Inteligibilidade mútua
Em linguística, a inteligibilidade mútua ou intercompreensão é a relação entre os idiomas em que os falantes de línguas diferentes, mas relacionadas, podem compreender uns aos outros com relativa facilidade, sem estudos intencionais ou esforços extraordinários. Às vezes, é usada como um critério para distinguir línguas de dialetos, embora os fatores sociolinguísticos também sejam importantes.
Não há distinção formal entre duas línguas diferentes e duas variedades de uma única língua, mas linguistas geralmente usam inteligibilidade mútua como um dos fatores decisivos para eleger um dos dois casos. Alguns linguistas consideram a inteligibilidade mútua como critério primário para distinguir idiomas de dialetos. Por outro lado, falantes de línguas relacionadas geograficamente podem se comunicar a um nível considerável, mesmo possuindo diferentes graus de inteligibilidade mútua. Como exemplo, no caso de uma corrente linear de dialetos que possui três variedades, onde os falantes perto do centro podem entender as variedades de ambos os extremos, porém os extremos não tem o mesmo privilégio, não sendo considerada tal corrente uma única língua. Caso a variedade central desapareça e somente as dos extremos sobrevivam, as mesmas, então, serão consideradas duas línguas diferentes, mesmo que não tenha ocorrido algum mudança na linguagem.
Inteligibilidade assimétrica é uma expressão usada por linguistas para descrever duas línguas que são mutualmente inteligíveis, mas quando um grupo tem maior dificuldade de compreendimento do que o outro. Pode haver várias razões para isso. Por exemplo, se uma língua esta relacionada à outra, porém tem sua gramática simplificada, os falantes da língua original podem entender a linguagem simplificada, mas não o contrário. Em outros casos, dois idiomas têm uma forma de escrita similar, mas são falados de maneira distinta. Se a forma falada de uma das línguas é mais parecida com a forma de escrita comum, falantes da outra língua podem entender mais esse idioma do que o contrário. Isso pode ser observado na circunstância de os povos de língua portuguesa compreenderem a língua espanhola mais facilmente que os povos de língua espanhola compreenderem a língua portuguesa, já que algumas letras (ex. ‹a e i o u r n s›) na língua espanhola tendem a ter uma só pronúncia (ou se há várias pronúncias, são similares), enquanto que na língua portuguesa a pronúncia depende do contexto e da posição dentro de uma palavra.
Devido às dificuldades de imposição de limites em um continuum dialetal, várias línguas românicas são tomadas como exemplo, no registro de linguasphere das comunidades linguísticas do mundo. David Dalby lista 9 grupos linguísticos baseados em inteligibilidade mútua.


