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Abu Abedalá Axii

Abu Abedalá Alhuceine ibne Amade ibne Maomé ibne Zacaria, mais conhecido como Abu Abedalá Axii, foi um missionário ismaelita (dāʿī) ativo no Iêmem e no Norte da África. Ele teve sucesso em converter e unificar grande parte da tribo berbere cotama, conduzindo-a na conquista de Ifríquia de 902 a 909 e na derrubada do Emirado Aglábida. Isso levou, por fim, ao estabelecimento do Califado Fatímida na Ifríquia sob o governo do imame–califa Abedalá Almadi Bilá. Contudo, Abedalá Almadi Bilá logo entrou em conflito com Axii e mandou executá-lo em 18 de fevereiro de 911.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 04/07/2026
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Vida

Primeiros anos

Abu Abedalá Axii nasceu como Huceine ibne Amade ibne Maomé ibne Zacaria em Cufa no Iraque. Segundo as fontes, pode ter sido inicialmente um adepto do sufismo ou do xiismo duodecimano antes de ser convertido em 891, juntamente com seu irmão Abu Alabas Maomé, ao xiismo ismaelita por um missionário local (da'i), Abu Ali, ou, de acordo com outras fontes, por Hamadane Carmate, o líder do ramo iraquiano da rede missionária ismaelita (da'wa). Abu Abedalá e Abu Alabas tornaram-se membros da própria rede missionária ismaelita (da'wa), sendo iniciados por Firuz, o representante do imame oculto, e logo enviados a missões no exterior: Abu Alabas para o Egito e Abu Abedalá para o Iêmem. Abu Abedalá reuniu-se à caravana do Haje para Meca e juntou-se aos peregrinos iemenitas em seu retorno à pátria. Ele chegou ali em abril de 892 e permaneceu aprendendo com o principal dai ismaelita no Iêmem, ibne Hauxabe, em preparação para liderar uma missão ao Magrebe.

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Missão entre os cotamas =

Abu Abedalá acompanhou os cotamas de volta à sua terra natal, na Pequena Cabília, chegando ali em junho de 893. Seu irmão, Abu Alabas, permaneceu no Egito e forneceu o vínculo com a sede da da'wa em Salamia. Abu Abedalá obteve a proteção do clã Sactane e imediatamente iniciou seu trabalho missionário, estabelecendo uma base na área pouco povoada de Icjane. O dai conquistou alguns convertidos influentes entre os chefes Abu Muça ibne Iunus Alazai, líder do clã Massalta, e Zaqui Tamame ibne Muarique, sobrinho do líder dos Ijana. Ao mesmo tempo, seus ensinamentos despertaram oposição, não apenas entre os adeptos do carijismo, que rejeitavam suas doutrinas, mas também devido a rivalidades políticas: à medida que alguns líderes de clãs ou tribos se associavam a Abu Abedalá, seus inimigos passavam a se opor a ele. Como resultado, ele logo teve de transferir sua base de operações de Icjane para Tasrute.

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= Conquista fatímida de Ifríquia

Enquanto permaneciam confinadas às montanhas da Pequena Cabília, as atividades de Abu Abedalá eram ignoradas pelo governo aglábida em Racada. Essa complacência chegou ao fim no final de 902, quando Abu Abedalá atacou e capturou a cidade fortificada de Mila. O movimento nasceu tanto da força quanto da fraqueza: embora Abu Abedalá tivesse consolidado o controle sobre a maior parte dos cotamas, aqueles chefes que permaneciam em oposição a ele agora recorreram ao governo aglábida em busca de apoio e ajuda militar contra o dai e seus seguidores. A captura de Mila forçou os Aglábidas a reagir, enviando um exército para o oeste para recuperar a cidade, sob o comando do príncipe Abu Abedalá Alaual, filho do emir Abedalá II. Como a maior parte das tropas regulares havia seguido o antigo emir Ibraim II para a Itália, o exército era composto principalmente por recrutas inexperientes; e sua chegada tão tarde no ano significava que, embora Abu Abedalá tivesse recuado para seus redutos montanhosos, as tropas aglábidas não podiam segui-lo devido à neve. A expedição estava ainda condenada ao fracasso devido às disputas dinásticas aglábidas: em julho de 903, o emir Abedalá II foi assassinado por seu filho, Ziadate Alá III, que então chamou de volta e executou seu irmão Abu Abedalá Alaual.

Regência e o resgate de Almadi

Enquanto isso, o imame ismaelita oculto e verdadeiro mestre de Abu Abedalá, o futuro califa Abedalá Almadi Bilá, havia deixado Salamia para evitar a perseguição abássida. Com um pequeno séquito, seguiu para Ramla e daí para o Egito, onde foram abrigados pelo antigo mentor de Abu Abedalá, Abu Ali, durante um ano, entre 904 e 905. Em vista dos sucessos de Abu Abedalá, Almadi decidiu então avançar para oeste, em direção à Ifríquia, e juntou-se a uma caravana de mercadores, acompanhado por Abu Alabas Maomé. No caminho, a caravana foi atacada por tribos berberes, o que deixou Abu Alabas Maomé ferido. Em Trípoli, Abu Alabas Maomé foi enviado adiante para Cairuão, a capital aglábida, para fazer o reconhecimento. Sem que ele soubesse, notícias sobre Almadi e sua identidade — como alguém procurado pelo governo abássida — já haviam chegado à cidade, e ele foi imediatamente preso. Permaneceu encarcerado até a primavera de 906, quando conseguiu escapar e seguiu para Trípoli. Informado sobre o destino de Abu Alabas, Almadi mudou seus planos: em vez de atravessar os domínios aglábidas e seguir para a terra dos cotamas, juntou-se a outra caravana em direção ao oeste, contornando o limite meridional do território aglábida. Ele estava acompanhado apenas por seu filho, o futuro Alcaim, e um escravo doméstico. Pressionando e até subornando o líder da caravana para que se apressasse, no final de 905 chegaram a Segelmeça, um oásis no leste do Marrocos, governado pela Dinastia midrárida e centro do comércio transaariano. Antes mesmo da conclusão da conquista do Emirado Aglábida, Abu Abedalá enviou um destacamento cotama para escoltar seu mestre até a Ifríquia, mas eles foram interceptados pelo emir ibadita de Taerte e tiveram de retornar.

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Queda e morte

As tradições proféticas sobre o mádi, embora difusas, insistiam que sua vinda seria anunciada por sinais e presságios celestes, que ele seria um jovem de excepcional beleza e que conduziria seus exércitos à vitória de modo rápido e miraculoso. Em comparação, a realidade de Almadi como homem e governante foi decepcionante: um ex-mercador de 35 anos acostumado a uma vida fácil, vinho e roupas luxuosas, cujo estilo de vida suntuoso contrastava com as doutrinas austeras propagadas por Abu Abedalá e até então seguidas pelos cotamas. Até mesmo Abu Abedalá criticou seu mestre, acusando-o de corromper os cotamas com poder, dinheiro, luxo e presentes. Abu Abedalá jamais havia encontrado seu mestre antes de ir a Segelmeça e, evidentemente, desconhecia seu caráter ou intenções; e agora ele pode ter sentido, nas palavras do historiador Michael Brett, "como se seu próprio movimento tivesse sido tomado por algo completamente diferente".

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