação acima dos demais fiéis, reconhecendo sua pureza e proximidade espiritual com a mensagem divina.
Nascimento
Haçane nasceu em Medina em 2/624 ou em 3/625 do calendário islâmico, durante os meses de Ramadã ou Xabã. No entanto, a maioria das fontes tradicionais concorda que seu nascimento ocorreu em 15 do Ramadã do ano 3 da Hégira, correspondente a 2 de março de 625. Foi criado na casa do Profeta Muhammad até aproximadamente os sete anos de idade, quando seu avô faleceu. Haçane foi o primogênito de Ali e Fátima. logo após seu nascimento, O Profeta o tomou nos braços, recitou o Azan em seu ouvido direito e Iqama no esquerdo. Em seguida, realizou o sacrifício de uma ovelha (‘aqiqa), cortou-lhe os cabelos e doou, em prata, o equivalente ao peso dos fios - ligeiramente mais que um dirrã - aos pobres. O Profeta também perfumou sua cabeça, estabelecendo assim práticas que se tornariam tradição entre os muçulmanos. Ele nomeou o recém-nascido como Haçane, um nome inédito entre os árabes do período pré-islâmico (Jahiliya).
Vida de Maomé
Diversos relatos retratam o profundo amor e afeição do Profeta Maomé por seus netos, sentimentos que ele expressava publicamente sem reservas. Ele é frequentemente descrito carregando Haçane nos ombros, sentando-o nos joelhos, beijando-lhe o abdômen, permitindo que andasse sobre suas costas durante a oração e interrompendo um sermão para acolhê-lo no púlpito quando Haçane se aproximava. Uma de suas declarações mais conhecidas afirmava que Haçane e Huceine seriam "os senhores da juventude do Paraíso (sayyedā šabāb ahl al-janna). Em outra ocasião, o Profeta previu que Haçane seria responsável por reconciliar dois grupos em conflito dentro da comunidade muçulmana. Em um dito amplamente citado, Maomé segurou a mão de Haçane e Huceine e declarou: "Aquele que me ama e ama estes dois e ama sua mãe e seu pai, estará comigo em meu lugar no Dia da Ressurreição." Haçane era frequentemente descrito como o neto que mais se assemelhava fisicamente ao Profeta.
Morte de Maomé e Fátima (632)
Haçane tinha apenas sete anos de idade quando seu avô, o Profeta Maomé, faleceu no ano 11 da Hégira (632 d.C.). Um dos eventos mais significativos após a morte do Profeta é o incidente da Saqifa. Com o falecimento do Profeta, alguns de seus companheiros reuniram-se às pressas na sala de reuniões (Saqifa) da tribo Banu Sa'ida, em Medina, para discutir a sucessão de liderança da comunidade muçulmana. A eleição ocorreu de forma apressada, uma vez que a rivalidade entre os Ançares (habitantes originais de Medina) e os Muhajirun (imigrantes de Meca) ameaçava provocar uma cisão na comunidade. Ali, primo e genro do Profeta, não participou das deliberações, pois pois permanecia ao lado do do Profeta em seu leito de morte. Enquanto Fátima, Ali e outros dos principais Companheiros do Profeta realizavam seu sepultamento, outro grupo reuniu-se em Saqifa Banu Saida para discutir a sucessão da liderança da comunidade muçulmana. Nesta assembleia, Abacar acabou sendo reconhecido como califa (khilāfa, lit. ‘sucessão’). Fátima adoeceu logo após a perda de seu pai. De acordo com algumas fontes, ela se reconciliou com Abacar durante a enfermidade, após ele solicitar permissão para visitá-la; porém, segundo a maioria dos relatos, ela permaneceu ressentida até o fim. O registro mais difundido é que ela faleceu seis meses após a morte do Profeta. Sua morte foi mantida em sigilo e o sepultamento ocorreu durante à noite. De acordo com a maioria das versões, Abacar e Omar não foram informados a respeito.
