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Aduli

Maomé ibne Iáia Aduali, nome pelo qual ficou conhecido Abu Abedalá Maomé ibne Iáia ibne Abedalá Aduali Aniçaburi, foi um tradicionalista e crítico de hádice muçulmano. Natural de Nixapur, realizou extensas viagens em busca de conhecimento por importantes centros do mundo islâmico, entre eles Rei, Ispaã, Baçorá, Cufa, Baguedade, Meca, Medina, o Iêmem, o Egito e a Síria. Estudou com numerosos tradicionalistas e tornou-se, por sua vez, mestre de figuras como Ibne Maja, Atirmidi, Abu Hatime Arrazi, Anaçai e Muslim ibne Alhajaje.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 22/10/2026
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Vida

Aduali nasceu provavelmente em Nixapur por volta de 172 A.H. (788–789). Enquanto registrava hádices nas sessões de Iáia ibne Iáia Almincari, chamou a atenção do tradicionalista nixapurense Ali ibne Salama Alabaqui pela qualidade de sua escrita e pela precisão com que anotava as tradições. Por recomendação deste, iniciou viagens em busca de conhecimento, percorrendo Nixapur, Rei, Ispaã, Baçorá, Cufa, Uacite, Baguedade, Meca, Medina, o Iêmem, o Egito, a Síria e a Jazira. Entre os estudiosos dos quais transmitiu hádices estiveram Abederramão ibne Mádi, Abu Daúde Ataialici, Abede Arrazaque Açanani, Maomé ibne Iúçufe Alfiriabi, Huraibi, Nuaime ibne Hamade, Ibne Numair e Ibne Uara, este último mais jovem que ele. Transmitiram sob a autoridade de Aduali alguns de seus próprios mestres, entre eles Saíde ibne Almançor, Saíde ibne Abi Mariam, Abu Jafar Anafili e Anre ibne Calide, além de tradicionalistas como Ibne Maja, Atirmidi, Abu Hatime Arrazi, Anaçai e Ibne Abi Daúde. Muslim ibne Alhajaje também esteve entre seus discípulos e inicialmente transmitiu grande quantidade de hádices sob sua autoridade, mas posteriormente rompeu com o mestre em consequência da controvérsia entre Aduali e Albucari acerca da questão da criação do Alcorão. Aduali morreu em Rabi Alaual ou Rabi Atani de 258 A.H. (janeiro ou fevereiro de 872). Sua oração fúnebre foi conduzida por Maomé ibne Tair, emir do Coração.

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Atividade como tradicionalista

Aduali adquiriu especial reputação por reunir e organizar as tradições transmitidas por Ibne Xiabe Azuri, domínio que lhe valeu ser também chamado de "Azuri". Quando visitou Baguedade, transmitiu aos estudiosos locais os hádices de Azuri que havia compilado. Amade ibne Hambal elogiou seu conhecimento e afirmou que ninguém com maior domínio das tradições de Azuri havia chegado à cidade. Iáia ibne Maine, quando questionado sobre por que não havia realizado sua própria compilação dessas tradições, respondeu considerar suficiente o trabalho de Aduali, enquanto Ali ibne Almadini o qualificou como "herdeiro de Azuri". Sua reputação estendia-se à crítica do hádice. Recebeu o título de amīr al-muʾminīn fī al-ḥadīth ("comandante dos crentes no hádice"), concedido aos mais destacados memorizadores de hádice de sua época, e foi considerado uma das principais autoridades no estudo dos defeitos ocultos (ilal) das tradições. Os especialistas em hádice qualificaram-no como conhecedor, hafiz, preciso e confiável. Adaracutni recomendava àqueles que quisessem compreender a extensão de sua própria ignorância acerca do conhecimento dos primeiros estudiosos que examinassem o ʿIlal ḥadīth al-Zuhrī de Aduali. Zanjauai ibne Maomé Aniçaburi relatou ainda que seus mestres diziam não merecer consideração um hádice desconhecido por Aduali. Ibne Cuzaima, seu discípulo, chamou-o de "imame de sua época" e comparou a reputação que alcançara em Nixapur à de Amade ibne Hambal em Baguedade e à de Maleque ibne Anas em Medina.

Controvérsia com Albucari

Aduali tornou-se particularmente conhecido pela controvérsia que manteve com Albucari acerca da questão da criação do Alcorão. Quando Albucari chegou a Nixapur em 250 A.H. (864), foi recebido com grande interesse. Aduali, que havia sido seu mestre, recomendou aos próprios discípulos que fossem recebê-lo e esteve pessoalmente entre os que lhe deram as boas-vindas. Ao mesmo tempo, advertiu os estudiosos locais para que não interrogassem Albucari sobre questões de calâm, temendo que uma opinião divergente provocasse uma disputa que favorecesse grupos como carijitas, rafiditas, jamitas e murjitas presentes no Coração. Apesar dessa advertência, durante uma reunião concorrida Albucari foi questionado sobre se a pronúncia humana do Alcorão era criada. Respondeu que a recitação ou pronúncia do Alcorão pelas pessoas constituía um ato humano e que os atos humanos eram criados por Deus. A resposta provocou divergências entre os presentes e desencadeou uma disputa entre os dois estudiosos. Aduali sustentava que o Alcorão não era criado e considerava também inadmissível afirmar que a pronúncia e a escrita humanas dele fossem criadas. Declarou que quem afirmasse a criação do Alcorão deixaria a fé, que suspender o julgamento sobre a questão também constituía incredulidade e que aqueles que considerassem criada a pronúncia humana do Alcorão eram inovadores com os quais não se deveria manter convívio religioso. Albucari expôs posteriormente sua própria posição sobre a questão em Khalq afʿāl al-ʿibād.

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Obras

A especialização de Aduali nas tradições de Ibne Xiabe Azuri refletiu-se em suas principais obras. al-Zuhriyyāt reunia os hádices transmitidos por Azuri e foi responsável por grande parte da reputação de seu autor em Nixapur e em outros centros do mundo islâmico. Um pequeno fragmento da obra, composto por 33 hádices e datado do século XIII, foi preservado na Biblioteca Azairia, em Damasco. Esse material foi posteriormente objeto de estudo e edição por Sulaymān ibn Saʿd ibn Murayzīn al-Wuṣayrī, cujo trabalho sobre Aduali foi publicado em dois volumes em Meca em 1999. Depois de compor al-Zuhriyyāt, Aduali viajou ao Egito, onde Amade ibne Sale Atabari Almisri lhe chamou a atenção para a presença, na coletânea, de tradições transmitidas de Azuri por narradores fracos. Após aprofundar seus conhecimentos na crítica do hádice, Aduali examinou os defeitos dessas transmissões em uma obra própria, ʿIlal ḥadīth al-Zuhrī, que também chegou parcialmente à atualidade. São-lhe atribuídos ainda al-Juzʾ, conhecido por uma transmissão posteriormente utilizada por Ibne Hajar de Ascalão no Fatḥ al-bārī e preservado em manuscrito no Cairo, e Kitāb al-Tawakkul. As fontes indicam que Aduali escreveu numerosas outras obras; segundo uma tradição, depois de sua morte teriam sido enterrados cerca de dois mil juz de seus livros.

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