Pesquisa · Mapa mental

Jabir ibne Abedalá

Abu Abedalá Jabir ibne Abedalá ibne Anre ibne Harame Alançari foi um proeminente companheiro do profeta islâmico Maomé e narrador de hádices.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 28/07/2026
01

Vida

Primeiros anos

Jabir ibne Abedalá nasceu em Medina em 607. Pertencia ao clã salimaíta dos cazerajitas e também era conhecido pelas cúnias Abu Abederramão e Abu Maomé. Seu pai era Abedalá ibne Anre ibne Harame, um dos companheiros de Maomé morto na Batalha de Uude (625), e sua mãe era Aniça (Unaiça) binte Anama, uma das mulheres companheiras que prestaram o juramento de fidelidade ao profeta. Em 622, Jabir participou com seu pai do Segundo Juramento de Ácaba e era o mais jovem membro da delegação. Segundo ele próprio, na época era ainda uma criança tão pequena que mal conseguia atirar uma pedra. Embora se relate, com base em sua narração, que teria participado da Batalha de Badre (624) e, devido à escassez de água, descido a um poço para encher os baldes (Abu Daúde Assijistani, Jihād, 141), as tradições autênticas indicam (Muslim, Jihād, 145) que ele não esteve presente nessa batalha, pois foi incumbido por seu pai dos cuidados de suas sete (ou nove) irmãs. Quando eventualmente seu pai foi morto em Uude, Jabir compareceu a todas as expedições.

Tempo de Maomé

A primeira expedição que Jabir tomou parte foi a Expedição de Hâmera Alaçade, realizada logo após Uude para perseguir o inimigo. Ao saber que apenas aqueles que haviam combatido em Uude no dia anterior estavam autorizados a participar, apresentou-se diante de Maomé e explicou que não pudera ir à batalha por ter de cuidar das irmãs, obtendo dele uma autorização especial. Depois disso, participou de dezenove expedições juntamente com o profeta. Esteve presente no Juramento da Satisfação (Bayʿat al-Riḍwān) em Hudaibia e narrou que o profeta disse ali aos 1 400 presentes: "Hoje vós sois as melhores pessoas da terra" (Albucari, Maghāzī, 35). Nos últimos anos de sua vida, ao mencionar esse episódio, dizia que, se não tivesse perdido a visão, poderia indicar a árvore sob a qual haviam prestado o juramento.

Período califal inicial

Segundo a tradição predominante nas fontes xiitas, Jabir figura, ao lado de Salmã, Abu Dar Alguifari e outros, entre os seis ou sete companheiros que, no episódio da Saquifa, permaneceram fiéis aa Ali, reconhecendo-lhe o direito ao imamato e à sucessão de Maomé. Dos relatos transmitidos por Jabir, sabe-se sobre ações de Omar (r. 634–344), das conquistas islâmicas, das revoltas contra Otomão (r. 644–656) e seu eventual assassinato, sobre as campanhas de Ali e acontecimentos do califado de Moáuia I (r. 661–680). Aparentemente, participou de diversas campanhas militares, especialmente da conquista da Síria, e sabe-se que foi encarregado por Omar de representar sua tribo (arife) entre os ançares. A tradição xiita afirma que combateu ao lado de Ali na Batalha de Sifim contra Moáuia. Em 660/1, às vésperas do assassinato de Ali, Moáuia envio a Medina Busre ibne Abi Artate para exigir que a população prestasse juramento de fidelidade a ele. Diz-se que Jabir qualificou esse ato como uma "aliança do desvio" (bayʿat ḍalāl) e criticou o comportamento de Moáuia para com os habitantes de Medina. Jabir declarou que não aceitaria o juramento de ninguém antes de prestar o seu próprio. Em seguida, após consultar a mãe dos crentes, Ume Salama, prestou juramento, ainda que contrariado. Pouco depois, numa viagem à Síria, adotou uma postura crítica diante de Moáuia, recusando seus presentes (Almaçudi, 3/115–116).

02

Xiismo

Jabir está entre aqueles companheiros cuja veneração é consensual tanto entre xiitas quanto entre sunitas. Suas posições específicas em relação à Ahl al-Bayt (família de Maomé) e sua postura crítica não apenas em relação aos primeiros califas e aos califas omíadas levaram os xiitas a considerá-lo entre os precursores de sua escola. Segundo uma tradição, o imame Jafar Açadique incluiu Jabir entre aqueles que se dedicaram inteiramente à Ahl al-Bayt, e em outra tradição ele figura entre alguns dos companheiros de Ali aos quais foi anunciada a boa-nova do Paraíso. Alcaxi também transmitiu diversos relatos em seu elogio, um dos quais o hádice no qual Maomé teria previsto a longa vida de Jabir e lhe pedido que transmitisse suas saudações a Maomé Albaquir, o quinto imame dos xiitas. Os relatos de Jabir são utilizados em temas como a designação (waṣāya) de Ali, sua autoridade sobre os crentes, a identificação do "caminho reto" com ele e o papel dos doze imames na religião. Segundo tradições de origem xiita, Jabir teria transmitido pessoalmente ao imame Albaquir a saudação enviada por Maomé. Afirma-se ainda que, com a permissão de Fátima, ele copiou um documento escrito enviado diretamente por Deus a ela, no qual constavam os nomes dos imames e a ordem de sua sucessão. Quando Albaquir se encontrou com Jabir, interrogou-o sobre esse documento, comparou a cópia feita por ele com a que possuía e constatou que não havia diferenças entre elas. Nenhuma dessas alegações aparece nas fontes sunitas.