Período califado de Abacar, Omar e Otomão
Não há muitos relatos sobre este período da vida de Haçane. Nessas poucas narrações, sua presença social é significativa. De acordo com algumas narrações sobre o incidente de Fadaque, que se reflete em fontes xiitas, como as histórias proto-xiitas de Almaçudi e Iacubi registram que, além de Um Aimã e Ali, Fátima trouxe seus filhos Haçane e Huceine como testemunhas para testemunhar a veracidade do que ela disse diante de Abacar, apenas para ter o seu depoimento rejeitado também por Abacar. Isso parece ter sido destinado a enfatizar ainda mais a desconsideração religiosa da família do Profeta. Durante este período, Haçane levantou objeções aos califas da época (Abacar e Omar) e culpou-os por usurparem a posição de seu pai. De acordo com al-Qurashi, certo dia Haçane foi à mesquita de seu avô, o Profeta. Ele viu Abacar sentado no púlpito da mesquita proferindo um sermão. Ficou indignado e criticou-o veementemente, dizendo: “Abaixe-se! Desça do púlpito do meu avô! Vá para o púlpito do seu pai.” Durante a época de Omar, Haçane terminou sua infância e estava prestes a entrar na juventude plena. A política exigia que Omar prestasse honras aos dois netos do Profeta e designasse para eles uma parte do que os muçulmanos levavam como espólio durante as suas batalhas. Omar recebeu roupas de brocado do Iêmen. Distribuiu-as entre os muçulmanos, mas se esqueceu deHaçane e Huceine. Como resultado, ele enviou uma carta ao seu governador no Iêmen e ordenou-lhe que lhe enviasse duas peças de roupa. Ele as enviou e Omar as deu a Haçane e Huceine. Concedeu-lhes o mesmo valor ao pai deles e incluiu entre os participantes da Batalha de Badre, então deu cinco mil dirrãs (moeda de prata) para cada um deles. De acordo com um relato de Ibne Esfandiar, Haçane, junto com o mais velho Abedalá ibne Omar ibne Alcatabe, participou de uma campanha militar cufana para Amol no Tabaristão durante o califado de Omar, Wilfred Madelung acredita que seu pai pode muito bem ter desejado expô-lo precocemente à experiência de guerra. Mas em outras fontes históricas, esse assunto é contestado. A razão para isso é que Haçane, assim como seu pai, Ali, não participou de nenhum dos assuntos de Omar, nem esteve envolvido em questões públicas. Outra presença social importante de Haçane Mujtaba é sua atuação como testemunha no conselho de seis pessoas para nomear um califa após Omar, conforme solicitação do próprio Omar. Isso demonstra o status social de Haçane Mujtaba como um dos Ahl al-Bayt e seu caráter individual entre os imigrantes e é ançares. Omar fez um discurso nos últimos dias de sua vida, ele se virou para o povo e disse: “Certamente o Apóstolo de Alá morreu e ficou satisfeito com esses seis quraishitas. Decidi que o califado deve ser obtido por meio do Comité Consultivo, para que escolham um entre eles”. Em seguida, disse aos candidatos: “Tragam com vocês alguns Xeques dos ançares, e eles não terão participação nas suas deliberações. Tragam também Haçane ibn Ali e Abedalá ibne Abas, pois possuem laços de parentesco com o Profeta. Espero que sua presença traga bênçãos. Mas eles não terão interferência em suas decisões”.
Califado de Ali (35–40/656–661)
Ali emergiu como califa após o assassinato de Otomão , quando Ali aderiu ao califado em 35/656. Pode-se dizer que a sucessão de Ali ao califado foi aprovada e aceita pela grande maioria dos muçulmanos em Medina, bem como na maioria das províncias do império. Ele foi verdadeiramente um califa escolhido por consenso de todos os muçulmanos. Na história da lealdade do povo a Ali bin Abi Talib, Haçane desempenhou um papel importante nesta lealdade. Durante o califado de seu pai, ele sempre o ajudou. Depois que a euforia inicial passou, porém, ficou claro que Ali enfrentava graves problemas internos. Durante a Batalha do Camelo, Haçane lutou sob a bandeira de seu pai, que era o califa da época. Conforme narrado nos livros de história, ele mostrou coragem e bravura diante do inimigo. Seus ataques eram rotineiramente conhecidos por causarem medo e terror nos corações do exército adversário. Antes do início da batalha, ele esteve envolvido na ida a Cufa com Amar ibne Iacir e vários outros companheiros de Ali, a fim de convidar e encorajar o povo a participar da batalha. Quando ele entrou em Cufa, foi confrontado com Abu Musa Ash'ari, que era o governante da cidade na época e se opunha à adesão das pessoas ao esforço de guerra. Abu Musa era um dos apoiadores do governo de Otomão e se opunha ao califado de Ali. Diante da oposição de Abu Musa e de seus apoiadores, e de seus esforços para impedir a participação popular, Haçane conseguiu reunir entre seis mil e sete mil combatentes e despachá-los para a frente de batalha.
Quando Ali foi assassinado em 19 de Ramazan, 28 de janeiro de 660 , Haçane tinha trinta e sete anos. É sabido que muitos dos companheiros sobreviventes do Profeta, tanto do Medinano Ançar quanto do Meca Muhajirun, estavam no exército de Ali. Portanto, eles devem ter estado em Cufa no momento do assassinato de Ali e, por conseguinte, devem ter consentido que Haçane fosse aclamado califa em sucessão ao seu pai, alguns dias depois, pois não há registo de qualquer dissidência a esse respeito em Cufa. O povo de Medina e Meca parece ter recebido a notícia com satisfação, ou pelo menos com aquiescência. Isto é evidente pelo facto de nem uma única voz de protesto ou oposição dessas cidades contra a adesão de Haçane poder ser encontrada nas fontes. Da mesma forma, o povo de Baçorá, [[Almadaim]] e todo o povo do Iraque prestaram-lhe homenagem. A Pérsia jurou lealdade a ele através de Ziyad ibn Abihi. O povo de al-Hijaz e do Iémen prestou-lhe homenagem pelas mãos de Jariya ibn Qudama, um comandante militar vigilante e resoluto. Ninguém se recusou a jurar lealdade a ele, exceto Muawiya e seus seguidores, assim como se recusaram a prestar homenagem a Ali.
Após sua abdicação, al-Haçane, neto de Profeta Maomé, retirou-se definitivamente para Medina, adotando uma postura de distanciamento político tanto em relação a Muʿāwiya quanto a seus opositores. Em uma ocasião, ao chegar a al-Qādesiya, foi instado por Moʿāwia a combater um grupo de kharijitas insurgentes. Haçane recusou prontamente, afirmando que havia ao conflito com o objetivo de preservar a unidade da comunidade muçulmana e, portanto, não combateria agora em nome do governante cuja ascensão buscara evitar pela via da reconciliação. Com o tempo, tornou-se evidente para Moʿāwia que Haçane não apoiaria ativamente seu governo, o que levou ao progressivo enfraquecimento das relações entre ambos. Haçane Ḥasan evitava o contato com o califa e, segundo relatos, raramente — ou jamais — visitou Moʿāwia em Damasco. Segundo o relato de al-Baladhuri, al-Haçane, em conformidade com os termos do tratado firmado com Moáuia, enviou coletores de impostos a Fasa e Darabjird. No entanto, O califa instruiu Abd Allah ibn Amir — reinstalado como governador de Baçorá — a incentivar os Baçoránianos a contestarem a legitimidade da cobrança, alegando que os tributos pertenciam-lhes por direito de conquista e que seus estipêndios estavam sendo prejudicados. Como resultado, os coletores de al-Haçane foram expulsos das referidas províncias. Moáuia limitou-se a pagar entre 1.000.000 e 2.000.000 de dirhams anuais, supostamente oriundos do imposto territorial de Isfahan e outros regiões — informação considerada provavelmente fictícia. Embora haja relatos de que al-Ḥasan tenha aceitado presentes do califa, a maioria das dádivas destinadas aos Banu Hashim foi entregue a seu primo, ʿAbd Allāh ibn Jaʿfar, que não possuía ambições políticas base de apoio significativa.
