Abdalazize da Arábia Saudita
Abdalazize bin Abdul Rahman Al Saud, também conhecido como Ibn Saud, foi um líder militar, estadista e religioso najdi. Ele é reconhecido como o fundador e primeiro Rei da Arábia Saudita, reinando de 23 de setembro de 1932 até sua morte em 1953. Sua influência e governo sobre partes do reino começaram já em 1902, tendo detido os títulos de Emir, Sultão, Rei de Négede e Rei de Hejaz antes da unificação.
Pontos-chave
- Ibn Saud fundou o terceiro Estado saudita e se tornou o primeiro Rei da Arábia Saudita em 1932.
- Ele reconquistou Riade em 1902, marcando o início de sua ascensão ao poder e a formação do novo Estado.
- A descoberta de petróleo em 1938 impulsionou o poder e a influência da Arábia Saudita sob seu governo.
- Ibn Saud foi um líder carismático que buscou unificar tribos e impor uma ideologia baseada no Wahhabismo.
- Ele estabeleceu as bases das relações entre a Arábia Saudita e os EUA durante a Segunda Guerra Mundial.
A família Al Saud, influenciada pelo Wahhabismo, já havia sido uma potência na Arábia central. Abdulaziz bin Abdul Rahman, ou Ibn Saud, nasceu em 15 de janeiro de 1876 em Riade. Ele era o quarto filho de Abdul Rahman bin Faisal, um dos últimos governantes do Emirado de Négede. Sua mãe era Sara bint Ahmed Al Sudairi. Ele teve vários irmãos e meio-irmãos que desempenharam papéis no governo saudita e recebeu educação religiosa em Riade.
Em 1891, os rivais da Casa de Saud, os Al Rashid, conquistaram Riade, forçando Ibn Saud e sua família ao exílio. Após passagens pelo deserto, Catar e Bahrein, eles se estabeleceram no Kuwait por quase uma década. Em 1901, Ibn Saud liderou uma expedição ao Négede. Apesar das tentativas de seu pai e de outros líderes para dissuadi-lo, ele invadiu Riade na noite de 15 de janeiro de 1902, tomou a cidade e matou o governador rashidi, marcando o início do terceiro Estado saudita.
Após a captura de Riade, Ibn Saud atraiu muitos apoiadores e, nos dois anos seguintes, recuperou quase metade do Négede dos Rashidis. Em 1904, enfrentou forças otomanas e rashidis, sofrendo uma derrota inicial, mas depois empregou táticas de guerrilha para cortar suas rotas de suprimento. Seus esforços resultaram na nomeação como qaimmaqam do Négede do sul pelos otomanos em 1905 e, após a vitória em Rawdat Muhanna em 1906, a presença otomana na região foi encerrada. Essa vitória, contudo, gerou temores no governante kuwaitiano Mubarak Al Sabah sobre a crescente preeminência saudita.
A descoberta de petróleo na Arábia Saudita em 1938 pela Chevron Corporation, após uma concessão de Ibn Saud em 1933, transformou o reino. Em 1944, ele concedeu autoridade significativa sobre os campos petrolíferos a empresas americanas. Desde 1915, um pacto com a Grã-Bretanha ajudou a controlar sua milícia. A riqueza do petróleo permitiu a Ibn Saud assentar tribos nômades e impor a ideologia do Wahhabismo, o que levou a controvérsias com ritos de peregrinação tradicionais e declarações conciliatórias a governos muçulmanos. A supressão da revolta dos Ikhwan em 1929 consolidou sua ideologia, encerrando séculos de práticas religiosas aceitas no Hajj.
Após a unificação, Ibn Saud focou na segurança das fronteiras. A Guerra Saudita-Iemenita de 1934, motivada por disputas territoriais, foi um conflito breve e decisivo. As forças sauditas avançaram rapidamente, e o Tratado de Taif encerrou a guerra, reconhecendo a soberania saudita sobre Asir, Jazan e Najran, enquanto Ibn Saud retirava suas tropas de territórios iemenitas. Além disso, ele trabalhou para estabilizar a fronteira norte, suprimindo incursões dos Ikhwan e assinando acordos de fronteira, como o Tratado de Hadda, para garantir relações pacíficas com os vizinhos haxemitas sob arbitragem britânica.
