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Abu Daúde do Sijistão

Abu Daúde Assijistani, nome completo Abu Daúde Solimão ibne Alaxate ibne Isaque Assijistani Alazedi, foi um estudioso muçulmano especializado em hádice e jurisprudência islâmica. De origem azedita, iniciou seus estudos no Sistão e percorreu importantes centros de ensino do mundo islâmico, entre eles Baguedade, Baçorá, Meca, Cufa, Damasco e o Egito, estudando com numerosos tradicionistas. Entre seus mestres estiveram Amade ibne Hambal, Iáia ibne Maine e Ali ibne Almadini, e entre seus discípulos figuraram Maomé ibne Issa Atirmidi e Anaçai.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 07/10/2026
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Vida

Abu Daúde Assijistani nasceu no Sistão em 202 A.H. (817–818), embora também se tenha proposto o ano de 203 A.H. (818–819). Seu nome completo era Abu Daúde Solimão ibne Alaxate ibne Isaque Assijistani Alazedi. Sua família era originária da tribo iemenita dos azeditas, razão pela qual também recebeu a nisba Alazedi, além de Assijezi, igualmente alusiva à sua origem sistanesa. Segundo uma tradição, seu avô chamava-se Bixer ou Xadade, enquanto seu bisavô Inrane teria combatido ao lado de Ali ibne Abi Talibe na Batalha de Sifim, na qual teria morrido. Pertencia a uma família abastada, cujas fundações pias permaneceram em funcionamento durante muito tempo. Abu Daúde iniciou seus estudos no Sistão e, aos dezoito anos, empreendeu viagens com o objetivo de aprofundar seus conhecimentos de hádice. Dirigiu-se inicialmente a Baguedade e depois a Baçorá, onde permaneceu por longo período. Entre seus primeiros mestres encontrava-se Muslim ibne Ibraim Alazedi, tradicionista de Baçorá de quem teria obtido particular proveito. Posteriormente percorreu os principais centros de estudos islâmicos de seu tempo e estudou com numerosos estudiosos que também foram mestres de Albucari e Muslim ibne Alhajaje. Em Meca, estudou com Alcanabi e Solimão ibne Harbe; em 221 A.H. (836), em Cufa, com Alhaçane ibne Arrabi Alburani e Amade ibne Iunus Aliarbui; em Alepo, com Abu Tauba Alhalabi; em Harrã, com Abu Jafar Anufaili; em 222 A.H. (837), em Hómece, com Haiua ibne Xurai ibne Iázide e Iázide ibne Abede Rabi; em Damasco, com Hixame ibne Amar; no Coração, com Isaque ibne Rauaia; em Bactro, com Cutaiba ibne Saíde; e no Egito, com Amade ibne Sale Almisri. Entre outros mestres destacados figuraram Ali ibne Almadini, Saíde ibne Almançor e Iáia ibne Maine. Ibne Hajar de Ascalão estimou em cerca de trezentos o número de seus mestres.

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Estudos de hádice

Abu Daúde destacou-se particularmente pela capacidade de distinguir os hádices fracos dos autênticos, identificar defeitos sutis nas transmissões e avaliar criticamente os transmissores. Evitava emitir juízos sobre transmissores acerca dos quais não possuísse informações seguras e não considerava suficientes acusações genéricas contra sua confiabilidade, exigindo que fossem explicitadas as razões pelas quais haviam sido criticados. Ao mesmo tempo, era rigoroso com aqueles que considerava incapazes ou inadequados para a transmissão de hádices, não se abstendo de criticar nem mesmo pessoas próximas. Seu método de seleção admitia uma tradição quando não houvesse interrupção em sua cadeia de transmissão e não existisse consenso sobre a fraqueza de seus transmissores. Segundo a tradição preservada acerca da composição do Sunan, Abu Daúde teria selecionado para a obra cerca de 4 800 tradições entre aproximadamente 500 mil que havia registrado ao longo da vida. Sua competência recebeu avaliações particularmente elevadas de estudiosos contemporâneos e posteriores. Muça ibne Harune afirmou não ter conhecido ninguém superior a ele; seu discípulo Abu Becre Alhalal considerava-o um dos principais imames de seu tempo e uma autoridade na determinação da solidez das tradições; e Aláqueme de Nixapur qualificou-o como o imame do hádice de sua época. Ibne Hibane incluiu-o entre os maiores estudiosos por seu conhecimento de jurisprudência e hádice, memória e piedade, enquanto Ibne Manda o enumerou, juntamente com Albucari, Muslim e Anaçai, entre os quatro tradicionistas capazes de distinguir as tradições autênticas das defeituosas.

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Obras

A principal obra de Abu Daúde é o Sunan, uma das coleções que posteriormente integraram os Seis Livros. A obra reúne cerca de 4 800 hádices relacionados sobretudo a questões de direito islâmico, abrangendo tradições de diferentes graus de autenticidade; Abu Daúde procurou indicar aquelas que considerava extremamente fracas. O livro alcançou ampla circulação no mundo islâmico e recebeu numerosos comentários. Outra obra importante é o al-Marāsīl, que reúne 544 hádices mursais e é apresentado pela TDV como uma obra pioneira nesse campo. O Masāʾil al-Imām Aḥmad ibn Ḥanbal, também conhecido por título alternativo, reúne respostas de Amade ibne Hambal a questões registradas por Abu Daúde e encontra-se organizado segundo capítulos de jurisprudência. Já o Ijābātuhu ʿalā suʾālāt Abī ʿUbayd Muḥammad ibn ʿAlī ibn ʿUthmān al-Ājurrī, compilado por seu discípulo Abu Ubaide Alajurri, contém suas respostas a perguntas relativas à avaliação crítica dos transmissores de hádice e era composto por cinco partes. Abu Daúde escreveu ainda a Risālat Abī Dāwūd ilā ahl Makka fī waṣf Sunanihi, na qual descreveu seu próprio Sunan e o comparou com obras semelhantes, procedimento pouco comum em sua época. Entre seus demais escritos mencionados pelas fontes encontram-se o Kitāb al-Zuhd, sobre ascetismo; o Tasmiyat al-ikhwa alladhīna ruwiya ʿanhum al-ḥadīth, dedicado a irmãos dos quais foram transmitidos hádices; o Kitāb al-Baʿth wa-l-nushūr; e o Kitāb al-Qadar, também conhecido como al-Radd ʿalā ahl al-Qadar e al-Radd ʿalā al-Qadariyya. A sobrevivência desta última obra é desconhecida.

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Fontes consultadas

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