Haçane ibn Ali morreu em Medina. Os historiadores divergiram quanto ao ano de sua morte. Foi dito que ele morreu em 45/665, 49/669, 50/670 e também que morreu em 51/671. Isso foi mencionado por al-Khatib al-Baghdadi em seu obra al-Tarikh. Além disso, os historiadores também divergiram sobre o mês em que ele morreu. Foi dito que ele morreu em 5 de Rabi Alual 50/2 de abril de 670. Também Foi dito que ele morreu em 28 de Sáfar de 50/670, correspondente a 30 de março. Há ainda o relato de que ele morreu no domingo, 10 de Moarrão de 45/5 de abril de 665. A narração mais conhecida entre os xiitas é a de que ele morreu no dia 7 de Sáfar de 50/670, 9 de março, data em que são realizadas cerimônias. A maioria das fontes, tanto sunitas quanto xiitas — historiadores e tradicionalistas — relata que a causa da morte de Haçane foi envenenamento, administrado por uma de suas esposas, Ju'da bint al-Ashʿath. Diz-se que Muawiya a subornou com a promessa de uma grande quantia em dinheiro e de casá-la com Yazid. De acordo com o próprio depoimento de Haçane, essa foi a terceira vez que ele foi envenenado — e, desta vez, de forma fatal. , mas deve-se notar que al-Haçane não estava de forma alguma, ansioso para revelar suas suspeitas ao seu irmão al-Husain, por medo de que a vingança por sua morte pudesse ser tomada contra alguma pessoa inocente. o chefe iemenita al-Ashʿath foi considerado pelos xiitas como um traidor, a soldo de Muawiya, e é bem possível que o ódio sentido por ele tenha sido transferido para sua filha. As tradições relatam que, quando Haçane estava morrendo, ele previu que aquele que lhe deu o veneno não alcançaria seu objetivo e, consequentemente, descobrimos que, após a ação ter sido realizada, Muawiya lhe enviou a seguinte mensagem: “Eu valorizo a vida de Yazid, caso contrário, certamente combinaríamos com você o casamento com ele”. Depois de completar a tarefa, Moáuia pagou-lhe a quantia prometida, mas recusou-se a casá-la com Yazid, dizendo que valorizava a vida de seu filho. O testemunho histórico esmagador, o desejo de Muawiya de nomear seu filho como seu sucessor — o que ele fez imediatamente após a morte de Haçane — combinado com muitas outras pistas encontradas nas fontes, tornam provável que Moáuia tenha sido o instigador do envenenamento, embora isso provavelmente nunca seja claramente estabelecido. No entanto, o facto de a causa da morte de Haçane ter sido veneno, administrado por sua esposa Ju'da, é, sem dúvida, uma verdade histórica.
Enterro
al-Husain preparou seu irmão al-Haçane para o enterro. Abdullah bin Abbas, Abdurrahman bin Jafar, Ali bin Abdullah bin Abbas, Muhammad bin al-Hanafiyya e Abbas ibn Ali o ajudaram nisso. Ele (al-Husain) lavou-o, envolveu-o e ungiu-o com cânfora. Depois de prepará-lo para o sepultamento, ordenou que fosse levado à Mesquita do Profeta, para que a oração fúnebre pudesse ser realizada. Muitas pessoas acompanharam o Imam al-Haçane de uma forma que Medina jamais havia testemunhado. O corpo foi carregado da casa do Imam até a Mesquita do Profeta, e o Imam al-Husain liderou o povo na oração por ele. Ibn Abi'l-Hadid mencionou que o Imam al-Husain ordenou que Saeed bin al-Aas (o governador de Medina) realizasse a oração sobre o Imam al-Haçane. No entanto, de acordo com al-Qurashi, essa afirmação é impossível, pois havia más relações entre os Umayyads e os Hachemitas. Sendo assim, como o Imam al-Haçane permitiria que seus líderes omíadas orassem por ele? O mais correto é que nenhum dos Omíadas compareceu ao funeral do Imam al-Haçane, com exceção de Saeed bin al-Aas.