03

Ensino

Jabir desfrutava de especial prestígio científico entre os companheiros. Segundo Hixame ibne Urua, ele mantinha um círculo de ensino na Mesquita do Profeta, em torno do qual se reuniam seguidores da geração dos tabis, como seus filhos Abederramão, Aquil e Maomé, bem como Saíde ibne Almuçaíbe, Ata ibne Abi Raba, Haçane de Baçorá, Maomé ibne Almoncadir, Bilal ibne Sade, Mujaide, Amir Axabi, Taus ibne Caiçane e Maomé Albaquir. Quanto à sua posição intelectual, Jabir deve ser contado entre os companheiros mais jovens, com uma inclinação mais próxima de Ibne Abas e distinta da de Ibne Omar. Embora algumas leituras e grafias do texto do Alcorão tenham sido atribuídas a ele, sua abordagem do Alcorão era predominantemente interpretativa. Além dos hádices exegéticos transmitidos por ele, os textos de exegese narrativa também preservam um conjunto de suas opiniões interpretativas. Entre os relatos exegéticos preservados de Jabir, as ocasiões da revelação (asbāb al-nuzūl) ocupam lugar especial, de modo que algumas narrativas indicam que ele era uma referência para os tabis em questões relativas a esse tema.

04

Hádices

Jabir transmitiu numerosos hádices de Maomé, bem como de Abacar, Omar, Ali, Amar ibne Iacir, Abu Ubaida ibne Aljarrá, Muade ibne Jabal, Zobair ibne Alauame, Abuçaíde Alcudri, Abu Huraira e outros companheiros. Ele próprio tornou-se uma referência para o hádice profético entre os tabis, e figuras proeminentes dessa geração, em Medina — como Saíde ibne Almuçaíbe, Abu Salama ibne Abederramão, Solimão ibne Iaçar, Urua ibne Azobair, Maomé ibne Almoncadir e Ibne Xiabe Azuri —, bem como tabis de Meca, como Ata ibne Abi Raba, Mujaide ibne Jabre, Anre ibne Dinar, Abu Azobair Almaqui e Icrima, liberto de Ibne Abas, aprenderam hádice com ele. Entre eles aparecem nomes célebres de outras regiões, como Haçane de Baçorá, Amir Axabi de Cufa e Taus ibne Caiçane do Iêmem. Jabir é um dos seis companheiros que transmitiram mais de mil hádices (al-muksirūn), com 1 540 relatos preservados nas coleções. 58 deles constam em Albucari e Muslim; além disso, 26 aparecem apenas no Ṣaḥīḥ de Albucari e 126 apenas no Ṣaḥīḥ de Muslim. Seus relatos encontram-se reunidos também no Musnade de Amade ibne Hambal (III, 292–400). Menciona-se ainda uma folha (ṣaḥīfa) intitulada Kitāb al-Manāsik, contendo suas tradições sobre a peregrinação. Sabe-se que Jabir empreendeu uma longa viagem de um mês, montado em camelo, até Damasco para ouvir diretamente de Abedalá ibne Unais um hádice que este ouvira do profeta, segundo o qual quem tivesse cometido injustiça contra alguém não entraria no Paraíso (Albucari, Tawḥīd, 32).

05

Direito islâmico

Jabir figurava entre os companheiros que emitiam pareceres jurídicos (fátuas) em Medina, e suas fátuas ocupam o volume de um pequeno caderno. Registra-se também que um de seus discípulos, Solimão ibne Caice Aliascuri, escreveu e transmitiu uma ṣaḥīfa a partir dele (Ibne Hajar, Tahdhīb al-Tahdhīb, IV, 215). Nos círculos xiitas, embora os relatos jurídicos preservados de Jabir nas Quatro Obras e em outras coletâneas de hádices sejam poucos, uma cadeia de transmissão apresentada na Mashyakha de Man lā yaḥḍuruhu al-faqīh (Ibne Babauai, 4/445) mostra que, nos primeiros séculos da Hégira, ainda circulava entre os imamitas uma versão contendo um conjunto de tradições jurídicas de Jabir. Na cadeia dessa versão aparecem nomes como Jabir Aljufi e Almufadal ibne Omar como transmissores. No campo do direito islâmico (fiqh), Jabir era reconhecido como autoridade emissora de pareceres jurídicos em Medina e, especialmente após a morte de Abedalá ibne Omar (m. 693), tornou-se uma referência incontestável no fiqh medinense. Não apenas uma parte significativa dos hádices transmitidos por Jabir nas obras sunitas possui valor jurídico, como também seus pareceres (fátuas), enquanto jurista e mufti de Medina, foram considerados pelos estudiosos posteriores e registrados nas obras de tradições jurídicas. Abu Isaque Axirazi o incluiu entre os companheiros dos quais o fiqh foi aprendido, e, na prática, uma ampla gama de suas opiniões jurídicas pode ser rastreada em diversas fontes. Parte importante dessas opiniões pode ser encontrada nos escritos antigos das escolas maliquita e xafeíta, e outra parte nas obras de fiqh comparado. Ele por vezes também transmitiu pareceres jurídicos de companheiros influentes, como Abacar e Omar. Mūsā ibn ʿAlī ibn Muḥammad Amīr, em um livro intitulado Jabir wa-fiqhuhu, esforçou-se por apresentar uma forma sistematizada do fiqh de Jabir com base nas amplas transmissões presentes nas fontes (Beirute, 2000).

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando