Abedalá ibne Azobair Alhumaidi
Abedalá ibne Azobair Alhumaidi, também conhecido como Alhumaidi, foi um tradicionalista e jurista muçulmano de Meca. De origem coraixita, estudou com alguns dos mais destacados eruditos de seu tempo, sobretudo Sufiane ibne Uiaina, a quem acompanhou durante dezenove anos, e Axafii, de quem recebeu formação jurídica e a quem acompanhou até o Egito. Após a morte de Axafii, retornou a Meca, onde passou os últimos quinze anos de sua vida ensinando hádice e emitindo pareceres jurídicos. Reconhecido como uma das principais autoridades religiosas da cidade, teve entre seus discípulos estudiosos como Albucari, Abu Zura Arrazi e Abu Hatime Arrazi, e foi reputado pelos especialistas posteriores como transmissor de elevada confiabilidade.
Abedalá ibne Azobair Alhumaidi nasceu em Meca, embora as fontes não registrem a data de seu nascimento. Pertencia aos coraixitas e sua linhagem remontava a Humaide ibne Uçama ibne Azobair ibne Alauame, encontrando-se com a de Maomé em Cuçai ibne Quilabe. Por sua origem, ficou conhecido pelas nisbas Alhumaidi e Almaqui. Iniciou sua formação em Meca e estudou hádice com numerosos tradicionalistas, entre os quais Alfudail ibne Iade, Adarauardi, Alualide ibne Muslim e Uaqui ibne Aljarrá. Seu principal mestre nesse campo foi Sufiane ibne Uiaina, a quem acompanhou durante dezenove anos e de cujas tradições se tornou um dos maiores conhecedores. Estudou também jurisprudência com Axafii, acompanhando-o em Meca e posteriormente no Egito. Após a morte do jurista, em 204 A.H. (820), retornou a Meca, onde passou os quinze anos restantes de sua vida ensinando hádice e emitindo pareceres jurídicos. Alhumaidi tornou-se um dos mais reputados estudiosos de Meca e formou numerosos tradicionalistas. Entre aqueles que transmitiram hádices sob sua autoridade estiveram Albucari, Aduli, Abu Zura Arrazi, Hambal ibne Isaque, Alfaçaui e Abu Hatime Arrazi. Sua autoridade foi reconhecida por importantes estudiosos de sua época: Isaque ibne Rauai, Amade ibne Hambal e Albucari referiram-se a ele como imame, enquanto especialistas em crítica de transmissores qualificaram-no como hujja, hafiz e thiqa, termos que exprimiam seu elevado grau de conhecimento e confiabilidade na transmissão do hádice. Tradições transmitidas por ele foram incluídas em cinco dos Seis Livros, sendo a Suna de Ibne Maja a única das seis coletâneas que não contém suas transmissões. Alhumaidi morreu em Meca em Rabi Alaual de 219 A.H. (março de 834); algumas fontes, contudo, situam sua morte em 220 A.H. (835).
Hádice e jurisprudência
A reputação de Alhumaidi como tradicionalista esteve particularmente ligada à transmissão dos hádices de Sufiane ibne Uiaina. O longo período em que permaneceu junto ao mestre fez dele uma das principais autoridades sobre suas tradições, e os estudiosos posteriores recorreram às suas transmissões para determinar as formulações e cadeias de autoridades atribuídas a Sufiane. Sua proximidade com Axafii exerceu influência igualmente importante sobre sua formação jurídica. Alhumaidi acompanhou-o durante sua permanência no Egito e tornou-se um dos primeiros representantes de sua doutrina, embora as fontes também preservem opiniões próprias do jurista. Depois de retornar a Meca, combinou o ensino do hádice com a emissão de pareceres jurídicos, atividade que manteve até o fim da vida. Sua principal obra no campo do hádice é o Musnade, que reúne 1 327 tradições. A coletânea foi organizada segundo os companheiros responsáveis pelas transmissões, levando em consideração sua precedência e seus méritos, e começa com o musnade de Abu Becre. É considerada um dos primeiros musnades compostos em Meca. Além de tradições transmitidas diretamente por Alhumaidi, a obra contém material recebido de seus mestres, sobretudo Sufiane ibne Uiaina, circunstância que também lhe confere importância para o estudo da transmissão desse tradicionalista. O Musnade foi preservado e recebeu posteriormente edições impressas.
Doutrina
Também é atribuído a Alhumaidi o Uṣūl al-sunna, breve tratado dedicado a questões fundamentais de crença. A obra aborda a predestinação, a natureza e o aumento ou diminuição da fé, o caráter não criado do Alcorão, a visão de Deus, a maneira de compreender os versículos corânicos considerados ambíguos e a condição religiosa dos muçulmanos que cometem pecados graves. O tratado reflete as controvérsias teológicas presentes no meio dos estudiosos de hádice durante o século IX e as posições doutrinais defendidas por Alhumaidi.
Além do Musnade e do Uṣūl al-sunna, as fontes atribuem a Alhumaidi diversos outros trabalhos. Entre eles figuram o Kitāb al-Nawādir, o Kitāb al-Dalāʾil, o al-Radd ʿalā al-Nuʿmān e o Kitāb al-Tafsīr. O al-Radd ʿalā al-Nuʿmān pertencia ao gênero das obras de controvérsia jurídica e era dirigido contra as posições de Abu Hanifa, referido pelo nome Numane. O conjunto das obras atribuídas a Alhumaidi evidencia a combinação, em sua atividade intelectual, do estudo e transmissão do hádice, da jurisprudência e de questões doutrinais e exegéticas.