Esposas
Com base em relatos históricos, Madelung afirma a ordem histórica dos casamentos de Haçane e, de acordo com ele, é possível comprovar que se casou com seis mulheres. O primeiro casamento de al-Haçane foi provavelmente com Salma — ou Zaynab — , filha do renomado chefe calbita Inru Alcaice. logo após a chegada de Ali em Cufa, al-Haçane casou-se com Ja'da, filha do chefe Kinda Alaxate ibne Caice. antes da batalha de Siffin, uniu-se a Umm Bashir. Após sua abdicação e retorno a Medina, casou-se com Khawla, filha do chefe Fazara, Manzur ibn Zabban. Em Medina, contraiu núpcias com Hafsa, filha de 'Abd al-Rahman ibn Abi Bakr. Também em Medina, casou-se com Umm Ishaq, filha de Talha, e com Hind, filha de Suhayl ibn Amr, filho de Amir Quraysh. Os demais filhos de Al-Haçane provavelmente foram gerados por concubinas (mulheres escravas).
Crianças
Os historiadores divergem quanto ao número de de filhos de al-Haçane. Foram narradas as seguintes estimativas: Ibn 'Asakir: Doze filhos — oito meninos e quatro meninas; Al-Isti'ab: Quinze filhos — onze meninos e quatro meninas; Ibn Abi al-Hadid: Dezesseis filhos — onze meninos e cinco meninas; Al-Mufid: Dezenove filhos — treze meninos e seis meninas; Al-Nafha al-'Ambariya: Vinte filhos — dezesseis meninos e quatro meninas; Al-'Abdali: Vinte e dois filhos — quatorze meninos e oito meninas. Os historiadores concordaram unanimemente que nenhum dos filhos de al-Haçane teve descendência, exceto Zayd e al-Haçane. Al-Majjdi mencionou os nomes dos filhos, que são: Zayd, al-Haçane, al-Haçane al-Athram, Talha, Isma'il, Abdullah, Hamza, Ya'qub, 'Abd al-Rahman, Abu Bakr e 'Umar. Outros filhos de Al-Haçane, segundo al-Zubayri, foram: al-Qasim e Abu Bakr, ambos morreram sem filhos e foram mortos junto com seu tio al-Husayn em Karbala'; 'Abd al-Rahman, morreu sem descendência; al-Husayn al-Athram, teve descendência apenas por meio de filhas. Al-Baladhuri menciona ainda outro filho, 'Abd Allah. No entanto, de acordo com Ibn 'Inaba, esse, Abd Allah seria o mesmo que Abu Bakr. Na lista de Abu Mikhnaf dos mortos em Karbala', entretanto, Abd Allah é mencionado separadamente de Abu Bakr. As filhas mais mencionadas nas fontes são: Umm al-Khayr, Ramla, Umm al-Haçane, Umm Salama, Umm Abdullah. Al-Majjdi também mencionou que a mãe de Zayd, Umm al-Khayr e Umm al-Haçane era da tribo de al-Khazrajj. A mãe de al-Haçane era Khawla al-Fazariya, filha de Manzur. Seu tio paterno al-Husayn casou-o com sua filha Fátima. A mãe de ‘Umar era uma escrava. A mãe de al-Husayn também era uma escrava. A mãe de Talha era de triboTaym, de Quraysh. As filhas de Al-Haçane com mulheres escravizadas incluem: Umm 'Abd Allah, casou-se com seu primo 'Ali ibn al-Husayn (Zayn al-'Abidin) e lhe deu vários filhos, incluindo o imã xiita Muhammad al -Baqir; Fátima, não se casou; Umm Salama, foi casada com Amr ibn al-Mundhir ibn al Zubayr ibn al-'Awwam, mas não teve filhos; e Ruqayya, que não se casou.