A generosidade de Ibn Saud era amplamente conhecida e respeitada. Ele frequentemente direcionava dinheiro aos empobrecidos, o que fazia com que sua aparição fosse ansiosamente aguardada. Há relatos de que ele ordenou que dez sacos de dinheiro fossem entregues a uma idosa e que ele próprio deu sua capa a um homem em farrapos, além de oferecer um estipêndio. Esses atos de caridade lhe renderam grande estima entre seu povo.
Ibn Saud manteve a Arábia Saudita neutra na Segunda Guerra Mundial, embora fosse geralmente visto como favorável aos Aliados, chegando a abrigar o embaixador alemão Fritz Grobba em 1938. Nos últimos estágios da guerra, ele se encontrou com figuras políticas importantes: o presidente dos EUA Franklin D. Roosevelt em fevereiro de 1945, a bordo do USS Quincy, um encontro que estabeleceu as bases das futuras relações EUA-Arábia Saudita; e o primeiro-ministro britânico Winston Churchill, no Egito, onde a questão da Palestina foi um ponto central, mas o encontro foi considerado improdutivo em comparação com o de Roosevelt.
Ibn Saud era um homem alto (entre 1,85m e 1,88m), conhecido por sua personalidade encantadora e carismática. Ele teve vinte e duas consortes, muitos de seus casamentos arranjados para formar alianças. Além das esposas legais, mantinha concubinas. Foi pai de quase cem filhos, incluindo 45 meninos. Em 1924, uma de suas consortes o envenenou, causando-lhe pouca visão em um olho, mas ele a perdoou e se divorciou. Suas consortes favoritas incluíam Al Jawhara, Hussa, Munaiyir e Shahida.
Relações com Membros da Família
Ibn Saud era muito próximo de sua tia paterna, Jawhara bint Faisal, que o inspirou a recuperar a glória da Casa de Saud durante o exílio no Kuwait. Ela era uma conselheira confiável e influente, bem versada em islamismo, costumes árabes e relações tribais. Ele a visitava diariamente até sua morte por volta de 1930.
Tentativas de Assassinato
Em 15 de março de 1935, três homens armados de Omã tentaram assassinar Ibn Saud durante o Hajj, mas ele sobreviveu ileso graças à intervenção do príncipe herdeiro. Outra tentativa ocorreu em 1951, quando o capitão Abdullah Al Mandili tentou bombardear o acampamento do rei de um avião, mas falhou e fugiu para o Iraque.
Sucessor
O filho mais velho de Ibn Saud, Turki, morreu aos 18 anos. Em 1933, Ibn Saud nomeou seu segundo filho, Príncipe Saud, como herdeiro, apesar das disputas com seu irmão Muhammad bin Abdul Rahman. Embora Ibn Saud considerasse o Príncipe Faisal mais capaz devido à sua experiência e conhecimento, ele manteve Saud como príncipe herdeiro para garantir a estabilidade do reino.
Ibn Saud enfatizava que 'duas coisas são essenciais para nosso Estado e nosso povo... religião e os direitos herdados de nossos pais'. Ele apoiava a educação feminina, afirmando que 'é permitido que as mulheres leiam'. Embora mantivesse servos e regulasse a escravidão em 1936, foi seu filho, o Rei Faisal, quem a aboliu em 1967. Suas relações com os britânicos eram cautelosas, guiadas por sua religião e honra, enquanto ele nutria visões muito mais positivas sobre os Estados Unidos, preferindo fazer negócios e contrair dívidas com eles em vez de outras nações ou agências internacionais.
Nos seus últimos anos, Ibn Saud sofreu de doença cardíaca, artrite e estava parcialmente cego. Sua condição piorou em outubro de 1953. Na noite de 8 de novembro, ele recitou a shahada várias vezes antes de morrer dormindo de um ataque cardíaco no Palácio Shubra, em Ta'if, em 9 de novembro de 1953, aos 77 anos. O Príncipe Faisal estava ao seu lado. Após a oração fúnebre em Al Hawiyah, seu corpo foi levado para Riade e sepultado no Cemitério de Al Oud, ao lado de sua irmã Noura. O presidente dos EUA, Dwight D. Eisenhower, e o secretário de Estado John Foster Dulles prestaram homenagens, destacando suas realizações como estadista.


