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Abu Hatime Arrazi

Abu Hatime Arrazi, nome pelo qual ficou conhecido Maomé ibne Idris ibne Almondir Arrazi, foi um tradicionalista e crítico de hádice muçulmano. Iniciou o estudo do hádice ainda jovem em sua cidade natal e realizou extensas viagens em busca de conhecimento, percorrendo numerosos centros de ensino do mundo islâmico, entre eles Cufa, Baçorá, Meca, Medina, Baguedade, o Egito e a Síria. Entre seus mestres estiveram Alasmai, Amade ibne Hambal e Albucari, enquanto entre aqueles que transmitiram sob sua autoridade figuraram Abu Zura Arrazi, Abu Daúde do Sijistão, Anaçai e seu filho, Ibne Abi Hatime.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 17/10/2026
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Vida

Abu Hatime Arrazi nasceu em Rei em 195 A.H. (810–811). Por residir no bairro de Darbe Hanzala, na cidade, era também conhecido pela nisba Alhanzali; segundo outra explicação, essa nisba, assim como as formas Atamimi e Algatafani, derivaria de alianças mantidas por seus antepassados. Começou a estudar hádice em Rei em 209 A.H. (824) e posteriormente percorreu numerosos centros de ensino do mundo islâmico, estudando com autoridades como Alasmai, Abu Nuaime Alfadle ibne Ducaine, Afane ibne Muslim, Adão ibne Abi Ias, Amade ibne Hambal e Albucari. Durante sua primeira grande viagem de estudos, que se prolongou por sete anos, Abu Hatime percorreu, muitas vezes a pé, Cufa, Baçorá, Meca, Medina, Baguedade, Barém, o Egito, Ramla, Jerusalém, Tiberíades, Tarso, Damasco, Hómece, Antioquia, Ascalão e Raca. Enfrentou dificuldades financeiras durante essas viagens. Quando chegou a Baçorá em 214 A.H. (829), pretendia permanecer ali durante um ano, mas, depois de esgotar seus recursos, começou a vender as próprias roupas e acabou deixando a cidade após oito meses. Aos vinte anos, já havia visitado várias vezes grande parte dos centros de ensino pelos quais passou. Entre 242 e 245 A.H. (856–859), empreendeu uma segunda grande viagem em busca de conhecimento.

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Atividade como tradicionalista

Abu Hatime foi uma das principais autoridades de sua época na transmissão e crítica do hádice e recebeu o título de amīr al-muʾminīn fī al-ḥadīth ("comandante dos crentes no hádice"). Era reputado pelo conhecimento minucioso dos transmissores e pela capacidade de identificar rapidamente defeitos sutis (ilal) nas tradições. Conhecia também as questões sobre as quais os companheiros de Maomé divergiam e as opiniões jurídicas dos tabis e das gerações posteriores. Sua severidade como crítico tornou particularmente significativa sua avaliação positiva de um transmissor: aqueles que considerava confiáveis eram geralmente aceitos sem hesitação. Em contrapartida, devido ao rigor de seus critérios, recomendava-se que seus juízos negativos fossem confrontados com as avaliações de outros críticos antes que um transmissor por ele considerado fraco fosse rejeitado. Sua memória também se tornou célebre entre os tradicionalistas. Quando Maomé ibne Iáia Aduali, que se especializara nas transmissões de Ibne Xiabe Azuri, visitou Rei, Abu Hatime recitou-lhe treze tradições transmitidas por Azuri, das quais Aduali reconheceu desconhecer dez. Em outra ocasião, ao participar de uma sessão do tradicionalista Abu Alualide Ataialisi, Abu Hatime prometeu pagar um dirrã por cada hádice que alguém presente conseguisse transmitir e que ele ainda não tivesse ouvido, mas ninguém teria conseguido apresentar-lhe uma tradição que desconhecesse. Seu mestre Iunus ibne Abedalal Açadafi considerava Abu Hatime e Abu Zura Arrazi os dois grandes imames do Coração e afirmava que a presença de ambos entre os muçulmanos constituía uma misericórdia.

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Obras

Nenhuma das obras atribuídas a Abu Hatime chegou integralmente à atualidade. Seu Kitāb al-Zuhd, dedicado ao ascetismo, é parcialmente conhecido por uma seleção preservada em manuscrito na Biblioteca Azairia, em Damasco. De seu Tafsīr al-Qurʾān al-ʿaẓīm, obra de exegese corânica, sobrevive o terceiro volume em manuscrito conservado na Biblioteca Mamudia, em Medina. Algumas de suas avaliações de transmissores foram ainda reunidas por Albarzai no al-Ḍuʿafāʾ wa-l-kadhdhābūn wa-l-matrūkūn min aṣḥāb al-ḥadīth. São também atribuídos a Abu Hatime o Ṭabaqāt al-tābiʿīn e o al-Jāmiʿ fī al-fiqh, embora não se saiba se essas obras sobreviveram. Também se atribuiu a Abu Hatime uma obra intitulada al-Iʿtiqād. Fuat Sezgin, baseando-se numa passagem de Ibne Abi Ialá, incluiu-a entre seus escritos, mas a informação não aparece explicitamente no Ṭabaqāt al-Ḥanābila, e Adaabi, embora tenha preservado algumas das opiniões doutrinais de Abu Hatime, não menciona uma obra com esse título. Por outro lado, o Kitāb al-Zīna e o Aʿlām al-nubuwwa, atribuídos a ele em algumas obras bibliográficas, pertencem na realidade a outro Abu Hatime Arrazi, missionário ismaelita homônimo.

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