Este neto de Profeta era o que mais se parecia com ele. Anas bin Malik disse: “Ninguém se parecia mais com o Profeta do que al-Haçane bin Ali.” Diz-se que Haçane e Husain se assemelhavam tanto com o pai quanto ao avô, mas de maneiras diferentes. Haçane se assemelhava a Maomé da cintura para cima e a Ali abaixo da cintura; enquanto Husain se parecia com Ali na metade superior e com Maomé na metade inferior. os tradicionalistas tambem mencionaram a forma de al-Haçane, que era semelhante à do seu avô. Segundo eles: “Ele era branco, de olhos pretos; tinha cabelos longos e grossos, membros excelentes, ombros largos, cabelo encaracolado, barba espessa e pescoço branco como prata.” De acordo com Abu 'l-Faraj al-Isfahani, al-Haçane tinha um leve defeito de fala, herdado de um de seus tios. Apesar disso, algumas fontes acrescentam que ele era um bom orador; e vários de seus discursos foram preservados. Diz-se que ele foi um governante de temperamento brando, que nunca perdeu a compostura (ḥalīm), além de ser generoso e piedoso. Por piedade, realizava inúmeras peregrinações a pé. Segundo relatos, ele realizou a peregrinação do Hajj até vinte e cinco vezes a pé, enquanto belos cavalos eram conduzidos atrás dele, demonstrando humildade e devoção. A tolerância e o perdão de al-Haçane eram tão notáveis que, segundo Marvan, eram comparáveis às montanhas.
no Alcorão
De acordo com a maioria das fontes xiitas e algumas fontes sunitas, os versículos 5–22 foram revelados em relação à família do Profeta: Ali ibn Abi Ṭālib, Fátima, Haçane e Husain. O relato, transmitido com ligeiras variaçãoes por al-Ṭabrisī, al-Qurṭubī, al-Ālūsī e outros, afirma que os filhos de Ali, Haçane e Husain, estavam doentes, e o Profeta, junto com um grupo de seguidores, foi visitá-los. Eles sugeriram que Ali fizesse um voto a Deus, suplicando por sua recuperação. Assim, Ali, Fátima e Fizzah, sua ajudante doméstica, juraram que se Haçane e Husain se recuperassem, jejuariam por três dias (segundo alguns relatos, Haçane e Husain também fizeram o mesmo voto). Depois de algum tempo, ambos se recuperaram. Portanto, a família jejuou no primeiro dia. Como precisavam urgentemente de comida, Ali pediu emprestada um pouco de cevada para quebrar o jejum, e Fátima transformou um terço dela em farinha e assou um pouco de pão. Quando se preparavam para quebrar o jejum naquela noite, uma pessoa indigente apareceu à sua porta e disse: “A paz esteja convosco, Família de Muhammad. Sou um muçulmano necessitado; por favor me dê um pouco de comida. Que Deus conceda a você, em espécie, o Sustento Divino.” Todos eles lhe deram sua parte. Naquela noite, eles só tinham água. No dia seguinte jejuaram novamente. Então um órfão apareceu à porta. Mais uma vez, perderam o pão e não comeram nada, apenas beberam água. No dia seguinte, jejuaram novamente. Então, um órfão apareceu à porta. Mais uma vez, doaram o pão e não comeram nada, apenas beberam água. No terceiro dia, jejuaram novamente. Desta vez, um cativo veio à casa deles, e eles repetiram sua caridade. No quarto dia, Ali levou Haçane e Husain consigo para ver o Profeta. Quando o Profeta os viu tremendo de fome, disse: “Lamento vê-los nesta condição”. Então levantou-se e caminhou com eles. Ao chegar em casa, encontrou Fátima orando. Seu estômago estava colado à espinha dorsal e seus olhos também estavam fundos. O Profeta foi profundamente comovido. Neste momento Gabriel desceu e disse: “Ó Muhammad, receba esta surata. Deus o parabeniza por ter uma família assim.” E então Gabriel recitou esta surata.
