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Abuçaíde Aljanabi

Abuçaíde Haçane ibne Barã Aljanabi foi um fundador do Estado dos cármatas no Barém. Por volta de 899, seus seguidores controlavam boa parte da região e em 900 conseguiu importante vitória sobre um exército enviado pelo Califado Abássida para subjugá-lo. Capturou a capital local, Hajar, em 903, e estendeu seu controle ao sul e leste até o Omã. Foi assassinado em 913 e sucedido por seu filho mais velho Saíde.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 29/07/2026
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História

Primeiros anos

Abuçaíde era de origem persa, de Janaba, na costeira Pérsis. Nasceu entre 845 e 855 e relatadamente era aleijado no lado esquerdo. Reivindicou depois (ou foi reivindicado por seus seguidores) que compartilhava o sangue real da dinastia sassânida, mas em seus primeiros anos era comerciante de peleiros ou farinhas, primeiro em Janaba e então nas cercanias de Cufa, para onde se mudou. Lá, se casou com moça da família Banu Alcassar, cujos membros eram proeminentes na comunidade ismailita local. Recebeu as doutrinas ismailitas do missionário (dai) Abu Maomé Abadã, o cunhado de Hamadane Carmate, líder do movimento ismailita no Iraque. Em torno de 874/884, Abuçaíde foi então enviado como dai para converter Pérsis na área de Janaba, Siniz, Tauaje e Marubã. Sua missão foi frutífera, conseguindo seguidores e fundos: todos os dais foram requeridos para reunir os fundos do aguardado mádi, que ainda estava em Ocultação. Posteriormente, foi denunciado por autoridades sunitas. Seu tesouro e armazéns foram confiscados, mas Abuçaíde conseguiu escapar e se escondeu, quiçá em Baçorá.

Conquista do Barém

De acordo com o relato de ibne Haucal, ao se conhecerem, Hamadane Carmate reconheceu as habilidades de Abuçaíde e lhe confiou a condução do esforço missionário no Barém, região que compreendia toda a Arábia Oriental das fronteiras do atual Iraque ao Catar. Barém é geralmente ignorado pelas fontes históricas do período; esteve sob controle do Califado Abássida, mas a Enciclopédia do Islã alega que "as fontes árabes falham em dizer muito sobre sua extensão ou eficácia". Segundo o historiador do século X Almaçudi, ele chegou em 886/887, mas outras fontes dão datas diferentes, de 894 a 896, ou mesmo tão tarde quanto 899, tempo no qual firmou seu poder na área; como resultado, as datas mais tardias são improváveis. De início assumiu o papel de comerciante de farinha na cidade de Catife, onde estabeleceu laços cruciais com os Banu Sambar, uma família Tacafi de alguma proeminência: os três filhos, Haçane, Ali e Hamadane, tornaram-se seus mais íntimos apoiadores, enquanto a filha de Haçane se tornou sua esposa. Essa família desempenhou importante papel no Estado Cármata nas décadas seguintes.

Governo e doutrina

Como fundador da "república" cármata do Barém, foi reconhecido pelas gerações posteriores como quem estabeleceu suas instituições. Embora certamente longe de sua forma totalmente desenvolvida, como relatado por ibne Haucal, certamente iniciou algumas delas. O sistema cármata era baseado na propriedade comunitária e no igualitarismo, com um sistema de produção e distribuição supervisionado por agentes de Abuçaíde. Por exemplo, qualquer gado e suprimentos coletados em ataques foram armazenados e distribuídos; escravos eram empregados em trabalho comunitário; o rebanho de gado, camelos e ovelhas e produção de armas e roupas eram dirigidos centralmente; e os meninos cativos eram treinados juntos a partir dos quatro anos de idade, em armas, montaria e doutrina cármata. Um conselho, o al-Iqdāniyya e composto por representantes das principais famílias e altos funcionários, também foi estabelecido com capacidade consultiva.

Morte e sucessão

Almaçudi relata que Abuçaíde foi morto em junho / julho de 913 por dois escravos eunucos sacaliba enquanto tomava banho em seu palácio. Vários de seus oficiais e seguidores de alto escalão foram mortos ao mesmo tempo, incluindo Ali e Hamadane ibne Sambar. Porém, a morte não foi relatada em Bagdá até o verão de 914, talvez indicando que foi mantida em segredo até então. A razão de seu assassinato é desconhecida, mas Heinz Halm sugere que isso pode estar relacionado à falha na profecia sobre o aparecimento do Mádi no ano anterior. Deixou sete ou seis filhos, que devido à sua juventude estavam sob a tutela de seu tio Haçane, o último dos três irmãos Banu Sambar. O poder provavelmente foi investido nominalmente entre todos os filhos de Abuçaíde, pois resposta composta logo após a morte de Abuçaíde a uma carta do vizir abássida foi escrita em nome de todos os filhos.

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Fontes consultadas

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