Estado Islâmico de Coraçone
O Estado Islâmico de Coraçone (EI-C), também conhecido como Estado Islâmico – Khorasan ou Estado Islâmico – Província de Khorasan (EI-K), é uma organização militar salafita jihadista. Atuando como um ramo do grupo Estado Islâmico, suas operações se concentram principalmente no Afeganistão e no Paquistão, com atividade notável na região fronteiriça do leste afegão e norte paquistanês. Sua área de influência também se estende a outras partes do sul da Ásia, incluindo a Índia.
Pontos-chave
- O EI-C é um braço do Estado Islâmico ativo no Afeganistão e Paquistão, com foco na região fronteiriça.
- Sua formação em 2015 resultou da união de militantes locais, incluindo desertores do Talibã, que juraram lealdade a Abu Bakr al-Baghdadi.
- Hafiz Khan Saeed foi o primeiro líder local (wali), e Abdul Rauf Aliza foi seu vice, morto por um ataque de drones.
- O grupo expandiu-se recrutando membros do Talibã insatisfeitos, levando a confrontos com a liderança talibã.
- Embora tenha estabelecido bases no Afeganistão, sua atuação no Paquistão tem sido mais limitada a ataques isolados.
Em setembro de 2014, o Estado Islâmico iniciou contatos com militantes paquistaneses, incluindo facções do Tehrik-i-Taliban Pakistan (TTP), após meses de discussões. Simultaneamente, materiais de propaganda do Estado Islâmico, como panfletos em pashto e dari, começaram a ser distribuídos no Paquistão, convocando muçulmanos a jurar lealdade a Abu Bakr al-Baghdadi. Acredita-se que esses materiais eram produzidos no Afeganistão. Em outubro de 2014, o ex-comandante talibã Abdul Rauf Khadim visitou o Iraque e, ao retornar ao Afeganistão, recrutou seguidores nas províncias de Helmand e Farah. No mesmo mês, seis comandantes do TTP, incluindo Hafiz Khan Saeed e Shahidullah Shahid, desertaram publicamente do TTP e juraram fidelidade a Abu Bakr al-Baghdadi.
Em 26 de janeiro de 2015, Abu Muhammad al-Adnani, porta-voz oficial do Estado Islâmico, anunciou a expansão do califado com a criação do Wilayat Khorasan (Província de Coraçone), uma região histórica que abrange partes do Afeganistão e Paquistão. Hafiz Khan Saeed foi nomeado líder local (wali), e Abdul Rauf Aliza como seu vice, embora este último tenha sido morto por um ataque de drones dos EUA semanas depois. O EI-K começou a recrutar ativamente desertores do Talibã, especialmente aqueles insatisfeitos com a liderança ou os resultados em campo. Isso levou Akhtar Mansour, líder do Talibã, a pedir a Abu Bakr al-Baghdadi que cessasse o recrutamento no Afeganistão, argumentando que a guerra deveria estar sob a liderança talibã. No entanto, confrontos entre os dois grupos eclodiram em Nangarhar, e em junho de 2015, o EI-K capturou território no Afeganistão pela primeira vez, expulsando o Talibã de vários distritos. O grupo também estabeleceu presença em Helmand e Farah e, no final de 2015, iniciou transmissões de rádio em pashto e dari em Nangarhar.
Um relatório da ONU indica que até 70 combatentes do Estado Islâmico do Iraque e da Síria formaram o núcleo do EI-K no Afeganistão. Além de combatentes estrangeiros do Paquistão e Uzbequistão, a maior parte do crescimento do grupo vem do recrutamento de desertores afegãos do Talibã. O general estadunidense Sean Swindell afirmou à BBC que os membros do EI-K mantêm contato com a liderança central do Estado Islâmico na Síria, embora a natureza exata dessa relação não seja totalmente clara. Apesar de ter conseguido estabelecer uma base de operações no Afeganistão, o grupo obteve menos sucesso no Paquistão, onde suas ações se limitaram principalmente a ataques isolados e de pequena escala.