As Tradições do Profeta
Algumas tradições foram narradas pelo Profeta a respeito de seu neto mais velho. Essas tradições exaltam sua elevada posição e indicam o amor sincero que o Profeta demonstrou por ele. Elas podem ser agrupadas em três categorias: O primeiro grupo é em respeito a ele. O segundo grupo diz respeito a ele e a seu irmão. O terceiro grupo refere-se à sua familiar como um todo. É bem sabido que al-Haçane está entre os seus devotos do Profeta, por isso, essas tradições o incluíram. Esses grupos de tradições foram mencionados em diversas fontes autênticas, confirmadas por múltiplas cadeias de transmissão, ao ponto de se tornaram amplamente aceitas e indiscutíveis.
Islã Sunita
A literatura de hadith sunita do século III/IX preserva inúmeras opiniões diferentes sobre quais califas foram considerados como guiados e justos. Esses califas eram entendidos, de forma mais ampla, como os sucessores do Profeta Maomé (como chefe de Estado), cujas palavras e ações eram como confiáveis exemplares em termos de crença e conduta. Há apoio, nessa tradição, para diversas interpretações: Algumas variantes, no entanto, conferem honras parciais a Uthman ou a Ali, refletindo debates históricos sobre suas políticas e papéis na comunidade islâmica. Há também certa ambiguidade em relação ao califado de al-Haçane ibn Ali. O relato de hadith conhecido como ḥadīth de Safina, que menciona que o verdadeiro califado duraria trinta anos, apresenta variações: por vezes afirma que o califado de Ali durou seis anos, e por vezes omite esse detalhe. Ali foi aclamado como califa no ano 35/656 e foi assassinado em 40/661, Assim, contar seis anos completos para Ali (de 656 a 661) implicaria, naturalmente, a inclusão do califado de al-Haçane no total de trinta anos, desde a ascensão de Abu Bakr em 11/632. Um dos argumentos apresentados para sustentar a legitimidade do califado de al-Haçane é justamente esse hadith profético, segundo o qual o verdadeiro califado, fiel ao espírito do governo profético, duraria trinta anos. isso abrangeria os o períodos dos califados de Abu Bakr, Umar, Uthman, Ali e também al-Haçane. Além disso, Umar ibn Abd al-Aziz (r. 99–101 / 717–720) é, por vezes mencionado como um dos três califas corretamente guiados.
Islã xiita
Apesar de sua abdicação do califado, Haçane ibn Ali continuou a ser considerado o líder, ou Imam, dos xiitas após a morte de seu pai, Ali ibn Abi Talib. Mesmo, entre os xiitas que criticaram sua decisão de abdicar em favor de Moáuia, nunca houve dúvidas de que Haçane havia sido nomeado por seu pai como sucessor na posição de Comandante dos Fiéis (Amīr al-Muʾminīn). Embora os detalhes formais da doutrina do imamato tenham, sem dúvida sido elaborados mais tarde, permanece o fato de que, enquanto Haçane estava vivo, ele foi considerado tanto pelos xiitas como por todos os membros da família como o chefe da casa de Ali e do Profeta. Isso foi suficiente para que os xiitas, ao longo de sua história, o considerassem o segundo Imam depois de Ali. As prerrogativas que lhe atribuem na qualidade de Imam são as mesmas dos demais Imames de suas linhagens (a diferenciação das linhagens ocorre a partir de um Imam posterior); assim, as questões relativas à impecabilidade, infalibilidade, etc. não o preocuparam pessoalmente.


